No que diz respeito aos mamíferos, as observações tiveram em conta a verificação de vestígios, como por exemplo pegadas, tocas, restos de alimentos, excrementos, rastos, locais de alimentação, uma vez que a generalidade apresenta hábitos nocturnos ou crepusculares, sendo por isso difícil a sua observação directa. É evidente, que o tempo disponível para observações podia ter sido mais dilatado, mas fez-se o levantamento possível. Recorreu-se, também, à análise de dados bibliográficos.
Em linhas gerais, e em face da escassez de fauna na área em estudo, deve-se atender ao facto de que pode haver espécies que se desenvolvem e refugiam nas áreas agrícolas e florestais da envolvente, usando a área em estudo por curtos períodos de tempo.
4. CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO DE REFERÊNCIA
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96 A lontra (Lutra lutra), a toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus) e a ratazana-de-água (Arvicola sapidus), embora com alguma raridade, são os mamíferos que frequentam os biótopos fluviais afluentes do rio Lima, pois oferece boas condições de alimentação e reprodução principalmente às espécies que se encontram adaptadas ao ambiente ripícola.
Durante a execução do trabalho, foi possível confirmar ou considerar provável a presença de 16 espécies de mamíferos, número que estimamos próximo da realidade.
A fauna de mamíferos encontra-se algo depauperada, presumivelmente devido aos elevados níveis de perturbação a que a área está sujeita, mas também devido à fragmentação das zonas de habitat favorável.
A comunidade dos mamíferos parece apresentar pouca importância, podendo apresentar espécies comuns de franca mobilidade e adaptabilidade, não apresentando problemas de conservação, sendo que no local restrito da pedreira as espécies que possivelmente lá coexistam, nomeadamente o Coelho- bravo, estarão já habituadas aos factores de perturbação, oriundos da laboração da pedreira.
No quadro a seguir podemos observar o conjunto de mamíferos que têm como habitat a área envolvente à Pedreira.
4. CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO DE REFERÊNCIA
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Quadro 26: Listagem de Mamíferos Referenciados na Área Envolvente da Pedreira
Nome vulgar Espécie
Estatuto de Conservação
Portugal
Cites Bona Berna Espécie
Cinegética
Coelho-bravo Oryctolagus cuniculos NT III C Raposa Vulpes vulpes NT C
Javali Sus scrofa NT C
Ratazana Rattus rattus NT
Rato-do-campo Apodemus sylvaticus NT Rato-das-hortas Mus spretus Lataste NT
Doninha Mustela nivalis NT III CR Toupeira Talpa occidentalis NT
Ouriço-cacheiro Erinaceus europaeus NT III
Esquilo Sciurus vulgaris R III Leirão Eliomys quercinus L. NT III Morcego-de-ferradura- mediterrânico Rhinolophus eunyale E II II Morcego-de-ferradura- pequeno Rhinolophus hipposiderus E II II Lontra Lutra lutra K I II
Toupeira-de-água Galemys pyrenaicus V II Rata-de-água Arvicola sapidus NT III
Nota: Coluna 1ª: Nome vulgar; Coluna 2ª: Nome científico;
Coluna 3ª: Estatuto de conservação em Portugal (NT - Não ameaçado; V - Vulnerável; E - Em perigo; R -
Raro; K - Insuficientemente conhecido; I - Indeterminado);
Coluna 4ª, 5ª e 6ª: Situação legal dos taxa relativamente aos Anexos das Convenções CITES (I,II) e
Reg.CEE (C1, C2), Bona (I e II), Berna (II,III);
4. CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO DE REFERÊNCIA
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HERPETOFAUNA
Atendendo ao facto destas espécies possuírem período de hibernação ou estivação, ao longo do ano há fortes variações de detectabilidade, logo não foi possível a observação de todas as espécies no local em estudo. Recorreu-se, sobretudo à análise de dados bibliográficos, bem como a entrevistas realizadas aos habitantes locais.
O biótopo fluvial, promovido pelo rio Lima, oferece boas condições de alimentação e reprodução sobretudo à classe dos anfíbios, destacam-se a salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica), a rã-verde (Rana perezi) e o tritão-de-ventre-laranja (Triturus boscai) e do lagarto-de-água (Lacerta screiberi). Estas espécies são espécies endémicas da Península Ibérica, ou seja, a sua área de ocorrência mundial limita- se a Portugal e Espanha.
Nas áreas agrícolas e na proximidade das povoações (biótopo rural), estão presentes répteis sendo frequente observar a lagartixa-do-mato (Psammodromus algirus) e o sardão (Lacerta lepida), sendo a cobra-de-escada (Elapha scalaris) e o licranço (Blanus cinereus) outras das espécies que se podem encontrar. Relativamente aos anfíbios é muito comum observar o sapo-comum (Bufo bufo). Na área do projecto e na sua envolvente mais próxima não foi observada qualquer espécie de anfíbios ou répteis. No que respeita a herpetofauna, é conhecida a presença de sete espécies de anfíbios e oito espécies de répteis na região envolvente da Pedreira.
No quadro a seguir podemos observar o conjunto de anfíbios e répteis que têm como habitat a área envolvente à Pedreira.
4. CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO DE REFERÊNCIA
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Quadro 27: Listagem de Anfíbios e Repteis Referenciados na Área Envolvente da Pedreira
Nome vulgar Espécie
Estatuto de Conservação
Portugal
Cites Bona Berna
Anfíbios
Rã-verde Rana peresi NT III
Rã-ibérica Rana iberica
Tritão-de-ventre-laranja Triturus boscai NT III Tritão-verde Triturus marmoratus NT II
Sapo-comum Bufo bufo NT III
Salamandra-lusitana Chioglossa lusitanica K II
Salamandra-de-pintas-amarelas Salamandra salamandra NT III
Répteis
Lagartixa-do-mato Psammodromus algirus NT III Lagartixa-dos-muros Podarcis bocagei NT III
Lagarto-de-água Lacerta schreiberi NT II Sardão Lacerta lepida NT II
Cobra-de-escada Elapha scalaris NT III
Cobra-de-água Natrix maura
Cobra-rateira Malpolon monspessulanus NT III
Licranço Blanus cinereus NT III
Nota: Coluna 1ª: Nome vulgar; Coluna 2ª: Nome científico;
Coluna 3ª: Estatuto de conservação em Portugal (NT - Não ameaçado; V - Vulnerável; E - Em perigo; R -
Raro; K - Insuficientemente conhecido; I - Indeterminado);
Coluna 4ª, 5ª e 6ª: Situação legal dos taxa relativamente aos Anexos das Convenções CITES (I,II) e
Reg.CEE (C1, C2), Bona (I e II), Berna (II,III).
De acordo com o estudo realizado, a comunidade de anfíbios, parece não ser muito diversificada. O biótopo fluvial promovido pelo rio Lima, parece oferecer boas condições à comunidade de anfíbios, sendo tanto mais extensa, quanto maior a sua proximidade do habitat aquático.
A comunidade de répteis, embora mais diversificada do que a dos anfíbios, é também mal conhecida, mas, das espécies potencialmente presentes, nenhuma se apresenta ameaçada.
4. CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO DE REFERÊNCIA
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INVERTEBRADOS
Do grupo dos invertebrados, não foi possível efectuar um levantamento conciso, pois estes são um grupo faunístico pouco conhecido, havendo escassa informação sobre algumas espécies de insectos, anelídeos, aracnídeos, crustáceos – espécies fundamentais para o equilíbrio da cadeia alimentar, possuindo, aparentemente, elevada diversidade na área da Pedreira e na área envolvente da mesma. De acordo com o levantamento de campo é possível constatar que surgem de forma muito vulgar na área da pedreira e envolvente próxima as seguintes espécies: a vespa, a formiga e o caracol. De forma vulgar foi ainda possível observar as seguintes espécies: a abelha (Apis melífera), a joaninha (Ciccinela septempunctata) e a borboleta asa azul (Iphcides podalirius).
Contudo, e como previsto no Plano de Recuperação, a reabilitação do local favorecerá a diversidade florística e consequentemente a diversidade faunística.