CAPÍTULO 2: DE IUSTITIA
2.1 JUSTIÇA DISTRIBUTIVA E COMUTATIVA, MEIO-TERMO E A
Aristóteles (1965) ensina que a virtude incomparavelmente mais importante é a justiça, cujo significado primário e mais geral é de obediência às leis que promovem o bem da comunidade civil e pode proibir as más ações. A justiça em seu sentido abrangente, segundo o grego, abarca todas as outras virtudes e por isso é considerada perfeita por ele. Ela é perfeita devido ao fato de que quem a possui e a põe em prática, pode usa-la não somente em suas coisas próprias, mas também nas coisas que dizem respeito aos outros. Em sentido mais restrito, ela é de duas espécies:
Uma [distributiva] se reporta à distribuição das honras, das riquezas e de todas as outras coisas divisíveis entre os cidadãos, a outra, comutativa, regula as aquisições e os contratos. (ARISTÓTELES, 1965. p. 100)
O Filósofo grego discorre que a justiça distributiva se encontra na igualdade das relações. As honras devem ser dadas em razão dos méritos de cada pessoa, contudo a repartição
84 John Mitchell Finnis, nascido em 1940, é um filósofo neotomista e jurista australiano, naturalizado britânico. Atuou como professor da Universidade de Oxford de 1989 a 2010. É um dos principais teóricos jusnaturalistas contemporâneos seguindo a tradição tomista.
feita de modo desigual gera a injustiça, pois quem tem mais é uma ofensa a quem tem menos. Em se tratando do estudo sobre a justiça distributiva e comutativa, Nascimento (2014) observa que o Doutor Angélico estuda também os seus atos próprios, são eles a distribuição e restituição. São Tomás de Aquino (2014) se utiliza da divisão de que Aristóteles85 estabelece duas espécies de justiça: uma que dirige as distribuições (distributiva) e outra que dirige as comutações86 (comutativa). O Aquinense observa que essas duas espécies são aspectos da justiça particular87. A justiça particular se ordena a uma pessoa privada que está para a comunidade como a parte para o todo.
Ora, uma parte comporta uma dupla relação. Uma, de parte a parte, à qual corresponde a relação de uma pessoa privada a outra. Tal relação é dirigida pela justiça comutativa, que visa o intercâmbio mútuo entre duas pessoas. A outra relação é do todo às partes; a ela se assemelha a relação entre o que é comum e cada uma das pessoas. A essa segunda relação se refere a justiça distributiva, que reparte o que é comum de maneira proporcional. (ST II – II q. 61 a. 1).
De acordo com Oliveira (2014) a distinção entre essa dupla espécie exposta de justiça, é fundada e explicada a partir da comparação das relações entre o “todo” e as “partes”. O exemplo mais simples de ser dado, é justamente as trocas entre indivíduos, pois de um lado, as partes fazem trocas entre si, quaisquer que sejam suas situações ou a elevação de seu nível na sociedade, no plano dessa troca, são tidas como iguais, tendo direitos de dispor do que lhes pertence e de receber uma compensação de igual valor. Portanto, é por sua aplicação aos indivíduos que a justiça comutativa é sempre chamada para acertar toda espécie de intercâmbio. Por outro lado, quanto à partilha, que é da alçada da justiça distributiva, ela olha e regula tal partilha (distribuição) para exigir que a totalidade dos bens (o bem comum) seja dividido entre todos os membros proporcionalmente a suas funções na sociedade.
Steenberghen (1990) também ensina que há uma distinção entre a justiça comutativa, a justiça distributiva e a justiça legal88. A primeira regula as relações das pessoas entre si, a segunda regula as relações da autoridade com os cidadãos e a terceira regula as relações dos cidadãos com a autoridade89. Quanto ao primeiro aspecto, o autor português discorre que o bem
85 Livro V da Ética.
86 Termo “comutação”, que designa o domínio próprio da justiça “comutativa”, corresponde aos “intercâmbios” ou “transações”, sobretudo no domínio econômico. Traduzimos, pois, o termo “commutatio” por estes equivalentes mais claros em português, embora desprovido das conotações do original latino. (OLIVEIRA, 2014
In: AQUINO, 2014. p. 97 – nota e grifos do tradutor).
87 À justiça particular pertence a boa comutação, que consiste no hábito de guardar a igualdade nas comutações. (ST II – II q. 80. Artigo único).
88 Oliveira (2014) ensina que o emprego da distinção entre partes subjetivas (espécies), partes integrantes e partes potenciais efetua-se sempre de maneira original e adaptada em cada tratado da síntese tomista. O comentador acrescenta que a noção de justiça se realiza de forma essencial nas partes subjetivas, na dupla espécie: justiça comutativa e distributiva.
comum consubstancia o desenvolvimento natural das faculdades de exercer os proveitos da vida humana. O ente humano é dotado de faculdades que tornam sua vida agradável e feliz, como por exemplo o cultivo da amizade, da educação, da cultura, da possibilidade de constituir família, da escolha de uma profissão e assim por diante.
Em segundo lugar, acompanhando o raciocínio de Nunes (2011), o bem comum compreende a necessidade do oferecimento de bens matérias ao ente humano de modo que lhe seja possibilitado ter uma vida digna. É o oferecimento ou fornecimento de bens materiais mínimos que possibilitem a realização das faculdades humanas, tais como moradia, alimentação, vestuário, emprego, meios de transporte, etc.
Por último, de acordo com o mesmo autor acima citado, o bem comum tem por objetivo manter ou alcançar a pacificação social, isto é, aquele mínimo de unidade, tranquilidade e segurança imprescindível à própria existência da sociedade e convivência entre as pessoas. Afinal, a pacificação social é consequência primeira da promoção do bem comum que, por sua vez, concentra a realização efetiva da justiça.
O bem comum em Santo Tomás é, destarte, mais exigente em termos de realização da justiça distributiva ou social, porque não contempla apenas a suficiência de bens materiais de gozo dos homens, mas também e especialmente aquele mínimo de liberdades e condições culturais para o exercício de uma vida humana digna e feliz. (NUNES, 2011. p. 357). 90
No artigo 12 da questão 58 da segunda seção da segunda parte da Suma de Teologia, Aquino (2014) elege a justiça como a virtude mais elevada entre as demais, tanto em relação às virtudes gerais quanto em relação às virtudes morais. Isso se dá ao fato de que ela está voltada para as ações exteriores do ente ao contrário de outras virtudes que dizem respeito somente ao ente em si bem como suas virtuosidades interiores, as quais podemos citar a prudência, a misericórdia, a fortaleza, etc.
Nunes (2011) defende que para que se chegue ao conceito tomista de justiça, é necessário concatenar os aspectos básicos desta virtude, são eles: a) virtude moral; b) ato humano dirigido a outrem; c) vontade de agir com justiça; d) obrigação (compromisso); e) igualdade. O autor postula que a percepção que temos ao afirmar que o Doutor Angélico elege a justiça como a virtude mais elevada está também em sua condição de concentrar atos de meio e de fim do alcance do bem e da paz social. Assim é que a justiça, reunindo a vontade perpétua de dar a cada qual o que é seu, alinha-se com o próprio perfil do escolástico em relação à sua
90 Podemos encontrar já no século XIII a partir de São Tomás de Aquino, fundamentos e bases do que no século XX chamamos de Direitos Humanos publicados pele Organização das Nações Unidas na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
filosofia política. A partir disto, pode-se dizer que Tomás vislumbra a promoção do bem comum a partir da correta aplicação e obediência das leis.
Ainda de acordo com Nunes (2011), do mesmo modo, quando Aquino afirma que o direito é o objeto da justiça, ele está indicando, a existência de uma substância ou categoria legítima que, no âmbito político e jurídico, conduz ao correto ato de dar a cada um o que é seu. Comungando as lições de Aristóteles, Tomás de Aquino atribui à Justiça forte viés social. Aliás, é exatamente por força desse atributo social que Aquino converge na conceituação de Justiça as relações externas entre os homens. Isto quer significar que mesmo na sua primitiva acepção a virtude da Justiça reivindica a regulação da convivência social, seja de forma direta ou indireta (especialmente através do Direito), no que participa (senão constitui definitivamente) regularmente de fins sociais em geral. (NUNES, 2011 p. 364)
A virtude da justiça, sendo meio e fim como é, supera em excelência, as demais virtudes cardeais, afirma Nunes (2011). Essa superioridade é constatada devido ao fato de que ao tratar da fortaleza, temperança e prudência, São Tomás de Aquino revela condutas de meio, ou seja, de consciência e sabedoria internas para disciplinar, moderar, ordenar ou nortear o comportamento humano, entretanto, não há, nessas virtudes cardeais, o propósito central de organizar e distribuir bens corpóreos e incorpóreos no trato e na execução das relações jurídicas, econômicas, sociais e políticas. Apenas acidentalmente pode-se observar nas virtudes da fortaleza, temperança e prudência alguma orientação da conduta exterior do ente humano, o que, na verdade, irá aproximá-las da própria virtude da justiça.
Ainda segundo o escritor português, citado acima, não se trata aqui de verificar apenas o conteúdo formal da virtude da justiça, mas de observar sua predominância e excelência em termos de qualidade e utilidade para o dia-a-dia prático e empírico da convivência social. O domínio que a virtude da justiça ostenta em meio às virtudes morais especiais é procedente de sua densidade qualitativa e quantitativa (meio e fim), fato este que obviamente chamou a atenção de Tomás de Aquino.
Nunes (2011) expõe ainda que a virtude da justiça reúne características e elementos que conjugam ordem exterior e interior da conduta e da condição humana. Quando é dito que ela é meio e fim ao mesmo tempo de condução do ente humano para o bem e para a paz social significa que ela celebra a elevação da ordem natural das coisas, adentrando a existência humana em tema de consciência e atos. A partir disso é possível inferir que ela deve espraiar- se no ambiente das posições políticas e da ordem das sociedades mais avançadas como o Estado, o que, se adotado e cultivado adequadamente, reverterá em benefício do todo individual e coletivo.
Ainda discorrendo sobre a justiça como virtude mais elevada, observa Nunes (2011), que ela detém um qualificativo que a distingue das demais virtudes cardeais, esse qualificativo é a segurança das relações e das instituições humanas. Entretanto, São Tomás de Aquino não pensaria a justiça sem alicerces seguros e não se destinando à segurança pública. O dar a cada um o que é seu é a medida segura da obtenção da preservação e desenvolvimento sólido e proveitoso das relações humanas. Para que isso ocorra em seu tratado sobre a justiça, o Doutor Angélico acrescenta a justiça distributiva, permeando a distribuição correta e adequada dos bens sociais e políticos a quem os mereça ou desmereça por suas virtudes e esforços, cuja consequência é a segurança e tranquilidade que o justo distribuir gera na consciência dos destinatários e produz satisfação a estes.
Na questão 61 da segunda seção da segunda parte da Suma Teológica, Tomás (2014) ensina sobre as espécies de justiça. Como anunciado anteriormente, a primeira espécie é a justiça comutativa que trata das relações de pessoas privadas, isto é, há um intercâmbio entre duas pessoas singulares sem participação política. A segunda espécie é a justiça distributiva que consiste na relação do todo para com o particular, isto é a igualdade de compensação, a busca pelo meio termo da repartição do que é comum de maneira proporcional.
Em suma, como aborda Nunes (2011), as ações exteriores são as que estão sob o regimento da justiça, sendo que a matéria dela são as nossas ações e operações (práxis). O critério da justiça depende da constituição de uma sociedade (fixação de um critério). Deste modo, sempre há uma constituição que rege a justiça (natural), isto é, a justiça é uma virtude que pode ser institucionalizada, por isso a lei deve ser mais docente que punitiva, pois a autoridade ensina e o poder coage. Considerando, em conceitos aristotélicos que a matéria da justiça são as operações e sua forma é a igualdade.
Segundo Aquino (2014), concordando com Aristóteles, como o próprio autor repete pedagogicamente, a justiça distributiva consiste na distribuição ou repartição de bens e honrarias segundo os méritos de cada um. A justiça correlativa ou comutativa, por sua vez, visa a correlação das transações entre os indivíduos, que podem ocorrer de modos voluntários, a exemplo dos acordos e contratos, ou de modo involuntário, como os delitos em geral. Sempre que se encontra a conjunção de todos esses elementos: a alteridade das pessoas, o direito estrito, a verdadeira igualdade, suscetível de ser estabelecida segundo uma medida objetiva, pode-se então falar de justiça no sentido estrito e rigoroso. (OLIVEIRA, 2014 In: ST VI, 2014. p. 43).
O Doutor Angélico destaca que na espécie de justiça comutativa, surge a necessidade de intervenção de uma terceira pessoa, no caso um juiz que seria a personificação da justiça, que deve decidir sobre as relações mútuas e o eventual descumprimento de acordos ou de
cláusulas contratuais. O juiz, segundo Aristóteles (2009), passa a personificar a noção do justo. A partir disto, a justiça pode ser ainda subdividida em comutativa e reparativa. A primeira preside os contratos em geral: compra e venda, locação, empréstimo, entre outros. A segunda visa, reprimir a injustiça, reparar ou indenizar o dono, estabelecendo, se for o caso, punições. Fica claro, portanto, a partir de diversas considerações, que há duas espécies de justiça: a distributiva e a comutativa.
Como observa Aristóteles (2009), tudo o que pode ser retificado pela razão constitui a matéria de uma virtude moral que se define pela reta razão, por isso são as ações a matéria própria da virtude particular em questão. Tomás, a partir da matéria da justiça que é a relação com outrem, utiliza-se do conceito de igualdade para dizer que ela é o meio termo a ser alcançado para que haja equilíbrio entre as partes que estão praticando um ato de justiça. Ele ressalta que igualdade é o meio termo entre o mais e o menos e que a justiça comporta um meio termo real. Se a primeira definição de justiça significa dar a cada um o que é seu, a matéria da justiça é uma ação exterior.
(...) enquanto ela mesma, ou o objeto que por ela utilizamos, estão proporcionados a uma outra pessoa, com quem a justiça nos coloca em relação. Ora, a cada pessoa diz- se pertencer como seu, aquilo que lhe é devido por uma igualdade proporcional. Por isso o ato de justiça consiste precisamente em dar a cada um o que é seu. (...). Se falamos da justiça legal, é manifesto que excede em valor todas as virtudes morais; pois o bem comum tem a preeminência sobre o bem particular de uma pessoa. Por isso, declara o Filósofo: “A justiça resplandece como a mais preclara das virtudes. Nem a estrela da tarde nem a estrela da manhã são tão admiráveis”. (ST II - II q. 58 a. 11 e 12)
Acerca da superioridade da justiça em relação as demais virtudes, dizer que ela tem preeminência perante as outras virtudes morais significa dizer que ela é distinta e tem um grau mais elevado do que todas as outras. Isso se dá pelo fato dela ter sede na parte mais nobre da alma que é o apetite racional (vontade), e por outro lado, as outras tem sede no apetite sensível. A segunda razão dessa elevação da justiça em relação as demais, é justamente devido ao seu objeto, pois enquanto as outras virtudes morais são distintas somente pelo fato de causar bem ao ente humano virtuoso, a justiça é enaltecida pelo fato de causar bem ao outro, sendo assim a justiça é o bem de outrem.
Por isso proclama o Filósofo: “as maiores virtudes são necessariamente aquelas que mais concorrem para o bem de outrem, já que a virtude é uma força benfazeja. Eis por que, mais se honram os fortes que os justos, porque a fortaleza é útil na guerra, a justiça, porém, tanto na guerra quanto na paz”. (ST II q. 58 a. 12).
Já em relação ao meio-termo que é a busca comum de todas as virtudes, Aquino (2014) destaca que nas outras virtudes, o meio-termo se estabelece com relação à razão, ou seja, quanto mais próximos, moderados ou ordenados pela razão, mais perto do meio termo elas se
encontram. Por outro lado, o meio termo da justiça não consiste na aproximação da razão, mas se observa este meio termo na realidade, isto é, quando cada um recebe aquilo que lhe pertence por direito, tanto na justiça distributiva quanto na comutativa.
Em relação à matéria da justiça, o escolástico postula que a justiça versa sobre certas operações externas, são elas a distribuição e a comutação que consistem no uso de certos dados exteriores: coisas, pessoas ou mesmo obras.
Coisas, quando, por exemplo, se retira ou restitui a outrem o que é seu; pessoas, quando alguém injuria a pessoa mesma de outrem, ferindo-o ou insultando-o, ou, ao contrário, quando lhe manifesta respeito; obras, enfim, se a justo título, se exige de alguém ou se presta a ele um serviço. (ST II – II q. 61 a.3).
Para expressar uma outra característica que torna a virtude da justiça mais elevada que as demais, Nunes (2011) se utiliza do termo alteratividade para dizer que a justiça nem sempre é requisitada em situações iguais, mas justamente porque ela é solicitada de acordo com diversas necessidades de observação e pelo fato de buscar um meio termo91 entre partes, ela depende das acidentalidades de cada caso. Isso não significa dizer que a justiça é mutável, mas somente que ela é aplicada em diversos casos oriundos das diversas ações e relações humanas.
A alteratividade da Justiça é outro marco de sua elevação. Sendo alterativa como é, a virtude da Justiça aí também encontra predominância ante as outras virtudes cardeais (...). Para que se alcance o justo ideal em meio às limitações e fragilidades humanas é preciso conversar, interagir, integrar-se um com o outro numa relação de alteridade e alteratividade própria das necessidades humanas. Não que a Justiça não contenha uma concepção imutável, infensa ao sabor dos ventos e das vontades. Tem sim. E é nessa dimensão de estabilidade e perpetuidade que a virtude da Justiça encontra sua substancialidade e sua excelência. Porém, é assente, inclusive em Tomás, que a Justiça comporta variantes diante das acidentalidades que aqui ou acolá resultam dos atos e relações humanas. (NUNES, 2011. p. 367).
É exatamente em razão dessas acidentalidades que a dialética da justiça tomista encontra sua perfeição ou algo próximo da perfeição no sentido de dar a cada um o que é seu, acrescenta Nunes (2011). É justamente nas excepcionalidades que eventualmente ocorrem nas relações humanas, que a justiça comporta a alteratividade em consonância com tais excepcionalidades de modo a buscar nessas situações, o que pertence aos envolvidos. Assim é que a justiça alcança predominância sobre outras virtudes, pois mesmo que haja excepcionalidades ou disparidades, ela pode bem conceder a cada qual o que lhe é de direito.
Steenberghen (1990) relata que a moral em São Tomás de Aquino não se trata de uma moral hedonista como a dos epicuristas que não considera o prazer e a felicidade como o bem
91 O meio que exige a justiça, a medida que ela aplica na apreciação das trocas (justiça comutativa) e das repartições (justiça distributiva) consiste na “justeza” efetiva, tal como exige a realidade: coisas, ações, relações ou situações. Esse meio objetivo é sem dúvida julgado pela razão, também é racional; enquanto racional, a medida da justiça a situa entre as virtudes morais; enquanto real e objetiva, ela constitui a originalidade da justiça. (OLIVEIRA, 2014
supremo e o fim último, por outro lado, também não é uma moral de desinteresse, pois considera a busca e a aspiração à felicidade como natural e legítima. Em suma, o autor defende que esta moral é teocêntrica, pois coloca Deus como princípio transcendente da ordem moral. Ele é o fundamento da obrigação e o remunerador do bem e do mal. O fim último natural da alma humana deve ser concebido como a contemplação feliz da ordem universal e da sua causa transcendente. (STEENBERGHEN, 1990)
A partir destas considerações sobre um agir moral de Steenberghen, lançaremos o olhar para as partes integrantes e potenciais da virtude da justiça. Deste modo, é possível dizer que é a partir da ação virtuosa, e neste caso o da justiça, é que tal moral teocêntrica em busca de felicidade, como exposto por Steenberghen, pode ser consolidada. A justiça se torna então uma ferramenta virtuosa para regular as relações entres os entes que buscam ser felizes.