1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO
2.3 PERÍCIA CONTÁBIL
2.3.11 Laudo pericial contábil e parecer pericial contábil
O Laudo Pericial Contábil e o Parecer Pericial Contábil representam a peça fundamental e conclusiva que o Perito Oficial e o Perito Assistente emitem, devendo ser direcionado ao Juiz e tem o objetivo de auxiliá-lo nas decisões acerca do processo.
Assim conceitua os dois documentos a NBC TP 01, em seu item 48:
O laudo pericial contábil e o parecer técnico-contábil são documentos escritos, nos quais os peritos devem registrar, de forma abrangente, o conteúdo da perícia e particularizar os aspectos e as minudências que envolvam o seu objeto e as buscas de elementos de prova necessários para a conclusão do seu trabalho.
Para Hoog (2010, p.217):
O laudo é uma peça probante escrita objetiva, clara, precisa e concisa, na qual o perito contador expõe, de forma circunstanciada, as observações e estudos que fizeram e registram as conclusões fundamentadas na perícia. Devendo atender às necessidades do julgador e ao objeto da discussão [...].
Em relação à entrega do Laudo, de acordo com o art. 433 do CPC, o Perito deve apresentá-lo em cartório, de acordo com o prazo fixado pelo Juiz, pelo menos 20 dias antes da audiência e, o Perito Assistente apresentará o parecer 10 dias depois de intimadas as partes da apresentação do laudo.
Referindo-se ao prazo de entrega do laudo, poderá o Perito solicitar sua prorrogação, desde que apresente os motivos e os justifique, de acordo com o art. 432 do CPC: “Se o perito, por motivo justificado, não puder apresentar o laudo dentro do prazo, o juiz conceder- lhe-á, por uma vez, prorrogação, segundo o seu prudente arbítrio”.
O Laudo Pericial e o Parecer Pericial devem obedecer aos mesmos procedimentos e regras, a diferença básica entre eles é que, segundo Wakim; Wakim (2012, p.79), “ O Laudo é de competência exclusiva do perito contador oficial do juiz. Já o Parecer Pericial Contábil é de responsabilidade do perito assistente técnico elaborá-lo”.
Dividem-se os laudos periciais em três diferentes tipos: Laudo Coletivo, Laudo de Consenso e Laudo Discordante/divergente:
Laudo coletivo, de acordo com Hoog (2010, p.219), “[...] acontece quando é
exigência legal ou a pedido das partes. Nesse caso, o trabalho é feito por mais de um perito, ou por uma junta de profissionais”. Esse tipo de laudo deverá ser elaborado e assinado por todos os Peritos, indicando que ambos estão de acordo com o exposto.
Laudo de consenso, segundo Hoog (2010, p.220), “[...] acontece quando os peritos
contadores assistentes concordam totalmente com o laudo do perito-contador, ratificam todas as informações, respostas e observações efetuadas no laudo elaborado pelo perito oficial”. Nesse tipo de laudo também pode ocorrer, por exemplo, quando nomeados dois Peritos Assistentes, apenas um deles concorda com o laudo do Perito oficial, então este deverá assinar o laudo, sendo, portanto de consenso parcial.
Laudo discordante/divergente, de acordo com Hoog (2010, p.220), “[...] é elaborado
pelo perito-contador assistente quando discorda do laudo oficial, sempre embasado com razões da discordância”.
2.3.11.1 Formas de apresentação, estrutura e requisitos do laudo pericial contábil
Na elaboração do Laudo Pericial, deverá o Perito utilizar-se de uma linguagem clara e objetiva, de forma a não utilizar termos muito técnicos e específicos da contabilidade para que o documento elaborado não traga mais dúvidas ao Magistrado e se torne de difícil entendimento inclusive para as partes.
A NBC TP 01, nos itens 50 e 54, dispõe acerca da apresentação do laudo:
50. O laudo e o parecer são, respectivamente, orientados e conduzidos pelo perito do juízo e pelo perito-assistente, que adotarão padrão próprio, respeitada a estrutura prevista nesta Norma, devendo ser redigidos de forma circunstanciada, clara, objetiva, sequencial e lógica.
54. O laudo e o parecer devem contemplar o resultado final alcançado por meio de elementos de prova inclusos nos autos ou arrecadados em diligências que o perito tenha efetuado, por intermédio de peças contábeis e quaisquer outros documentos, tipos e formas.
Em relação à estrutura, a NBC TP 01, item 65, determina:
O laudo deve conter, no mínimo, os seguintes itens: (a) identificação do processo e das partes;
(b) síntese do objeto da perícia; (c) resumo dos autos;
(d) metodologia adotada para os trabalhos periciais e esclarecimentos; (e) relato das diligências realizadas;
(f) transcrição dos quesitos e suas respectivas respostas para o laudo pericial contábil;
(g) transcrição dos quesitos e suas respectivas respostas para o parecer técnico- contábil, onde houver divergência das respostas formuladas pelo perito do juízo; (h) conclusão;
(i) termo de encerramento, constando a relação de anexos e apêndices;
(j) assinatura do perito: deve constar sua categoria profissional de contador, seu número de registro em Conselho Regional de Contabilidade, comprovado mediante Certidão de Regularidade Profissional (CRP) e sua função: se laudo, perito do juízo e se parecer, perito-assistente da parte. É permitida a utilização da certificação digital, em consonância com a legislação vigente e as normas estabelecidas pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras - ICP-Brasil; (k) para elaboração de parecer, aplicam-se o disposto nas alíneas acima, no que
couber.
Para que um laudo seja de boa qualidade, conforme Sá (2007, p.46), precisa atender os requisitos mínimos: 1. Objetividade; 2. Rigor Tecnológico; 3. Concisão; 4. Argumentação; 5. Exatidão; 6. Clareza.
O profissional Perito deverá incluir no laudo documentos que tendem a servir como embasamento e provem os fatos em divergência, além de suas respostas aos quesitos que deverão ser fundamentadas, afim de não gerar possíveis dúvidas, para que então, o laudo seja de fato conclusivo e sirva para auxiliar o Juiz na decisão da sentença.
2.3.11.2 Laudo pericial contábil insuficiente e impugnado
Pode o Juiz, ao analisar o laudo, entender que o Perito não esgotou todas as possibilidades, bem como não respondeu de forma convincente e fundamentada aos quesitos, revelando insegurança, dúvidas ou ainda contradições, não tendo o Magistrado condições de apresentar uma decisão em relação ao processo e optando por solicitar nova perícia. O pedido de nova perícia poderá também ser solicitado pelas partes, cabendo ao Juiz indeferi-lo ou não. Nesse caso, a nova perícia não substitui a primeira, porém terá os mesmos objetivos, conforme os art. 437 a 439, do CPC:
Art. 437. O juiz poderá determinar, de ofício ou a requerimento da parte, a
realização de nova perícia, quando a matéria não lhe parecer suficientemente esclarecida.
Art. 438. A segunda perícia tem por objeto os mesmos fatos sobre que recaiu a
primeira e destina-se a corrigir eventual omissão ou inexatidão dos resultados a que esta conduziu.
Art. 439. A segunda perícia rege-se pelas disposições estabelecidas para a primeira. Parágrafo único. A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz
apreciar livremente o valor de uma e outra.
Caso o Juiz solicitar nova perícia, nomeando novo Perito pelo fato do laudo apresentado ser rejeitado por motivos de impedimento, conter procedimentos em desacordo com as normas e a legislação, entre outros, segundo Zanna, poderá o primeiro Perito não receber os honorários estipulados e, caso já recebido, poderá ter que devolvê-los com juros e correção, estando ainda sujeito a punições pelo CRC e ainda a processos de indenização movidos pela parte prejudicada com seu trabalho. (ZANNA, 2005).
2.3.11.3 Esclarecimentos
Havendo dúvidas em relação ao laudo pericial apresentado, poderão as partes solicitar ao Juiz a intimação do Perito para participar da audiência para eventuais esclarecimentos, conforme disposto no art. 435 do CPC:
A parte, que desejar esclarecimento do perito e do assistente técnico, requererá ao juiz que mande intimá-lo a comparecer à audiência, formulando desde logo as perguntas, sob forma de quesitos.
Parágrafo único. O perito e o assistente técnico só estarão obrigados a prestar os
esclarecimentos a que se refere este artigo, quando intimados 5 (cinco) dias antes da audiência.
Ao deferir os esclarecimentos solicitados, segundo Hoog (2010, p.184), “[...] não quer dizer que o trabalho pericial deixou a desejar, apenas pode pretender o Juiz propiciar e valorizar a ampla defesa e o contraditório, evitando que se agrave uma decisão”. Poderá ainda o Juiz negar o pedido de esclarecimentos, caso entenda que os assuntos abordados no laudo pericial estejam suficientemente claros.