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Medidas de manejo devem ser utilizadas antes e durante a formação dos poma- res com o objetivo de evitar a introdução do patógeno em áreas livres e reduzir seu impacto em pomares onde ele já está presente. Entre as principais medidas de pre- venção da entrada do patógeno (medidas de exclusão) estão: a regulamentação da produção, transporte e comercialização de mudas e frutos de citros, a utilização de mudas sadias em plantios e replantios, a eliminação de restos vegetais de veículos e equipamentos que entram nas áreas livres, bem como o controle do tráfego desses veículos e equipamentos na propriedade. Quando a doença já se encontra presente no pomar, recomenda -se o uso racional do controle químico com fungicidas, a remoção das folhas caídas ao solo ou a adoção de práticas que acelerem a sua decomposição, a poda dos ramos secos das plantas, a colheita antecipada dos frutos doentes, e o uso de irrigação por gotejamento.
8.1 Medidas de exclusão
As medidas de exclusão devem ser adotadas para prevenir a introdução do patógeno em áreas onde a doença ainda não está presente.
8.1.1 Medidas quarentenárias
Medidas estabelecidas por legislações fitossanitárias promulgadas por órgãos governamentais nacionais ou internacionais. A legislação fitossanitária brasileira es- tipula que a importação de vegetais ou partes de vegetais somente é permitida em portos de desembarque ou em estações de fronteira dotadas de serviço de defesa fitossanitária, mediante documentação de trânsito atestando que os materiais intro- duzidos são isentos de doenças e pragas prejudiciais às plantas e produtos vegetais.
Fotos: Geraldo J. Silva Jr
. e Luiz Fer
A legislação federal pode ser ampliada ou complementada com medidas legais de âmbito estadual, como a legislação do estado de São Paulo, que proíbe a produção de mudas de citros em viveiros desprotegidos. As medidas quarentenárias são impor- tantes, uma vez que P. citricarpa é considerada praga quarentenária A2 pelo Minis- tério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) do Brasil, pois está presente
no país, mas ainda não está amplamente distribuída. A Instrução Normativa no 1 de
05/01/2009 do MAPA permite o transporte e o comércio interno no país de frutos com lesões de pinta preta, inclusive para Unidades da Federação que ainda não te- nham a doença, desde que os frutos sejam transportados e comercializados isentos de folhas e ramos e que a unidade de produção (UP) dos frutos esteja cadastrada em programa oficial de manejo de risco da doença. Na Comunidade Europeia, esse patógeno é considerado praga quarentenária A1, por não estar presente nas áreas de cultivo de citros dos países-membros. Detalhes sobre a legislação quarentenária encontram -se no capítulo 9 “Procedimentos para exportação”.
8.1.2 Plantio de mudas sadias
A aquisição de mudas para plantio ou replantio deve ser feita de viveiros pro- tegidos e certificados ou de locais onde a doença não esteja presente (Figura 8.1). Essa medida é importante, uma vez que os sintomas da doença, em geral, não são observados em folhas infectadas de mudas de citros, principalmente de laranjeiras doces e tangerineiras, o que impossibilita o produtor saber se a muda está ou não infectada pelo patógeno, pela simples análise visual das plantas. Depois de plantadas, mudas com folhas contaminadas e assintomáticas crescem e perdem periodicamente suas folhas, as quais, ao se decompor, produzem os ascósporos do fungo que vão disseminar a doença dentro da propriedade (para mais detalhes, veja a Figura 7.1 “Ciclo da doença”). No estado de São Paulo, a principal via de disseminação e intro- dução da doença nos pomares foi o transporte e o plantio de mudas de citros conta- minadas produzidas em viveiros desprotegidos. De 1993, ano do primeiro relato da doença nos pomares paulistas, até 2000, as mudas comercializadas, em sua maioria, eram produzidas em viveiros desprotegidos localizados em regiões com a presença do fungo. Entre 2000 e 2003, houve a transição no processo de produção que cul- minou na obrigatoriedade da produção de “cavalinhos” (porta -enxertos) e mudas em sementeiras e viveiros protegidos no estado de São Paulo, o que provavelmente contribuiu muito para a redução da possibilidade de a doença ser dispersa via muda para diferentes áreas citrícolas do Brasil, incluindo municípios do estado de São Pau- lo. Portanto, conhecer a procedência e a sanidade da muda é primordial para evitar a introdução da doença na propriedade.
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8 Manejo da pinta preta
Fotos:
Geraldo J.
Silva Jr
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Figura 8.1 Produção de mudas em viveiros protegidos e certificados no estado de São Paulo. A cobertura com filme plástico e a irrigação por gotejo das mudas evitam a presença de água livre nas folhas necessária para a germinação dos esporos de Phyllosticta citricarpa.
8.1.3 Controle do tráfego de veículos e equipamentos
Uma boa alternativa para se evitar a entrada de veículos externos nas áreas de pro- dução, durante a época da colheita, é a construção de bins próximos à saída da proprie- dade, onde os frutos colhidos são armazenados para posterior transporte ao seu destino (Figura 8.2A-B). Além dos caminhões de colheita, outros equipamentos e materiais uti- lizados dentro da propriedade também podem transportar folhas de um talhão com a presença da doença, disseminando -a para outros mais distantes que ainda estão livres da pinta preta.
8.1.4 Remoção de material vegetal de veículos que entram na propriedade
Caminhões usados na colheita e no transporte de frutos cítricos frequentemente trafegam entre diferentes propriedades, podendo levar em sua carroceria folhas e frag- mentos de pedúnculos. Esses restos vegetais, caso infectados, podem introduzir a pinta preta. Portanto, recomenda -se retirar e queimar todos os restos vegetais das carrocerias e de qualquer veículo que adentrar a propriedade (Figura 8.2C-D).