1.1.3 Textos Autênticos
2.6. Instrumentos de coleta
Para a realização desta pesquisa, propomos a utilização de vários instrumentos de coleta de dados, uma vez que, de acordo com Barcelos (2006),“ nenhum instrumento
é suficiente por si só, mas a combinação de vários instrumentos se faz necessária para promover a triangulação de dados e perspectivas” (p.221). Dessa maneira, escolhemos
os seguintes instrumentos e procedimentos: entrevista semi-estruturada, observação e gravação de aulas, diários de observação e produção dos alunos apresentados mais detalhadamente a seguir.
114
1) Entrevista semi-estruturada62
O instrumento de coleta de dados conhecido como entrevista pode ser utilizado como ferramenta primária em uma pesquisa ou como fonte de dados secundária, sendo importante para a triangulação com outros instrumentos selecionados.
De acordo com Barcelos (2006), as entrevistas são classificadas sob três denominações, dependendo dos tipos de itens incluídos na sua construção. Assim, recebem a classificação de estruturada, semi-estruturada ou aberta.
Segundo o autor, as entrevistas estruturadas contêm características semelhantes aos questionários, tanto no formato quanto nos pressupostos. Embora, não contem com o anonimato possível dos questionários, as entrevistas são vantajosas por permitirem esclarecimentos e evitarem ambiguidades, uma vez que podem ser elaboradas por alternativas fixas, do tipo sim ou não.
Por outro lado, as entrevistas semi-estruturadas são caracterizadas por uma estrutura geral, que podem permitir maior flexibilidade. Nesse tipo de instrumento, é possível que o pesquisador prepare algumas questões orientadoras, ou procure ter em mente algumas direções gerais que podem guiar o seu trabalho. Essas questões ou direções gerais são, então, utilizadas sem que se siga uma ordem fixa, o que permite a emergência de temas e tópicos não previstos pelo entrevistador.
Temos, ainda, as entrevistas não estruturadas ou informais, que de forma geral são caracterizadas pela interação entre entrevistados e entrevistadores que dialogam em uma conversa livre com base nas questões e tópicos que orientam a investigação.
Diante dessas possibilidades, acreditamos que as entrevistas semi-estruturadas sejam os instrumentos que melhor se adequam ao paradigma qualitativo e a esta pesquisa, uma vez que, conforme defende Barcelos (2006), sua utilização pode permitir interações ricas e respostas pessoais relevantes para o ato investigativo.
Dessa forma, desenvolvemos uma entrevista semi-estruturada, direcionada à professora Julia, realizada no final do período de coleta. Escolhemos essa professora por acreditarmos que ela ao ministrar as aulas ao longo do processo investigativo pode contribuir com novas informações relevantes a este estudo.
115
2) Observação e gravação das aulas
Segundo Barcelos (2006), a observação de aulas possibilita que os pesquisadores entrem em contato com as ações e as ocorrências em sala de aula que são particularmente relevantes para o desenvolvimento da pesquisa.
Há dois tipos de observação que são definidos de acordo com os papéis assumidos pelo observador. Temos, assim, a observação participante e a observação não participante.
A observação participante é aquela em que o pesquisador pode observar-se e observar o outro, tornando-se membro do contexto pesquisado, participando de sua cultura e atividades. A observação não participante, por outro lado, é aquela em que o pesquisador observa e grava o que ocorre em sala de aula sem se envolver pessoalmente com o contexto pesquisado.
Adotamos nesta pesquisa a postura de observador participante, uma vez que segundo Barcelos (2006), a própria natureza da pesquisa em sala de aula implica que o pesquisador seja participante, embora na prática de observação participante possa haver diferentes níveis de envolvimento na situação de pesquisa. Justificamos a adoção dessa postura pelo fato desta pesquisadora produzir os materiais didáticos utilizados na sala de aula pesquisada, além de participar ativamente no ―Projeto de Extensão Inglês para Crianças de Escolas Públicas‖ em que os alunos e as professoras pesquisadas estão inseridos e de ter um relacionamento próximo com os envolvidos no processo investigativo.
Durante esta pesquisa, propomos a observação e gravação das aulas do Módulo 4 durante os meses de Agosto a Novembro de 2009. Por meio das gravações das aulas, foi possível observar cada etapa do processo de ensino e aprendizagem descrita na proposta de inserção do gênero notícias de jornal e sua relação com motivação, autenticidade e desenvolvimento da habilidade escrita. Dessa maneira, observamos, todas as segundas-feiras as aulas de LI do projeto no horário das 14:00 hs às 16:00hs, conforme descrito no item Contexto de pesquisa.
116
3) Diários de observação
Os diários de observação são utilizados em pesquisas qualitativas e definidos como descrições ou relatos de eventos no contexto de pesquisa que são escritos de forma relativamente objetiva. Geralmente incluem relatos de informação não verbal, ambiente físico, estruturas grupais e registros de conversas e interações.
Ao escrever diários de observação, o pesquisador está realizando uma primeira análise que pode ser mais tarde refinada, por meio da triangulação dos dados.
Nos diários propomos realizar os registros das atividades realizadas pela professora Júlia e de seus alunos de maneira reflexiva, isto é, incluindo nossas percepções sobre a participação, engajamento e receptividade dos agentes envolvidos frente ao processo investigativo.
Além da pesquisadora, a professora Eduarda também pode contribuir com essa reflexão, uma vez que registrará em diários de campo63 as ocorrências em sala de aula, analisando-as segundo suas percepções. Ao final desse processo, é possível a comparação dessas duas visões sobre o objeto de estudo.
Acreditamos que esse procedimento pode enriquecer e garantir maior precisão em relação ao detalhamento do registro das ocorrências, pois como afirmam Ludke e André (1986), na etnografia é imprescindível a atitude reflexiva constante do pesquisador.
Além disso, de acordo com Mattos (1999, p.152), os diários, embora relatem experiências individuais ou de pequenos grupos, podem viabilizar um conhecimento
maior a respeito da natureza subjetiva do aprendizado de línguas e dos fatores psicológicos, sociais e culturais que influenciam o seu desenvolvimento (Mattos,
1999.p. 152).
4) Produções escritas dos alunos
Por meio das produções escritas dos alunos, todas as atividades (com suas respectivas respostas, produções de textos, anotações e correções) foram recolhidas no final do curso pela professora Julia e direcionadas à pesquisadora para que fossem utilizadas como fontes de dados para análise. Consideramos que esses dados são
117 importantes para a compreensão e análise mais abrangente do desenvolvimento dos alunos, uma vez que foi possível por meio deles compararmos suas produções iniciais e finais.