6 Conclusões e recomendações
6.2 Recomendações
6.2.2 Melhorar a governança e as infraestruturas
Duas recomendações principais se enquadram nesse contexto:
Obter e partilhar, de forma transparente, informações abrangentes e precisas sobre produtores, plantações, práticas produtivas, rendimentos quer de produtores quer de outros actores (transporte e transformação).
Desenvolver as infra-estruturas rurais
As instituições públicas e privadas ligadas à cadeia de valor deverão ter a função fundamental de a tornar mais competitiva e sustentável. Essas instituições são as que estão mais directamente ligadas ao sistema político (ministérios e estruturas descentralizadas, institutos públicos como o INCA, AIPEIX, etc.) assim como a organizações de produtores. Essa função desenvolve-se em torno de três componentes: desenvolvimento de competências, transmissão de informações e monitorização dos impactes. É necessário fornecer às principais instituições da cadeia de valor recursos, conhecimentos e ferramentas de gestão por objectivos.
É em particular da maior importância, o reforço da estrutura do INCA tornando a sua missão mais competente, eficaz e transparente. Para o reforço da transparência é necessário que seja permitido o acesso a informação relevante sobre a cadeia de valor a todos os seus actores. É também necessário o desenvolvimento de sistemas de informação a partir de plataformas tecnológicas.
Banco de dados
Quanto às informações necessárias, estas devem resultar de um censo nacional à produção do café construído a partir da compilação de dados recolhidos no terreno e quantificados a partir de medições realizadas directamente nas plantações. Deverá integrar um sistema de informações geográficas e a construção de um banco de dados fundamentais para identificar as melhorias necessárias em termos de infra-estruturas, canais de marketing e disseminação de informação, assim como a capacitação dos produtores. Esse sistema de informação deverá ainda ser compatibilizado com as iniciativas recentes para melhorar as informações sobre direitos à terra, com vista à simplificação dos métodos de acesso à terra, essenciais para revitalizar o sector agrícola.
Os desafios resultantes da obtenção de terras para investimento em culturas perenes, como o café, são particularmente críticos devendo ser dadas garantias aos actores mais vulneráveis. Os jovens poderiam ser atraídos para esta cultura através de campanhas que mostrassem a sua viabilidade e a possibilidade de a associarem a outras actividades económicas dentro ou fora das explorações. Também se recebessem formação dirigida à inovação nesta e noutras áreas agrícolas. As novas indústrias agro-alimentares que têm recentemente apostado nesta cadeia de valor, poderão ter igualmente repercussões positivas na melhoria das condições de vida ao criarem postos de trabalho, sobretudo se o fizerem no respeito pelos princípios do direito internacional do trabalho. Sugere-se uma recolha, regular e periódica, de informações geo-referenciadas que inclua, entre outros dados:
Tamanho das unidades produtivas
Quantidades produzidas por tipo de produto e origem Quantidades, qualidades e preços por tipo de produto
Mesmo detalhe de informação para actores industriais e comerciais.
Como: É sugerida uma primeira pesquisa através da realização de entrevistas pessoais a todo o universo de produtores com actualização anual, por meios electrónicos.
Condição: Para que essas informações sejam úteis para o desenvolvimento da cadeia de valor, não devem apenas ser actualizadas anualmente, mas também tornadas públicas, estando assim acessíveis a todas as partes interessadas.
Responsável: O INCA (com a sua estrutura melhorada e com capacidades financeiras e técnicas acrescidas) é considerada a instituição indicada para a implementação deste processo (recolha de informações relevantes e sua actualização anual).
Infra-estruturas rurais
Parte do café produzido é armazenado, não sendo valorizado, ou mesmo perdido, devido à falta de infra-estruturas rurais. Algumas das EFT encontram-se particularmente isoladas e a sua produção e rendimento dependem da oportunidade, incerta, de serem visitadas por um comprador, na própria propriedade.
Seria recomendável, melhorar a rede rodoviária e incentivar o desenvolvimento de meios de transporte, por actores específicos ou através de subsídios para o transporte partilhado, gerido por associações de produtores. A criação de um plano estratégico para o desenvolvimento de centros de descasque, também poderia minimizar as distâncias de transporte, melhorando o acesso às estruturas de processamento primário, a fim de incentivar mais produtores a se deslocarem para entregar o café mabuba e possivelmente beneficiarem de um maior valor acrescentado revendendo, eles próprios, o café comercial, ou por meio de associações.
O incentivo ao associativismo e a outras formas de organizações de produtores de acordo com práticas de funcionamento democrático que lhes garantam a possibilidade de aceder a factores de produção, à partilha de sistemas mecanizados de descasque e à capacidade de negociar as condições de mercado, seria uma viragem fundamental na criação de um sistema de produção moderno e justo. A reabilitação dos mercados rurais poderia gerar incentivos de qualidade e uma maior inter-conhecimento entre produtores.
Sobre o papel do INCA no futuro da cadeia de valor
O INCA, como instituição, deve adaptar-se às futuras oportunidades que esta cadeia de valor poderá criar. É necessário melhorar a sua operacionalidade, especialmente nas áreas mencionadas na Tabela 25.
Desafios institucionais Resultados previstos
Garantir o fluxo de informação a todos os actores da CV Informação como input do processo de tomada de decisão Estabelecer um procedimento para definir um preço de mercado
mínimo garantido aos produtores Transparência no mercado
Estabelecer um procedimento para o fornecimento de mudas aos
produtores Melhoria da produtividade
Implementar actividades de extensão dirigidas aos produtores Melhoria da produtividade Coordenar em conjunto com outros agentes do Estado e partes
interessadas privadas (por exemplo com a AIPEX) a estratégia de
Desafios institucionais Resultados previstos
Promover a participação institucional de todos os actores da CV Alteração da lógica da cadeia de valor de um jogo de “soma zero” para um de “soma positiva” em que todos os actores ganham
Coordenar e participar no processo de definição da visão estratégica, dos objectivos, dos impulsionadores e das medidas
para a CV Competitividade e sustentabilidade da CV
Tabela 25– Desafios institucionais que o INCA enfrenta
O estado actual em que o INCA se encontra não permite enfrentar os desafios institucionais que se irão colocar. Sem um investimento num melhor funcionamento institucional do INCA, a cadeia de valor não poderá tirar proveito das oportunidades que lhe são apresentadas.