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2 mols de ATP por cada mol de glicose

No documento Biologia Celular (páginas 67-70)

A glicólise anaeróbia é o processo pelo qual uma sequência de aproximadamente 11 enzimas do citosol promove transfor­ mações graduais em uma molécula de glicose, sem consumo de oxigênio, produzindo duas moléculas de piruvato e libe­ rando energia que é armazenada em duas moléculas de ATP. O ATP se forma a partir do ADP e do fosfato inorgânico (Pi) existentes no citosol, segundo a equação:

2 ADP + 2 Pi + energia da glicose - 2 ATP

Nesse processo, a célula armazena 20 kcal para cada mol de glicose degradada. Essa degradação da glicose não necessita de oxigênio, razão pela qual é chamada de glicólise anaeróbia ou fermentação. No fungo levedo de cerveja, em condições anaeróbias, a glicólise prossegue, transformando-se o piruvato em etanol após uma série de reações enzimáticas. A fermen­ tação fornece ao levedo de cerveja a energia necessária para sua manutenção e reprodução, sendo chamada fermentação alcoólica, porque o produto final é o álcool etílico.

A glicólise é um processo pouco eficiente, pois, das 690 kcal/ mol presentes na glicose, apenas 20 kcal são aproveitadas e as células desenvolveram, ao longo da evolução, mecanismos mais eficazes para extração da energia dos nutrientes.

Graças à fosforilação oxidativa, cada mol

de glicose produz mais 36 mols de ATP

Após o surgimento do oxigênio na atmosfera, desenvol­ veu-se uma nova via metabólica de maior rendimento energé­ tico do que a glicólise, a fosforilação oxidativa. De cada mol de

glicose, além dos 2 mols de ATP obtidos pela via anaeróbia, a fosforilação oxidativa produz mais 36 mols de ATP.

Na fosforilação oxidativa, o piruvato é oxidado até se for­ marem água e gás carbônico, com alto rendimento energético. Costuma-se distinguir, na oxidação fosforilativa, três mecanis­ mos distintos, mas que se entrelaçam intimamente: a produ­ ção de acetilcoenzima A (acetil-CoA), o ciclo do ácido cítrico

e o sistema transportador de elétrons.

Enquanto a glicólise é anaeróbia e tem lugar no citosol, a fosforilação oxidativa é aeróbia e se processa nas mitocôndrias (Figura 4.2).

Produção de acetilcoenzima A

A acetil-CoA é produzida a partir da coenzima A e de ace­ tato originados do piruvato ou da í3-oxidação dos ácidos gra­ xos. Piruvato, derivado da glicólise, e ácidos graxos atravessam as membranas mitocondriais e, na matriz da organela, geram acetato, que se liga à coenzima A para formar acetil-CoA.

A transformação de piruvato em acetil-CoA deve-se a um sistema multienzimático da matriz mitocondrial, o complexo desidrogenase do piruvato, constituído de cópias múltiplas de três enzimas, cinco coenzimas e duas proteínas reguladoras. Esse complexo converte o piruvato em acetil-CoA, liberando C02, que é eliminado da mitocôndria. A acetil-CoA entra no ciclo do ácido cítrico.

Enzimas presentes nas duas membranas mitocondriais transferem ácidos graxos para a matriz da mitocôndria, na qual eles são degradados por um ciclo de reações denominado í3-oxidação dos ácidos graxos que remove dois átomos de car­ bono de cada vez, produzindo uma molécula de acetil-CoA em cada volta do ciclo. A acetil-CoA assim gerada também entra no ciclo do ácido cítrico, no qual a oxidação continua.

Enzimas da glicose

l

2 mais de

1 mol de glicose

Figura 4.2 • O desenho esquemático mostra que a glicólise ocorre no citosol, en­

quanto a produção de acetilcoenzima A e a oxidação fosforilativa se processam nas mitocôndrias. A maior produção de ATP ocorre na mitocôndria, em razão da oxidação dos substratos oriundos dos nutrientes, com consumo de oxigênio e formação de água e C02 (respiração aeróbia) contrastando com a glicólise (respiração anaeróbia), que não consome oxigênio e produz pouco ATP.

Biologia Celular e Molecular

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Ciclo do ácido cítrico

Esse ciclo, também chamado de ciclo de Krebs ou ciclo dos ácidos tricarboxílicos, é uma sequência cíclica de reações enzi­ máticas na qual ocorre, graças à presença das enzimas chama­ das desidrogenases, a produção gradual de elétrons e prótons. Os elétrons são captados por moléculas complexas como o NAD (nicotinamida-adenina-dinucleotídio), o FAD (flavina adenina dinucleotídio) e os cito cromos, que funcionam como transportadores de elétrons, em um processo de oxidorredu­ ção. O hidrogênio, resultante das reações, é liberado na matriz mitocondrial, sob a forma de prótons (H+).

O ciclo do ácido cítrico se origina com a condensação da acetil-CoA, proveniente de piruvato ou de ácidos graxos, com ácido oxalacético, produzindo ácido cítrico. Este sofre uma série de modificações e acaba produzindo ácido oxalacético, que, por sua vez, recomeça o ciclo.

O resultado final do ciclo do ácido cítrico é o seguinte: gra­ ças às desidrogenases, ocorre a produção de hidrogênio, que irá gerar prótons e elétrons. Descarboxilases levam à produ­ ção de C02, e no processo há uma reação exoenergética que promove a síntese de 2 mols de ATP por mol de glicose consu­ mida (Figura 4.3). A função principal do ciclo do ácido cítrico é, portanto, produzir elétrons com alta energia e prótons, gerando C02; seu rendimento energético é baixo.

Além dessas funções, o ciclo do ácido cítrico fornece meta­ bólitos que serão usados para a síntese de aminoácidos e hidratos de carbono.

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Sistema transportador de elétrons

É uma cadeia, formada por enzimas e compostos não enzi­ máticos, cuja função é transportar elétrons. Dentre esses trans­ portadores de elétrons estão os citocromos, compostos orgâ­ nicos ricos em ferro. Ao longo dessa cadeia, são transportados elétrons de alta energia que, gradualmente, cedem essa ener­ gia, que é veiculada para três lugares determinados da cadeia, em que ocorre a síntese de ATP. Esse processo é eficiente e produz 36 mols de ATP por mol de glicose consumida.

Há, ao longo da cadeia de oxidação fosforilativa, três locais nos quais a energia liberada pela oxidação é gradualmente transferida para o ATP graças à fosforilação do ADP. Nesses locais da cadeia, ocorre o acoplamento da liberação de energia, com o seu armazenamento por fosforilação. Existem molé­ culas tóxicas, como o dinitrofenol, que desacoplam essa trans­ ferência de energia, bloqueando a síntese de ATP e dissipando a energia sob a forma de calor.

Ao chegarem ao fim do sistema transportador, os elétrons ati­ vam moléculas de oxigênio, produzindo

o -

graças a um sistema enzimático, chamado citocromo-oxidase. Esse oxigênio com um elétron a mais combina-se com os prótons, produzindo água (Figura 4.3). A citocromo-oxidase é fortemente inibida pelo cia­ neto, razão pela qual esse composto é um tóxico muito forte.

Portanto, a respiração celular aeróbia produz C02, H20 e energia (calor) segundo a equação global:

C6H1206 + 602 "'7 6C02 + 6Hz0 + energia

Como na mitocôndria o consumo de oxigênio está relacio­ nado com a fosforilação de ADP, o processo recebeu o nome

4 1 Papel das Mitocôndrias na Transformação e no Armazenamento de Energia

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de oxidação fosforilativa. O ADP é transferido do citosol para a mitocôndria, na qual é transformado em ATP, que passa para o citosol, no qual exercerá suas funções como combustí­ vel celular. Existe, portanto, um fluxo constante de ADP para dentro e ATP para fora da mitocôndria.

Do ponto de vista de rendimento energético, a mitocôn­ dria é muito mais eficiente do que os motores construídos pelo homem. Calcula-se que, aproximadamente, a metade da ener­ gia liberada dos nutrientes é armazenada pelas mitocôndrias em moléculas de ATP; os outros 50% são dissipados sob forma

de calor, que é utilizado para aquecer o corpo.

Frequentemente, as mitocôndrias

situam-se em locais próximos aos

que necessitam de energia (ATP)

As mitocôndrias (mitos, filamento, e condria, partícula) são organelas de forma arredondada ou alongada presentes no

citoplasma das células eucariontes, que participam da respira­ ção aeróbia e de diversas outras funções.

8

1 mol de glicose Glicólise cadeia de enzimas 2 piruvatos Ácidos graxos �-oxidação Acetilcoenzima A

.-

e-Ciclo do

Essas organelas apresentam um diâmetro aproximado de 0,5 a 1,0 µm, variando o comprimento desde 0,5 até 10 µm. São mais numerosas nas células com metabolismo energético alto, como as células musculares estriadas. Em muitas células, as mitocôndrias se distribuem por todo o citoplasma, mudando constantemente de posição pela atividade das proteínas moto­ ras do citoesqueleto. Contudo, em determinadas células elas se localizam próximo aos locais citoplasmáticos, onde existe grande consumo de energia. Nos epitélios ciliados, elas se acumulam perto dos cílios; nos espermatozoides, ao redor da porção inicial do flagelo, onde tem início a movimentação flagelar; e, nas células musculares estriadas, entre os feixes de miofibrilas (Figura 4.4). Outros exemplos são os acúmulos de mitocôndrias encontrados nas células sensoriais da retina (Figura 4.5) e nas células que transportam íons, como é o caso das células dos túbulos contorcidos renais (Figura 4.6).

A concentração de mitocôndrias nas células transportado­ ras de íons está associada a abundantes dobras da membrana plasmática, o que aumenta consideravelmente a área por onde tem lugar o transporte iônico. Nessas regiões, as membranas são ricas em ATPase, enzima que libera a energia que será uti­ lizada pelas bombas iônicas aí presentes.

Membrana mitocondrial

Cadeia transportadora de elétrons (cadeia de enzimas e pigmentos citocromos)

e -

.-

e-

.-

ácido cítrico .-e- cadeia de enzimas j, \ e- Ql C/l C1;l -o ·x o Q ...- 0 a- H /.,..., H+ Desidrogenases � H• H· \ 36 ATP e- H., F.t.., � H'" H.;. Ff+ H� H•

2H+Q-l

ê

Figura 4.3 • Ilustração dos principais processos que ocorrem na respiração celular aeróbia. A linha azul indica os limites de uma mitocôndria. Inicialmente, ocorre a pro­ dução de acetilcoenzima A, que entra no ciclo do ácido cítrico, do qual resulta a produção de elétrons, prótons, C02 e pequena quantidade de ATP. Os elétrons percorrem

a cadeia transportadora de elétrons e produzem muito ATP. Os prótons combinam-se com o oxigênio, ativado pelo sistema citocromo-oxidase, produzindo água. Observe que, no cítosol, 1 mol de glicose produz 2 mols de ATP, permanecendo muita energia nas moléculas de píruvato. Esse piruvato entra na mitocôndria, em que a energia res­ ;:ante do mol inicial de glicose é transferida para cerca de 38 mais de ATP. Portanto, a mitocôndria aumenta muito a capacidade celular de aproveitar a energia contida nos nutrientes. Observe, ainda, a entrada de oxigênio e ADP (adenosina-difosfato) na mitocôndria. O desenho não mostra, mas a mitocôndria necessita também de Pí (fosfato

III

Ultraestrutura e organização

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