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1.1.3 Textos Autênticos

1.2.2. A Motivação no Ensino e Aprendizagem de Línguas

1.2.2.1. O Modelo Sócio-psicológico de Gardner e Tremblay

De acordo com Dörnyei (2001), Gardner juntamente com seus colaboradores foi o fundador dos estudos de motivação na área de ensino e aprendizagem de línguas.

O modelo desenvolvido pelo pesquisador em parceria com Lambert foi proposto pela primeira vez em 1985, servindo de base para outros trabalhos que foram surgindo. Esses trabalhos aprimoraram e acrescentaram novas perspectivas que se afastaram da concepção de motivação como um aspecto estável, quase inalterável e mensurável da

50 personalidade humana, passando, então, a considerá-la mais complexamente, dentro de uma perspectiva sócio-cognitiva, alta e diversificadamente influenciável, dinâmica e qualitativa.

Encontramos na versão do modelo de autoria de Gardner em parceria com Tremblay no ano de 1995, uma expansão das variáveis cognitivas e situacionais, que revela a importância do contexto social em que a aquisição ocorre, bem como das atitudes individuais com relação à língua, à comunidade que a fala e ao seu aprendizado. Conforme Dörnyei (1994) citado por Oxford (1999), as contribuições da teoria de Gardner e de seus colaboradores foram de grande relevância na história da motivação, como podemos notar a seguir:

Acredito que o marco mais importante na história da motivação em L2 tenha sido a descoberta de Gardner e Lambert de que o sucesso é resultado da atitude do aprendiz com relação à comunidade linguística e cultural da língua-alvo, acrescentando uma dimensão social ao estudo da motivação para aprender L2... Unindo a teoria motivacional à teoria sócio-psicológica, o modelo motivacional de L2 desenvolvido por Gardner e Lambert foi muito mais elaborado e avançado que outros modelos psicológicos contemporâneos no sentido de que foi empiricamente testado e realmente explicou um número considerável de variações na motivação e sucesso do aluno. 44

Em sua versão ampliada, o modelo incorporou elementos das teorias de expectativa X valor e de estabelecimento de metas apresentadas nos itens anteriores deste capítulo, chamando atenção para as influências externas e diferenças individuais. Vejamos como as variáveis provenientes desses dois eixos centrais ficaram nele organizadas:

44 I believe that the most important milestone in the history of L2 motivation research has been Gardner

and Lambert‘s discovery that success is a function of the learner‘s attitude toward the linguistic-cultural community of the target language, thus adding a social dimension to the study of motivation to learn an L2… By combining motivation theory with social psychological theory, the model of L2 motivation that Gardner and Lambert develop was much more elaborate and advanced than many contemporary mainstream psychological models of motivation in that it was empirically testable and did indeed explain a considerable amount of variance in student motivation and achievement. (Dörnyei, 1994, apud Oxford, 1999)

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Figura 2 - O modelo de motivação em L2 de Tremblay e Gardner (1995)45 Fonte: Dörnyei, 2001

Notamos que no início do processo estão colocados como fatores antecedentes da motivação (como sua necessária base afetiva), as atitudes do indivíduo quanto à língua, aos seus falantes, ao aprendizado de línguas estrangeiras e ao curso. Para nosso estudo é de grande importância esta última, a atitude quanto ao curso, uma vez que nela estão implícitas as atitudes com relação ao professor, ao contexto de aprendizado, ao método e aos materiais utilizados. Tal colocação demonstra que o material é uma variável externa que tem uma expressiva parcela de responsabilidade na disposição do aluno para o estudo da língua.

Antes de discutirmos as orientações instrumental e integrativa presentes no quadro destacado, consideramos relevante explicar a presença da língua francesa, localizada na parte debaixo do esquema. Em seu modelo, Gardner se refere ao francês por ter sido essa a língua por ele analisada no Canadá, porém o princípio se aplica a todas as línguas, conforme atesta Kraemer (1993) citado por Oxford (1999, p. 13).

Retomando a questão das orientações, faz se necessário registrar inicialmente que a relação entre motivação e orientação é, segundo Dörnyei (2001, p. 48), um

52 elemento chave da teoria de Gardner, sendo a orientação o termo do autor para meta. As orientações podem ser de dois tipos. São elas:

orientação integrativa: caracterizada por uma postura positiva

quanto à língua, seus falantes e sua cultura e por um desejo de nela se integrar, é preponderante o fator interpessoal;

orientação instrumental: caracterizada pelo desejo de aprender

a língua em função da vantagem que ela pode oferecer, como um emprego, dinheiro (melhor salário), diferencial acadêmico ou reconhecimento social, é preponderante o fator prático.

Embora as orientações tenham sido consideradas antecessoras da motivação, elas são os conceitos mais utilizados nos estudos motivacionais, decorrendo disso o fato de nos referimos a elas também como motivação integrativa e motivação instrumental. De acordo com Campos-Gonella (2007), “essa dicotomia é a parte mais conhecida de

toda teoria desenvolvida por Robert Gardner” (Campos-Gonella, 2007, p.49).

De acordo com Gardner citado em Dörnyei (2001), os antecessores influenciam, ou melhor, definem as metas, o desejo de aprender, o valor atribuído ao aprendizado (valence) e o sentimento de auto-eficácia.

Em relação ao sentimento de auto-eficácia, compreendem-se as expectativas e a ansiedade decorrente das mesmas; as expectativas, por sua vez, se relacionam com as atribuições, uma vez que essas ocorrem em função daquelas. Esses aspectos reunidos interferem no comportamento (ação) e no nível de atenção, motivação e persistência nele envolvido.

Como sucessor do comportamento (e da motivação) tem-se o resultado, o qual não tem reflexos em comportamentos posteriores. Lima (2005, p. 52) afirma sobre esse aspecto que a motivação é entendida nessa teoria como um processo unidirecional, dado que o êxito na aprendizagem é decorrente da influência de um complexo motivacional que abrange relações entre diversos fatores, porém, esse êxito não influencia a motivação e seus constituintes, dos quais é efeito.

Desenvolvidas as informações teóricas presentes no modelo sócio-psicológico de Gardner e Tremblay, propomos a apresentação do modelo motivacional de Dörnyei e Ottó.

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