Importante zona verde em plena região central da cidade do Rio de Janeiro, o Cam-po de Santana foi cenário de acontecimentos decisivos para a História do Brasil, além dos frequentes festejos oficiais e populares no Império. Se durante o período colonial a área foi utilizada como pasto e como local de despejo de detritos, ao longo do século XIX a região passou por melhorias, sendo aterrada e saneada. O nome dessa região, em 1822, passou a ser Campo da Aclamação, assim chamada por ter sido palco da aclamação de D. Pedro I como Imperador do Brasil. A partir do período republican, denominava-se Praça da Re-pública, se tornando definitivamente Campo de Santana em 1945 – título em homenagem à antiga Igreja de Nossa Senhora de Santana, demolida em 1854.
Angela Telles, Zadig Gama, Natasha Mastrangelo
Rio de Janeiro, 30 de agosto de 1873.
Às vezes anda a gente a ma-lucar por aí qual é a utilida-de da polícia. Um utilida-destes dias um doido saltou as grades do monumento a José Boni-fácio e depois de várias gai-fonas e de arengar às turbas, quebrou a espada e a pena do ilustre patriota.
Não fazendo cabedal das profecias de várias sonâm-bulas extra lúcidas sobre a significação política daquele ato de loucura, o fato em si causa pasmo. Sendo no lar-go de S. Francisco a estação de uma via férrea urbana em que transitam por dia milha-res de pessoas, estacionam ali carros de praça, era de se supor a existência de um posto de polícia para manter
a ordem naquela vizinhança, pois a guarda da Escola Central tem atribuições limitadas, e se é boa para impedir que os alunos do 3º ano fa-çam motim lá dentro, nada tem com o que se passa no meio do largo. Efetivamente ali por perto há uma estação policial, que serve para depósito dos escravos encontrados na rua de-pois do toque Aragão e de todos os infratores à postura da câmara que nos obriga ao uso de amoníaco, mesmo usando andamos em trata-mento homeopático.
À roda da estátua acotovelam-se duzentas pes-soas, nenhuma das quais se lembrou de ir por onde o outro fora, e trazê-lo de lá, no que mui-to avisadamente andaram, pois o que a tal se abalançasse com toda a certeza era um homem preso. E na verdade arriscar-se uma pessoa a levar socos de um homem doido e por prêmio ir para a estação até provar a pureza de suas intenções, não é coisa muito de tentar.
O Mosquito, Rio de Janeiro, ano 5, nº 207, 30/08/1887, p. 1 e 2.
No dia 15, ao chegar aqui Carlos Gomes, qua-trocentos músicos soprarão seus instrumentos, no largo de S. Francisco de Paula.
Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, ano 1, nº 1, fevereiro de 1854, p. 9.
Quinta-feira, 22 de março – Visitação das igrejas e... das confeitarias. Grande reboliço em toda a cidade; os bondes, que vêm reple-tos, despejam na rua do Ouvidor e largo de S.
Francisco de Paula todos os devotos de Bota-fogo, Jardim, Laranjeiras, São Cristóvão, Vila Isabel e subúrbios adjacentes, os quais se es-palham pelas ruas, enchendo as igrejas e as confeitarias... Cristo e o cartucho de pralinés.
Revista Illustrada, Rio de Janeiro, ano 8, nº 336, 24/03/1883, p. 3.
Astronomia
A passagem do Grande Cometa de 1882, brilhante o suficiente para ser visto a olho nu no Hemisfério Sul, mesmo durante o dia, remete-nos ao tema da Astronomia. Des-de tempos imemoriais, o homem sempre olhou para as estrelas: apenas por curiosidaDes-de, ou para buscar explicações sobre o mundo que o cerca. Recortes de periódicos da época exemplificam ambos os casos: o povo carioca muito curioso pelo objeto celeste, e as dou-tas explicações dos ”cocheiros astrônomos”, com seu “método” para prever a chegada da chuva. Ao lado dessas cenas da vida urbana, a crítica irônica ao grande número de “áulicos aduladores” na cauda do cometa-Imperador. Como se sabe, D. Pedro II muito apreciava a Astronomia.
Gilda Santos e Luiz Felipe Ventura
A astronomia pega.
Os fluminenses, anteontem, espiaram embasbacados e em pleno dia a estrela Vênus que eles toma-ram pelo celebre cometa de que tanto se fala.*
*o “Grande Cometa de 1882”, visível a olho nu no Hemisfério Sul, ficou particularmente brilhante em setembro desse ano.
Revista Illustrada, nº 316, Rio de Janeiro, 23/09/1882, p.4.
Os cocheiros astrônomos.
A ciência não é coisa exclusiva de meia dúzia de caturras; a ciência é popular; desceu das bibliotecas e das academias para a praça pú-blica; fez-se democrática; fez-se cocheirocráti-ca. Os automedontes desta boa cidade do Rio de Janeiro entregam-se agora à astronomia;
e ciumentos pela fama do Sr. Mathieu (de la Drome), deram-se ao estudo do tempo e suas variações. O Sr Mathieu (de la Drome) diver-tia-se em predizer, no começo do ano, as chuvas e os ventos, durante os doze meses seguintes, nos diversos pontos da Europa. Os cocheiros fazem pouco mais ou menos, coisa igual. So-mente, como não atingiram a ciência completa não anunciam o tempo de tão longe, nem em
tão vasta área de terreno. Limitam-se à cidade do Rio de Janeiro. Eis como: Todos sabem que as ruas do Catete, Glória e outras são irrigadas de quando em quando, apesar das admoesta-ções quase diárias da imprensa. Ora, os cochei-ros (é autêntico) descobriram que essas ruas só são irrigadas horas antes de cair a chuva, de modo que, no meio do dia mais límpido, se eles veem as ruas irrigadas, dizem logo: - Bom!
Temos chuva. E daí a algumas horas começa a chover. Isto não é peta; quem escreve estas li-nhas já ouviu isto a três condutores de tílburis.
Viva a ciência!
A Semana Illustrada, nº 263, Rio de Janeiro 24/12/1865, p. 7.
O Imperial Cometa. – A história dirá um dia: Um astro resplandecente rasgou o firmamento bra-sileiro, deixando atrás de si um rasto luminoso... etc, etc. [...]
– Bonito!... E então?
Se, depois disso, S.M. não nos mandar a comenda da Rosa, podemos dizer que ele é um ingrato, e que a tal cauda é só composta de áulicos aduladores que ele arrasta por onde quer.
Revista Ilustrada, nº 316, Rio de Janeiro, 23/09/1882, p.4.
D. João por graça de Deus Príncipe Regente de Portugal, e dos Algarves d’aquém e d’além mar, em África de Guiné, e da Conquista, Navegação, e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia, e da Índia, etc. Faço Saber aos que a presente Carta de Lei virem, que Tendo cons-tantemente em Meu Real Ânimo os mais vivos desejos de fazer prosperar os Estados, que a
Providência Divina confiou ao Meu Regimen:
e Dando ao mesmo tempo a importância devi-da à vastidão, e localidevi-dade dos Meus Domínios da América, à cópia e variedade dos preciosos elementos de riqueza que eles em si contêm:
E outrossim Reconhecendo quanto seja van-tajosa aos Meus fiéis Vassalos em geral uma perfeita união e identidade entre os meus