4.4 PROCEDIMENTOS DE COLETA DOS DADOS
5.1.2 Júlia
Júlia tem 13 anos. Nasceu na cidade de Recife, no estado de Pernambuco. Considera-se de etnia parda. Mora em casa própria com sua mãe e não tem irmãos. No momento de construção de seu retrato de leitora adolescente, está cursando o 8º ano do ensino fundamental do Colégio de Aplicação do Centro de Educação da UFPE. Fez cursinho preparatório para ingressar no CAp. Concorreu na seleção pública para o CAp no final de 2015, com 10 anos de idade; ingressando, portanto, no 6º ano do Ensino Fundamental do CAp em 2016.
RETRATO DE JÚLIA
JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DO NOME: Eu escolhi Júlia, porque eu acho que é um nome que combina comigo.
Escolaridade familiar
O pai e a mãe de Júlia cursaram o ensino superior; o pai é policial militar; a mãe, professora. A renda familiar é de mais de 4 salários mínimos. Seu avô e avó maternos estudaram até o primário. O avô é motorista (aposentado), a avó, já falecida, era dona de casa. O avô e a avó paternos (já falecidos) cursaram até o ensino fundamental. O avô trabalhava como chefe de vigilância de uma empresa privada e avó era dona de casa.
Gostos de leitura/ práticas sociais e culturais
Júlia gosta de ler livros sobre pessoas com poderes, romance, artigos sobre medicina, poemas e poesias e não gosta de ler livros de ficção científica. Uma vez por semana, lê alguma obra literária; mais de uma vez por semana, costuma ler textos em sites da internet; uma vez por mês, costuma ler história em quadrinhos e best seller/ literatura de massa; uma vez por ano, lê jornal e revista. O que ela mais aprecia nos livros que lê é “o fato do autor conseguir prender o leitor durante todo o livro e no final ainda conseguir surpreendê-lo. ” Ao ler um livro, costuma parar na metade. A sua maneira de obter um livro para ler é comprando o livro. Frequenta, às vezes, o teatro, a biblioteca, os shows musicais; livrarias; sempre vai ao cinema. Sua atividade de lazer favorita é “ir para um parque ou shopping, mas se eu não puder sair e tiver de ficar em casa eu prefiro assistir filmes e navegar na internet. ” Tem acesso à Internet e a utiliza, principalmente, para Redes Sociais e Netflix.
Júlia enquanto leitora
Júlia não se considera uma leitora de obras literárias, “porque mesmo sem ler muito, os livros que leio são de sua maioria atuais. ” Os livros mais marcantes em sua vida até agora foram: O
Menino no espelho, Um sinal de esperança, A corrente da Vida, Agora estou sozinha e A Torre. Suas práticas de leitura correspondem às suas preferências, “Leio mais livros que são
da minha preferência, mas caso seja algum livro que eu me interesse e que algum amigo meu leu a vontade de ler aumenta. ”
Para Júlia, o que significa literatura e o que ela associa à palavra literatura “seria estudar/entender a mensagem que o livro quer trazer e que em sua grande maioria é feita com as obras literárias. ” Para Júlia, existe diferença entre obra literária e literatura de massa. “Obra literária na minha visão se difere de leitura de massa porque ela é uma literatura mais clássica e, muitas vezes, antigas e de difícil compreensão, diferente da leitura de massa que é um tipo de leitura mais fácil de entender e que ‘todo mundo quer ler’. Como A Moreninha e A Culpa é das estrelas. ”
Experiências com a leitura de obras literárias
Na infância, em relação a sua primeira experiência com a leitura de uma obra literária comenta “Não me recordo de ter lido alguma obra literária na infância. ” Já na adolescência, “A experiência mais significativa foi quando li Memórias de um sargento de milícias, pois foi meu primeiro contato com uma obra literária. ”
A leitura de uma obra literária interferiu em sua maneira de compreender a vida. “Todos os tipos de livros vão interferir na maneira de compreender a vida, pois nos livros geralmente trazem diversas situações diferentes e dependendo do que é mostrado diante dessas situações vão nos fazer pensar sobre. ” “A leitura literária desempenha hoje um papel maior, porque
como estou nos últimos anos do fundamental é mais do que comum que a escola passe para lermos obras literárias. ” Em sua casa ou família, a pessoa que gosta de ler obras literárias é “minha mãe”, e “o gosto pela leitura dela a influencia bastante a buscar a leitura literária em seu dia-a-dia, pelo fato de minha mãe ser professora. ” O gosto pela leitura de obras literárias de seus colegas não a influenciou muito “Não muito, porque geralmente os livros que leio são da minha preferência e não gosto muito das obras literárias. ”
Experiências com a leitura de obras de literatura de massa
Para Júlia, a literatura de massa significa “Livros que são muitos procurados/famosos e que todo mundo se já não leu já sabe alguém que leu. ”. Ela afirma que costuma ler muito obras de literatura de massa. “Sim, lembro que fiquei muito empolgada ao ler e ao finalizar o primeiro livro do Diário de um banana, porque além de mim meus colegas estavam lendo e também porque foi meu primeiro livro grosso. ” Em sua opinião, a leitura de uma obra de literatura de massa interfere em sua maneira de compreender a vida “Acredito que todos os tipos de literatura vão nos influenciar e nos fazer pensar sobre, pois sempre que estou em determinada situação em que não sei o que fazer tento me lembrar se algo feito em algum livro possa servir.” Avalia que a leitura em geral desempenha um papel maior que antes “Maior, pois hoje o meu interesse pela leitura é maior do que antes. ” Em sua família, sua mãe e seu pai gostam de ler literatura de massa e a influenciam nessa leitura. “Minha mãe e meu pai que mesmo sem ler com frequência eles gostam e me estimulam a ler no dia-a-dia.” Os gostos de seus colegas pela literatura de massa não a influenciaram “muito” a buscar essa literatura em seu dia-a-dia.
Escola/ leitura literária/ literatura de massa
A obrigação escolar de determinadas obras literárias não interfere no seu prazer pessoal de ler. As estratégias usadas pela escola/ professor (a) a auxiliam em sua leitura das obras literárias. Percebe diferenças entre a leitura de obras literárias da escola e a leitura escolhida pelo adolescente fora da escola. “É que geralmente os adolescentes escolhem livros de literatura em massa fora da escola e que geralmente tem mais vontade de ler. ”
Em sua opinião, as contribuições das práticas de leitura literária ou de massa na escola para a formação de um jovem leitor adolescente, ” A literatura de massa vai servir mais como lazer e para que o jovem tenha um gosto a mais pela leitura e as leituras literárias fazem com que os jovens possam conhecer novos vocabulários e muitas vezes sair da sua zona de conforto e experimentar outras áreas. ”
Mudanças na área de literatura na escola no futuro
Júlia espera mudanças na área de literatura na escola em um futuro próximo: “Que elas (as escolas) possam passar os seus ensinamentos com uma maneira diferente e que estimulem mais alunos a lerem. ”