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4. A ATUAÇÃO DA MISSÃO MÉDICA BRASILEIRA NA GRANDE GUERRA

4.4. INTERCAMBIANDO CONHECIMENTOS, ADQUIRINDO PRESTÍGIO

Ancorados na perspectiva apresentada por Peter Burke483 e Michel Foucault484, pensamos o Hospital Militar Brasileiro e os demais hospitais em que estes médicos trabalharam como microespaços de conhecimento (de circulação, produção, reprodução e disseminação de conhecimento). Deste modo, neste item analisaremos as condições de obtenção de conhecimento que futuramente seriam convertidos em prestígio.

Em primeiro lugar, é preciso ver o hospital como um local de aprendizado, de “aquisição da prática”485

. Perceber o hospital moderno como escola a partir da qual “[...] a formação normativa de um médico deve passar”486

. Isto se inicia com a organização da vigilância, que se faz por meio de registro da vida hospitalar. Trata- se de manter “[...] um sistema de registro permanente e, na medida do possível,

482

MALAN, Alfredo Souto. Missão Militar Francesa de Instrução junto ao Exército Brasileiro. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1988. p. 53.

483

BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento - II: da Enciclopédia à Wikipédia. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. p. 236.

484 Para compreender a aquisição de conhecimento no meio hospitalar nos valemos dos textos “O

Nascimento da Clínica” e “O Nascimento do Hospital”: FOUCAULT, Michel. O Nascimento da

Clínica. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1977; FOUCAULT, Michel. O Nascimento do Hospital.

In: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. p. 99-111.

485

Id. O Nascimento da Clínica. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1977. p. 53.

486

Id. O Nascimento do Hospital. In: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. p. 111.

exaustivo, do que acontece”487. Além de vigiar, o registro serve também como instrumento de conhecimento: “os registros obtidos cotidianamente, quando confrontados entre os hospitais e nas diversas regiões, permitem constatar fenômenos patológicos comuns a toda população”488. Procurando controlar as doenças e racionalizar os atendimentos surge “a obrigação dos médicos confrontarem suas experiências e seus registros”489, adquirindo, assim, conhecimento. Para Foucault, essa documentação é

uma série de registros que acumulam e transmitem informações e registro geral das entradas e saídas em que se anota o nome do doente, o diagnóstico do médico que o recebeu, a sala em que se encontra e, depois, se morreu ou se saiu curado; registro de cada sala feito pela enfermeira-chefe; registro da farmácia em que se diz que receitas e para que doentes foram despachadas; registro do médico que manda anotar, durante a visita, as receitas e o tratamento prescritos, o diagnóstico, etc.490

A partir da criação do registro “constitui-se um campo documental no interior do hospital que não é somente um lugar de cura, mas também de registro, acúmulo e formação de saber”491. Isto também acontece no hospital militar, no caso aqui analisado, onde a burocracia militar se confunde com a hospitalar, criando rotinas e padrões de atendimento por meio de regulamentos. Recorrendo novamente a Foucault, este afirma que:

É então que o saber médico que [...] estava localizado nos livros, em uma espécie de jurisprudência médica encontrada nos grandes tratados clássicos de medicina, começa a ter seu lugar, não mais no livro, mas no hospital, não mais no que foi escrito e impresso, mas no que é cotidianamente registrado na tradição viva, ativa e actual que é o hospital492.

A longo dos anos, a instituição da clínica permitiu que todo médico de hospital tivesse a permissão de “formar uma escola segundo o plano que julgasse melhor”493. Não se trata de ver a clínica apenas como conhecimento de casos. Desde o século XVII, neste novo modelo que atravessou os séculos, “a clínica é, portanto, uma

487

FOUCAULT, Michel. O Nascimento do Hospital. In: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. p. 110.

488

Ibid., p. 111.

489

Ibid., p. 110.

490

FOUCAULT, Michel. O Nascimento do Hospital. In: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. p. 110.

491

Ibid.

492

Ibid., p. 110-111.

493

figura muito mais complexa do que um puro e simples conhecimento de casos”. Ela é também um espaço para transmissão de saberes/conhecimento e, também, será um local de descobertas494.

O campo da prática é dividido entre um domínio livre e indefinidadamente aberto, o do exercício a domicílio e um lugar limitado e fechado sobre as verdades de espécies que ele revela; o campo da aprendizagem se divide entre o domínio fechado de saber transmitido e o domínio livre, em que a verdade fala por si mesma. E o hospital desempenha alternativamente este duplo papel: lugar das verdades sistemáticas para o olhar médico, e o das experiências livres para o saber que formula o mestre495.

Aqui entra o papel do ensinar, do ver, do dizer, do aprender – tudo isso se encontra no hospital496. As fichas de atendimento individualizadas para cada paciente revelam que diversos médicos franceses atuavam junto ao grupo brasileiro no Hospital Militar497. Ao atuarem em conjunto com mestres franceses e brasileiros, ao observarem os chefes operando, ao utilizarem um novo instrumento, manejarem uma máquina de radiografias ou um aparelho de mecanoterapia, os missionários aprendiam enquanto trabalhavam. Conforme afirma Foucault, “a observação clínica supõe a organização de dois domínios conjugados: o domínio hospitalar e o pedagógico”498. A grande dificuldade em realizar um trabalho sob uma perspectiva histórica é que dificilmente este processo de obtenção de conhecimento é documentado. Assim, o que podemos, na maioria dos casos, é apenas inferir que este conhecimento foi adquirido.

Além de ser um lugar de cura, a clínica é também um local de formação de médicos499: ela não só cura, mas “também registra, forma e acumula saber”500. Assim, “clínica aqui significa a organização do hospital como lugar de formação e transmissão de saber”501. É um local onde ser um assistente não significa apenas “assistir”, ajudar o mestre na cirurgia, mas também “assistir”, observar aprendendo:

494

FOUCAULT, Michel. O Nascimento da Clínica. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1977, p. 70. 495 Ibid., p. 53-54. 496 Ibid., p. 91. 497

AHEx. MisPaz. Caixa 5. Pasta 3.

498

FOUCAULT, Michel. O Nascimento da Clínica. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1977. p. 53.Ibid., p. 123.

499

Id. O Nascimento do Hospital. In: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. p. 111.

500

Ibid., p. 111.

501

“Na clínica trata-se de uma estrutura [...] em que a integração da experiência se faz em um olhar que é, ao mesmo tempo, saber”502.

Mesmo com a dissolução da Missão, alguns médicos não estavam interessados em retornar ao Brasil. Assim, utilizando seus recursos pessoais para continuar na França, estes preferiram ficar mais tempo na Europa aperfeiçoando-se antes de voltar ao lar. Foram os casos, por exemplo, de Arsênio Galvão, Solano Netto e Morais Coutinho, que conforme noticiou o jornal O Paiz, estavam “ainda na Europa, por não terem cumprido a ordem de embarque para o Brasil, após terem recebido a ajuda de custo”503. Assim como eles, muitos outros ficaram na França a fim de enriquecer, ainda mais, a experiência que tiveram daquele contexto conflituoso. Ao ampliar a experiência da guerra esses médicos estariam construindo um nome, criando distinção e concedendo visibilidade (visibility) à carreia. Conforme destaca Bourdieu:

O conceito de visibility [...] exprime bem o valor diferencial, distintivo, dessa espécie particular de capital social: acumular capital é fazer um “nome”, um nome próprio, um nome conhecido e reconhecido, marca que distingue imediatamente seu portador, arrancando-o como forma visível do fundo indiferenciado, despercebido, obscuro, no qual se perde o homem comum504.

Assim, atuando no Hospital da Missão, que continuava atendendo sob os cuidados do Exército, ou procurando mestre franceses para intensificar o aprendizado, continuariam os médicos com seu processo de “contínua propensão a investir” buscando lucros simbólicos505.

A Missão Médica, agora extinta, foi enquanto um grupo organizado, um coletivo capaz de transmitir e absorver conhecimento. Entretanto, sua duração foi curta e se já havia passado o período de intercâmbio coletivo, individualmente os médicos ainda poderiam adquirir conhecimento. Trata-se de destacar o que foi apontado por Malan: as missões transmitem “conhecimento em doses maciças. A varejo, eles podem ser obtidos por intercâmbios individuais”506.

502

FOUCAULT, Michel. O Nascimento da Clínica. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1977. p. 92.

503

MISSÃO medica brasileira. O Paiz, Rio de Janeiro, 14 fev. 1919, p. 4.

504

BOURDIEU, Pierre. O campo científico. In: ORTIZ, Renato (org.). Pierre Bourdieu - Sociologia. São Paulo: Ática, 1983, p. 132.

505

Ibid., p. 136.

506

MALAN, Alfredo Souto. Missão Militar Francesa de Instrução junto ao Exército Brasileiro. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1988. p. 9.

As próprias descobertas ou invenções podem ser importantes formas de intercâmbio de conhecimento. Pode parecer ingênuo pensar essa ocasião como um momento de aprendizagem. Porém, conforme lembra Foucault, a descoberta “[...] é feita solidariamente por aquele que descobre e aqueles diante dos quais ele descobre”507. Assim, o compartilhamento se torna importante, tanto para aqueles que observam, e podem reproduzir no futuro, quanto para aquele que descobre, que absorve o capital simbólico da descoberta, ganhando reconhecimento e prestígio. Maurício Gudin foi um médico que aproveitou a estadia em Paris para divulgar suas descobertas, promovendo a circulação do conhecimento. Em 1918, inscreveu-se no “Congrés Internationale de Chirurgie de Paris” e publicou um texto sobre o processo de extração de projéteis que utilizou enquanto membro da Missão508. Em Junho de 1919, publicou um texto na Presse Médicale sobre uma de suas invenções (uma sonda para separação de urina)509. Suas atividades relacionadas à cirurgia gastro- intestinal também foram publicadas, inclusive o seu método asséptico, pelo qual ficaria mundialmente famoso nas décadas seguintes. Os artigos são “La chirurgie gastro-intestinal aseptique par notre méthode” (Paris Médical, 29 dez. 1918) e “Méthode aseptique pour les opérations sur l’estomac et l’intestin” (La Presse Médicale, 15 mar. 1919)510.

A guerra proporcionou contatos e também a aquisição de inovações técnicas, instrumentos novos, produtos farmacêuticos e até livros. Ayres de Mendonça enviou ao dr. Linneu de Paula Machado, por meio do Itamaraty, "duas maletas contendo medicamentos destinados aos nossos hospitaes"511. Nabuco de Gouveia, antes da viagem, recebeu de um farmacêutico brasileiro chamado Alfredo Elysio de Carvalho 50 ampolas de um “análgico” para uso no Hospital Brasileiro. Em contrapartida, o

507

FOUCAULT, Michel. O Nascimento da Clínica. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1977. p. 125. Conforme Bourdieu, “se acontece que vários nomes estejam ligados à primeira descoberta, o prestígio atribuído a cada um deles diminui na proporção inversa”. Isso significa que pertencer a uma equipe cujo membro avançou no campo da descoberta científica também pode, colateralmente, fornecer certos ganhos, mesmo que marginais. Cf. BOURDIEU, Pierre. O campo científico. In: ORTIZ, Renato (org.). Pierre Bourdieu - Sociologia. São Paulo: Ática, 1983, p. 131.

508

Texto “L’extraction des projectiles intra-pulmonaires par le procés de Gudin”. Cf. GUDIN, Mauricio.

A terceira phase da cirurgia. Rio de Janeiro, Jornal do Comercio, 1939, p. 9-10.

509

“La séparation integrale des urines par la sonde urétérale à ólive”, em La Presse Médicale, de 26

Junho 1919. Cf. GUDIN, Mauricio. A terceira phase da cirurgia. Rio de Janeiro, Jornal do Comercio, 1939, p. 9-10.

510

GUDIN, op. cit. Gudin também publicou outro texto em 1919, em Paris, sem relações com a atividade de guerra: “Nouveau Procéde D’Hystéréctomie Totale, par Section Aseptique du Vagin,

Sans drainage vaginale” (Paris Médicale, 13 set. 1919). Cf. Ibid., p. 10.

511

chefe da Missão deveria comprar matérias-primas e enviá-las ao Brasil512. Viriato Dutra, que também estagiou nos Hospitais de Paris, inclusive no famoso Hospital Necker, ficou na Europa entre 1918 e 1920 e “de lá trouxe livros de medicina e instrumentais cirúrgicos”513.

Em suas memórias, Benedito Montenegro revela que “alguns teriam permanecido na França após o término da guerra”. Ele associa essa permanência na França à qualidade do serviço prestado514. Os interesses em permanecer na Europa, porém foram variados e muito mais pessoais, não dependendo, muitas vezes, da vontade ou aval das autoridades francesas. Permanecer um período “estagiando” nos hospitais do Velho Mundo poderia ser uma ótima oportunidade para a carreira. Neste sentido, Leonídio Ribeiro revela seus interesses em participar da Missão Médica:

Era chegada a oportunidade de poder realizar, com meus próprios recursos, o grande desejo de ir à Europa, para aperfeiçoar os conhecimentos de Medicina Legal, no grande centro que era Paris, e ali consolidar a experiência técnica que adquirira nos serviços hospitalar, onde trabalhara como estudante515.

Após a extinção da Missão Médica, ele descreveu suas atividades, algumas compartilhadas com outros missionários que permaneceram na Europa após o final da Guerra:

Terminada a guerra, decidi ficar em França para ali realizar cursos de aperfeiçoamento de Cirurgia, na qual me especializara, desde os tempos de estudante. E permaneci em Paris, durante todo o ano de 1919, morando junto com meus colegas Ernani Alves, Mario Kroeff e Alfredo de Moraes Coutinho. Tivemos, então, muito tempo para freqüentar os serviços dos maiores cirurgiões da França e do mundo daquele tempo. Entre êles se encontravam os professores Delbet, Lejars, Marion, Gosset, Pauchet, Tuffier, Duval, Lecène, Faure, Hartmann, Ledueu e De Martel. Voltei aos meus bons tempos de estudante e, com êsses três companheiros, tomei cursos práticos de Medicina Operatória com os professores Toupet e Sorrel [...]; de Vias Urinárias e Cistoscopia, com Papin e Marsan, no Hospital Necker; e de Ginecologia, no Hospital Beaujon, com o professor Savariaud.

Não me esqueci, porém, de minha irreprimível vocação para a carreira de médico legista, e por isso fui aluno, em Paris, dos cursos de

512

AHEx. MMF. Caixa 2. Pasta Missão Médica Especial. Cartas Expedidas – 1918. p. 2.

513

COSTA, Firmino Costa. Dr. Viriato. Coluna Ninho de Carrancho. p. 2.

514

MONTENEGRO, Benedicto. Os meus noventa anos. São Paulo: e.a, 1978. p. 121.

515

RIBEIRO, Leonídio. De médico a criminalista: depoimentos e reminiscências. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1967. p. 93.

especialização de Medicina Legal do professor Balthazard e de sua equipe de assistentes especializados516.

Leonídio Ribeiro retornou ao Brasil somente em dezembro de 1919, após quase um ano e meio de estadia na Europa, onde conheceu a França, a Bélgica, a Holanda, a Suíça, a Itália e Portugal. Da mesma maneira, Mario Kroeff também freqüentou outros países, inclusive a Alemanha: “Terminada a sua commissão o Dr. Mario Kroeff teve occasião de visitar os hospitaes de França, Suissa e Allemanha onde fez estudos de aperfeiçoamento da sua especialidade (cirurgia)”517. Em Paris, frequentou cursos no Hospital Necker (com os professores Papin e Marsan) e no Instituto Anatômico de Clamart (professor Toupet). Em Berlim, cursou urologia com o Prof. A. Levin e cirurgia, com Sanerbruck, Bier e Aksassen518.

O Médico Adjunto, primeiro tenente Solano Netto chegou, inclusive, a enviar um telegrama ao Governo Brasileiro com uma justificativa para sua permanência na Europa, solicitando, ainda, sua inscrição no Instituto Pasteur. No pedido, procura se justificar, apontando as precariedades do contexto brasileiro e indicando, com doses de nacionalismo, a necessidade do apoio:

LA ROCHELLE, 21.

Estando o nosso pais desapparelhado para o combate efficiente ás pandemias no littoral e as endemias do interior. Vimos lembrar a V. Ex. a obtenção do governo da concessão de matricula no Instituto Pasteur, dos 1°s Tenentes da missão medica, agora na França, porque assim a nossa pátria premeia a abnegação, aproveitando a occasião opportuna do devotamento dos moços brasileiros pela causa da humanidade519.

Além dos onze membros do Exército e da Marinha, os seguintes membros permaneceram na França após a extinção da Missão Médica: Ernani Alves, Alfredo de Moraes Coutinho, Borges da Costa, Hélio Fernandes, Leonídio Ribeiro, Arsênio Galvão, Solano Netto, Viriato Pereira Dutra, Basil Sefton, Sebastião Cesar da Silva e Olímpio de Oliveira Chaves. Todos eles procuravam aumentar o tempo de incorporação de capital. É interessante perceber que, entre os membros que permaneceram na França, a sua maioria era jovem e pertencia aos auxiliares e não aos chefes. Em certa medida, a juventude permitia aos auxiliares maior flexibilidade,

516

Ibid.

517

NOTAS MEDICAS. Fon-Fon, Rio de Janeiro, ano XIII, n. 50, 13 de dez. 1919, p. 26

518

Mario Kroeff (Cadeira n. 27). Disponível em: <http://www.anm.org.br/conteudo_view.asp?id=575>. Acesso em: 8 out. 2016.

519

ausência de compromissos fixos e, também, arriscar correr maiores riscos para realizar ou aprimorar a experiência da acumulação.

Neste capítulo vimos que, logo após sair do Brasil a Missão Médica enfrentou seu primeiro inimigo na Guerra: a gripe espanhola. Este primeiro desafio colocou o grupo frente à dura realidade do conflito e, ao chegar à França, procurando combater este inimigo da saúde pública, os membros da Missão foram enviados para inúmeras partes do país. O Hospital Militar Brasileiro só foi aberto oficialmente após o final da guerra, mas tornou-se um centro para atendimentos especializados em Paris. Nos estertores do conflito, com dificuldades para se manter, a Missão Médica foi desmobilizada. Porém, a intensa experiência de aprendizagem do conflito continuou com a permanência de diversos médicos na Europa, que continuaram usufruindo na prática a experiência da clínica de guerra.

A seguir, veremos em nosso último capítulo, qual foi o impacto dos conhecimentos adquiridos no conflito na trajetória dos membros, examinando o processo de desmobilização médica.

5. CONHECIMENTOS DE GUERRA PARA TEMPOS DE PAZ: A