minha ação
5.2. Metodologias/modelos seguidos no 1º Ciclo EB
No início, e no momento da minha observação, constatei que a professora centrava o ensino muito em si, orientando assim a aprendizagem mais para o resultado. Por vezes, também me deu a entender que praticava um ensino mais centrado nos alunos, onde estes participavam mais ativamente. Contudo, só a observei durante uma semana, por isso a metodologia poderá não ser tal como a defino.
No decorrer da minha intervenção utilizei diferentes práticas, onde existiram momentos em que privilegiei a exposição, outros em que a demonstração se mostrou necessária, e alguns conteúdos, atividades e tarefas permitiram uma ativa participação das crianças nas aprendizagens que realizaram.
Quando me socorria da demonstração privilegiava a aprendizagem do saber- fazer. Consciente da importância do adulto nestas atividades recorri bastante à
74 demonstração na área da Matemática. Começava por apresentar oralmente a situação problemática ao grande grupo. De seguida, demonstrava-a ou executava-a perante os alunos. Durante a demonstração, punha em evidência as diversas fases de execução, esclarecendo as dúvidas suscitadas aos alunos.
O recurso à demonstração foi mais incidente no início da minha intervenção. Através deste sentia-me mais segura, pois parecia-me permitir aos alunos que rapidamente, manifestassem um saber-fazer com grande eficácia. Isso parecia também traduzir-se numa automatização posterior de procedimentos.
Com o passar da minha ação, associando o que fui aprendendo em sala de aula com o que estava presente da teoria que a formação inicial me proporcionou e no que já tinha experimentado em Pré-escolar, alterar a minha prática tornou-se uma necessidade. Era evidente a riqueza que o trabalho cooperativo poderia ter nas aprendizagens realizadas em sala de aula. Como tal decidi apostar em metodologias onde através da valorização da participação ativa dos alunos todos aprendêssemos em conjunto mais facilmente.
Pedagogicamente, foi minha intenção trabalharmos conjuntamente e integrando os três níveis do saber, o saber-saber, o saber-fazer e o saber-ser/estar. Como pretendia uma participação ativa por parte dos alunos tinha consciência de que o tempo era uma variável a ter em conta. Ao início, senti-me um pouco ansiosa, pois através do diálogo em grande grupo estes poderiam colocar-me diversas questões e até embaraçar-me nas respostas que poderia não ter no momento certo.
Porém, estava determinada a não dirigir a ação. Estava convicta da elevada qualidade das aprendizagens que estariam em causa se fosse capaz de passar a ser a orientadora da ação. Estou certa que as aprendizagens se tornaram mais dinâmicas no que respeita ao envolvimento de cada criança e do grupo e que, simultaneamente, se foi tornando possível irmos fazendo descobertas e apresentando soluções para os problemas que surgiam.
Tal como em todas as atividades e tarefas, existem sempre vantagens e desvantagens não sendo as escolhidas uma exceção. Ao permitirem que o aluno tenha uma intervenção ativa e seja entendida a importância dos seus conhecimentos prévios, toda a informação é muito pertinente para o processo de aprendizagem. A participação de todos os membros do grupo, facilita a receção, descodificação e discussão dos conteúdos a aprender.
75 Relativamente às desvantagens, posso afirmar que o professor tem que ter uma preparação muito cuidada, para além dos saberes e saberes-fazeres. Neste sentido o docente deverá ter uma personalidade forte, autoconfiança e autodomínio, capacidade de autocrítica e autoavaliação, não fazer juízos antecipados, ter capacidade analítica, abertura à diversidade, espírito de equipa, entusiasmo e liderança. Devo realçar, que no início senti alguma dificuldade em lidar com estes aspetos, mas ao longo do tempo fui- me sentindo mais à vontade, acabando por me adaptar facilmente a esta metodologia.
Senti que as aulas se tornaram muito mais dinâmicas, sendo que os alunos também demonstravam mais interesse pelos conteúdos com consequente sucesso nas aprendizagens. Como observei que as aulas estavam a correr da forma como previa e de forma proveitosa para os alunos, decidi mudar a disposição da sala de aula, para que assim os alunos pudessem trabalhar mais cooperativamente com uma organização do espaço mais favorável.
Observei ao longo das semanas, inúmeras vantagens com a mudança da disposição da sala. Apresento-as no capítulo VI.
Esta nova disposição, porque exigiu de mim uma preparação mais intencional, fez-me sentir novamente um pouco menos confiante. Tive que ter uma abertura mais vasta à diversidade, mais espírito de equipa, entusiasmo e liderança. Mas considero que me saí bem, procurando e esforçando-me, para um ensino mais ativo, em que procurei, quanto possível, tornar a aprendizagem mais dinâmica e centrada no aluno com especial atenção para as interações que se permitiam, o feedback que era necessário dar e a importância que ressaltava de nos sentirmos como grupo de aprendizagem onde todos tínhamos importância para os outros.
Também recorri ao que conhecia das características das salas de aula enquanto CA. Como tais características me pareceram adequadas ao trabalho que realizávamos decidi persegui-las, pois no meu entender levavam os alunos no sentido da aprendizagem de qualidade. Daqui retirei que aprender em conjunto é um grande alicerce para o trabalho em sala de aula. A meu ver facilitava e permitia aprender envolvendo os processos de produção de conhecimento, reconhecidos como valiosos em sala de aula.
No decorrer da minha PES II atingi alguns dos objetivos, desafiando os alunos a desenvolver os seus interesses e competências; promovendo o trabalho cooperativo e o esforço individual. Procurei oferecer-lhes múltiplas oportunidades para a apropriação dos instrumentos culturais (através de uma visita de estudo) e tecnológicos com recurso
76 ao computador. A apresentação dos seus trabalhos aos colegas, recebendo feedback crítico e construtivo, a reflexão sobre o que aprendiam, tanto individualmente como em comunidade, entre outros aspetos, tornaram-se cada vez mais uma prática repetida e um desejo de todos quantos nos encontrávamos diariamente naquele espaço de aprendizagem.
Por exemplo, no decorrer do meu estágio um dos momentos em que os alunos aprendiam muito uns com os outros era no momento das novidades do fim de semana, em que cada um contava uma novidade referente a esse período. Através desta atividade apercebia-me que os alunos traziam experiências e vivências diferentes. Também quando um aluno levava alguns materiais, objetos ou animais para mostrar aos amigos era outro momento de partilha. A diversidade superava assim a dificuldade, pois havia entreajuda e os alunos com as suas novidades ou pertences aumentavam o conhecimento dos colegas, havendo assim uma riqueza e um forte potencial de aprendizagem.
No capítulo VI, irei apresentar outras características das CA, das quais me procurei aproximar em sala de aula. Procurei, como fiz no Pré-escolar, adotar práticas pedagógicas baseada no construtivismo.