• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO 3 O ESTUDO

3.4 Metodologia de análise e interpretação dos dados

Considerando a questão de investigação que norteia o nosso estudo e após a recolha dos dados, estamos perante a tarefa de optar pelas técnicas a aplicar na análise das fichas de trabalho. Este estudo recorreu a uma metodologia de abordagem qualitativa que obedeceu a momentos distintos:

O 1º momento consistiu na análise dos dados oriundos da ficha de trabalho “O que estas fotografias me dizem?”. Foram feitas várias leituras que permitisse a codificação dos dados com vista a comprimir e centrar a informação, de modo a dar resposta à questão de investigação. Os dados foram ainda alvo de um tratamento estatístico simples, tendo como objetivo salientar as tendências de resposta, através do uso de frequências.

Considerando as respostas dadas à 1ª questão da ficha de trabalho “Descreve o que se passa na fotografia (pessoas, atividades, objetos…)” procedeu-se a um breve levantamento do tipo de observação focalizada realizada pelos alunos, onde cabem todas as ocorrências de referência de elementos presentes nas fotografias (casas, jarros, ruas sem passeios, lixo, etc.), e uma possível explicação/descrição da ação dos sujeitos. Trata-se de uma análise hermenêutica, ou seja, uma análise pura e simples da interpretação das respostas dos alunos.

Quanto às respostas dadas à 2ª questão “Por que razão o fotógrafo tirou esta fotografia?” visámos enquadrá-las num sistema de categorias adaptadas às características das fontes e às respostas dos alunos. Trata-se de proceder a uma análise essencialmente indutiva /Grounded theory simplificada, onde as categorias emergiram após a visitação e revisitação das respostas dadas pelos alunos e das características das fontes. Assim, criaram-se as seguintes categorias:

Quadro 4:Categorias de análise - Razões do fotógrafo

Categorias Descritores

Encomenda Todos os argumentos que refiram a existência de uma encomenda comercial e ou institucional como motivo para a existência desta fotografia.

Intervenção/ação política Todos os argumentos que refiram uma intenção de denúncia /intervenção política do fotógrafo.

“Lições da História” Todos os argumentos que refiram a fotografia como evidência do passado e dar “uma lição” de História para o futuro.

Estética Todos os argumentos que refiram a atribuição de beleza em ‘cenas’ e ou certos elementos como motivo para a existência desta fotografia.

Incoerência/vago Todos os enunciados que não estejam ilegíveis e ou sejam claros.

No que toca à análise da 3ª questão “Que perguntas gostarias de fazer a esta fotografia?” optou-se pelo uso categorias e descritores já utlizadas em estudos similares.

Quadro 5:Categorias de análise das perguntas feitas às fotografias (Busching & Slesinger, 1995; Melo,

2007; 2009)

Categorias Descritores

Informação Não Focalizada - Perguntas que versam elementos gráficos pouco relevantes para a interpretação da fotografia.

Informação Focalizada - Perguntas que versem elementos pontuais visíveis na fotografia que são relevantes para a identificação da imagem (siglas, palavras, personagens, texto, ações, legenda,…). Quando o aluno focaliza num elemento ou sensação provocada pela fonte e procura alguma relação, alguma resposta para dúvidas suscitadas pelos elementos focalizados.

Contextualização Espácio- temporal

- Perguntas que versem elementos (presentes e ausentes) que permitam fazer a contextualização espacial ou temporal do acontecimento.

Contextualização Sociopolítica

- Perguntas que versem elementos (presentes e ausentes) que permitam fazer a contextualização histórica do acontecimento.

Contextualização Vivencial - Perguntas que versem elementos (presentes e ausentes) na fotografia/texto que transmitam sentimentos e sensações das personagens. Quando os alunos tentam “entrar na pele” dos sujeitos aí representados, quando fazem perguntas diretas aos sujeitos envolvidos.

Interpretação - Perguntas que questionam a sua própria interpretação; que introduzam alguma explicação, vão para além da imagem/texto e levantam hipóteses, sugerem explicações pessoais, valores, considerações morais, entre outros.

- Perguntas que questionam a natureza da fonte enquanto evidência, o autor e as suas intenções.

Outros - Perguntas que podem estar mal formuladas (incompreensíveis) ou que não se relacionam explicitamente com o tema das fotografias e ou outros textos.

A análise das respostas dadas à 4ª questão da ficha de trabalho “Se estivesse estado lá, o que sentirias?” foi sustentada pelos estudos realizados por Peter Lee & R. Ashby (1996); Melo (2011). Pretendeu-se compreender que dimensões da vida os alunos valorizaram nesta procura de se colocarem na pele dos emigrantes portugueses.

É de realçar que o processo de análise contemplou um processo espiralado e recorrente de leitura dos dados, de criação de categorias e dos seus descritores, de categorização, atos necessários a posteriores interpretações e a redação de conclusões.

De seguida, procedeu-se à análise da narrativa escrita (5ª questão) pelos alunos sobre o dia-a-dia dos emigrantes de forma a contribuir para a construção das diversas conceções de emigração. Num primeiro momento, com base em várias leituras, adotou-se um procedimento aberto que permitisse o surgimento de categorias. Este processo é essencialmente indutivo que apresenta um caminho que parte dos dados empíricos para a formulação de uma classificação que melhor se adequa às narrativas, tendo havido revisitação dos dados e um aperfeiçoamento das categorias e dos seus descritores.

Quadro 6:Categorias de análise da natureza das narrativas

Categorias Descritores

História Todos os enunciados que apresentam uma História a partir das

fotografias.

Análise Todos os enunciados que apresenta, pormenores (pessoas, ações,

espaço…) oriundos da análise das fotografias ou partes delas.

Interpretação Todos os enunciados que expressam interpretação das fotografias ou partes delas.

Contextualização Todos os enunciados que apresentam elementos (fatos, datas, sujeitos…) que colocam as fotografias num determinado contexto histórico específico (tempo e espaço).

Expressão emocional Todos os enunciados que apresentem sentimentos, emoções, sensações… gerados a partir das fotografias.

Lições da História Todos os enunciados que fazem juízos de valor, ou a defesa de práticas públicas no sentido da mudança.

O 2º momento foi dedicado à análise da Ficha de Metacognição que se traduziu num tratamento estatístico simples dos dados, de forma a podermos estabelecer comparações entre os diferentes parâmetros avaliados.

O conteúdo substantivo dos enunciados foi o critério categorial para determinar a unidade de análise das respostas às questões 1, 2, 3 e 4 e às narrativas. Assim, a unidade de análise por vezes traduzir-se-á na resposta completa, parágrafo, ou apenas uma frase.

Eis um exemplo de uma narrativa que foi dividida em duas unidades:

“Al.12/N1: - Viviam em condições miseráveis, que só havia uma fonte, tinham por isso

formar uma fila….” (Cat.2- Análise)

“Al.12/N2: - … Que viviam em solidão, com pouco dinheiro.” (Cat. 5-– Expressão)

Na transcrição destas unidades de análise revimos os erros ortográficos, mas não procedemos a qualquer alteração morfossintática, apresentando-as tal como foram produzidas e organizadas pelos alunos na sua originalidade textual

No sentido de conseguirmos uma apresentação do estudo de forma mais elucidativa, disponibilizamos um conjunto de exemplos, que não se pretendem exaustivos, mas antes clarificadores. Apresentamos para todas as categorias exemplos de respostas afetas a cada uma delas. O número de ocorrências verificadas em cada categoria foi determinante para definir o número de exemplo/citações a ser selecionado e apresentado no estudo. Assim, quanto mais elevado foi o número de ocorrências, maior o número de exemplos/excertos transcritos.