4.3 DIMENSÃO DE PROCESSO
4.3.1 Metodologia de Ensino
A primeira questão da dimensão de processo do curso foi enviada aos alunos e professores e tutores e tinha como proposta analisar se a “Metodologia de ensino possibilita que o aluno resolva problemas utilizando rigor lógico-científico que favoreçam a criatividade e a autonomia”. Neste item, 46% dos alunos concordaram totalmente com a afirmação e 46% concordaram em parte. Entre os professores e tutores 70% concordaram totalmente e 30% concordaram em parte, de acordo com o gráfico 5.
Gráfico 5: Metodologia de ensino
Fonte: Da pesquisa (2016) 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% Discordo Totalmente Discordo em Parte Indiferente Concordo em Parte Concordo Totalmente Alunos Profs/Tutores
Para a criação e desenvolvimento do Curso em questão, o PPC (UEPG, 2009, p. 46) apresenta como princípio norteador para a metodologia, que a mesma seja adequada às características do profissional a ser formado (futuros professores da educação básica), bem como as especificidades da EAD.
Essa metodologia nasceu das discussões entre os membros da comunidade acadêmica responsáveis pelo curso, levando-se em conta as experiências anteriormente desenvolvidas, as características dos estudantes a serem atingidos e as necessidades do sistema nacional de ensino. A metodologia se fundamenta nos conceitos de interatividade, cooperação e autonomia. A utilização de mídias diversas favorece a superação das dificuldades decorrentes da distância geográfica, permitindo comunicação síncrona e assíncrona entre alunos, professores e tutores e a criação de importantes elos no processo educacional.
O PPC prevê ainda que esta metodologia deve privilegiar a problematização, a investigação, a reflexão, as sínteses, as análises e as produções técnico- científicas, mediados por momentos presenciais e a distância, síncronos e assíncronos, através das TICS e estabelecendo uma dinâmica entre estudos individuais, trabalho com tutores, videoconferências, produção científico – acadêmico – cultural, estágios supervisionados e práticas pedagógicas. Entretanto, e como não tivemos acesso à plataforma do curso, não ficou claro como estes procedimentos didáticos foram realizados.
Mesmo o curso sendo uma parceria com o MEC, através da UAB, as Diretrizes e Normas Nacionais para a oferta de Programas e Cursos de Educação Superior na Modalidade a Distância (BRASIL, 2016), afirmam que o PPC do curso, “[...] em articulação com a legislação vigente, incluindo aqui as Diretrizes e Normas, pode indicar e adotar metodologias diversas, desde que se detalhe os conteúdos e as estratégias de aprendizagem (atividades) a serem adotadas, se justifique as tecnologias a serem utilizadas como recursos de informação e comunicação − jogos, vídeos, chat, fóruns, redes sociais, hipertextos, entre outros − e, ainda, que se garanta a sinergia entre eles, incluindo os conteúdos específicos e pedagógicos, os processos de avaliação, sem prescindir do necessário e efetivo acompanhamento pedagógico do estudante pelos profissionais da educação (professores e tutores)”. Ou seja, a universidade teve controle e autonomia para o desenvolvimento da metodologia do curso em questão.
Embora o resultado dos professores e tutores não tenha sido negativo, sugerimos que a UEPG adote um modelo mais sólido de metodologia de
aprendizagem, tendo em vista, especialmente, que o que figura no PPC de matemática não é uma proposta metodológica para a criação do curso em EAD e sim um design (figura 8).
Figura 8: Design do Curso de Licenciatura em Matemática EAD da UEPG
Fonte: UEPG (2009, p. 46).
Existe vasta gama de metodologias para a concepção de cursos em EAD, desenvolvidas por Longo (2009, p. 218), Coutinho (2009, p. 313), Moreira (2009, p. 375), entre outros, além da Educação Aberta para a EAD, já discutida neste trabalho e a Pedagogia de Projetos de John Dewey46.
De acordo com o que prediz as “Diretrizes e Normas Nacionais para a oferta de Programas e Cursos de Educação Superior na Modalidade a Distância” (BRASIL, 2016, p. 22), a EAD, “assim como outros processos educativos, pode-se realizar a partir de várias metodologias, inclusive com combinação entre elas, como meios para se efetivar os processos de ensino e de aprendizagem, desde que devidamente descritas no PDI e no PPC”. O mais importante porém, é que qualquer que seja a metodologia empregada, ela dê conta de formar um sujeito crítico e emancipado,
46 A Pedagogia de Projetos, desenvolvida por John Dewey, se adapta facilmente a EAD, pois suas etapas de desenvolvimento são muito parecidas com outras metodologias empregadas nesta modalidade de ensino.
com capacidade para resolver problemas com rigor lógico-científico propiciando a criatividade e sobretudo a autonomia.
Entre essas metodologias, a que julgamos mais adequada aos objetivos do curso e perfil do egresso é a metodologia de trabalho conhecida como Método de Engenharia de um Sistema de Aprendizagem47 (MISA) que é baseada na interseção
do desenho pedagógico, da engenharia cognitiva e da engenharia de software. Para Gamez (2012, p. 76), “O referido método reagrupou um conjunto de objetos pedagógicos a construir, tarefas e princípios de funcionamento organizados com o objetivo de dar suporte à concepção de um sistema de aprendizagem”.
Um dos itens que esta metodologia de concepção de curso EAD privilegia é o
background. Neste modelo acreditamos que efetivamente é possível que o aluno
construa soluções significativas para os problemas propostos no curso, integrando os diferentes cenários pedagógicos que são disponibilizados. O MISA pode ser desenvolvido por eixos ou por fases. Avançando por meios das fases é possível construir um sistema configurado de seis processos:
1. Definir o problema de formação; 2. Propor uma solução preliminar; 3. Conceber a arquitetura pedagógica;
4. Conceber os materiais pedagógicos e sua difusão; 5. Realizar e validar os materiais;
6. Planejar a difusão do sistema de aprendizagem (id.).
A progressão por eixos, por sua vez, pode acontecer através de quatro dimensões:
1. A modelagem de conhecimentos, que distingue diferentes tipos de conhecimento e ligações entre estes, auxiliando na escolha das atividades e das mídias. Além disso, a noção de “competência” é relacionada com a de “conhecimento”, de “habilidade” e de “necessidades de aprendizagem”, uma tipologia de habilidades que permite tratar de maneira integrada os domínios cognitivo, afetivo- social e psicomotor; 2. A concepção pedagógica, que orienta a concepção par as unidades de
aprendizagem, o que simplifica as operações, automatizando-as no software Adisa. Além disso, o conceito de “recurso”, generalizando o de “instrumento didático”, bem como a identificação de quatro tipos de conselhos descrevendo as atividades de aprendizagem, que dão uma definição precisa e abrangente da noção de cenário pedagógico;
3. O planejamento da mídia, que permite realizar um macro design sem prejulgar as decisões a serem tomadas pelos especialistas das diversas
47 O método Misa (em francês Méthode d’Ingénierie d’un Systéme d’Apprentissage) do Centro de Pesquisa Licef, da TéleUniversité do Québec foi desenvolvido após o resultado de experiências adquiridas em projetos de desenvolvimento de serviços e produtos de formação.
mídias que serão construídas em seguida. O reinvestimento no planejamento de outros projetos ou de diversas ferramentas de desenvolvimento passa a ser possível;
4. O planejamento da difusão, que libera as questões midiáticas das questões de acesso ao sistema de aprendizagem, das infraestruturas necessárias à sua difusão e as tarefas de gestão da formação. O Misa fornece uma base sólida para o usuário de um sistema automatizado de gestão da formação.
Para Gamez (2012) a vantagem do MISA é subjacente a possibilidade dos processos serem decompostos em tarefas. Cada uma dessas tarefas produz 35 elementos de documentação, que por sua vez são selecionados em função do problema de formação específico e das características do sistema de aprendizagem pretendido. O planejamento pode ser estruturado em arquivos que reagrupem os elementos de documentação, por fases, por eixos ou de acordo com outros critérios, como os destinatários (gestores do projeto, gestor da difusão, autor dos conteúdos, mediador).
Como decorrência das respostas apuradas, reforçamos a premissa de a tecnologia não é um fim em si mesmo, o que demanda sempre como centralidade e linha formativa, o processo pedagógico.
O projeto do curso dá indícios de que houve uma preocupação maior com o formato do curso do que com a sua metodologia e abordagem teórica propriamente ditas. A UEPG poderia iniciar seu planejamento pensando no background na clientela que pretende atingir, definindo posteriormente o nível de competência visada, o objetivo de aprendizagem pretendida, os princípios pedagógicos e as teorias pedagógicas adequadas para atingimento destes objetivos, aí então poderia ser definido o design do curso.