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3. Tipos de Maus-Tratos

3.3 Mau Trato Emocional

O mau trato emocional, de acordo com Canha (2003) é o tipo de mau trato mais difícil de definir e de determinar. Porém, Magalhães (2004, p.35) menciona que este tipo de mau trato é “caracterizado essencialmente pela ausência ou inadequação, persistente ou significativa, activa ou passiva” das necessidades emocionais e físicas da criança.

Este tipo de mau trato, refere-se sobretudo à tentativa ponderada de anular ou responsabilizar expressivamente a importância ou a aptidão de uma criança.

Portanto, o mau trato emocional é definido pela depreciação, pela discriminação, pela rejeição da criança, o desrespeito, e sobretudo o usar a criança como objecto, de modo a atender às necessidades psicológicas do adulto.

Os maus-tratos emocionais ou psicológicos de acordo com Papalaia et. al. (2001, p.300) são formas de maus-tratos onde predominam todas as agressões verbais “ou qualquer outra não física, que pode prejudicar o funcionamento” global da criança. Neste tipo de maus-tratos como menciona o mesmo autor são enquadrados as atitudes

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39 dos pais, tais como o “rejeitar, aterrorizar, isolar, explorar, depreciar ou ridicularizar” a criança.

Logo, pode-se afirmar que este tipo de mau trato parte de uma conduta que favorece para a limitação da confiança da criança, ou seja, inclui as críticas destrutivas, a ameaça de abandono, o bloqueio de iniciativas de interacção da criança, as humilhações, as repreensões constantes, e continuadas na criança. Também é abrangido no mau trato emocional o não dar amor, carinho, apoio e protecção à criança por parte do progenitor/responsável da mesma.

Alarcão (2002) refere que neste tipo de maus-tratos os pais/responsáveis humilham a criança constantemente por meio de injúria, censuras, intimações..., privando-a das suas actividades, fechando-a em casa.

Portanto, conforme refere Azevedo e Maia (2006) a criança que está a ser maltratada emocionalmente, está a ser vítima de uma violência despropositada, através de gestos desproporcionados, desvalorizações, bloqueio de diligências de interacção infantil relativamente a algum dos membros da família, ou seja, não existe respostas para os estímulos.

Nesta situação, os membros da família não respondem aos sinais, às expressões emocionais e contacto relativamente aos responsáveis da criança.

Os maus-tratos emocionais englobam sobretudo comportamentos reprováveis, pois como afirma Alarcão (2002) esta forma de maus-tratos são definidos pela hostilidade verbal crónica, sob a forma de insultos, manifestações de desprezo e críticas constantes dirigidas à criança pelo agressor.

Assim, todas estas atitudes utilizadas pelos pais/responsáveis da criança, arrasa totalmente a sanidade emocional e psíquica da mesma, pois promovem a destruição gradual e continuada da auto-estima da criança.

Os maus-tratos emocionais escondem normalmente outro tipo de maus-tratos. Martins (2002) indica que a partir deste tipo de maus-tratos consegue-se realizar despistes de outros tipos de maus-tratos tais como negligência e abuso.

Assim, Machado e Gonçalves (2002) admitem que esta forma de mau trato, resulta da incapacidade dos responsáveis da criança de lhes proporcionar um bem-estar global tendo como consequência, situações de grande violência, terror e medo ao nível das relações familiares entre pais e filhos.

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Peled e Davis (cit. por Machado e Gonçalves, 2002, p.98) admitem que existe três géneros de maus-tratos emocionais, são eles “aterrorizar a criança (…) forçar a criança a viver em ambientes perigosos (…) Expor a criança a modelos de papéis negativos e limitados”. Todos estes aspectos são usuais nas situações de violência doméstica.

Já Alberto (2004) destaca como maus-tratos emocionais: assustar a criança de abandono pelos responsáveis, privar a mesma de brincar com os amigos, ignorar a criança, isto é, não lhe corresponder às necessidades ao nível afectivo, cognitivo e emocional, e incentivá-la a prejudicar os outros e a causar na mesma comportamentos anti-sociais.

Logo, como admite Amaro (1986) o mau trato emocional, enquadra de igual modo, o ralhar frequentemente aos filhos sem razão aparente, humilhá-los ou proibi-los de brincar, ou seja, o mau trato define-se pelo carácter não acidental, e intencional da agressão, que pode ser físico ou psíquico, que actua de uma forma passiva e tendo como significado profundo a rejeição afectiva da criança. Ela é vítima de uma rejeição consciente ou inconsciente.

Consequentemente, Gabardino (cit. por Azevedo e Maia, 2006, p.34-35) pondera cinco ângulos para analisar este tipo de mau trato, são elas: a rejeição “implica comportamentos para com a criança que a impedem de estabelecer uma relação de vinculação” ou seja, é caracterizada pela exclusão da criança em actividades activas, a falta de diálogo, o não interagir com a criança através do jogo, as humilhações constantes ou o excesso de críticas diminuindo a auto-estima. O segundo aspecto, é aterrorizar a criança, que “consiste na dominância de relações com a criança com base no terror, causando-lhe um medo intenso”, assim como estão também incluídos as ameaças constantes, a chantagem psicológica, o causar medo à criança...

O terceiro aspecto, tem a ver com o isolamento da criança, onde se refere “a todos os comportamentos que tendem a privar a criança de oportunidades para estabelecer relações sociais”. Aqui estão de igual modo abrangidos, o privar a criança de se relacionar com outras pessoas, podendo até fechar a criança, impedindo-a de brincar/falar com outras crianças.

Relativamente ao quarto aspecto, tem a ver com o ignorar a criança, “diz respeito a todas as situações em que há uma total ausência de disponibilidade por parte

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41 do pai ou da mãe da criança” impedindo o crescimento antecipado adequadamente, isto é, não mostrar disponibilidade para corresponder aos estímulos da criança. Finalmente o último aspecto é designado pela corrupção. “Esta forma de maus-tratos inclui, na relação e educação da criança, atitudes de desonestidade, perversão e depravação”. Consiste no suborno da criança, isto é, a criança tem que corresponder às expectativas dos pais para que possa ser recompensada.

Contudo, pode-se constatar que esta forma de mau trato não deixa marcas (visíveis) na criança. O que se pode observar são sequelas muito graves aos níveis emocional e psicológico.

Por vezes, de acordo com Azevedo e Maia (2006) muitos investigadores, afirmam que a super protecção dos filhos é uma forma de mau trato emocional oculta. No entanto, de acordo com as investigações realizadas pelos observadores, através da super protecção exagerada dos pais, as crianças ficam muito dependentes, inseguras, sem qualquer independência e normalmente são muito irresponsáveis, pois os pais acabam por decidir tudo por elas. Contudo, relativamente aos pais, a super protecção está relacionada com uma consolação para os pais e num desastre para os filhos, pois os pais na infância foram crianças com carências afectivas graves na infância, tentando realizar-se emocionalmente através dos filhos.