3.2 Direito e tecnologia: a experiência brasileira
3.2.1 Informatização do processo judicial trabalhista
Ao se analisar o tema da informatização do processo judicial não se pode olvidar sua evolução na seara trabalhista.
Anterior à alteração constitucional inserindo a celeridade processual no rol de direitos e garantias fundamentais (CRFB, art. 5º LXXVIII), o rito processual trabalhista possuía esta premissa desde a redação da Consolidação das Leis do Trabalho CLT decretada em 1943, conforme o art. 765 da CLT140 e que posteriormente passa a constar do CPC, em seu art. 125.141
Por ser o Direito do Trabalho um segmento com significativas implicações econômicas e sociais, tem a modernidade e progressividade como importantes características, porquanto:
(...) a legislação trabalhista, desde seu nascimento, cumpriu o relevante papel de generalizar ao conjunto do mercado de trabalho aquelas condutas e direitos alcançados pelos trabalhadores nos segmentos mais avançados da economia, impondo, desse modo, a partir do setor mais moderno e dinâmico da economia, condições mais modernas, ágeis e civilizadas de gestação da força de trabalho.142
139
LIMBERGER, op. cit., p. 110.
140
Art. 765. Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas.
141
Art. 125. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, competindo-lhe: (...) II - velar pela rápida solução do litígio;
142
Nada obstante, sua função civilizatória e democrática fez com se tornasse, na história do capitalismo ocidental, um meio hábil para inserir a parcela populacional que tem no trabalho sua sobrevivência, assumindo qualidades de mecanismos de controle e atenuação das distorções socioeconômicas presentes no modelo capitalista.143
Assim sendo, não poderia um ramo com importantes características sociais (sem preterir os demais) ser submetido a um rito prolixo com diversas intervenções e incidentes processuais, posto serem os pleitos nele vindicados, em sua massiva maioria, atinentes a verbas de cunho alimentar.
A necessidade de constantes alterações no rito processual trabalhista, buscando efetivar os preceitos entabulados pela norma de regência, máxime a celeridade, insculpido na CRFB (art. 5º, LXXVIII) é corroborada pelos números disponíveis no sítio eletrônico do Tribunal Superior do Trabalho, evidenciando que, desde a época da criação deste ramo especializado da justiça em 1940 até o ano de 2007, houve um crescimento da demanda pela prestação jurisdicional que supera os 8000% (oito mil por cento).144
Deste modo, além das medidas adotadas em vieses
administrativo/organizacionais com o fito de imprimir celeridade ao processo trabalhista, a informática, desde sua inserção no cotidiano do judiciário, mostrou-se presente nessa seara, sempre inovadora no que tange à utilização de recursos tecnológicos.
Nela observa-se uma constante preocupação na adoção e implementação dos sistemas informáticos, sendo, a informática, sem dúvida pioneira e propulsora de várias inovações no âmbito geral da justiça como, por exemplo, a penhora de veículos e ativos financeiros por meios eletrônicos.
Por essa condição, pela vanguarda na sua implantação, sua jurisprudência começa a ser debatida no âmbito dos tribunais regionais, inclusive no âmbito do Tribunal Superior do Trabalho (TST), evidenciando a necessidade constante de uma detida apreciação dos temas do processo quando mantidos e gerados por meio eletrônico.
O passo inicial da informatização estruturada na Justiça do Trabalho decorreu então do Sistema Integrado de Gestão da Informação (SIGI), resultado de uma atuação conjunta de todos os Tribunais trabalhistas brasileiros. A partir destas ações colegiadas, diversas medidas foram iniciadas com intuito de padronizar a
143
DELGADO, op. cit., p. 62
144
BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Relatório geral da justiça do trabalho – ano 2010. Disponível em: <www.tst.jus.br>. Acesso em: 08 abr. 2013.
implantação de tecnologias de informática e processamento de dados utilizados nos Tribunais trabalhistas, outrora instituídas isoladamente.
Em 2001, o Tribunal Superior do Trabalho editou o Ato Presidencial nº 450 determinando a utilização de um padrão único de numeração composto por dezessete algarismos, sendo que os cinco primeiros algarismos referem-se a um número sequencial identificador do processo; quatro, para indicar o ano em que o processo iniciou; três para referenciar a Vara para qual a ação fora distribuída; dois para indicar o Tribunal; um complemento com dois dígitos para diferenciar a interposição de recursos; ao final, um dígito verificador,145 medida essa que posteriormente viria a ser adotada pelo CNJ dentro de um esforço de padronização dos sistemas procedimentais dos órgãos jurisdicionais pátrios.146
Esta padronização repercute em significativa agilidade, facilitando a tramitação do processo entre as instâncias, máxime no que pertine à implantação de sistemas informáticos de controle, encaminhamento e intercâmbio de informações sobre recursos nos processos.
Embora não disponha em todos os Tribunais regionais de um processo judicial totalmente eletrônico todos disponibilizam em seus sítios na Internet, o conteúdo integral de todos os atos decisórios e ordenatórios do processo, permitindo aos litigantes e advogados acompanhá-los sem a necessidade do deslocamento à secretaria do juízo.
A iniciativa, não obstante demonstre à prima facie simplicidade, é suficiente para produzir significativos efeitos para alcance da celeridade processual, bem como benfazejos reflexos na estrutura organizacional dos órgãos trabalhistas, sobretudo, enaltecendo o princípio da duração razoável do processo insculpido na CRFB.
Uma vez que advogados e litigantes acessam a Internet para visualizar os atos proferidos em seus processos, há uma inexorável redução na quantidade de atendimentos presenciais, permitindo uma melhor alocação dos servidores dos órgãos, bem como a possibilidade de se disponibilizar um atendimento mais eficiente àqueles que se deslocarão até a sede do foro para o mesmo fim.
Em mesmo passo, atentos a estas premissas, a partir do ano de 2006, diversos Tribunais implantaram o sistema E-Doc cuja finalidade é enviar petições e
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BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. ATO.GDGCJ.GP. n. 450/2001. Estabelece a criação do sistema de numeração única na Justiça do Trabalho. Diário do Judiciário, Brasília, 08 nov. 2001. Disponível em: <http://www.tst.gov.br/DGCJ/Atos/ato450-2001.html>. Acesso em: 08 out. 2013.
146
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 65. Dispõe sobre a uniformização do número dos processos nos órgãos do Poder Judiciário e dá outras providências. Diário do Judiciário, Brasília, 16 dez. 2008. Disponível em: <http://goo.gl/MVCZs9>. Acesso: 08 out. 2013.
documentos pela Internet, assinados eletronicamente em processos iniciados, superando exigência de envio do original como fora disciplinado pela Lei nº 9.800/99 em similar iniciativa adotada nos tribunais portugueses. A petição enviada por esse meio, porém, não é armazenada eletronicamente sendo impressa e colacionada aos autos.
O recurso foi primeiramente implantado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Minas Gerais, seguido pelos Tribunais da Paraíba, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Sua implantação inicialmente ocorrera de forma isolada nos Tribunais, por atos administrativos autônomos. Com a promulgação da LIP, o TST editou em 2007 a Instrução Normativa nº 30147 regulamentando a informatização do processo no âmbito de sua competência, inclusive atinente ao uso do sistema E-doc.
Em 2006, a Justiça do Trabalho iniciou a implantação da Carta Precatória Eletrônica, facilitando e agilizando a tramitação das comunicações entre as diversas Varas do trabalho brasileiras. O modelo inicial do sistema foi desenvolvido pelo TRT da 18ª Região (Goiânia) sendo utilizado desde 2005.
Igualmente ocorrera com a implantação do E-Rec projetado para encaminhar recursos interpostos nos TRTs ao TST, auxiliando na elaboração de despachos de admissão de Recursos de Revista e Agravos de Instrumento, possibilitando ainda o aproveitamento dos dados cadastrados nas instâncias a quo. O ganho de celeridade na adoção desses mecanismos está na supressão do prazo destinado ao seu deslocamento físico, substituindo a atuação de vários servidores necessários para consecução da fase administrativa dos procedimentos nos modelos anteriores por “cliques” dados por um servidor que os envia e outro que os recebe.148
Previa-se com a implantação do “Escritório do Advogado”, proposta integrante do SIGI, que o advogado acompanharia o andamento de todos os processos em que atua na Justiça do Trabalho, com agenda de prazos de audiências, peticionamento eletrônico e também com acesso ao Diário On-line da Justiça do Trabalho. Ainda, a Justiça do Trabalho dispõe de um sistema destinado à elaboração de atas de audiências utilizando padrões predeterminados, além de sistemas para elaboração de cálculos trabalhistas, dinamizando assim a disponibilização de informações na Internet, acessíveis a todos os jurisdicionados.
147
BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Instrução normativa nº 30. Diário do Judiciário, Brasília, 18 out. 2007. Disponível em: <http://goo.gl/Yjd0jN>. Acesso em: 08 out. 2013.
148
BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Conselho Superior da JT apresenta balanço da informatização em 2006. Diário do Judiciário, Brasília, 27 dez. 2006. Disponível em:< http://goo. gl/4C1CqM>. Acesso em: 08 out. 2013.
A transmissão das sessões de julgamentos de órgãos colegiados via Internet é uma realidade no TRT da Paraíba (2008) e de Minas Gerais (2007), sendo que as características dessa tecnologia foram abordadas em tópico anterior.
Ainda no projeto de informatização estruturada da Justiça do Trabalho em 29 de abril de 2008, por meio do Ato Conjunto CSJT/TST/GP/SE nº 9/2008 (alterado pelo Ato Conjunto nº 4/2009 - CSJT/TST/GP/SE) foi instituído Sistema Único de Administração Processual da Justiça do Trabalho estabelecendo parâmetros para sua implementação e funcionamento, projeto este que restou abandonado.
Cumpre ressaltar ao fim, a vanguardista iniciativa adotada pelo TRT da Paraíba ao criar uma Vara responsável pelo processamento de reclamações trabalhistas totalmente eletrônicas, possuindo, dentre outros mecanismos, dispositivo responsável por informar se o processo está parado por prazo superior ao estipulado em lei. Nela, caso o litigante protocolize uma petição nos substratos convencionais, ela será digitalização, passando a integrar o processo eletrônico, sendo o original impresso desprezado. Realça-se que a interposição e tramitação de recurso à instância superior, ocorrerá também pela via eletrônica.
Vê-se até aqui uma constante, dinâmica e salutar busca pelo aprimoramento da prestação jurisdicional pela via eletrônica na Justiça do Trabalho. Porém, embora acertadas, as medidas implantadas foram projetadas unicamente para a Justiça do Trabalho, restando ausente a necessária interação com os demais órgãos do Poder Judiciário e até mesmo entre os próprios Tribunais trabalhistas, interlocução esta indispensável.
Esta dissociação entre os diversos partícipes importou em grande parte da história da evolução do processo do trabalho no dispêndio reiterado de investimentos financeiros para elaboração de projetos de informatização cujos fins buscarão o mesmo objetivo, olvidando em aproveitarem experiências e recursos tecnológicos bem sucedidos, cuja implantação importaria em meros ajustes quanto à matéria jurisdicional administrada.
Com a edição da LIP a Justiça do Trabalho adere ao Acordo de Cooperação Técnica nº 73/2009, pelo qual se compromete a envidar esforços para desenvolvimento do Processo Judicial Eletrônico promovendo deste então a implantação paulatina do sistema em diversas varas do trabalho, prevendo inicialmente que, para a instalação de nova varas deveria ocorrer a implantação
concomitante do PJe-JT como sistema de tramitação processual.149
Contudo, a despeito da vanguardista iniciativa, embora as medidas adotadas em prol da informatização do processo judicial trabalhista sejam relevantes, sendo hoje fonte de uma farta jurisprudência sobre a temática, cumpre obtemperar acerca das limitações dos recursos existentes, cujos efeitos repercutem e desmotivam o jurisdicionado, gerando até mesmo descrédito no sistema.
O sistema E-Doc, por exemplo, embora não se tratando de um sistema de processo eletrônico e sim um mecanismo para prática do ato processual, demonstra claramente esse risco, quando extrai do art. 6º da Instrução Normativa nº 30/2007 do TST150 a seguinte determinação:
Art. 6º As petições, acompanhadas ou não de anexos, apenas serão aceitas em formato PDF (Portable Document Format), no tamanho máximo, por operação, de 2 Megabytes.
Parágrafo único. Não se admitirá o fracionamento de petição, tampouco dos documentos que a acompanham, para fins de transmissão.
A legislação de regência sobre a matéria no órgão trabalhista manteve a orientação antecedente, existente nos demais regramentos esparsos contidos nos TRTs, acerca da limitação no tamanho dos documentos a serem enviados, o que se assemelha a previsão constante do sistema processual lusitano onde o limite para envio é de três megabytes.
O grande temor no início era de que a regra fosse transportada para o PJE- JT o que não ocorreu, acredita-se em virtude das controvertidas interpretações dadas ao regulamento pelos órgãos julgadores.151 A regra adotada para o sistema, embora
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BRASIL. Conselho Superior da Justiça do Trabalho. Resolução nº 94/CSJT, de 23 março de 2012. (Republicada em cumprimento ao art. 23 da Resolução CSJT nº 120/2013, de 21.2.2013). Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho, Brasília, DF nº 946, 26 mar. 2012. Disponível em: < http://goo.gl/ 0QBxWc >. Acesso em: 08 out. 2013.
150
BRASIL. Conselho Superior da Justiça do Trabalho, op. cit.
151
(...) Assim, em que pese a Lei n. 11.419/2006 e a Instrução Normativa n. 30/2007do TST não terem limitado o protocolo por e-DOC a um determinado número de folhas, o fato é que as duas instruções normativas supracitadas restringem o tamanho dos arquivos a 2 Megabytes, sendo que, se a Instrução Normativa n. 03/2006 deste Egrégio Regional estipula que cada arquivo não pode ultrapassar 50 (cinquenta) folhas, é porque ao exceder essa quantidade de folhas, o arquivo supera o máximo de 2 Megabytes. Por outro lado, é importante destacar que a Lei n. 11.419/2006 traçou normas gerais sobre a informatização do processo judicial, permitindo aos Órgãos do Poder Judiciário, consoante seu art. 18, regulamentá-la nos âmbito de suas respectivas competências, vez que a implantação e disponibilização dos recursos informatizados dependem da capacidade tecnológica de cada Tribunal. Dito de outro modo, a Lei n. 11.419/2006 fixou as normas gerais acerca da matéria, no entanto, permitiu que cada Órgão do Poder Judiciário estabelecesse normas especiais que levam em conta os recursos de informática de que dispõe, o que, ao contrário do que afirmam os agravantes, não afronta o inciso II do
imponha um limite, não veda o fracionamento, o que permite à parte a transmissão de vários arquivos.152
Dispensando um aprofundamento tecnológico sobre a concepção dessa unidade de medida, um megabyte comporta um arquivo de aproximadamente cem laudas de texto criado em um editor convencional. Ocorre que, em se tratando de documentos digitalizados que por ventura acompanhem a petição inicial, e. g., cartões de ponto, laudos médicos, carteira profissional, mensurar seu tamanho torna-se uma tarefa demasiadamente complexa, necessitando de conhecimentos avançados do usuário para dimensionar sua petição. Devem ser sopesados fatores diversos no momento do processo de digitalização, como tipo de resolução, qualidade do original, tipo de equipamento utilizado no procedimento etc.
Assim, na hipotética situação de um usuário desejar transmitir uma petição pela via eletrônica após o término do expediente do foro153, deve estar constantemente atento a esta limitação, uma vez que a normatização em vigor impede o fracionamento de um arquivo com tamanho superior ao fixado na instrução. Ante a natureza preclusiva da grande maioria dos prazos existentes no rito trabalhista, aduzindo-se o risco da rejeição154 das petições que não atendam às configurações impostas, o usuário
art. 5º da CR/88, pois o legislador a o elaborar a norma legal estava ciente que implantar sistemas de informática aptos a suportar o fluxo de documentos e informações que circulam no Poder Judiciário demanda um tempo considerável e depende de recursos financeiros, tanto é que permitiu a regulamentação da norma no âmbito de cada Tribunal de acordo com as suas possibilidades. E, no caso do TRT da 3ª Região, pelo menos por enquanto, os arquivos das petições protocoladas pelo sistema e- DOC não podem ultrapassar 50 folhas, sob pena de não serem processados, pelo que, devem as partes, antes de fazer uso do sistema e-DOC, observar as normas especiais existentes no âmbito deste Regional para que suas petições ou recursos sejam corretamente processados. (BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho 3ª Região. Recurso Ordinário nº 01018-2009-098-03-00-5. Recorrente Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Créditos e Financiamentos de Divinópolis, Recorrido Holandaprevi Sociedade de Previdência Privada e Banco Santander. Diário de Justiça, Brasília, 24 ago. 2010).
152
É o que se extrai do art. 12, parágrafo quinto da Resolução nº 94 do CSJT. Op. Cit.,
153
PETICIONAMENTO ELETRÔNICO. LEI Nº 11.419/2006. DIES AD QUEM. HORÁRIO LIMITE PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. O artigo 3º, parágrafo único, da Lei nº 11419/06, é claro ao prever que, “quando a petição eletrônica for enviada para atender prazo processual, serão consideradas tempestivas as transmitidas até as 24 (vinte e quatro) horas do seu último dia”. Decisão regional que não conhece de embargos declaratórios opostos após as 18 (dezoito) horas do último dia de prazo, por considerá-los intempestivos, viola o dispositivo de lei supracitado. Prejudicada a análise dos demais temas. (BRASIL, Tribunal Superior do Trabalho. 5ª Turma, Recurso de Revista nº 116200- 30.2007.5.02.0466, Relator Ministro Emmanoel Pereira, Recorrente Carlos Alberto Dantas, Recorrido Volkswagen do Brasil Indústria de Veículos Automotores Ltda., Diário de Justiça, Brasília, 11 jun. 2010).
154
RECURSO DE REVISTA DA RECLAMADA. LIMITAÇÃO DO NÚMERO DE PÁGINAS A SEREM TRANSMITIDAS POR PETICIONAMENTO ELETRÔNICO. INSTRUÇÃO NORMATIVA DO EG. TRIBUNAL REGIONAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRECEDENTES. Inexiste limitação na Lei n° 11.419/06 quanto ao número de páginas que podem ser transmitidas via peticionamento eletrônico. Tal restrição afronta o art. 5º, LV, da Constituição Federal, por cerceamento de defesa. Recurso de revista conhecido e provido. (BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. 6ª Turma. Agravo em Recurso de Revista nº 451-62.2012.5.10.0014. Agravante: Kátia Cristina Sartório Barbosa.
leigo evitará a utilização desse mecanismo, mormente pelo temor da perda do prazo para cumprimento do comando, canalizando seus procedimentos nas vias hodiernas.
Apesar de um arquivo com dois megabytes não ser algo de grande dificuldade de transmissão em uma conexão de alta velocidade, deixar ilimitado o tamanho do arquivo também não se apresenta como a melhor alternativa, uma vez que gerará um congestionamento da banda de transmissão da Justiça do Trabalho.
E vê-se a guisa de conclusão desse tópico que a preocupação dessa justiça especializada restou evidente em seus estudos amplos sobre o tema, notadamente quando por ocasião do I Congresso Mineiro Justiça Digital e Direito do Trabalho na cidade de Caxambu, Minas Gerais, discutindo a informatização do processo trabalhista, buscando, sobretudo, traçar diretivas mínimas para o enfrentamento desse novo paradigma de prestação jurisdicional que se apresenta à sociedade.155 O congresso interdisciplinar contou com a participação de juízes e desembargadores da Justiça do Trabalho além de advogados, estudantes, serventuários e especialistas em informática, culminando, ao final, com a consolidação dos entendimentos absorvidos, dentre eles a necessária adequação dos princípios processuais a essa nova realidade.156
Iniciativas como essa, no entanto, devem ser buscadas por todos os órgãos jurisdicionais promovendo discussões interdisciplinares com os diversos partícipes da informatização do processo, não sendo viável sua restrição aos tecnólogos responsáveis pela concepção dos sistemas, posto que lhes faltam conhecimento apurado sobre a sistemática processual, bem como as repercussões da tecnologia sobre o Direito.