Paulo Estanislau
que quem o desmoralizava também não tinha moral, nem ao menos para aplicar-lhe aquele corretivo.
E a conversa se esticava. Lembrava de uma recomendação de sua mãe, quando ele ainda era menino, para escolher bem suas amizades.
E completou:
- Ela dizia, “quem com porco se mistura, farelo come”.
Como estamos falando de Ministros da Suprema Corte, mudemos en-tão o texto, mantendo o sentido: “Diga-me com quem andas que ti direi quem és”. A alteração por minha conta, é claro.
E continuava a explanação, indignado:
- Como pode alguém sentar-se ao lado de pessoas que não têm moral, chamá-las de meus pares e depois dizer que tem moral. Tem não! Nesse supremo são todos iguais.
Alguém, angustiado com aquela conversa, sentenciou-o:
- E não tem mesmo! E você, que moral tem para atrapalhar a nossa festa? Vamos beber e comer que é o melhor que a gente faz!
E voltaram a falar de futebol, cerveja e mulher.
lembrando mais uma vez, que a ordem aqui não deve ser levada em consideração.
E a festa seguiu em frente, sem mais discussão se os ministros da nossa Suprema Corte têm moral ou não. Continuaram também a degustar, inclu-sive, isca de peixe, vinho, cachaça e manjubinha frita.
Parabéns e longa vida ao Jorginho!
F
alar sobre amigos e amizades é uma das coisas mais prazerosas da vida.Quem tem amigo é um “cabra sortudo”. Não importa a quantidade de amigos que você tem, ou que a vida colocou em sua trajetória. Muitos, ape-nas, como travessia. Outros, como destino, porto seguro, braço solidário, companheiro de lutas de qualquer matiz, ideológica ou não, ou de causas que unem e não mais separam pessoas pelo resto da existência.
O que importa em um amigo é a qualidade da amizade, a força da amizade, a profundidade com que se impõe uma amizade, o elo que prende e transforma e que qualifica a amizade como eterna, duradoura, consistente e desprendida de qualquer outro interesse que não seja ser amigo, de corpo presente ou ausente da vista. Amigo é a representação existencial do útero materno, nossa primeira zona de conforto, mesmo com o desconforto que causamos nos nove meses em que permanecemos encolhidos e acolhidos pela genitora geradora de vida.
Amigo não precisa de rótulo, classificação social, identificação pessoal.
Amigo é único em gênero, número e grau. Não tem cor ou raça definida, não é ateu, católico, cristão, umbandista, budista, maoísta, ou qualquer ou-tro “ista” sufixando uma corrente religiosa ou uma tendência ideológica.
Amigo não é rico, pobre, empresário, operário, patrão, empregado, gari, garimpeiro, honesto ou “tramiêro”. Amigo não tem sexo, é assexuado por condição “sine qua non” da própria amizade. Amigo é plural, universal, atemporal.
Amigo quando se tem é a pura essência da verdade explicita da vida pela qual passamos colhendo amigos, colecionando momentos que, por vezes, tem tempo definido e ficam na memória como agradável passagem.
Mas os que ficam para sempre e se tornam imprescindíveis em nossa exis-tência são os mais importantes e os melhores amigos que se pode ter e
De amigo...
Marcus Ottoni
chamar de amigo.
Amigo não é irmão de sangue, não é construção genética similar, não é filho do mesmo pai e da mesma mãe. Amigo é consequência da busca pela zona de conforto que perdemos quando saímos do útero e nos deparamos com a solidão dos mortais desprotegidos dos perigos da vida, enfrentando os monstros que nós mesmo criamos para justificar a busca por um amigo que nos ajude a combater o bom combate da alma e estabelecer a estrada por onde vamos caminhar irmanados no melhor e o único sentimento de um ser humano que jamais morrerá em nosso interior: a solidariedade.
Amigo é cumplice até nos desentendimentos, nas rusgas passageiras, nos altos e baixos da amizade, na imatura arrogância da certeza incerta que move a prepotência pessoal que o mundo nos incuba para fingirmos que somos fortes e aguentamos as porradas da vida sozinhos, inutilmente inde-fesos dos perigos que as armadilhas que o destino nos prepara ao longo de nossa jornada pelo planeta terra.
Amigo é foda! Não abre mão da amizade mesmo que se sinta mago-ado ou ferido por palavras e egoísmos pontuais que dificultam o diálogo e o entendimento do momento. Sai ferido do embate, mas volta sutil como um mastodonte reclamando a amizade abalada e arremata os pontos des-cosidos com nos de vínculo costurado no silêncio misterioso da amizade inquebrantável. Amigo é tampa! Não desiste nunca de uma amizade.
Amigo é amigo e ponto.
Hoje, um grande amigo, daqueles que a gente guarda no fundo do pei-to, do lado esquerdo como diz a canção de “Bituca”, deixa para trás mais um ano de vida e inicia um novo ciclo em sua existência. Fico feliz por tê-lo como amigo há mais de 40 anos, dos quais muitos nos fizeram estar longe dos olhos, mas sempre perto do coração. Um grande camarada, um irmão de estrada, um guerreiro da vida, um amigo sincero, leal e solidário.
Então, como hoje é 9 de outubro de 2019, quero render minha ho-menagem ao amigo Paulo Estanislau pela sua existência e por me deixar compartilhar de sua amizade. Parabéns amigo, vida longa ao “Duque de Maracajaú”, ao artista, poeta, escritor, ser humano, homem de luz, guerreiro da liberdade e arquiteto de amizades solidárias.
Feliz Aniversário, camarada.
PS: Pouchart aproveita para mandar lembranças e parabéns.
T
em daqueles dias em que você está disposto a não fazer nada. Ficar em casa sem se mexer. Daqueles propício à prática do nadismo. Mesmo que seja na sala de casa, sem som, sem TV, apenas deitado no tapete, no chão ou sofá, olhando para o teto. Sem que isso vire costume é óbvio!Quero deixar claro que nada tenho contra os adeptos desse modismo dos preguiçosos. Tanto que resolvi praticá-lo.
Como estava doente sem poder trabalhar, certamente não seria critica-do por aproveitar a pseucritica-dofilosofia critica-dos que não gostam de praticar traba-lho. Para minha sorte moro em uma casa com um bom quintal e ali seria o lugar ideal, deitado na grama, olhando o céu e tomando um frio. Em Bra-sília, mês de maio, oito horas da manhã, você quer o quê? Tomar sol? Nem que fosse aquela cerveja que um publicitário inteligentemente pegou em-prestado o nome do astro rei. Com o frio que faz no mês de maio, nem ela.
Preparei-me. Fiz um café bem quentinho, peguei uma velha cadeira de praia e fui para o quintal, sentei-me e comecei a saborear aquele mara-vilhoso produto nacional que, depois de Airton Senna, a seleção brasileira de futebol e Guga, foi responsável pela elevação do nome do Brasil mundo afora. Nesse caso não importando a ordem.
Como a disposição era de não fazer nada, comecei a viajar em pen-samentos. Não sei aonde fui, nem quanto tempo demorei, mas sonhei, ou melhor, pensei. Na verdade tanto faz, sonho e pensamento são irmãos monozigóticos mesmo.
Depois de tanto pensar deduzi que não fazer nada não quer dizer exa-tamente não fazer nada. Não que para isso precise-se de um QI elevado.
Você pode não fazer nada pensando.
E de tanto pensar acabei por deduzir, como posso não fazer nada se estou pensando. Se tomarmos como base Platão, ou mesmo Karl Max, não