3. REVISÃO DA LITERATURA
3.6. O CONCEITO DE CLUSTER
3.6.1 Modelo do “Diamante” de Porter
O modelo do diamante foi desenvolvido pelo professor Michael Porter, após pesquisa realizada em dez diferentes países, por meio da qual criou um padrão a ser aplicado para avaliar ou comparar a posição competitiva de uma nação, sendo que este padrão pode ser utilizado para analisar regiões especificas. Porter realiza uma teorização sobre a competitividade, baseando suas análises nas causas da produtividade, ou seja, nas formas como as empresas competem, em vez de tratar as vantagens competitivas tradicionais tais como recursos naturais e trabalho.
Segundo Porter (1990, 1998), a competitividade das empresas não se encontra espalhada uniformemente por toda a nação, mas sim na forma de agrupamentos geograficamente localizados denominados “Clusters”. A partir dessa constatação, o autor propôs o chamado modelo “diamante”, que consiste em proporcionar uma explicação para a competitividade desses locais que detinham tais aglomerados. Sobre este assunto Porter (1998, p. 183) afirma o seguinte:
Cada um dos quatro atributos define um ponto no ‘diamante’ da vantagem nacional. O impacto de um ponto em geral depende do estado dos demais. As desvantagens seletivas [...] e no nível mais amplo, os pontos fracos em qualquer um dos determinantes refrearão o potencial de desenvolvimento e aprimoramento do setor. Mas os pontos do ‘diamante’ também se reforçam mutuamente: eles compõem um sistema. Dois elementos, a rivalidade doméstica e a concentração geográfica, são poderosos em especial para transformar
o diamante num sistema – a rivalidade doméstica, ao promover
melhorias em todos os outros determinantes, e a concentração geográfica, ao promover e intensificar a interação das quatro influências isoladas.
Como apresentado acima, Porter (1990) cita quatro principais atributos que formam o ambiente, no qual as empresas se apresentam inovadoras e buscam melhorias contínuas. O modelo se apresenta como um esquema na forma de um diamante que une pontes ou fatores responsáveis pela criação de vantagens competitivas para uma indústria, uma nação ou uma região. Para o pleno funcionamento deste modelo, estes atributos devem atuar como um sistema que pode ser visualizado na figura 3:
Figura 3: Modelo do diamante de Porter
Fonte: Porter (1993, p. 88).
1. Condições dos fatores: Para que haja uma efetiva vantagem competitiva gerada pela produção local, os custos, a produtividade, especialização e qualidade dos fatores de produção constituem elementos fundamentais para que se possa determinar o sucesso da competitividade empresarial. A utilização de seus fatores de produção em relação a um país, são aspectos fundamentais para se competir em uma indústria (ASSUNÇÃO JR, 2006).
Os fatores de produção que possuem altos níveis de especialização e qualidade, dão origem a vantagens competitivas de extrema importância para as indústrias, podendo também, quando em abundância, diminuir a competitividade em certos casos. Esta diminuição da competitividade ocorre, pois, as empresas que apresentam estes elementos em sua produção obtêm melhores resultados a partir da influência ou pressão que mantêm sobre a inovação e estratégia adotadas. A grande quantidade ou o preço reduzido de um fator pode refletir na sua qualificação ou especialização.
Dentro deste contexto, Porter (1993), faz uma divisão entre os fatores de produção. Para o autor, existem fatores básicos, que representam tanto os recursos locais ou físicos (clima, minérios, energia, etc.), quanto os recursos humanos (população, taxa de renda, escolaridade). Além dos básicos, existem os fatores
adiantados, que representam recursos mais específicos e avançados, como conhecimento, infraestrutura e capital.
Não basta, porém, que os países tenham abundância de fatores básicos, como mão-de-obra e matéria-prima. Hoje em dia, o que importa é a qualidade dos fatores, ou seja, “a vantagem competitiva mais significativa e mais sustentável ocorre, quando um país possui os fatores necessários à competição numa determinada indústria que sejam, ao mesmo tempo, adiantados e especializados” (PORTER, 1990, p. 95).
2. Condições da demanda: Se caracteriza pela magnitude da demanda interna, ou seja, pela presença de consumidores ávidos por inovações, nos produtos e serviços, pressionando as empresas por melhorias. Esta pressão por parte dos clientes, cada vez mais exigentes e sofisticados, cujas necessidades antecipam a procura externa, leva à melhora contínua das vantagens competitivas, com inovações em sua cadeia produtiva, o que acaba refletindo diretamente na melhoria da qualidade dos produtos (ASSUNÇÃO JR, 2006).
A demanda do mercado interno exerce influência direta sobre a competitividade, pois esta demanda demonstra as respostas do mercado quanto ao poder de compra, preferências por produtos, níveis de sofisticação e necessidades internas. Na questão das condições de demanda, a qualidade se sobrepõe à quantidade, sendo que esses fatores só constituem vantagens competitivas se influenciarem as demandas de outras localidades, quer seja dentro quanto fora do país.
Porter (1998) afirma que neste contexto, as condições de demanda estabelecem os caminhos e os sistemas de aprimoramento e inovação pelas empresas de todo o país, condicionando as possibilidades de exportação. O autor afirma ainda que, do ponto de vista quantitativo, uma grande demanda interna pode não ser favorável à exportação, embora seja importante para as economias de escala. 3. Setores correlatos e de apoio: Este fator diz respeito a presença ou ausência, de indústrias e fornecedores de setores correlatos ao segmento principal no país. A presença destas indústrias é de extrema significância para as concentrações produtivas, pois possibilita o aumento do número de clientes que se pode atender e
este fator proporciona as condições necessárias para a negociação de menores preços (ASSUNÇÃO Jr, 2006).
Para Porter (1999), a proximidade proporciona o fornecimento no próprio local da aglomeração, o que é muito importante, pois assim, a necessidade de estoque diminui e há uma maior facilidade de comunicação e prestação de serviços auxiliares ou de suporte competitivos internacionalmente. Sendo assim, os valores de transação e os atrasos diversos, decorrentes da longa distância entre as empresas, são minimizados. Essa proximidade torna mais eficiente os processos produtivos, diminui os custos com estratégias de marketing, reduz diversos problemas, proporciona inovação aos processos produtivos através da introdução de itens diferenciados e tecnologias. Tudo isso gera possibilidades de conhecimentos, habilidades e capacidade de reunir insumos e investimentos.
4. Rivalidade interna: A presença de rivais poderosos locais estimula a competição, favorecendo a inovação e produtividade. A existência, no ambiente em que o cluster está inserido, de uma forte concorrência entre as empresas, é fundamental para este aglomerado, pois sem esta competição, este estará predisposto à falência, pois a competição e a cooperação são fatores de vital importância, e podem ambos coexistir devido às diferentes dimensões e agentes nos quais ocorrem (PORTER, 1999).
Porter (1999) afirma que a rivalidade doméstica é um fator tão importante que merece mais atenção que a rivalidade externa, tendo em vista que ela incide diretamente sobre os níveis de inovação. As estratégias adotadas pelas empresas são fundamentais, pois dão condições para o desenvolvimento de qualificação e confiança dos clientes. Quando se trabalha com metas como estratégia organizacional, a demanda e rapidez na execução de processos são beneficiadas. Ocorre uma melhora na qualidade dos produtos e serviços, redução de custos e a introdução de novos processos na estrutura de produção quando existe competição. Quanto mais concentrada, mais forte a competição e quanto mais forte, mais proporciona benefícios.
Os atributos citados acima moldam o cenário de competição das empresas, sendo que neste cenário, estes atributos atuam em conjunto, tendo o “diamante” como
um sistema. Este sistema afeta diretamente a capacidade das empresas de competirem, porém, deve-se considerar que não só os quatro determinantes apresentados por Porter sustentam as vantagens competitivas, pois tanto o governo quanto casos fortuitos3 podem ter influência no controle das empresas. (PORTER,
1990).