Grafo 8 – Proximidade de nós da rede inteira
7 AS MODALIDADES COMUNICATIVAS DO JORNALISMO
7.1 TIPOLOGIA
7.1.1 Tipos de modalidades comunicativas
7.1.1.3 Modalidade comunicativa multimídia
A modalidade comunicativa multimídia se caracteriza por apresentar os dados públicos com recursos multimídia de áudio, vídeo e imagens, arquitetura hipertextual, gráficos interativos e linguagem universal. As características centrais do jornal identificadas nessas modalidades são a universalidade – linguagem acessível, a publicidade – publicação em jornais de grande circulação e ampliação do alcance do debate público, a atualidade – temas vinculados a assuntos cotidianos da época e também periodicidade, no caso da modalidade multimídia com cobertura jornalística. Das características webjornalísticas se destaca a hipertextualidade, considerando que boa parte da amostra teve a narrativa estruturada em uma arquitetura informacional com hiperlinks e remissões para conteúdo de contexto, profundidade ou íntegra de documentos. Neste conjunto de formatos se encaixam os trabalhos que foram prioritariamente apresentados em veículo jornal nas modalidades notícia (hiper)textual (59 citações) ou longform (10 citações). São os tipos mais indicados pelos jornalistas entrevistados na pesquisa.
Do total de trabalhos, 69 remetem para a modalidade comunicativa multimídia, sendo pelo menos sete trabalhos referenciados mais de uma vez pelos respondentes. Entre os trabalhos que mais se destacam está a notícia “Estudo inédito indica alta chance de fraude em mil provas do Enem” do jornal Folha de S. Paulo (23 abr. 2018, documento eletrônico), citada seis vezes pelos respondentes. Os repórteres desenvolveram um modelo estatístico que apontou pelos gabaritos similares uma probabilidade de fraude por meio de cópia ou compartilhamento de gabarito. A apuração foi apresentada no formato notícia textual com hiperlinks, infográfico e ponto a ponto cronológico.
O Monitor da Violência do site G1 (Figura 16), por exemplo, foi indicado como
17 Os termos em inglês são utilizados por desenvolvedores web especialistas em UX e na tradução livre significam arrasta pra baixo (Folha), passe o mouse ou cursor (Lupa) clique na seta para baixo e clique em cima da imagem (ZH).
referência de trabalho com dados públicos por mais de um dos respondentes. O trabalho foi feito com base em pedidos de dados por meio da Lei de Acesso à Informação, em uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Participaram da produção do especial jornalistas nas redações do G1 nos 27 Estados brasileiros e no Distrito Federal. O esforço coletivo foi apresentado em formato de texto, vídeo, infográfico e ferramenta interativa. O especial levantou dados de violência de 2011 a 2017 (CAESAR; REIS, 22 mar. 2018) e, em março de 2019 (Figura 17), apresentava os dados mês a mês de 2018 até dezembro (VELASCO; CAESAR; REIS, 8 mar. 2019). Percebe-se o esforço da redação em apurar os dados públicos, aplicar uma metodologia específica, estabelecer uma periodicidade para manter a atualidade do monitor. Os dados que podem ser acessados pelos leitores conforme as características de interação, memória e personalização também servem de fonte para os repórteres contextualizarem as notícias cotidianas.
Figura 16 – Modalidade Multimídia 1: Monitor da Violência (Portal G1)
Fonte: Captura de tela do site do portal de notícias G1 (CAESAR; REIS, 22 mar. 2018).
Os dados públicos levantados por meio do serviço de atendimento ao cidadão, via LAI, nos Estados possibilitaram um balanço nacional que não é possível com apenas uma fonte porque o país não dispunha até 2018 de um sistema integrado de dados policiais. O portal G1 por meio do monitor e das reportagens geradas a partir dele propõe o debate público sobre o tema da violência e apresenta os dados de forma universal, ou seja, inteligível de forma simplificada e intuitiva para o cidadão. O especial aciona características do webjornalismo como a interação, multimidialidade, hipertextualidade e personalização para formatar um conteúdo jornalístico ainda mais relevante e interessante, conforme reforça a Figura 17.
Figura 17 – Modalidade multimídia 1: Monitor da Violência (Portal G1)
Fonte: Elaborado pela autora com base em captura de tela do site do portal de notícias G1 (CAESAR; REIS, 22 mar. 2018) e (VELASCO; CAESAR; REIS, 8 mar. 2019).
Reprodução de frame do vídeográfico aos 00:11 segundos
Na página das reportagens produzidas a partir da leitura dos dados públicos sobre violência, a equipe do G1 produziu vídeo com gráficos e hiperlinks para o leitor aprofundar o conhecimento sobre os fatos. A ferramenta interativa possibilita ao leitor uma navegação individualizada pelos dados por Estado e com o recurso de comparativo entre dois Estados.
A Figura 18 apresenta a modalidade multimídia "Sistema de transplante no Brasil sofre com a falta de transporte aéreo" (SASSINE, 5 jun. 2016) complementada pelo infográfico “Órgãos com transporte recusado e os voos das autoridades” (LIMA, 5 jun. 2016). O trabalho trata sobre a negativa da Força Aérea Brasileira (FAB) em transportar órgãos para transplantes. Os números levantados pela reportagem junto à Central Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde apontaram que em três anos 153 órgãos deixaram de ser transplantados por falta de transporte. Os dados foram obtidos pela reportagem assinada por Vinicius Sassine por meio de um pedido via serviço de atendimento ao cidadão da LAI. Com a Força Aérea Brasileira, a reportagem levantou o número de requisições atendidas para transporte de ministros do Executivo e de presidente do Supremo do Senado e da Câmara. Os infográficos estão assinados por Daniel Lima.
Fonte: Elaborado pela autora com base em captura de tela do site do jornal O Globo (SASSINE, 5 jun. 2016) e (LIMA, 5 jun. 2016).
Entre os trabalhos indicados pelos jornalistas, poucos utilizam a linguagem audiovisual em vídeos ou mesmo podcasts. Esse conjunto de modalidades costuma ser desenvolvido por uma equipe interdisciplinar de tecnoatores18 (programadores, estatísticos, designers) na redação ou a partir de templates prontos – modelo padrão – e construção hipertextual da narrativa.