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Violência Urbana

No documento N o G iro do M undo (páginas 65-69)

O Rio de Janeiro, no século XIX, ainda era uma cidade com pouca infra-estrutura. A violência nas ruas era um reflexo da falta de serviços oferecidos aos cidadãos, como educa-ção, saúde, divertimentos públicos, serviços de água e esgoto, etc., sem contar a gigantesca diferença econômica entre os mais ricos e a grande massa de pobres, ex-escravos e migran-tes do campo para a Corte. A iluminação noturna e a vigilância da polícia também eram precárias, inclusive com poucos casos sendo efetivamente investigados pelas autoridades.

O cenário de violência urbana nos oitocentos pode ser vista ainda hoje, mesmo com toda a evolução pela qual passou a cidade, casos cruéis de violência pelos mesmos motivos de outrora são encontrados.

Eduardo da Cruz e Sérgio Abreu

Cidade do Rio de Janeiro

Janeiro de 1864 Tempo calmosíssimo – ruas abandonadas – chafarizes secos – montanhas de cisco –

animais mortos – milhões de mosquitos – valas podres... etc., etc., etc....

E os fiscais?...E a polícia?...

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Semana Illustrada, n. 162, Rio de Janeiro: 11/01/1864, p. 1296

Pedro de Oliveira Leitão (Ca-dete Baleiro), Timotheo Freire da Silva (João Crioulo), José Valentim Sol Posto.

Tronco de Maria de Macedo, tendo a cabeça, os braços e as pernas decepados e encontra-do dentro de um cesto no cha-fariz do Largo do depósito.

Corpo de Maria de Macedo, re-composto, depois de encontrados os restos que faltavam.

Revista Illustrada, n. 650, Rio de Janei-ro: outubro de 1892, p. 7

Assassinato Langlois

Preza a polícia que este fato não se registre no rol dos mistérios do Rio de Janeiro.

O Mosquito, n. 233, Rio de Janeiro: 28 de fevereiro de 1874, p.8

Correspondência Especial Por ora o que sei é que o assassinato da Rua do Ouvidor tem dado que falar, e as queixas do Caipira e dos outros folhetinistas contra a falta de investigações policiais ecoam no coração terno e brando desta gente, fazendo-os esconjurar tal cidade, tal chefe e tal governo.

O Mosquito, n. 294, Rio de Janeiro:

1/05/1875, p. 4

Felizmente cessou a greve das pessoas de Niterói, que obrigava a rapaziada distinta e elegante a viajar em toilettes, que o regulamento chama de 2ª classe.

Revista Illustrada, Rio de Janeiro, ano 23, nº 736, 06/1898, p. 4-5.

Niterói

De origem tupi, o nome título da cidade de Niterói deixa entrever aspectos importan-tes da fundação e desenvolvimento da cidade. A posse solene das terras conhecidas como

“banda d’além mar”, deu-se em 1573 com a criação da aldeia de São Lourenço dos Índios pelo líder dos termiminós, Araribóia. A região eleva-se em importância para o cenário pro-vincial após sua emergência como Vila Real da Praia Grande em 1819. Ao longo do século XIX, o município, além de se desenvolver estruturalmente e se fixar como importante polo de atividades marítimas, torna-se centro influente na política da província do Rio de Janeiro ao ser transformado em capital pelo Ato Adicional de 1834 – posto que sustentaria ao longo de boa parte da história republicana do país.

Angela Telles, Zadig Gama, Natasha Mastrangelo

Nitheroy, Nictheroy, Nictherohy... Já viram maior anarquia ortográfica do que essa que rola há séculos sobre o modo de se escrever o nome da capital da província que um presiden-te ora governa sem lei de orçamento! Jamais se viu tanta divergência; cada um escreve a seu modo e isso desde 1502, isto é, há trezentos e oitenta e um anos! Pois só agora é que, graças ao Sr. A. do Vale Cabral, vamos escrever:

“[...] A etimologia mais aceitável da palavra Nyteroi é água escondida, de y água e niterõ culta [...]”.

Revista Illustrada, Rio de Janeiro, ano 8, nº 330, 20/01/1883, p. 2.

Há muitos anos que os pobres niteroienses pe-dem água. Desta vez, porém, o Todo Poderoso, o Júpiter da província, parece dotado das me-lhores tenções. E como prova que o S. Ex. não ficou surdo a tão justo pedido, ele apresenta no seu relatório o projeto de uma ponte-monstro!

Exatamente como se precisássemos de um par de botinas e nos dessem um chapéu. O ilustre presidente da província do Rio quer estabele-cer um traço de união entre a corte e Niterói por meio de uma ponte colossal e nunca vista!

A causa ou origem desse projeto deve natural-mente ser devido a alguma hipótese que S. Ex.

levou. Por meio minuto perdeu a barca! Está tudo explicado. Ódio de morte pois às bar-cas, que ficam condenadas a irem ao pique, e já uma ponte para as substituir e estancar a sede aos praia-grandenses! Essa famosa ponte, para não impossibilitar totalmente a navega-ção na nossa Oeste afim de evitar tempestades [...]. Essa co-lossal ponte aérea partirá do morro da Arma-ção em Niterói e se ligará com o de S. Bento na corte.

Revista Illustrada, Rio de Janeiro, ano 7, nº 313, 26/08/1882, p. 4-5

Muito se tem se falado sobre as escavações que se estão fazendo no morro do Castelo. De há um século a tradição dá àquele lugar, galerias, corredores, salões, catacumbas, infinidade de barras de ouro, grandes imagens do mesmo metal e uma enormíssima esmeralda, que todo o dinheiro do mundo não basta para pagar-lhe o valor. Ora, parece uma tolice de grande calibre deixar ficar soterrada tanta riqueza, e eis que dois atrevidos empreendedores, com a intenção mais louvável do mundo, meteram mãos à obra e como dois tatus de raça têm levado a escavar barro com valen-tia admirável. Por enquanto têm-se encontrado corredores e galerias; e alguns esqueletos, e o Sr.

Antonio dos Reis, um dos dois tatus, já declarou em satisfação a alguns intrometidos que em tudo querem meter o bedelho, que se encontrar riquezas, entrega-las-á ao governo, contentando-se ele com a parte que lhe pertence, ou lhe foi concedida. Mas o que é que lhe pertence ou lhe foi conce-dido? Os senhores não sabem? Nem eu.

Revista Illustrada, nº 47, Rio de Janeiro, 17/12/1876, p.2.

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