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2 A PLANTA GENÉRICA DE VALORES NO CONTEXTO DAS RECEITAS

4.5 Lei de Responsabilidade Fiscal face ao instituto da Renúncia de Receitas

A Lei Complementar n. 101/2000, também conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF, foi editada, notadamente, com o objetivo de exigir dos gestores públicos postura mais responsável frente às finanças, de modo que o equilíbrio, isto é, a realização de despesas considerando a disponibilidade de receitas, lhes fosse uma preocupação constante (OLIVEIRA, 2007).

Não se pode olvidar, portanto, que os gestores públicos municipais passaram a ter uma preocupação maior com os compromissos assumidos durante a sua gestão e também com relação a possíveis atos de improbidade administrativa, a exemplo de casos envolvendo renúncia de receitas, quando deixam de atribuir valor adequado para os tributos de sua competência.

Além da possibilidade de enquadramento na forma irregular de renúncia de receitas, o descaso para com a atualização dos valores dos impostos, em especial o IPTU, que se relaciona diretamente com a capacidade contributiva do administrado, pode caracterizar afronta ao princípio da igualdade tributária, presente na CRFB/88, no seu Art. 150, inciso II, onde diz que as pessoas políticas atribuídas no caput do referido artigo estão impedidas de realizar um tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, (CASTRO; RIBEIRO, 2018).

Com a Lei de Responsabilidade Fiscal os prefeitos tiveram que ajustar os seus gastos públicos de acordo com a capacidade orçamentaria de seu mandato, no período de quatro anos. Esses gestores ainda tiveram alguns limites com gastos relacionados ao funcionalismo público, obras, investimentos e projetos municipais, com uma série de punições em caso de descumprimento, de caráter administrativo, prisional e pecuniário.

50 Além disso, os municípios somente podem fazer novos empréstimos ao passo que comprovarem que em seu mandato possuem capacidade de realizar o pagamento dos mesmos, e das outras obrigações que assumiram, modificando-se, assim, o desenho federativo que até este momento prevalecia (OLIVEIRA, 2007).

Da mesma forma, a renúncia de receita caso seja constatada e confirmada em uma administração pública pode resultar em ação de improbidade administrativa.

Com a promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF (Lei 10.257/2001), os prefeitos passaram a ter de seguir com rigor o orçamento municipal, sendo que em caso contrário, podem estar sujeitos às punições severas, como: pagamento de indenizações; perda de direitos políticos; prisão.

Dessa forma, a tributação imobiliária eficiente, de acordo com a LRF, passa a ser, não apenas mais uma fonte para os governantes administrarem melhor seus municípios, mas também de uma obrigação que fica sujeita às sanções administrativas e econômicas severas, que atingirão inclusive os munícipes (NUNES; BERNARDES, 2014).

A LRF fixa limites às despesas da gestão municipal com pessoal, restringindo a criação de quaisquer despesas que perpassem as o seu tempo de governo sem a devida compensação. A lei estipula ainda determinados limites para a contratação de dívidas, estabelece condições para a assunção de novos débitos pelos entes públicos e impedimentos automáticos à execução orçamentária, em casos de frustração das estimativas de arrecadação (BERNARDES. 2008. p. 66).

Como este diploma legal constitui uma importante ferramenta para o combate à má gestão fiscal, acabou também garantindo o cumprimento de um dos mais importantes princípios jurídicos da Administração Pública, o princípio da eficiência, fazendo com que os recursos públicos pudessem ser dimensionados de tal forma que seus usos fossem feitos de forma mais eficiente, racional e sustentável (BERTI. 2000. p. 53).

Da mesma forma que os gestores públicos precisam usar da racionalidade em relação aos seus custos, a LRF também impõe algumas responsabilidades ao gestor com relação às receitas públicas, e dos cuidados como as renúncias de receitas. A

51 LRF dispõe sobre a possibilidade de concessão ou ampliação de incentivos fiscais ou benefícios de natureza tributária em que possa derivar em renúncia de receita tributária (NUNES; BERNARDES, 2014).

Verifica-se que o texto da lei menciona sobre a renúncia de receita tributária referente ao ato positivo do Poder Público, podendo ser caracterizado por meio de concessões, aumento de incentivo ou de benefícios tributários. Nesse sentido, a referida lei determina que a adoção destas ações fica vinculada a devida apresentação da estimativa do impacto sobre o orçamentário-financeiro naquele exercício que iniciar a vigência, mais dois anos posteriores, de forma a atender à lei de diretrizes orçamentárias (NUNES; BERNARDES, 2014).

Porém, cabe ressaltar que o texto legal acima citado não se refereem nenhum momento sobre a renúncia de receita mediante determinada conduta comissiva ou omissiva realizada por parte da própria Administração Pública. Dessa forma, Nunes; Bernardes (2014), afirmam que é necessário constatar se o Município realmente estaria renunciado a receita no momento em que não atualiza a base de cálculo sobre o IPTU, no limite dos índices oficiais de correção monetária.

4.6 Lei de Improbidade Administrativa

O descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal é uma das formas em que o gestor público pode ser enquadrado por improbidade administrativa, resultando em sansões inclusive à pessoa física do gestor.

Atualmente, muitas são as formas de enquadramento e ações de improbidade administrativa quando violado o princípio público da economicidade, pelos agentes públicos. Os casos mais comuns são com relação à formas equivocadas de contrações de produtos e serviços públicos, por preços foras da realidade do mercado dentre outros fatores.

Com relação à renúncia de receita, o gestor público ao descumprir a LRF e cometer um ato que resulte em renúncia e receita, é possível que este seja

52 enquadrado com uma situação prevista na Lei n. 8.429/92 como de improbidade administrativa.

Dessa forma, quando agirem em desconformidade, os prefeitos e todos aqueles que concorreram para a produção de atos contrários à lei, estarão incidindo em atos de improbidade administrativa, ficando sujeitos às sanções cominadas, consoante enunciado do artigo 10:

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

Portanto, é notório que o IPTU, caso seja arrecadado da forma correta, resultará em grande vantagem para os cofres públicos, de forma a compor na maioria das vezes, a principal receita municipal. Por isso, a omissão de sua cobrança quando verificada, precisa ser investigada com muita atenção, já que resultará em grandes prejuízos aos cofres públicos. Esta omissão, portanto consiste em ato de improbidade administrativa (SOUZA, 2015).

Sobre este assunto, o art. 10, X, da Lei de improbidade administrativo expressa de forma bem clara que realmente se constitui ato de improbidade administrativa aquele que causar dano ao erário ou se portar de forma negligente com relação à arrecadação de um tributo, seja de forma dolosa ou culposa e que resulte em perda patrimonial (SOUZA, 2015).

Dessa forma, com o assunto exposto, segundo Souza (2015), não resta dúvida que a omissão na cobrança do IPTU deve ser caracterizada como ato de improbidade administrativa.

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