• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO VI – FORMAÇÃO EM GESTÃO PARA ENGENHEIROS DE

6.6 METODOLOGIAS DIDÁTICAS UTILIZADAS DURANTE O

A proposição de uma prática pedagógica seja ela convencional ou inovadora, necessariamente deve estar assentada sobre os pressupostos do perfil profissiográfico pretendido.

A prática pedagógica desenhada neste Curso de Gestão para Engenharia de Materiais consignou o esforço conjugado do corpo docente, responsável pelas disciplinas distribuídas ao longo das cento e sessenta e oito horas/aula com a utilização de recursos didáticos diferenciados e a adoção de um modelo de ensino consagrado (M.B.A.)

Com vistas à promoção de uma formação abrangente e que respeitasse o recorte de área na qual o programa se inseriu, diversas técnicas, recursos e estratégias de ensino se revezaram com o escopo de assegurar o alcance do perfil profissional pretendido, utilizando como estratégia central os diferenciais apontados anteriormente, dentre esses procedimentos, os que mais de destacaram foram:

1. Utilização, permanente, de estudos de casos e exemplos práticos – todas as disciplinas utilizaram durante o desenvolvimento dos conteúdos previstos nas ementas, de estudos de casos de empresas consagradas (brasileiras e estrangeiras), como forma de oferecer o caráter essencialmente prático e de promover discussões em alto nível de qualidade;

2. Problematizações de situações do cotidiano empresarial – foram arroladas questões que envolvem o cotidiano das organizações, no sentido de identificar as causas da atual configuração ambiental, ou seja, dada uma determinada situação os alunos foram levados a refletirem sobre as causas que promoveram essa situação e também os efeitos gerados;

3. Aulas expositivas com interação simultânea dos alunos – durante o decorrer das aulas os alunos foram constantemente incentivados a participar, comentando sobre as suas experiências nos estágios e também em situações do cotidiano. Os docentes também contribuíram com as suas vivências profissionais;

4. Trabalhos em equipes – constituiu-se um padrão para todos os módulos a realização de trabalhos em equipes. Nestas atividades todos os alunos que compunham cada um desses grupos tiveram que participar ativa e permanentemente. Normalmente essas equipes eram formadas por elementos que não faziam parte dos grupos tradicionais da classe (interações com pessoas estranhas);

5. Avaliações contínuas, permanentes e sistemáticas – todas as atividades empreendidas foram avaliadas, durante todos os dias de realização do curso. Essas avaliações compreenderam os trabalhos em equipe, a participação e o envolvimento, a criatividade diante de determinadas situações e a realização de artigos e papers extra-classe;

6. Apresentação de seminários – em alguns dos módulos foi exigida a apresentação de seminários e também dos resultados encontrados durante as atividades e os estudos de casos;

7. Simulações empresariais – nos módulos de Gestão Estratégica e Gestão da Liderança e do Processo Decisório os acadêmicos realizaram atividades onde foram

forçados a interagir entre si e a tomarem contínuas e ágeis decisões (munidos ou não de informações) e sob influência do fator tempo. Tais exercícios retrataram perfeitamente o atual contexto empresarial;

8. Debates dirigidos e não dirigidos – como parte das interações durante as aulas, várias disciplinas utilizaram-se de debates para explorarem um pouco mais o conteúdo. Em alguns casos foi exigido uma leitura prévia do tema e em outros o elemento surpresa predominou como forma de adaptar o acadêmico ao processo de mudança;

9. Aplicações de ferramentas de gestão – essa premissa foi uma constante em todos os módulos. Foram demonstradas diversas técnicas (táticas, estratégicas e operacionais) que poderiam ser utilizadas pelos futuros engenheiros nas empresas. Em vários momentos os alunos participaram de dinâmicas de grupos, resolveram vários exercícios práticos e desdobraram e analisaram casos de empresas;

10. Diálogo franco, aberto e flexível com o alunado – sistematicamente os docentes interagiam com os acadêmicos demonstrando o motivo pelo qual aquele conteúdo estava sendo desenvolvido, bem como a sua importância e necessidade. Conversas com o intuito de orientar e esclarecer dúvidas pessoais e profissionais ocorreram com grande freqüência, como por exemplo, a orientação de como se portar perante uma entrevista de seleção;

11. Realização de dinâmicas de grupo – a maior parte das disciplinas utilizaram-se de dinâmicas que envolveram os acadêmicos durante a execução de determinadas tarefas e exercícios, além de demonstrar, de forma prática, os conteúdos que estavam sendo trabalhados em sala de aula;

12. Sistematização de atividades de autoconhecimento – algumas disciplinas (principalmente a Gestão do Comportamento Organizacional, Gestão Estratégica e Gestão da Liderança e do Processo Decisório) promoveram atividades que forçaram os alunos a se conhecerem melhor (atitudes, pensamentos, crenças, posturas, empatia) e também a desenvolver habilidades de relacionamento interpessoal;

13. Utilização de exemplos e casos que retrataram fracasso e êxito – como forma de se criar um ambiente, o mais próximo da realidade, as disciplinas utilizaram-se de casos que promoveram mudanças e benefícios e também aqueles que fracassaram, demonstrando os mecanismos que conduziram a ambos os resultados;

14. Emprego de laboratórios e recursos de informática – para a realização do processo pedagógico e também do desenvolvimento das aulas foram oferecidos de vários recursos tecnológicos, tais como internet, videocassete e televisor, projetor multimídia, caixas de som, computadores, cd rom e aparelhos de som. No módulo de Gestão Econômica e Financeira as aulas foram desenvolvidas aproveitando o laboratório de informática do curso.

Utilizando-se dessas técnicas, o curso aproximou-se totalmente do modelo consagrado dos programas M.B.A.s, conforme demonstra o Quadro 6.20:

Quadro 6.20 – Principais metodologias e diferenciais didáticos utilizados pelo curso de gestão

DIFERENCIAIS PEDAGÓGICOS OBJETIVOS PPRINCIPAIS Utilização, permanente, de estudos de casos

e exemplos práticos.

Compreender o ambiente empresarial e interagir com situações reais da Administração.

Problematizações de situações do cotidiano empresarial.

Identificar causas, efeitos e conseqüências oriundos do processo decisório.

Aulas expositivas com interação simultânea dos alunos.

Explorar o processo de aprendizagem e ampliar os limites de visão.

Trabalhos em equipes Interagir culturas, pensamentos, opiniões e experiências.

Avaliações contínuas, permanentes e sistemáticas.

Controlar o processo e avaliar os resultados do processo de aprendizagem

Apresentação de seminários. Desenvolver o processo de comunicação e ampliar os níveis de pesquisa e aprofundamento dos conteúdos.

Simulações empresariais

Interagir com circunstâncias empresariais reais e representar futuras situações a serem enfrentadas nas organizações.

Debates dirigidos e não dirigidos

Ampliar os enfoques dos conteúdos, criar processos de integração e realizar intercâmbio de experiências.

Aplicações de ferramentas de gestão

Treinar e capacitar para operacionalizar ferramentas administrativas, formar os aspectos práticos.

Diálogo franco, aberto e flexível com o alunado

Contribuir com experiências vivenciadas e solucionar dúvidas específicas e individuais. Realização de dinâmicas de grupos. Integrar os alunos, demonstrar os conceitos

de forma prática e quebrar a rotina das aulas. Sistematização de atividades de

autoconhecimento.

Fazer com que o acadêmico se conheça melhor e aprenda interagir e compreender outras pessoas.

Utilização de exemplos e casos que retrataram fracasso e êxito

Demonstrar ambos os lados de um determinado problema, evitar possíveis erros e preparar para situações de êxito e fracasso. Emprego de laboratórios e recursos de

informática

Ampliar o potencial de aprendizado, demonstrar técnicas gerenciais que utilizam a informática como fator de produção e aumentar a qualidade e a produtividade das aulas.

O professor ao fazer o planejamento da aula preocupou-se não somente com o conteúdo programático previsto, mas também em focar o “conteúdo oculto”, que é formado a partir da dinâmica de cada sala de aula, do entendimento do assunto e posterior questionamento, durante o processo de assimilação e acomodação.

Durante as aulas, o corpo docente provocou, permanentemente, nos alunos questionamentos fundamentados na forma pela qual ele poderia transportar esse conhecimento para enriquecer ainda mais a experiência de vida profissional e pessoal.

A utilização de exemplos práticos vivenciados pelo docente, acrescido de textos e exemplos empresariais solidificou o foco no pragmatismo do curso – atendimento dos objetivos do curso. A de especialidade de cada docente também contribuiu com a ampliação da visão holística (do todo) por parte do aluno.

A heterogeneidade dos professores ampliou os horizontes da turma.

Foi também indispensável a utilização de variadas técnicas de ensino, dinâmicas de grupo, problematizações, debates, que incentivem a reflexão (crítica e analítica).

A qualidade de vida do aluno foi essencial para o êxito do programa, foi vital acreditar que o trabalho reflexivo proporcionado pela psicologia acadêmica contribuiu, despertando a necessidade de um maior autoconhecimento para poder enfrentar os desafios da vida moderna.

O aluno foi muito valorizado como participante de um todo, mas também como um indivíduo único, com vivências próprias, por isso, sua participação em sala foi muito valorizada e incentivada.

Além do crescimento pessoal, também foi ressaltado e cobrado o crescimento profissional, incentivando-o permanentemente a ampliar o seu “curriculum”, participando de novos cursos, trabalhos científicos e atuação profissional.