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Lecionar na EBSRF: condições e ambiente escolar

Capítulo VII – O corpo docente e as suas visões sobre a escola e as práticas estudantis

7.1. Lecionar na EBSRF: condições e ambiente escolar

Quando questionámos os entrevistados sobre alguns dos fatores que interferem nas suas atividades diárias enquanto docentes da EBSRF, nomeadamente, sobre as dinâmicas implícitas nas relações pedagógicas que nesta escola se desenvolvem, isto é, das relações entre docentes, docentes e alunos, e entre alunos e alunos, de uma forma geral, os seus discursos manifestam uma satisfação geral que é sentida em lecionar nesta escola, revelando um ambiente escolar agradável. Vejamos.

“(…) a relação é boa, os professores são preocupados com os alunos, tentam ajudá-los, mesmo aqueles alunos com mais dificuldades, mesmo dificuldades de âmbito social, penso que a escola está atenta, tem um conjunto de profissionais, (…) colaboram bastante com os alunos, (…) “Por isso, penso que é uma relação boa, aqui ou ali pode haver um conflito certamente, mas penso que a escola funciona bem nesse aspeto, na relação professor e aluno.” (Diretor de

turma, 9º ano, 46 anos)

Há quem considere que as relações entre os alunos e os professores são relações de cordialidade e colaboração, e apesar de existirem alunos conflituosos na escola, as relações entre si não são conflituosas,

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“É uma escola em que gosto de trabalhar, a relação entre professores é boa, e entre os alunos, (… ) há alunos conflituosos, mas não há muito relações conflituosas entre eles. São relações de trabalho normal, em equipa…” (Diretora de turma, 12º ano, 57 anos)

Há quem explique que as relações que se estabelecem entre professores e alunos dependem muito da forma como o professor integra a turma desde o início. Assim, os alunos veem até onde podem ir, e depende da atitude do professor deixá-los avançar ou não,

“Porque em todas as turmas há grupos de alunos e há casos em que se dão muito mal com um professor e muito bem com outro professor… Ou seja, eu acho que isso depende muito da maneira como nós integramos a turma desde o início.” (Diretora de turma, 9º ano, 43 anos)

No entanto, percebemos também que os professores não gostam de trabalhar com todos os alunos de igual forma,

“(…) dou-me muito bem com as turmas de secundário, tenho uma relação fantástica

com as turmas de secundário, gosto imenso de trabalhar com eles, saímos muito, entramos muito em atividades extra. Se há algum projeto a nível de faculdade de ciências ou ICBAS, se me convidarem eu consigo levar os alunos nessas atividades, ando sempre nessas coisas, com o básico já não é a mesma coisa, olhe não gosto nada (…) (Diretora de turma, 12º ano, 52 anos)

E, enquanto que com os do ensino secundário,

“Eles gostam de ser meus amigos no Facebook (…) Pedem-me amizade, quase todos, os de 12º são quase todos (…)” (Diretora de turma, 12º ano, 52 anos)

Já os de 7º ano considera um esforço dar aulas a estas turmas, pois são alunos que,

“não trazem nenhuns hábitos de trabalho, não estão interessados, são alunos muito indisciplinados e é preciso manter a rédea curta.” (Diretora de turma, 12º ano, 52 anos)

Por outro lado, alguns discursos salientam diferentes formas de convivência entre docentes que lecionam na EBSRF há muitos anos e professores que chegaram há pouco tempo, com poucos anos de casa. Este aspeto foi referido por uma docente que leciona na EBSRF há já 21 anos, e reafirmado por uma docente que completava o seu 2º ano nesta escola.

“Hoje em dia que eu sou a velha, não noto muita convivência entre os novos e os velhos, entre os professores que vêm de novo e os que estão cá há muitos anos. Penso que é por causa da desmotivação das pessoas novas, porque eles pensam assim: “Para quê investir aqui numa relação de amizade, se isto não vai ser o nosso futuro?”, eu acho que essa é essa a

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insegurança. (…) nós aqui, as da velha guarda (risos), nós convivemos muito umas com as outras, inclusive fora da escola (…) Com as colegas que vêm de novo, não sinto essa relação de amizade, aliás, há ai pessoas que eu não conheço sem ser de vista, nem sei o nome. (…) essas colegas que vem de novo, estão cá há pouco tempo, andam sempre a rodar.” (Diretora de

turma, 12º ano, 52 anos)

“sentia-me um bocado… não era rejeitada, mas um bocadinho… pronto, não me ligavam muito, os meus colegas não me acolheram… e os colegas que entraram comigo também sentiram isso, mas eu acho que isso é normal, porque eles já têm o grupo formado há muitos anos…” (Diretora de turma, 9º ano, 43 anos)

No que toca às suas opiniões sobre as condições e infraestruturas da escola, os professores referem que as suas condições são boas,

“penso que a escola está devidamente equipada, é uma boa escola, gosto muito.”

(Diretor de turma, 9º ano, 46 anos)

Mas vários relatos sugeriram que apesar das condições serem boas, já foram melhores,

“(…) já foram melhores do que o que são atualmente, nomeadamente, em termos de manutenção dos equipamentos, mas também é reflexo dos cortes que todas as instituições públicas estão a sofrer… Mas de qualquer maneira são condições muito melhores do que a maioria das escolas. Claro que às vezes falham os projetores, mas isso está relacionado com a necessidade de manutenção que é difícil de se fazer devido às restrições nessa matéria.”

(Diretora de turma, 12º ano, 57 anos)

No mesmo sentido, há quem defenda que as condições e infraestruturas da escola em que leciona são excelentes, sendo que melhoraram bastante desde a intervenção da Parque Escolar,

“(…) em relação às infraestruturas são excelentes, desde que nós fomos sujeitos a este programa…” (Diretora de turma, 12º ano, 52 anos)

Se bem que têm sofrido ao longo dos últimos tempos algumas limitações em termos de materiais, uma questão que reconhece ser resultado da dificuldade de gestão de recursos perante o atual contexto de crise económica,

“muitas das pilhas dos projetores avariaram, já se gastaram e é preciso, não sei, muito dinheiro, uma coisa assim muito cara, tipo 500€, e estás a ver, assim é difícil, (…)” (Diretora

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Surgiu contudo, um relato que nos transmitiu uma insatisfação e até alguma indignação com as condições da escola, proveniente de uma das diretoras de turma com apenas dois anos de casa,

“não estou satisfeita mas por comparação com outras escolas onde já estive. Esta escola

foi das primeiras que fez obras, mas a verdade é que falta muita coisa, (…)”

Exemplificando a partir de,

“(…) eu que preciso dos quadros projetivos (…) Esses quadros existem, só que não têm lâmpadas, fundiram, e pelos vistos não têm dinheiro para comprar novas lâmpadas, que são caríssimas. (…) Depois, eu acho que o maior problema não tem propriamente a ver com as condições, mas com os funcionários, que eu acho que além de haver falta, porque às vezes nós saímos da sala para chamar um funcionário e não há ali nenhum funcionário para ir buscar nada, além de não haver há alguns que são um bocadinho… (…) Está a ver… (…) Pronto, menos bem dispostos… às vezes algumas salas falta isto ou aquilo, as cadeiras ou mesas degradadas… Mas pronto, (…) Falta um bocadinho espaço para trabalharmos, porque há muitos professores e há só uma sala ou duas de trabalho, e acho que também faltam computadores, para podermos trabalhar, porque eu sou da opinião de que o ideal era ir daqui com o meu trabalho feito e não ter de levar trabalho para casa, mas nesta escola isso não é possível porque não há espaço para tantos professores trabalharem ao mesmo tempo.”

(Diretora de turma, 9º ano, 43 anos)

7.2. Visões sobre uma escola-sede de um agrupamento TEIP: uma