4 PRODUTO EDUCACIONAL
4.1 Livro digital para professores
Do ponto de vista técnico e material, a publicação digital destinada a professores de Arte e de Língua Portuguesa pode dar suporte também a docentes de outras disciplinas, com desejo de conduzir seus alunos a uma forma mais profunda de ler o mundo, ao interesse pela literatura e pelas artes e às possibilidades do ensino interartes. As atividades descritas no referido material não devem ser tomadas como um conjunto de receitas a serem seguidas, mas como um panorama de possibilidades a serem exploradas, transformadas, adaptadas e, certamente, ampliadas nas práticas e metodologias desenvolvidas em sala de aula.
Nas atividades desenvolvidas ao longo da publicação digital, será possível ao educador/leitor verificar o intercâmbio favorável com os conceitos das duas disciplinas escolares e também da abertura dos estudantes para o convívio com o diferente e a afirmação daquilo que é individual em si.
Nesse material, objetiva-se compartilhar a visão da escola como locus para encontros, propício ao desenvolvimento de experiências, no sentido descrito por Larossa (2016), e possibilidades, como local de abertura e escuta, no qual discentes e docentes possam “cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece” (LARROSA, 2016, p. 34). Por conseguinte, o material digital que motivou essa pesquisa tem como escopo convidar os educadores que com ele tiverem contato a estarem atentos, abertos, receptivos e expostos para as diversas possibilidades de sentir, entender, apreender e criar espaços que possam afetar e transformar. Nessa perspectiva, pode ser concebida como um espaço orgânico, no qual é plausível experimentar a travessia instaurada no devir, ou seja, no vir a ser, no transformar-se.
Também a experiência, e não a verdade é o que dá sentido à educação. Educamos para transformar o que sabemos, não para transmitir o já sabido. Se alguma coisa nos anima a educar é a possibilidade de que esse ato de educação, essa experiência em gestos nos permita libertar-nos de certas verdades, de modo a deixarmos de ser o que somos, para ser outra coisa para além do que vimos sendo. (LARROSA, 2016, p. 5).
O material preparado para os docentes visa evidenciar que quanto mais dinâmicas as interações pedagógicas, mais possibilidades interpretativas se criam, a partir do envolvimento de diversos tipos de manifestação: produção escrita, desenho, ilustração, representação teatral, vivências sensoriais. Cada uma dessas
atividades permite ao aluno colocar em prática os conceitos produzidos na leitura, ao mesmo tempo exteriorizando expressões e internalizando referências para outras leituras e ações criativas.
A publicação digital apresentada em conjunto com esta pesquisa tem enfoque nas linguagens contemporâneas e na literatura infantojuvenil, demonstrando que essas atividades interlinguagens contribuíram para que estudantes do Ensino Fundamental pudessem compreender e se apropriar ativa e criativamente dos códigos híbridos da leitura nos dias atuais.
Ao professor leitor da publicação digital são brevemente apresentados os suportes teóricos utilizados na pesquisa – Ana Mae Barbosa, Fernando Hernández, Roxane Rojo, no uso das imagens como formas comunicativas da contemporaneidade e Mikhail Bakhtin, Lev Vygotsky, Antônio Candido no tocante à linguagem e leitura/literatura – com um convite para leituras futuras relacionadas a essas fontes. Espera-se que a visitação às páginas deste material possa oferecer a outros professores, assim como proporcionou à autora, ferramentas para desenvolver o potencial criativo e a leitura de mundo dos estudantes.
Os estudos de Nóvoa (1999) defendem que a formação docente é um processo interativo, por meio do qual acontece um espaço de formação mútua, de afirmação de valores da profissão, propiciando um conhecimento profissional compartilhado, que, unindo a prática a discussões teóricas, gera novos conceitos. Embora as mudanças no campo da escola pareçam mais lentas, parte-se da premissa que o desenvolvimento da profissão docente está intimamente ligada às transformações sociais.
Da mesma forma, a especificidade da docência está no conhecimento pedagógico de natureza científico-cultural. No entanto, também as situações do cotidiano da escola, como as que foram apresentadas na publicação digital para professores podem ser fontes de atualização e descobertas para os profissionais. Identifica-se a necessidade de uma formação continuada, com consistência teórica, mas que realize uma relação entre a teoria e a prática.
Desse modo, o caminho para que outros docentes tirem proveito do material construído foi traçado com base em experiências concretas e factíveis na maioria dos espaços escolares. Embora se discutam tecnologias e leituras de textos multimodais, o enfoque maior está em como levar esse campo de ideias aos
estudantes em diferentes formatos, porém sem a dependência de recursos mais sofisticados.
Assim, na introdução do material, o leitor é apresentado ao conceito de ensino interartes, definindo-se como será feita a ligação entre arte e literatura. Nos tópicos subsequentes, apresentam-se as cinco etapas dos projetos interartes com enfoques nas obras de literatura infantojuvenil e nas linguagens artística e literária.
São associadas também imagens e links para vídeos, com trechos de gravações de atividades para que o docente interessado possa observar como foi construída a parte prática de cada etapa. Em conjunto com as descrições dos momentos pedagógicos, são disponibilizadas breves contextualizações sobre os principais autores que guiaram a construção da metodologia de trabalho para cada uma das práticas, de modo a indicar ao educador interessado caminhos para novas pesquisas e aprofundamentos. Tais pressupostos teóricos aparecem intrinsecamente ligados às vivências concretas dos estudantes, mostrando as inter-relações entre teoria e prática docente.
Em consequência disso, busca-se no produto educacional indicar ao professor/leitor tudo o que pode intervir no processo criativo: as referências dos estudantes, suas leituras, a subjetividade da relação professor/alunos, a sensibilidade desenvolvida ao longo do processo. Sobretudo, pretende-se mostrar que a tecnologia tem o potencial e o objetivo de mediar a relação entre pessoas, ao contrário de limitá-las. No decorrer do material, pretende-se tornar evidente ao leitor que o ensino interartes pode ser baseado em uma construção coletiva, visto que na
publicação digital conduz-se o leitor a observar como o processo foi influenciado,
reestruturado, alterado e redesenhado a cada momento de interação entre alunos (co-criadores) e professora.
No que diz respeito ao livro digital, a opção de criar um material nesse tipo de suporte deve-se ao fato de que é de conhecimento comum que a formação continuada de professores, nas circunstâncias atuais, enfrenta obstáculos relacionados à falta de tempo e escassez de recursos financeiros pelos quais passam boa parte dos profissionais da educação. Neste sentido, o livro eletrônico proporciona diversas possibilidades e recursos intrínsecos ao seu formato, podendo ser considerado um meio promissor de disseminação e circulação de informações intelectuais e culturais, o que pode favorecer a possibilidade de democratização e socialização da leitura.
Figura 34: imagem do livro digital em teste no telefone celular
Fonte: Arquivo da autora
Esse tipo específico de suporte do texto permite usos, manuseios e intervenções do leitor infinitamente mais numerosos e mais livres do que qualquer uma das formas tradicionais do livro. A exemplo disso, pode-se citar o mecanismo de busca que possibilita a pesquisa por palavras e, em poucos segundos, a obtenção do resultado, não sendo necessário folhear o livro ou relê-lo.
Figura 35: imagem do livro digital
Fonte: Arquivo da autora
A publicação digital apresentada como produto educacional desta dissertação de mestrado, pretende, em suma, evidenciar que, com base na ampliação da leitura de mundo, propiciada pela imersão na leitura e na criação artística e literária, o indivíduo pode ser levado a perceber-se e a questionar-se.
Figura 36: imagem do livro digital
Portanto, a arte, como troca intersubjetiva, funciona na proposta apresentada aos docentes/leitores como mediadora de uma visão ampliada da realidade, considerando que as transformações sociais, aqui apontadas no campo da leitura, suscitam um novo tipo de leitor e uma forma diferente de educar para a leitura, contextos para os quais o entendimento e a práxis relacionada a um ensino interartes pode oferecer grandes contribuições.
Para a autora desta pesquisa, o processo criativo de construção do livro
digital representou oportunidade de veicular as possibilidades do ensino interartes
no que diz respeito à aproximação entre arte e literatura. A organização das informações nesse meio permitiu reflexões acerca da distância que ainda existe entre os meios tecnológicos e o trabalho em sala de aula, mas também permitiu verificar possibilidades concretas de incluí-los em forma de mediação, visto que os estudantes, paradoxalmente, vivem e se comunicam diariamente via tecnologias. E também sobre o processo de formação continuada, tanto como aprendizado das possibilidades de novas formas de trabalho como também a apresentação de ideias aos professores que tiverem contato com o material.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observando-se que os modos de construir e interpretar os conteúdos comunicativos estão cada vez mais distantes das formas de letramento tradicionais, buscou-se desenvolver uma proposta de ensino interartes calcada na necessidade de se refletir sobre o modo como os estudantes leem e interpretam textos e imagens. Na aproximação do conceito de multiletramentos, são levados em conta significados contidos em textos constituídos por mais de uma modalidade de linguagem. Objetivou-se, então, desenvolver formas de ampliação da formação leitora dos estudantes, que pudessem ser construídas, intertextualmente, de forma enriquecedora entre obras de arte e obras literárias, propiciando a esses jovens tornarem-se aptos a empreenderem o ato da leitura de maneira abrangente, profunda e significativa com a integração das linguagens artísticas.
Outro ponto problematizado nesta pesquisa foi o papel da criatividade, diante do fato de que ao estruturar, construir e desconstruir os conhecimentos a eles apresentados, os indivíduos também estruturam a si mesmos, internamente. Buscou-se, então, verificar até que ponto a criação artística e a produção escrita poderiam contribuir para a sofisticação do ato da leitura nos estudantes envolvidos.
A Arte e a Leitura foram consideradas fontes de humanização por meio das quais o sujeito torna-se capaz de interagir melhor com o seu mundo. Alicerçado na ampliação da leitura de mundo propiciada pela imersão na fruição e na produção artística/literária, apostou-se, então, nas possibilidades oferecidas pelo ensino interartes capaz de levar o indivíduo a questionar-se criticamente, além de ampliar o que percebe sobre si e sobre o outro.
Premissa importante no referido contexto é que a arte, com a sua intrínseca característica interdisciplinar, apresenta inúmeras potencialidades quanto à construção de um ensino integrador e multidisciplinar, posto que seus conteúdos estabelecem naturalmente diálogos diretos com os contextos sócio-históricos, filosóficos, literários e outros. A arte, assim, retira o ser humano de um estado de fragmentação e dissociação do meio circundante para levá-lo a uma condição de
ser capaz de autonomia. Ela o instrumentaliza para compreender a sua realidade e
o ajuda não só a torná-la mais agradável da maneira que é, mas também tem capacidade para transformá-la, por meio da criticidade e da ação criadora.
Com fundamento no que foi aqui exposto, a conjugação entre a arte e a literatura ofereceu aos estudantes oportunidades para que desenvolvessem a sensibilidade, ao lidar com diversas fontes da expressão humana, aproximando-os também do universo da literatura. Ressalte-se que a arte, de uma maneira geral, e nela incluída a literatura, atua como transposição do real para o imaginário e é capaz de reorganizar, na subjetividade do indivíduo, as coisas, os seres, os sentimentos e os objetos. Os textos literários, deste modo, são carregados de linguagem poética, transportam sensações e desenvolvem as percepções humanas para interpretações mais próximas dos sentimentos.
Os resultados aqui expostos não foram aferidos por instrumentos quantitativos, portanto não haverá números e estatísticas. No entanto, a observação do comportamento dos estudantes demostrou, entre outras coisas, o crescimento do interesse pela leitura e pela produção artística de forma geral, sendo interpretados como indicativos positivos dos resultados do trabalho.
Verificou-se, por exemplo, que os estudantes visivelmente passaram a associar os momentos da aula em que se trabalhava com a leitura de livros de literatura infantojuvenil, de imagens de obras de arte e de vivências sensoriais com prazer e alegria, de modo que a resistência inicial à leitura, detectada nos primeiros momentos do projeto, foi substituída pela expectativa em relação ao novo e pela ansiedade em descobrir o que seria desenvolvido, expresso nos questionamentos de “professora o que vamos fazer hoje?”
Outra forma de verificar os resultados, foi o aumento da adesão dos estudantes às atividades, visto que, por apresentarem dificuldades no campo da leitura, muitos, no início do desenvolvimento do projeto, ficavam apáticos e resistentes, de modo que poucos chegavam a finalizar a atividade. No decorrer do desenvolvimento dos jogos e atividades de criação motivados pela leitura, verificou- se que os estudantes adotaram uma postura de envolvimento maior em relação às propostas, aumentando o número de atividades completas e de trocas intersubjetivas, em forma de diálogos entre colegas de classe sobre o que estavam produzindo ou o que já haviam produzido. Houve, então, o aumento da vontade de criar, verificando-se uma possível diminuição da aversão pela leitura, detectada nas avaliações diagnósticas anteriores ao desenvolvimento do projeto.
Um terceiro viés de comparação, entre o estado inicial dos estudantes em relação às imagens de obras de arte e de literatura infantojuvenil, foi que nos
primeiros momentos do projeto, eles recebiam os estímulos (livros, obras de arte, propostas) com um grande estranhamento, expresso em palavras e protestos, que se justificaram por diversos motivos: não haver o hábito da leitura para a maioria; não considerar adequado leituras na aula de arte; as obras de arte trabalhadas pela professora eram inusitadas, bastante diferentes do senso comum que tinham a respeito de arte. No entanto, ao final do projeto, o estranhamento foi substituído pela postura pesquisadora de “o que essa obra de arte, livro, proposta pode me trazer de novo?” Isso foi demostrado pela atenção e tentativa de compreensão, por meio de questionamentos, propostas e comentários.
Assim, houve um processo de redescoberta e ressignificação daquilo que é cotidiano, calcado no trabalho com uma grande diversidade de linguagens artísticas em sala de aula, explorando-se, de forma crítica, os textos e contextos no intuito de instrumentalizar o olhar dos estudantes para a interpretação. Destaque-se, ainda, que, para a efetivação das aspirações de possíveis respostas, apostou-se no exercício da criatividade, no potencial humano de transformar a matéria, conferindo- lhe novas formas e significados, impregnando os objetos do mundo com a sua presença como alicerce importante da formação de leitores eficazes.
Em suma, este trabalho está calcado na premissa que uma educação pela arte só pode ser plenamente vivenciada se houver também criação na recepção pelo outro, estabelecendo-se uma troca entre sujeitos, mediada por significados poéticos. Destarte, aquele que recebe a obra conecta seus sentidos com o objeto criado e interage com as proposições dos artistas. Esse ato criativo só se completa de maneira integral se o receptor for preparado em sua sensibilidade, possuindo repertório que lhe permita dialogar com os conteúdos revelados no ato artístico.
Ao longo das cinco etapas de leitura e interação com manifestações da Arte Contemporânea que, posteriormente, integraram o conteúdo da publicação digital, produto educacional que sintetiza os resultados desta pesquisa para que possa ser parte dos processos formativos de outros docentes, verificou-se a possibilidade de intercâmbio favorável entre as linguagens artísticas e a literatura e também da abertura dos estudantes para abordagens interartes no campo escolar.
Constatou-se, portanto, o papel fundamental da educação em conduzir os estudantes a desvelar esse território pleno de possibilidades mais eficazes para a leitura, pois com a participação em diferentes práticas sociais ligadas ao fazer
artístico, puderam exercitar a capacidade de leitura, de escrita e de oralidade, inserindo-se nas diversas esferas de interação.
Em resposta às indagações iniciais que suscitavam estudos, observou-se que quanto mais dinâmicas as interações pedagógicas, mais possibilidades interpretativas se criavam alicerçadas no envolvimento de distintos tipos de manifestação: produção escrita, desenho, ilustração, representação teatral, vivências sensoriais. Cada uma dessas atividades permitiu ao aluno colocar em prática os conceitos produzidos na leitura, ao mesmo tempo exteriorizando expressões e internalizando referências para outras leituras e ações criativas.
Isso levou à conclusão que, ao criar, o sujeito se recria e se constitui como ser criador consciente, que toma posição ante o mundo. As produções dos estudantes, portanto, serviram como estímulo e espaço oportunizador para que desenvolvessem suas potencialidades. Vale ressaltar, nesse contexto, que a criatividade fomentada nos processos vivenciados não servirá ao educando para que seja somente criador de obras artísticas, mas também para que seja co-criador de sua realidade, que é o que se espera de um cidadão crítico.
Logo, a interdisciplinaridade entre o ensino da literatura e as atividades lúdicas e artísticas abriram possibilidades para um aprendizado mais crítico, referenciado em um novo olhar capaz de levar o educando a experimentar a realidade além das aparências, como agente transformador e criador. Destaca-se também que tal processo, consequentemente, pela própria compreensão do ato criativo ampliou as suas possibilidades de fruição.
As vivências descritas e analisadas no terceiro capítulo desta dissertação, foram base para a constituição do produto educacional. A ideia é que os relatos e a síntese dos apontamentos teórico práticos nele contidos possam servir de inspiração e, ao mesmo tempo, de indicador de caminhos aos educadores de Arte e Língua Portuguesa, no desenvolvimento de propostas interartes. Dessa forma, o material pode ser um recurso de formação continuada, visto que apresenta discussões sobre a leitura e a influência das múltiplas linguagens e da própria cultura visual.
Optou-se por um material digital, que pode inclusive ser acessado via celular, no intuito de facilitar aos docentes interessados o alcance prático e gratuito ao produto educacional, que trata de forma sintética das experiências e imagens das produções construídas ao longo dos cinco momentos que o constituíram.
Além de sugestões de leitura e informações básicas de apoio para o trabalho com as linguagens artísticas e literárias, é importante ressaltar que, embora, seja um material feito para professores, ele não se constitui em um manual ou livro de receitas pedagógicas, mas num compilado de ideias que devem ser aproveitadas pelo docente para incrementar e enriquecer suas próprias metodologias. Portanto, não é o objetivo deste ditar premissas pedagógicas, mas ampliar caminhos e possibilidades, apostando no potencial criativo e renovador que cada docente desenvolve ao longo de sua experiência profissional.
Observou-se, pois, que alguns pontos ainda necessitam de desenvolvimento em pesquisas futuras como, por exemplo, a ampliação das discussões sobre como
implementar a interdisciplinaridade mais efetivamente no contexto escolar. Também
a importância de se estudar uma formação docente que permita olhar além da fragmentação disciplinar que hoje ainda é predominante nos meios escolares. Enfim, buscou-se discutir possibilidades de um ensino com olhar integrador entre as disciplinas de Arte e Língua Portuguesa, deixando certamente muito a ser explorado sobre como sistematizar essas ações com premissas metodológicas definidas.
Nesse sentido, para o encaminhamento de futuras abordagens em continuidade do que aqui foi sistematizado, nesse compilado de experiências, detectou-se como futuro veio para investigação o estabelecimento de alicerces mais consistentes no entrelaçamento entre a pedagogia dos multiletramentos e a abordagem triangular para o ensino de arte, premissas teóricas que estiveram presentes nas práticas descritas neste trabalho.
No que diz respeito ao conceito de interartes, como possibilidade de ampliação de pesquisa em próximos passos, na discussão sobre a intersecção das áreas artísticas, aponta-se a abordagem metodológica atualmente conhecida no Brasil como Pesquisa ou Investigação baseada em Artes, e também da A/r/tografia, que tem contribuído para as pesquisas em educação (OLIVEIRA, 2013).
Tais perspectivas utilizam justamente a arte não apenas como elemento base