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INTERATIVIDADE DO OUVINTE

No documento Anais Completos (páginas 44-49)

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.4 INTERATIVIDADE DO OUVINTE

O ouvinte do 3 em 1 pode participar do programa ao vivo contribuindo com opiniões acerca do tópico principal de cada edição. Utilizando-se da tecnologia à disposição, após introduzir as pautas, o âncora lança uma pergunta à audiência sobre o assunto de maior destaque no dia, e informa o número de WhatsApp para o envio das respostas, essas mostrados ao final do programa. Dá-se preferência para as respostas em vídeo, uma vez que as imagens são transmitidas pelo YouTube.

Na edição de 23 de setembro de 2019, Vitor Brown convocou a audiência com a seguinte pergunta:

E a nossa pergunta é a seguinte: “Você acha que o excludente de ilicitude deve ser mantido ou excluído do pacote anticrime?” Você grava seu vídeo, manda pra cá. Nosso WhatsApp fica aberto pra você. O número tá aí na tela: 9 3117-0620. Grave um vídeo e mande pra cá, 9 3117-0620, esse é o nosso WhatsApp. Seja bem-vindo. No ar, o 3 em 1. (BROWN, 2019).

Tal iniciativa configura a tentativa de garantir a interatividade com o público, conforme descrito por Bardoel e Deuze (2001), que neste caso é facilitada pelo meio on-line, com o envio de depoimentos na íntegra pelos próprios ouvintes. Ademais, o anseio do ouvinte por participar do processo da informação e expor seu ponto de vista, ao invés de apenas ser informado passivamente, segundo aponta Canavilhas (2001), também pode ser observado no convite do âncora ao envio de opiniões sobre a pauta.

No decorrer do programa, por conta das falas alongadas dos comentaristas, em especial de Rodrigo Constantino no primeiro bloco e Josias de Souza nos dois últimos blocos, o âncora fora obrigado a deixar o espaço do ouvinte de fora da edição.

Além deste meio, os ouvintes também registram seus pontos de vista no campo de comentários do YouTube, que fica aberto para o livre debate dos ouvintes a respeito das pautas e das análises dos jornalistas. Este espaço, porém, não tem nenhum tipo de influência ou controle por parte do canal da rádio, sendo apenas um lugar para livre opinião de internautas.

4 CONCLUSÃO

O aumento da procura por informação com credibilidade no meio on-line desperta em grandes empresas a necessidade de alcançar este público, seja ele proveniente da própria internet ou migrante dos meios tradicionais de comunicação.

A evolução tecnológica cria um campo repleto de oportunidades para novos formatos e maneiras de informar. O rádio, por sua vez, pôde manter intocáveis suas principais características ao ampliar sua abrangência no ambiente digital.

O programa 3 em 1, da rádio Jovem Pan, trata de conteúdos factuais sobre o cenário político, econômico, cultural e comportamental, adotando o formato de mesa redonda em sua bancada. Ao estender a transmissão ao vivo das edições para o YouTube e disponibilizá-las no canal do programa nesta plataforma, a emissora aumenta o seu raio de alcance para àqueles que consomem podcasts, bem como aos que buscam se informar pelo site ou aos que não conseguem ouvir o programa ao vivo ou pelo rádio.

O registro linguístico utilizado pelos comentaristas ao “conversar” com ouvintes e internautas remete ao uso coloquial da fala, buscando, entretanto, o uso correto da língua portuguesa com rico vocabulário. Os diferentes pontos de vista dos jornalistas, os quais não se furtam a divergir quando discordam uns dos outros, congregam em torno de um objetivo comum: fornecer subsídio ao ouvinte por meio de suas análises, ora objetivas, ora explicativas, ora opinativas, para que o público possa formar sua própria opinião em relação às pautas, estas selecionadas, em suma, por sua ligação com o factual e interesse público.

Mesmo que de maneira tímida, o 3 em 1 permite que o próprio ouvinte faça parte do processo de construção da informação, sendo convidado a opinar ou a deixar sua interpretação dos fatos pautados gravando vídeos para serem selecionados e transmitidos no final programa. O WhatsApp, muito mais rápido e imediato que o próprio e-mail ou a antiga carta do leitor, tornou esse processo muito mais prático para o receptor, fazendo com que este seja cada vez mais ativo e participativo com o mesmo produto que o informa diariamente. Além disso, o próprio campo de comentários das gravações disponibilizadas no YouTube garante ao ouvinte um espaço para, não apenas opinar sobre as pautas, mas também para dar o seu feedback acerca do que consumira.

O campo de estudos proposto por esta pesquisa é vasto. A título de exemplo, a própria Jovem Pan tem se autointitulado como “a rádio que virou TV”, porém, suas transmissões em áudio e vídeo se dão pelos canais da emissora no YouTube, e não na televisão, mudando até mesmo formatos e configurações de bancadas em prol

Artigos

Anais Eletrônicos de Comunicação Social 46

dessa convergência. Cabe a novos estudos acompanhar o desenvolvimento dessa interação e da convergência entre os veículos tradicionais de comunicação e seus programas com o ambiente digital.

REFERÊNCIAS

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