• Nenhum resultado encontrado

Missão de Informações

No documento CASOS e CAUSOS da CASERNA (páginas 74-79)

Como já disse nestes textos, eu fazia parte da equipe de informações e contra-informações da 2ª Seção do 5º BI e só era acionado quando havia a necessidade, sobretudo em missões externas e em contato com o público civil. Nosso trabalho era sempre em trajes civis e em equipes que, saiam a campo para levantar dados e informações sobre determinado fato ou pessoas.

Mas numa ocasião, fui ordenado a participar das instruções e estágio de informação e contra-informação, na 12ª Brigada de Infantaria, em Caçapava, com o objetivo de aprimorar conhecimentos, a doutrina e as técnicas de obtenção de informes e outras fontes necessárias ao esquema da “inteligência militar”.

De início, fomos todos nós os estagiários (havia estagiário de todas as Unidades da Brigada) confinados num porão. Ali tivemos instruções sobre os ardis usados para o porte de narcotráfico, jogo de bicho, busca e apreensão e condução de veículo em perseguição.

Fui indicado, por gostar muito de dirigir, a pilotar o carro da 2ª Sessão da Brigada, um WV Variante com mais três companheiros armados de fuzil automático leve. Recebemos a ordem de sair do aquartelamento e, imediatamente outro carro que saia na nossa frente fazia a “figuração inimiga”. A perseguição foi feroz por entre as ruas centrais e periféricas de Caçapava.

Dois companheiros, um de cada lado das janelas do veículo, atiravam com munição de festim no carro inimigo que ia à nossa frente. Atravessamos sinais de trânsito, passagem de nível, preferenciais, ultrapassagens perigosas... Por onde o veículo inimigo fosse, lá estávamos nós ao volante e colado na sua perseguição!

Mas no “frigir dos ovos”, a nossa equipe de perseguição foi elogiada pela coragem e presteza na execução da missão.

No outro dia do estágio, fui designado para fazer minha barba em um dos barbeiros centrais da cidade. Meu objetivo era observar e tentar captar as conversas de elementos suspeitos que iriam à barbearia para uns “acertos de contas”, muito comuns entre esses criminosos. A técnica usada deveria ser feita de forma bem disfarçada, ou seja, eu deveria observar pelos espelhos que estavam à minha frente, à conversa dos “suspeitos reais”, que sempre se reuniam naquela barbearia. Eram olhos e ouvidos bem atentos e com discrição, para que eu não fosse descoberto com um agente sentado ali naquela cadeira de barbeiro.

De repente, com o barbeiro deslizando a lâmina de sua navalha no meu pescoço, pude notar a chegada de três indivíduos que olharam para o “Barber” e lhe deram um sinal, piscando seus olhos! Àquele gesto, eu quase me borrei, pois achei que iria ser executado ali mesmo na cadeira, sob aquela navalha que estava cortando até pensamento e com certeza o meu já estava devidamente “navalhado”.

Mas foi só um presságio e eu aguentei firme na observação, tentando guardar fisionomias, trajes, tipos físicos e, sobretudo, o que falavam.

Ao final do estágio, disseram-me que aqueles “suspeitos”

da barbearia eram também figurantes do nosso estágio! Ainda bem!...Ufaaaaa!

Uma praça... Questão política

Um episódio muito interessante ocorreu durante a minha vida militar, dentre tantos outros, mas este merece uma atenção especial, pois tem um componente político.

O local onde resido atualmente é uma grande praça, toda arborizada e que fica entremeios ao centro da cidade e dois grandes bairros.

Mas antes desse logradouro, tínhamos aqui no local um belo jardim, cercado por alambrados, com viveiros de pássaros, quiosques para entretenimentos dos usuários, gramados, pistas de passeio com pedriscos e um pórtico de entrada.

Era o local favorito de muitos pais, que aos domingos levavam seus filhos para passearem e brincarem no playground ali existente.

Mas, a conhecida falta de vontade política dos nossos governantes, e a ausência de manutenção levou aquele parque, lentamente, à sua ruína. Começaram, então, a aparecer os depredadores, os maconheiros... Os empregados que trabalhavam e cuidavam daquele parque foram demitidos pela Prefeitura. O local ficou abandonado. O mato cresceu. As instalações foram sendo depredadas. Os quiosques foram queimados por vândalos. Os arames do alambrado foram distorcidos e arrebentados, aos poucos. Aquilo virou terra de ninguém, ou melhor, terra de desocupados e vagabundos que passaram a frequentar aquele local.

Estávamos numa época de eleições. O Prefeito da ocasião era candidato à reeleição. Também conhecido, como o Prefeito das Praças, pois ele estava enchendo Lorena de praças, como estratégia de reeleição, procurou o Lions Clube de Lorena, que fica nesse local e propôs à sua Presidente que

reunisse os moradores para que decidissem o que queriam que ali fosse feito.

Fui, então, procurado pelo LIONS que me dera a incumbência de convocar e reunir a maioria dos moradores, numa data que o Prefeito indicou. A assembleia, então, foi feita no salão do LIONS com um bom público que representava os moradores do local.

Fazendo uso da palavra, eu fiz uma exposição ao Prefeito, mostrando-lhe e a todos os presentes, a minha opinião favorável à restauração daquele Parque e os motivos pelos quais eu apresentava a solução. Tratava-se de um local, residencial, sem comercio e com passagem para dois grandes bairros da cidade.

Como eu já sabia que as intenções do Prefeito era a de construir mais uma Praça, eu então esclareci que aquele local, não tinha perfil para ser uma praça, pois, não havia comercio, e era, portanto, uma área estritamente residencial bem como, se construída a praça, fatalmente, teríamos a presença de vagabundos, desocupados, maconheiros e ladrões assaltantes. Essa área é muito erma e quieta, inclusive durante o dia... À noite, então, é muito mais acentuada essas condições, portanto era clara a minha intenção de que o Prefeito apenas

“restaurasse e revitalizasse o antigo parquinho”!

Mas eis que, influenciado por algumas pessoas que talvez estivessem alinhadas e por alguma razão política, cooptadas pelo Prefeito candidato à reeleição, ele bateu o martelo e fez

“MAIS UMA PRAÇA”, contrariando o bom senso da maioria que concordava com a minha opinião.

Depois de algumas semanas, surpreendi-me com a presença do Coronel Comandante do Batalhão Itororó, presente naquele terreno cheio de mato e com muitos Soldados que capinavam e removiam o mato, numa autêntica faxina militar!

Dirigi-me ao Comandante e disse-lhe:“–Coronel, o senhor está sendo usado por uma iniciativa política neste período de futuras e breves eleições. A maioria dos moradores daqui, não queria a construção de uma praça. Mas a reconstrução e reforma do antigo parquinho que tínhamos aqui:

“O Prefeito esteve reunido conosco e a maioria não quer uma praça”!

O Comandante mostrou-se surpreso pelo que lhe contei em detalhes numa boa prosa e nos dias seguintes aquela equipe de faxina e capina não apareceu mais!

2º Sgt Alfredo e seu filho, no 5 BI

No documento CASOS e CAUSOS da CASERNA (páginas 74-79)

Documentos relacionados