BRASÍLIA - 2020
Copyright 2020 Marcus Ottoni/Paulo Estanislau
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CAPAMarcanttoni
DESIGNER GRÁFICO Marcanttoni
REVISÃO Paula Lima Crônicas
Marcus Ottoni e Paulo Estanislau
(Publicadas originalmente no portal: www.galeriadopovodf.blogspost.com) FOTOS:
Marcus Ottoni: Galeria do Povo (Natal-RN) | Cruzeiro Novo - Brasília (DF)
Catalogado na Fonte
AMI GOS P RES ENTES
AGRADECIMENTOS
À minha mãe Dona Elífias, meus filhos Bruno Lima, Filipe Lima e Paula Lima, às suas mães e aos meus netos Enzo Gouveia e Sophie Gouveia pelo apoio e incentivo e, aos companheiros de Galeria do Povo pelo trabalho conjunto e colaboração.
Paulo Estanislau
Ao momento de amor que me gerou e aos outros momen- tos de amor que geraram meus filhos. Impossível deixar
de agradecer os amigos que conquistei no meu caminhar.
Sem eles seria muito mais diíficl caminhar pela vida. À todos os que habitam em mim e assim me fazem ser.
Marcus Ottoni
DEDICATÓRIA
Este é um livro é dedicado à todos
os talentos que movem o mundo
cultural e artístico, revelados ou
ainda por revelarem-se.
2º CAPA
A
origem da Galeria do Povo data de 1977 quando o poeta e artista plás- tico Eduardo Alexandre realizou a primeira exposição, num final de semana, em um muro de uma residência na Praia dos Artistas, litoral urbano de Natal, capital do Rio Grande do Norte. Nascia naquele sá- bado/domingo a concepção de uma audaciosa e irreverente forma de protestar contra a censura imposta pelo regime militar as artes em geral e, particularmente, nas manifestações artísticas de uma nova geração cansada das imposições culturais promovidas por um regime de exceção.Libertária e independente a Galeria do Povo surgiu como instrumento de afirmação da arte produzida por novos talentos artísticos da cidade do Natal e um espaço livre de qualquer censura e com total liberdade de expressão para todos os segmentos culturais da cidade. A concepção da nova forma de expressão artística trazia na simplicidade sua característica mais marcante, já que o espaço público era ocupado por artistas de qualquer matiz, conhecidos ou anônimos, famosos ou amadores.
A Galeria do Povo desembarcou em Brasília no final de 1978 pelas mãos do jornalista Marcus Ottoni, um dos integrantes do movimento em Natal. A primeira exposição aconteceu na quadra 501 do Cruzeiro Novo, com os trabalhos sendo expostos no tapume que servia de muro para o Colégio Ciman. Foram expostas pinturas em tela, poesias em cartolina, fotografias, bonecos de mamulengo, entre outras diversas manifestações da arte. A exposição ficou montada durante todo o dia e teve uma frequência de público flutuante bastante acentuada para um movi- mento que se iniciava sem qualquer propaganda ou divulgação prévia.
As edições seguintes aconteceram todos os domingos. A participação de no- vos artistas teve um aumento considerável, acontecendo o mesmo com o público que visitava as exposições. Foram agregados ao movimento novos músicos, artis- tas plásticos, poetas, atores e atrizes, instrumentistas e dezenas de outras pessoas que produziam arte na comunidade, mas não tinham a oportunidade de expor seus trabalhos e se congregar com outras pessoas que também desenvolviam ativida- des artísticas. A ampliação do universo de produtores de arte e a interação entre eles foi um dos objetivos alcançados pela Galeria do Povo o que proporcionou a descoberta de novos talentos em diversas áreas da atividade cultural no Cruzeiro.
Ao longo das atividades realizadas sempre aos domingos no espaço verde da Quadra 403, a Galeria do Povo promoveu shows musicais, além das exposições tradicionais que sempre marcaram o movimento como ponto de encontro da co-
Galeria do Povo
Natal - Brasília
munidade e dos próprios artistas locais e de outras comunidades que visitavam a Galeria do Povo nos domingos. Promoções conjuntas com outros movimentos similares também fazem parte da história do movimento no Cruzeiro Novo.
A Galeria do Povo serviu também de palco para o lançamento, em Brasília, no governo militar do presidente João Figueiredo, do Partido do Povo Brasileiro com a leitura do manifesto de fundação dirigido a sociedade brasileira e idealizado em Natal pelo poeta Eduardo Alexandre. Também foi foco da imprensa brasilien- se (Correio Braziliense) a manifestação da Galeria do Povo em defesa da anistia ampla, geral e irrestrita, que produziu um cartaz de apoio à anistia trazendo a frase do poeta Eduardo Alexandre: “Abram-se todas as
celas/Abram-se todos os corações/Anistia”, va- zada sobre uma foto do jornalista Marcus Ottoni retratando a masmorra do Forte dos Reis Magos, em Natal, onde ficou aprisionado o herói potiguar Felipe Camarão.
O legado da Galeria do Povo, como movi- mento de vanguarda da cultura candanga, pode ser medido pelos inúmeros artistas que saíram do anonimato e ganharam, muitos deles, o mercado artístico brasiliense, firmando-se como nomes de respeito no cenário cultural do Distrito Federal.
Também pode ser mensurada a importância da Galeria do Povo para a comunidade do Cruzeiro e, indiretamente para todo o Distrito Federal, pela oportunidade que deu aos jovens de descobrirem o caminho da arte desenvolvendo seus talentos junto aos artistas que integravam o movimento e
que ministravam oficinas de arte ao ar livre para os moradores da comunidade, independente de idade, raça, credo ou condição social.
O ponto de destaque da Galeria do Povo no cenário cultural do Distrito Fe- deral está na rebeldia de romper os paradigmas da cultura oficial do regime militar e se posicionar como o primeiro e único movimento de arte livre e independente de toda a capital da República nos anos finais da ditadura militar, rompendo o
“status quo” cultural e libertando a arte como instrumento de mudança e cons- cientização política e social.
PAULO ESTANISLAU: nasceu em Recife, Pernambuco, no dia 09 de outubro do século passado (1956). No final de 1973 mudou- se definitivamente para Brasília levando um coração apaixonado.
Em 1974 terminou o segundo grau no Centro de Ensino Médio Elefante Branco e em 1975 começou o curso de Administração de Empresas na Faculdade Católica de Ciências Humanas, estudou ainda, Licenciatura em Filosofia na Faculdade de Educação e Teo- logia do Brasil – Brasília/DF.
É poeta, escritor blogueiro, jornalista e cronista (como entreteni- mento). Consultor e dirigente de ONG. Faz do movimento social uma das prioridades de militância da sua vida. Já foi militante estudantil, cultural, dirigente partidário e sindical (diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília), empresário, comerciante, juiz arbitral e Juiz Classista Titular do Tribunal Regional do Trabalho.
Em 1978 iniciou sua participação no movimento cultural Galeria do Povo no Cruzeiro, a convite do poeta e escritor Marcus Ottoni, fundador do movimento em Brasília, a partir do projeto do jornalista, escritor e artista visual Alexandre Garcia iniciado em Natal-RN no ano de 1977. Começou daí uma parceria que permanece até os dias de hoje. Em 1980, juntos, escreveram o livreto poético “Poetas do Muro”. Em 2005 fundaram o Tabloide, GAZETA POPULAR DO ENTORNO, uma edição quinzenal. Hoje, juntamente com Marcus Ottoni, desenvolve três projetos: livro que conta a verdadeira história do movi- mento cultural no Cruzeiro / DF nas décadas de 1970 e 1980, o documentário a partir do livro e o Portal “galeriadopovodf.blogspot.com”.
É pai de três filhos, Bruno Gouveia de Lima, Filipe Dinato de Lima e Paula Bastos de Lima e avô do Enzo e da Sophie.
MARCUS OTTONI: jornalista, poeta, escritor, fotógrafo e blo- gueiro. Nasceu em São João del Rey, em 1954. Iniciou sua carreira profissional em Brasília, no Diário de Brasília, estagiando no de- partamento de fotografia. Passou pelo Jornal de Brasília, Ultima Hora de Brasília e Correio Braziliense. Em Natal trabalhou nos jornais potiguares com destaque para o semanário Jornal de Natal, onde exerceu a função de repórter especial e editor chefe. Fundou e colocou em circulação 12 jornais municipais e dirigiu a Associa- ção dos Jornais do Interior do Rio Grande do Norte (Adjori/RN).
Em 1977 conheceu Eduardo Alexandre quando trabalhava no Di-
ário de Natal. Dunga como é conhecido o jornalista e poeta Eduardo Alexandre, criou e fundou a Galeria do Povo, em 1977, na Praia dos Artistas. Marcus Ottoni integrou-se ao movimento e participou ativamente da Galeria do Povo todos os finais de semana enquan- to morou em Natal. Em 1978, regressando à Brasília, implantou a Galeria do Povo no Cru- zeiro Novo junto com Paulo Estanislau, dando o ponta pé inicial para a livre manifestação cultural e artística na capital federal, até então garroteada pelo regime militar.
Atualmente Marcus Ottoni atua na rede mundial de computadores como blogueiro e pro- duz livros com temas variados da ficção ao romance, passando pela poesia, crítica social, humor e erotismo. Pai de três filhos: Pablo, Bianca e Antônio Miguel, voltou a morar em Brasília onde participa, junto com Paulo Estanislau, do projeto de resgate da memória cultural do Cruzeiro “Rebeldia dos Excluídos” dando visibilidade ao movimento Galeria do Povo e seu legado cultural e artístico no Distrito Federal.
OS AUTORES
Paulo Estanislau Marcus Ottoni