4.4 PROCEDIMENTOS DE COLETA DOS DADOS
5.1.4 Maria Antonieta
Maria Antonieta tem 13 anos. Nasceu na cidade de Recife, no estado de Pernambuco. Considera-se de etnia branca. Mora em casa própria com seu pai, sua mãe e um irmão. No momento de construção de seu retrato de leitora adolescente, está cursando o 8º ano do ensino fundamental do Colégio de Aplicação do Centro de Educação da UFPE. Fez cursinho preparatório para ingressar no CAp. Concorreu na seleção pública para o CAp no final de 2015, com 10 anos de idade; ingressando, portanto, no 6º ano do Ensino Fundamental do CAP em 2016.
Escolaridade familiar
O pai e a mãe de Maria Antonieta têm nível superior completo com especialização; ambos são professores e o pai também é advogado. A renda familiar é de mais de quatro salários mínimos. Seu avô (falecido) e sua avó paternos possuem o ensino fundamental incompleto; seu avô trabalhava como autônomo e a avó como cabeleireira. Seu avô materno (já falecido) também possuía o ensino fundamental incompleto; já a avó cursou a graduação. O avô era soldado do exército e avó, professora.
Gostos de leitura/ práticas sociais e culturais
Maria Antonieta gosta de ler “romance adolescente, ficção, aventura, ação, clichês (românticos), HQs” e não gosta de leituras “filosóficas, fábulas, biografias”. Uma vez por dia, lê textos em sites da internet; mais de uma vez por semana, costuma ler obra literária e história em quadrinhos; uma vez a cada dois meses, costuma ler best seller / literatura de massa; ocasionalmente, lê jornal e revista. O que Maria Antonieta mais aprecia nos livros que lê é “A maneira como o livro marca a minha vida é o jeito que o autor nos envolve na leitura, como se estivéssemos passando de verdade pela história. ” Ao ler um livro, costuma parar na metade ou ir até o final. A sua maneira de obter um livro para ler é comprando o livro; lendo-o online; baixando-o da internet ou pedindo emprestado a um colega ou por empréstimo na biblioteca. Nunca frequenta o teatro nem shows musicais; às vezes, frequenta o cinema, a biblioteca e livrarias. Sua atividade de lazer favorita é ver filmes, animes e vídeos. Tem acesso à Internet e a utiliza, principalmente, para redes sociais.
Maria Antonieta enquanto leitora
Maria Antonieta considera-se uma leitora de obras literárias, “Sim, porque leio bastantes livros, poemas, etc.” Os livros mais marcantes em sua vida até o momento foram: Persepólis (Marjane Sartrapi) e a saga Harry Potter (J.K. Rowling). Suas práticas de leitura correspondem às suas preferências, “Normalmente correspondem as minhas preferências, abrindo algumas exceções pra [sic] recomendações de amigos. ” Para Maria Antonieta, o que significa literatura e o que ela associa à palavra literatura seria “Textos, livros, poemas, fábulas, contos, tudo que
RETRATO DE MARIA ANTONIETA
JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DO NOME: Escolhi Maria Antonieta, porque acho um nome bonito, peculiar e com peso histórico.
possui palavras para você ler. ” Para ela, existe diferença entre obra literária e literatura de massa. “Sim, literatura de massa são obras literárias que ficaram muito populares. ”
Experiências com a leitura de obras literárias
Na infância, “Minha primeira experiência foi as HQs da Turma da Mônica (Maurício de Souza), desde o meu avô materno que a minha família adora lê-las. Antes de eu saber ler, meu irmão as lia pra [sic] mim” Já na adolescência, a experiência mais significativa em relação à leitura de uma obra literária até agora foi “A saga Percy Jackson. ”
A leitura de uma obra literária interferiu em sua maneira de compreender a vida: “Sim, ocorreu comigo com o livro “A procura de Audrey”, onde a protagonista possui episódios depressivos e ansiedade generalizada, parecido com o meu diagnóstico. O livro mudou um pouco minha forma de ver a minha ansiedade. ”
A leitura literária hoje desempenha um papel menor em sua vida que antes. “Menos, até meus 12 anos eu lia bastante, mas com o vício fui deixando aos poucos de ler e estou retornando agora. ”
Em sua família, “todos” gostam de obras literárias “desde pequena meus pais me apresentaram o universo da leitura e eu sempre os via lendo, então eles influenciaram bastante, tanto que eu tenho um gosto literário bastante parecido com os deles. ”
O gosto pela leitura de obras literárias de seus colegas não a influenciou “Não, normalmente eu que influencio meus colegas a lerem, pois desde pequena já tinha o hábito, então não tinha como eles fazerem isso. ”
Experiências com a leitura de obras de literatura de massa
A literatura de massa, para Maria Antonieta, significa “Obras literárias que ficaram muito famosas, ex.: A culpa é das estrelas. ” Não costuma muito ler obras de literatura de massa. Em sua opinião, a leitura de uma obra de literatura de massa pode interferir em sua maneira de compreender a vida, “mas não possuo uma experiência pessoal em que isso ocorreu por eu não ler muita literatura em massa, mas Harry Potter foi uma experiência significativa. ”
Afirma que a leitura de obras de literatura de massa não desempenha um papel maior hoje que antes em sua vida “Não, acho que nunca ocupou um espaço muito grande na minha vida. ” Em família, sua mãe gosta de ler literatura de massa e a influencia na leitura. “Minha mãe, sim, pois ela lê e sempre me recomenda e comenta sobre o livro. ”
Os gostos de seus colegas pela leitura dessas obras não a influenciaram “Não, porque eu normalmente costumo ler livros por minha escolha. ”
Escola/ leitura literária/ literatura de massa
A obrigação escolar de determinadas obras literárias interfere no seu prazer pessoal de ler, “Sim, independente do livro, não gosto de ler obrigada. ”
As estratégias usadas pela escola/ professor (a) não a auxiliam em sua leitura das obras literárias.
Percebe diferenças entre a leitura de obras literárias da escola e a leitura escolhida pelo adolescente fora da escola. “Na maioria das situações, os livros escolhidos pela escola, são mais filosóficos, que passam uma moral, clássicos, etc. Já a maioria dos adolescentes preferem (prefere) livros de romance e/ou aventura. ”
Em sua opinião, as contribuições das práticas de leitura literária ou de massa na escola para a formação de um jovem leitor adolescente, “Você fica muito mais familiarizado com as palavras, se expressa melhor, escreve melhor, etc.”
Mudanças na área de literatura na escola no futuro
Maria Antonieta espera mudanças na área de literatura na escola em um futuro próximo: “Que as escolas não mandem livros que não interessam no geral os alunos, pois além de ‘desincentivar’ a lerem livros, também se torna entediante. ”