4.6 Legislação Brasileira sobre RSE
4.7.4 Incentivos fiscais estaduais e municipais
82, o que torna o incentivo ainda mais atraente para as empresas. Na hipótese de patrocínios à produção de obras cinematográficas brasileiras de produção independente, cujos projetos tenham sido previamente aprovados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), a dedução está limitada a 6%
do imposto devido pelas pessoas físicas e 4% para pessoas jurídicas83
Compete à Ancine a aprovação dos projetos que poderão se beneficiar dos incentivos previstos na Lei do Audiovisual.
.
4.7.3.3 Lei de incentivo ao Esporte
Ainda em nível federal, cabe mencionar o incentivo fiscal instituído pela Lei n°
11.438/06, destinado a fomentar projetos desportivos e paradesportivos previamente aprovados pelo Ministério do Esporte84
Estabelece a lei que doações ou patrocínios feitos a projetos de desporto educacional, de participação ou de rendimento
.
85, poderão ser abatidos do IR a pagar, sem explicitar se esse abatimento se dará de forma integral ou parcial em relação ao montante doado ou patrocinado. Com relação ao limite de abatimento, dispõe a lei que ele é de 6% do IR devido no caso de pessoas físicas, e de 1% no caso de pessoas jurídicas86
A seleção dos projetos que poderão se valer do incentivo cabe a uma Comissão Técnica vinculada ao Ministério do Esporte
.
87.
4.7.4 Incentivos fiscais estaduais e municipais
81 Cf. Lei nº 8.685/93, arts. 1º e 1º A. O artigo 1º A, que permite o abatimento de valores destinados a título de patrocínio, foi acrescentado recentemente pela Lei nº 11.437/06.
82 Cf. Lei nº 8.685/93, art. 1º, § 4º.
83 Cf. Lei nº 8.685/93, art. 1º A, § 1º.
84 Cf. Lei nº 11.438/06, de 29 de dezembro de 2006 – Dispõe sobre incentivos e benefícios para fomentar as atividades de caráter desportivo e dá outras providências.
85 Idem, art. 2º.
86 Cf. Lei nº 11.438/06, art. 1º, § 1º.
87 Cf. Lei nº 11.438/06, art. 4º.
Como já afirmamos anteriormente, a exemplo do que ocorre na esfera federal, diversos Estados e municípios têm criado incentivos fiscais para iniciativas de interesse público, principalmente na área da cultura, com base nos tributos de sua competência.
Pode-se mencionar, como exemplo, o caso do estado do Rio Grande do Sul que, através da Lei Estadual n° 10.846/96, autorizou empresas que financiarem projetos culturais a compensar até 75% do valor aplicado com o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a recolher.
Também vale citar a Lei Municipal n° 10.923/90, que dispõe sobre incentivo fiscal para a realização de projetos culturais, no âmbito do Município de São Paulo.
Esta lei permite ao doador, patrocinador ou investidor abater, sobre o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e sobre o Imposto sobre Serviço (ISS) a pagar, 70% do valor destinado a projetos culturais até o limite de 20% do tributo devido.
4.8 Breve Conclusão
A análise dos discursos sobre RSE, bem como das “provas” materiais resultantes dessa atividade (veículos de difusão, instrumentos de validação, mecanismos de coerção, códigos, leis e regulamentos, etc.), coincide com a argumentação desenvolvida até aqui sobre o processo de institucionalização das práticas de responsabilidade social nas empresas e revela a intenção da comunidade empresarial em se organizar em torno do movimento. Sem dúvida, trata-se de uma notável transformação no comportamento do empresariado, que sempre esteve voltado para as questões econômicas e gerenciais que compõem as agendas políticas e as ações deste grupo social. Nesse sentido, o desenvolvimento de ações e projetos sociais, sejam estes desenvolvidos diretamente pelas empresas, ou por meio de parcerias com organizações sociais da sociedade civil, constituem uma ação política significativa, que poderá vir a ser forte direcionadora de processos de mudanças estruturais do contexto socioeconômico do país.
O papel do setor público, das organizações da sociedade civil, da comunidade acadêmica e da mídia, na promoção de um ambiente institucional favorável à RSE tem sido bastante notável neste processo, e por isso dedicamos aqui muita atenção em descrevê-los. Uma “prova” da tendência à institucionalização dos discursos
sobre RSE é que existe hoje uma abundância de ferramentas e instrumentos gerenciais voltados para a gestão da responsabilidade social nas empresas, além de incentivos governamentais, prêmios, títulos e certificados que atestam o desempenho organizacional nesta área. Boa parte desses instrumentos, como demonstramos, vem sido desenvolvidos por organizações da sociedade civil e freqüentemente contam com o apoio de instituições públicas ou organismos internacionais.
Todas essas iniciativas merecem atenção uma vez que estabelecem referenciais para a conduta das organizações e criam formas de proceder convencionadas como corretas e necessárias ao mundo dos negócios. Funcionam, portanto, como o conjunto de instituições que atualmente justificam e contribuem para a legitimação das práticas de RSE. Somados a estes, existe a crença de que
“vantagens” são obtidas mediante a implantação de estratégias coerentes com a ideia de RSE tais como: melhoria da imagem da empresa, maior fidelização de seus clientes e consumidores, ganhos em sustentabilidade, entre outros discursos.
Estas seriam, a nosso ver, as explicações para o crescente aumento no volume de gastos em ações sociais e projetos de investimento social privado. Assim, não é tanto a mudança de valores do empresariado que vem determinando a conduta das organizações, mas sim a crença nos discursos sobre RSE e porque os gestores acreditam que tal conduta está relacionada à sua permanência no mercado (ou seja, sua sustentabilidade) e seus ganhos diretos.
Se os gestores acreditam que a RSE está relacionada à permanência das organizações, é bastante provável que orientem seus negócios, a fim de se adequarem ao conjunto de regras compreendidas no conteúdo de RSE. A evidente relação estabelecida no ambiente institucional, entre agir de maneira socialmente responsável e ganhos em permanência/ sustentabilidade no mercado, conferirá legitimidade para encaminhar as empresas a condutas convencionadas como
“corretas”. Então, o que se pretende, no capítulo a seguir, é encontrar algumas tendências na forma como as empresas direcionam seus gastos sociais e estruturam áreas específicas para tratar o tema da responsabilidade social, tendo em vista que se trata de uma crença que pode ter se difundido de diferentes maneiras no meio empresarial. Também se pretende identificar fatores estruturais nas organizações, que facilitariam aos gestores agir conforme as normas de RSE.
Para tal apresentamos os resultados de uma pesquisa de survey realizada,
prioritariamente, junto a um grupo de grandes empresas no Brasil. O objetivo é detectar o nível de institucionalização de tais práticas, ou seja, avaliar o quanto a RSE está efetivamente incorporada às práticas empresariais dessas organizações.
5 ANÁLISE DAS PRÁTICAS DE RSE
O objetivo deste trabalho é analisar as práticas relacionadas ao movimento pela responsabilidade social entre as grandes empresas no Brasil. Com base na literatura do chamado “Novo Institucionalismo”, buscou-se fazer uma análise sobre o quanto a RSE é uma instituição– no sentido de estar efetivamente incorporada às práticas empresariais dessas organizações. Em vista desse objetivo e da abordagem teórica utilizada na presente pesquisa, neste capítulo serão apresentadas as etapas do processo de investigação, bem como os procedimentos metodológicos utilizados no processo de coleta dos dados.
Como já dito, a institucionalização das práticas de RSE pelas empresas é aqui entendida a partir da análise de cinco arranjos estruturais específicos: (i) adoção de sistemas de gestão da responsabilidade social, (ii) elaboração e/ou divulgação de balanço ou relatório social anuais; (iii) instituição de áreas específicas para tratar da responsabilidade social (formalização de área de RSE); (iv) volume de investimentos sociais; (v) e, por fim, a existência de links nos websites das empresas para o tema da RSE. Assim, investiga-se em que medida esses arranjos fazem parte do cotidiano das grandes organizações, e como eles estão incorporados à estrutura organizacional.
Este fenômeno – um processo – está inserido em determinado contexto no tempo e no espaço, e se desenvolve em diferentes graus de intensidade, como também de diferentes formas. Assim, para que fosse possível a comparação entre o desempenho das empresas, primeiramente foi necessário assegurar um critério que fosse ao mesmo tempo único e válido para escolha das empresas, pois estudos prévios demonstraram que as orientações das empresas quanto às ações de responsabilidade social dependem de diversos fatores como: o porte da empresa, setor de atuação (primário, secundário ou terciário), a origem do capital (nacional, estrangeiro ou combinação de várias nacionalidades, o que implica em visões culturais distintas), proximidade com o consumidor (que pode “punir” ou
“recompensar” a empresa), entre outros.
O critério para escolha das empresas foi feito com base na literatura acadêmica sobre o assunto. O universo para a coleta de dados foi extraído da
relação “Maiores e Melhores”, publicada no anuário da Revista EXAME84, que contém a lista das 1000 maiores empresas brasileiras não-financeiras, segundo o critério de volume de vendas, de acordo com o ano-base de 2008 (MELHORES E MAIORES, 2009). A metodologia do nosso trabalho adotou elementos da análise quantitativa, isto é, uma pesquisa do tipo survey. As respostas obtidas por meio de questionários foram posteriormente analisadas com o auxílio de um programa estatístico (IBM SPSS Statistics). Para o tratamento dos dados optou-se por utilizar inicialmente a análise descritiva e, posteriormente, serão realizados alguns testes estatísticos não-paramétricos a fim de verificar a associação entre as variáveis e comparar os grupos de empresas.