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INFORMAÇÃO DO ESTRANGEIRO

No documento Revista Completa (páginas 111-115)

Foram essas as razões pelas quais já, em Argel, o governo provisório da Re- pública se pronunciou por uma refor- ma que comportasse a igualdade real de tôdas as crianças.

O Conselho Nacional da Resistência que, durante a Ocupação, agrupava os representantes de todos os partidos po- líticos, incluiu, no seu programa, ado- tado a 15 de março de 1944 " em plena luta do povo francês contra os opresso- res", um extenso parágrafo consagra- do à reforma do ensino.

Quando êle reuniu os " Estados Ge- rais da Renascença Francesa" em Pa- ris, no dia 14 de julho de 1945, verifi- cou-se que os problemas do ensino eram o objeto dum exame e de propostas con- cretas nos " Cadernos de reivindica- ções" provenientes de 80 departamen- tos sôbre um total de 92. O governo, presidido pelo General De Gaulle, de- cidiu confiar a uma Comissão, composta de especialistas, o cuidado de preparar uma reforma completa do sistema edu- cacional na França. Essa Comissão, que trabalha há vários meses, sob a presidência do grande sábio Paul Lan- gevin, já elaborou um plano de con- junto, do qual certas partes, relativas às primeiras classes do ensino secun- dário, receberam um começo de exe- cução. Quais, são, pois, os princípios essenciais da reforma a ser proposta pela Comissão Langevin? Visam, essen- cialmente, realizar, IGUALDADE e organizar a EFICIÊNCIA. Como es- tabelecer essa igualdade? O maior obs- táculo provém da diferença entre as condições sociais dos progenitores.

Mesmo sendo gratuita a escola, para certas famílias, a circunstância de ter que prover os encargos, resultantes da freqüência do menino à escola, é um fardo muito pesado para suportar. Pa- ra outras, a ausência de uma criança que poderia trabalhar na lavoura, na oficina ou mesmo em casa, constitui uma espécie de penalidade difícil de ser suportada. E' por isso que se estuda a possibilidade de a nação se encarre- gar de tôdas as despesas do ensino e, ao mesmo tempo, inclusive manutenção da criança, concedendo, para esse fim, abonos às famílias menos favorecidas. Digamos, a respeito, que os projetos,

atualmente em estudo, comportam a con- cessão de um pré-salário dos alunos das escolas técnico-profissionais e uma am- pla generalização das bolsas de manu- tenção, em benefício dos estudantes.

Mas, se a IGUALDADE se apresen- ta como um direito, é normal que seja apoiada por um sistema que assegure a EFICIÊNCIA dêsse ensino fran- queado a todos. Gambetta, um dos fun- dadores da Terceira República, teve ra- zão quando disse: " Um cérebro de criança que não se cultiva, é um tesou- ro lançado ao mar".

A República Francesa não quer ati- rar ao mar nenhum tesouro; seu empe- nho principal é favorecer o desenvolvi- mento de todos seus futuros cidadãos.

Para isso, serão tomadas, em alta conta, as possibilidades de cada um, e o futuro da criança será, na medida do possível, encarado pelos mestres em função dos seus dotes naturais.

Assim, serão evitadas com cuidado as especializações prematuras e defini- tivas .

E' nefasto encaminhar um menino, ainda inexperiente, para uma carreira da qual, quando descobrir a sua voca- ção, só poderá sair à custa de dificul- dades e atrasos consideráveis. E' esse o motivo pelo qual não se deixam mais substituir as separações entre as dife- rentes categorias de ensino. Receben- do ampla cultura geral, o menino ou o adolescente poderá sempre com fa- cilidade, passar de uma seção para ou- tra.

Nada irremediável intervirá durante seus estudos que o impeça, no momen- to oportuno, de seguir sua vocação.

Também, as mais profundas reformas decididas pela Comissão Langevin re- ferem-se, de um lado, aos métodos pe- dagógicos, e, de outro, à própria estru- tura dos diferentes "graus" de ensino e da correlação entre eles.

A escola terá, doravante, relações muito mais estreitas com a vida. Não mais será destinada unicamente ao ar- mazenamento de fatos, mas, a preparar praticamente. " O aluno não receberá mais uma simples bagagem escolar, mas uma aparelhagem".

Cada criança é considerada como um indivíduo ao qual é conveniente ajudar

a encontrar o próprio lugar na socie- dade.

Quanto à estrutura do ensino, ela se apresentaria da seguinte maneira: A escola maternal será encorajada por tô- da parte, mas não será obrigatória. A obrigatoriedade começará com o " p r i - meiro grau", que se destina aos meni- nos de seis a onze anos e lhes propor- ciona os fundamentos da leitura, ca escrita e do cálculo, deixando larga margem para as atividades de " expres- são" (música, desenho, modelagem, pintura, trabalhos m a n u a i s . . . ) .

O "segundo g r a u " vai dos 11 aos 18 anos. Num primeiro ciclo (até os 15 anos) o ensino favorecerá a orienta- ção. Ao lado, de certas matérias obri- gatórias, o aluno poderá optar entre nu- merosas outras sôbre as quais terá liber- dade de escolher. São previstas " c l a s - ses de recuperação", assim como certas especializações dependentes da própria natureza da região onde se acha o es- tabelecimento escolar (urbana, indus- trial, agrícola, m a r í t i m a . . . ) .

O segundo ciclo, que assinala a eta- pa da " determinação", verá os alunos já agrupados de acordo corn suas vo- cações, mas, proporcionando a todos um fundo comum de cultura. E' nesse es- tágio que se desenvolverá, para uns o ensino orientado para a técnica e para outros, o ensino misto, ao mesmo tem- po profissional e intelectual, e, enfim. para os restantes o ensino essencial- mente clássico.

Antes de chegar ao ensino superior, o futuro estudante passará por dois anos de ensino pré-universitário, no de- correr dos quais, verificará, assim co- mo seus mestres, se está apto para pros- seguir os estudos.

Assim se apresenta, em traços rápi- dos, o novo regime da educação fran- cesa.

Obra de grande fôlego, que importa no recrutamento e formação de mes- tres, construção de numerosas escolas, destruídas durante a guerra, edificação de grande número de prédios, créditos consideráveis, difíceis de se obter dos relatores do orçamento no momento atual. Mas, obra cujo curso nada po- deria deter, porque a nação inteira lhe reconhece a necessidade e a grandeza.

INGLATERRA

Por intermédio do British Council (Conselho Britânico), a direção da Universidade Britânica de Sheffield in- forma que a referida instituição de en- sino superior se propõe iniciar um cur- so para a obtenção de diploma em es- tudos ingleses, no próximo mês de ou- tubro, especialmente destinado a estu- dantes estrangeiros, desde que conte com número suficiente de inscritos. O curso efetuar-se-á em bases racionais e compreensíveis, esperando-se um ele- vado padrão cultural para o mesmo.

A concessão do diploma dependerá do julgamento da administração da Uni- versidade, que determinará igualmente os candidatos julgados qualificados pa- ra seguirem o curso com proveito. A outorga de diploma será feita apenas aos estudantes que provarem a sua fre- qüência aos cursos e tiverem efetuado satisfatoriamente a tarefa requerida, passando pelos exames prescritos.

Os regulamentos elaborados a respei- to estabelecerão:

a) as condições de admissão ao cur- s o ;

b) as matérias de exame; c) os cursos;

d) a natureza do certificado de fre- qüência ;

c) as taxas a serem pagas pelos cur- sos e pelos exames.

O curso para a obtenção do diploma efetuar-se-á em "full time", por todo um " a n o universitário". Será posto à disposição de diplomados por universi- dades estrangeiras ou a pessoas que ti- verem completado pelo menos três anos de estudo regular numa universidade ou instituição estrangeira, caso satisfaçam a administração, segundo relatório da Faculdade de Artes acerca da sua ha- bilitação. Cada candidato à admissão ao curso deve oferecer prova de que já possui bons conhecimentos da língua inglesa, escrita ou falada. O exame para a obtenção do diploma consistirá de uma prova escrita e outra oral, co- mo se segue:

a) escritas obrigatórias. l.° Lingua inglesa.

com referência especial ao inglês. 6.° Educação inglesa contemporâ- nea.

7.° História inglesa ou história da Comunidade de nações britânicas.

8.° Autores especiais ou um deter- minado período da literatura inglesa.

9.° As artes na Inglaterra.

10. Resumo econômico da Grã Bre- tanha atual.

As provas escritas constarão de uma matéria determinada e os exames orais poderão cair sôbre qualquer um dos as- suntos acima. Quanto aos assuntos ou matérias obrigatórias, os candidatos não poderão fugir ao seu exame. Os cursos de escolha livre só poderão ser fornecidos a um mínimo de cinco can- didatos. Haverá certificados de fre- qüência.

A taxa para o curso será de 50 libras esterlinas e 5 libras para o exame. O curso destina-se primordialmente aos candidatos cuja língua pátria não seja a inglesa.

No documento Revista Completa (páginas 111-115)