4 DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA E A MULTIPROPRIEDADE
4.1 CONCEITO DE TRIBUTO
4.1.3 Lançamento
O lançamento trata do ato oficial que registra a informação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e vem apresentar de que forma será pago, suas alíquotas, base de cálculo e etc., conforme leciona Alexandre:
Ocorrido o fato gerador, é necessário definir, com precisão, o montante do tributo ou penalidade, o devedor e o prazo para pagamento, de forma a conferir exigibilidade à obrigação. Daí a exigência de um procedimento oficial consistente em declarar formalmente a ocorrência do fato gerador, definir os elementos materiais da obrigação surgida (alíquota e base de cálculo), calcular o montante devido, identificar o respectivo sujeito passivo, com o fito de possibilitar que contra este seja feita a cobrança do tributo ou da penalidade pecuniária (2016, p. 368).
No Código Tributário Nacional, no artigo 142, é dada a base legal para o lançamento:
Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (BRASIL, CTN, 2019).
Após efetuado o lançamento, este pode ser alterado, as possibilidades para tal se encontram no artigo 145 do Código Tributário Nacional:
Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de:
I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício;
III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149 (BRASIL, CTN, 2019).
O inciso I do referido artigo, refere-se a possibilidade que o contribuinte tem de impugnar o lançamento, isto é, não concordando com o crédito constituído contra ele, poderá este impugnar para acabar com esta obrigação ou modificá-la, dirigindo-a ao órgão competente para julgamento de demanda tributária (ALEXANDRE, 2016, p. 378).
No inciso II é trazido o chamado recurso de oficio, como explica Borba:
[...] a maioria das unidades da Federação determina em suas legislações a respeito dos processos administrativos que, em determinadas situações, quando a autoridade julgadora de primeira instância decide favoravelmente ao sujeito passivo, tem que recorrer da sua própria decisão para a segunda instância (recurso de ofício). Se a segunda instância concordar com a decisão favorável ao sujeito passivo, estará modificado o lançamento através do recurso de ofício (2015, p. 366).
Assim, quando a autoridade julgadora decide por sentenciar contra o poder público, ou seja, a favor do sujeito passivo que impugnou algum lançamento, deve este encaminhar os autos para reanalise em segunda instância para assim confirmar a decisão de primeiro grau ou modificá-la.
No último inciso do referido artigo, trata da possibilidade que o fisco tem de rever lançamentos quando estes recaírem em algumas das hipóteses do artigo 149 do Código Tributário Nacional (BORBA, 2015, p. 366).
Importante analisar neste momento os tipos de lançamento existentes em nosso ordenamento jurídico.
Existem alguns tipos de modalidade de lançamento, algumas necessitando de mínima interferência do contribuinte enquanto outas dependem em grande parte da ação do contribuinte para serem concretizadas.
A primeira delas é o lançamento direto, afirma Borba (2015, p. 368) que se trata da “modalidade de procedimento em que o sujeito passivo não tem deveres de colaboração com a administração (ou, se os tem, os descumpriu). Realizar-se-á então o lançamento sem a participação do sujeito passivo”, este tendo base legal no artigo 149 do Código Tributário Nacional, que trazem as possibilidades para a execução deste tipo de modalidade:
Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos:
I - quando a lei assim o determine;
II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária;
III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória;
V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte;
VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária;
VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;
VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior;
IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial.
Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública (BRASIL, CTN, 2019).
A segunda modalidade a ser analisada é a de lançamento por declaração, é aquela em que o individuo não reconhece o débito por si só, mas que fornece elementos pertinentes ao fisco para que este faça a apuração do crédito e notifique o contribuinte indicando a quantia a ser paga (PAULSEN, 2017, p. 252).
A base legal para este tipo de lançamento encontra-se no artigo 147 do Código Tributário Nacional:
Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.
§ 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela (BRASIL, CTN, 2019).
A ultima modalidade de lançamento é a por homologação, explica Paulsen (2017, p. 252) “é o contribuinte quem apura e paga o tributo, cabendo ao Fisco simplesmente chancelar tal apuração quando a entenda correta, mediante homologação expressa ou tácita”.
Alexandre esclarece como funciona a homologação e sua função:
É com a homologação que a autoridade administrativa manifesta sua concordância com a atividade do sujeito passivo, atestando sua correção. Como decorrência, nos tributos sujeitos a tal modalidade de lançamento, não é com o pagamento, mas sim com a homologação, que se pode considerar o crédito tributário definitivamente extinto (2016, p. 391).
Encontra sua base legal no artigo 150 do Código Tributário Nacional:
Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.
§ 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.
§ 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.
§ 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.
§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o
crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (BRASIL, CTN, 2019).
Esta forma de lançamento é a que possui mais interferência do contribuinte, onde ele deve apurar seu crédito, efetivar o pagamento e após o fisco analisará o que foi declarado e homologará ou não a adimplemento do crédito tributário.