8. ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA
8.1 INSTRUMENTO “LEVANTAMENTO DE GOVERNANÇA DO TCU (2014)”
Para o item C2.1.1 (O propósito, a autoridade, o mandato e a responsabilidade da auditoria interna estão definidos em estatuto) a resposta mais apropriada é “Não atende: não há deliberação a respeito”. Tal afirmação está fundamentada pela ausência de um estatuto para a Auditoria Interna da UFRN, com disposição sobre propósito, autoridade, responsabilidade, além de outras prerrogativas necessárias ao trabalho do auditor.
Apesar da existência do regimento interno da reitoria, no qual constam a posição (vinculação) da Auditoria Interna, sua estrutura administrativa e as competências de cada uma das suas subunidades, entende-se que tal normativo não contempla os termos deste item de controle. Aliás, a Controladoria-Geral da União, por ocasião da Auditoria Anual de Contas referente ao exercício 2013, já havia chegado à conclusão similar:
(...)
d) falta de estrutura normativa de apoio às atividades da Auditoria Interna da UFRN, em consonância com o Acórdão TCU n.º 577/2010 – Plenário, especialmente relacionados à:
d.1) Definição da sua missão, autoridade e da responsabilidade; d.2) Delimitação da atuação dos seus trabalhos, evitando que desempenhe tarefas de gestão administrativa, próprias de gestores;
d.3) Normas que devem ser seguidas pelos auditores internos a fim de evitarem conflitos de interesses e favorecer a imparcialidade e a objetividade nos resultados dos trabalhos;
d.4) Prerrogativa formalizada de obtenção de apoio necessário dos servidores das unidades submetidas à auditoria e de assistência de especialistas e profissionais de dentro e de fora da organização, quando considerado necessário;
d.5) Norma que explicite vedação da participação dos auditores internos em atividades que possam caracterizar participação na gestão. (BRASIL, 2013a)
No tocante ao item C2.1.2, considerou-se que a instituição “Atende em parte” uma vez que não há menção sobre autorização de acesso aos recursos organizacionais nas normas. A posição da unidade está definida no art. 331 do Regimento Interno da Reitoria e a não há definição do escopo das suas atividades nos normativos internos, mas constam diretrizes na Instrução Normativa SFC nº 3/2017.
Para o item C2.1.3 a resposta consignada foi de que “atende em grande parte ou totalmente” haja vista que a função de auditoria interna na UFRN está devidamente implantada conforme se comprova pelo regimento interno da reitoria.
Quanto ao item de controle C2.1.4, a comunicação dos resultados dos trabalhos de auditoria se dá através dos relatórios os quais são destinados, atualmente, à reitoria, a qual é considerada como uma instância interna de governança na definição utilizada pelo TCU. Tal destinação está formalmente normatizada no Referencial Técnico da Atividade de Auditoria Interna Governamental do Poder Executivo Federal (Instrução Normativa SFC 3/2017), em seu item 161: “A comunicação dos resultados dos trabalhos de auditoria deve ter como destinatária principal a alta administração da Unidade Auditada, sem prejuízo do endereçamento de comunicações às demais partes interessadas, como os órgãos de controle externo e a sociedade.”.
No entanto, a Instrução Normativa nº 24/2015 da CGU traz alguns dispositivos sobre o envio de relatórios ao Conselho de Administração:
Art. 13. As unidades de auditoria interna, ao final de cada trabalho realizado, enviarão, pelo menos, o resumo dos relatórios de auditoria ao Conselho de Administração, ao Comitê de Auditoria, ao Conselho Fiscal ou órgão equivalente ou, em sua falta, ao dirigente máximo do órgão ou entidade.
(...)
Art. 16. O RAINT será disponibilizado aos respectivos órgãos de controle interno até o último dia útil de fevereiro de cada ano, após a apreciação pelo Conselho de Administração ou instância de atribuição equivalente ou, em sua falta, pelo dirigente máximo do órgão ou entidade.
Art. 17. As unidades de auditoria interna manterão controle, preferencialmente por sistema informatizado, das recomendações expedidas pela própria auditoria
interna, pelos órgãos de controle interno e externo e, quando for o caso, pelo Conselho Fiscal, pelo Conselho de Administração ou por outros órgãos ou entidades de regulação e fiscalização
§ 1º As unidades de auditoria interna apresentarão ao Conselho de Administração ou à instância de atribuição equivalente ou, em sua falta, ao dirigente máximo da organização, mensalmente, relatório gerencial sobre a situação das recomendações referidas no caput.
Apesar disso, considerando que a Auditoria Interna da UFRN encontra-se vinculada à reitoria, todos os relatórios são destinados ao dirigente máximo, mas com o objetivo de atender aos dispositivos acima citados, solicita-se o envio para o Conselho de Administração. Ainda assim, não há comprovação de que tais relatórios são levados ao conhecimento/apreciação do referido conselho. Logo, considera-se que a universidade “atende em parte” o item C2.1.4.
No tocante ao item C2.2.1, a auditoria interna se reporta tanto funcionalmente como administrativamente à reitoria (alta administração), conforme disposto no regimento interno da reitoria, quando o desejável é que o reporte funcional seja à mais alta instância interna de governança, no caso da UFRN, representada pelos Conselhos Superiores. Neste sentido, considera-se que a universidade “atende em parte” o referido item.
Quanto ao item C2.2.2, não há diretrizes definidas internamente no que diz respeito ao tratamento de conflitos de interesses na função de auditoria interna e não houve qualquer comunicação/manifestação neste sentido, motivo pelo qual a resposta do item é “não atende: não há deliberação a respeito”.
No item C2.2.3, apesar de existir uma descrição das atribuições do cargo de auditor e a seleção se dá através de um concurso público no qual são definidas áreas de conhecimento pertinentes ao cargo para avaliação dos candidatos, não há na universidade um estudo ou documento formalizado que indique as competências necessárias ao desempenho das responsabilidades da auditoria interna, motivo pelo qual a resposta para o item é “não atende: não há deliberação a respeito”. Para melhor compreensão do item foram consultadas as referências utilizadas pelo TCU neste item, sendo que uma delas diz respeito à norma de atributo 1210 – Proficiência – do IIA, segundo a qual:
Os auditores internos devem possuir o conhecimento, as habilidades e outras competências necessárias ao desempenho de suas responsabilidades individuais. A atividade de auditoria interna deve possuir, ou obter, coletivamente o conhecimento, as habilidades e outras competências necessárias ao desempenho de suas responsabilidades. (BRASIL, 2015)
O item C2.2.4 foi considerado como “Atende em parte” devido ao fato de que, apesar do PAINT dispor sobre capacitações e ser aprovado pelo CONSAD, nem sempre é cumprido. Um dos fatores que podem explicar esta situação é a dependência de liberação de diárias e passagens, além de pagamento de inscrição, por parte de outra unidade administrativa, no caso o Gabinete da Reitoria, uma vez que a unidade de Auditoria Interna não dispõe de orçamento próprio. Assim, em períodos de contingenciamentos como nos últimos anos e tendo em vista que há outras unidades que dependem do Gabinete, pode ocorrer de, mesmo solicitando o apoio conforme aprovado no PAINT, os recursos não serem disponibilizados.
Quanto ao item C2.3.1, considera-se que a instituição “atende em grande parte ou totalmente”, uma vez que o referencial técnico contido na IN SFC 3/2017, em seu capítulo IV, contempla diretrizes para que a função auditoria interna contribua para a melhoria dos processos de governança, gestão de riscos e controles internos.
No item C2.3.2, tendo em vista o estágio inicial da execução da política de gestão de riscos da instituição, ainda não foi possível definir o planejamento dos trabalhos de auditoria com base nos riscos relevantes para a organização, uma vez que tais riscos ainda não foram identificados pela gestão. No PAINT 2018, foi utilizada uma metodologia alternativa diante deste fato, o que demonstra o interesse em planejar as ações considerando as áreas de maior risco da instituição. Assim, com relação a este item, considera-se que a instituição “decidiu adotá-lo”.
Tanto o item C2.3.3 como o item C2.3.6 tiveram como resposta “não atende: não há deliberação a respeito” em função da ausência de indicadores e metas para avaliação de desempenho da Auditoria Interna. Há de se registrar que, com as mudanças da sistemática de Avaliação de Desempenho da UFRN em 2017, já é possível - e até estimulado - o cadastro de metas tanto individuais como para as unidades administrativas como um todo. Além disso, com o advento da Instrução Normativa SFC nº 3 de 2017, em vigor a partir de dezembro de 2017, é requerido que
as auditorias internas instituam um Programa de Gestão e Melhoria da Qualidade (PGMQ), o qual poderá ser o indutor para uma efetiva avaliação com base em metas e indicadores.
Quanto ao item C2.3.4, a UFRN “atende em grande parte ou totalmente”, conforme se verifica, por exemplo, na Resolução nº 058/2016-CONSAD cuja ementa é “Emite parecer favorável ao Plano Anual de Auditoria Interna – PAINT, exercício 2017”. É prática consolidada na instituição a observância da exigência legal de aprovação do plano por conselho superior.
No item C2.3.5, a UFRN também “atende em grande parte ou totalmente”. Tal afirmação está suportada no Relatório Anual de Atividades da Auditoria Interna – RAINT de cada ano, disponibilizado tanto para a CGU como para a alta administração, além de publicado no site da UFRN12.
Em relação ao Item C2.3.7, considera-se que a UFRN “atende em parte”, tendo em vista que algumas medidas visando o aprimoramento da função de auditoria interna dependem de outros órgãos para sua implementação, por exemplo na ampliação do quadro de pessoal da unidade, bem como na retribuição através de funções gratificadas em conformidade com a estrutura administrativa aprovada. Além disso, há dificuldades de ordem operacional ou tecnológica, como na atribuição de um perfil de auditor nos sistemas institucionais.