• Nenhum resultado encontrado

para formar glicoproteína s

No documento Biologia Celular (páginas 62-67)

(função enzimática e estrutural) e

proteoglicanas {função estrutural)

Os polissacarídios são polímeros de monossacarídios. Há polissacarídios com moléculas lineares, enquanto outros têm moléculas ramificadas. A molécula de alguns polissacarídios é constituída pela repetição de um único tipo de monossaca­ rídio; são os polissacarídios simples ou homopolímeros. Por exemplo, o amido e o glicogênio são polímeros simples de D-glicose e não contêm outro tipo de molécula. Os polis­ sacarídios complexos (heteropolímeros), constituídos por mais de um tipo de monossacarídio, são menos frequentes nas células, porém alguns são biologicamente muito impor­ tantes.

Os polissacarídios associados à superfície externa da membrana celular desempenham papel estrutural e informa­ cional, muitas vezes fazendo parte das moléculas dos recep­ tores. São encontrados também como reserva nutritiva, que a célula utiliza quando há necessidade metabólica.

.... Polissacarídios de reserva. Os polissacarídios de reserva são o glicogênio, nas células animais, e o amido, nas células das

plantas; ambos são polímeros da D-glicose.

,.. Glicogênio. O glicogênio ocorre no citoplasma das célu­ las animais sob a forma de grânulos, com diâmetro de 15 a 30 nm, geralmente dispostos em aglomerados (Capítulo l, Figura 1.7). Os grânulos de glicogênio, além do polissacarídio, contêm proteínas, como as enzimas responsáveis pela síntese e despolimerização do glicogênio.

A D-glicose recebida em excesso pela célula é adicionada, por processo enzimático, às extremidades da molécula de gli­ cogênio. Nos momentos de necessidade, também por atividade enzimática, libertam-se moléculas de D-glicose, que serão uti­ lizadas para os processos metabólicos da célula. Algumas célu­ las, como as do fígado, lançam glicose no sangue, para manter estável a concentração desse açúcar no plasma sanguíneo, o que é de grande importância para as funções dos diversos teci­ dos do corpo.

A molécula de glicogênio tem dimensões variáveis e é muito ramificada em todas as direções do espaço. A Figura 3.31 é a sua representação esquemática, em duas dimensões.

Biologia Celular e Molecular

.... Amido. Ao contrário da célula animal, que armazena gli­ cogênio, a célula vegetal tem amido como reserva energética. O amido é composto de dois tipos de moléculas: a amilose, um polímero linear, e a amilopectina, um polímero ramifi­ cado, ambos constituídos por unidades de glicose .

... Polissacarídios estruturais e informacionais. Além dos polis­ sacarídios de reserva nutritiva (glicogênio e amido), as células sintetizam outros polissacarídios que fazem parte da super­ fície celular, onde participam do reconhecimento entre as células para constituir os tecidos, da constituição dos recep­ tores celulares e das ligações estruturais entre o citoplasma e a matriz extracelular (Capítulo 12).

Combinados com proteínas, os polissacarídios estrutu­ rais fazem parte do glicocálice das células animais, da parede das células bacterianas e da parede das células das plantas. A maioria dos polissacarídios estruturais e informacionais

são heteropolímeros. Devido à sua complexidade, a estru­

tura de muitos deles não foi ainda elucidada. Eles constituem

as glicosaminoglicanas, que se ligam a proteínas para for­

mar as proteoglicanas, e a porção glicídica das glicoproteí­

nas, cuja estrutura geral será explicada no Capítulo 12. A Tabela 3.4 oferece uma visão geral da diversidade funcional e estrutural dos principais componentes macromolecula­ res das células. Os polissacarídios têm funções energéticas, estruturais e informacionais (glicocálice, hormônios glico­ proteicos).

Figura 3.31 • Esquema plano da molécula de glicogênio que, na realidade, ramifica-se em todas as direções do espaço, como os galhos de uma árvore. Cada círculo representa um resíduo de glicose.

3 1 Bases Macromoleculares da Constituição Celular

Tabela 3.4 • Principais funções celulares das moléculas-em ordem crescente de sua diversidade funcional.

Tipo de molécula

Grau de diversidade funcional

Funções

--- Resumo

Ácido nucleico (DNA e RNA)

Informacional Energética Estrutural Informacional

Existe, nas células, preponderância absoluta dos compos­ tos de carbono, embora eles sejam extremamente raros na litosfera (crosta terrestre). Isso sugere que as primeiras células foram constituídas com esses compostos e que essa seleção foi transmitida às células seguintes, durante o processo evolutivo. As funções vitais dependem da presença de macromoléculas

polimçricas de compostos de carbono. Esses polímeros são

ronstituídos pela associação, em número variável, de unida­ des ou monómeros, que podem ser iguais, nos homopolíme­

!"m,, como o glicogênio, ou diferentes, nos heteropolímeros, oomo os ácidos nucleicos. Os biopolímeros mais importantes

são as proteínas, formadas por aminoácidos, os polissacarí­

d:ios constituídos de monossacarídios e os ácidos nucleicos

formados por nucleotídios. É muito comum a associação de

macromoléculas para formar complexos como lipoproteí­

nas, glicoproteínas, proteoglicanas e nucleoproteínas (ácidos

zucleicos e proteínas).

A associação entre água e vida é bem conhecida, e toda

::rlula é obviamente rica em água. A molécula de água é um

Bibliografia

=trong, F.B.: Biochemistry, 3rd ed. Oxford Univ. Press, 1989.

..lsover, S.R.: Cell Bío/ogy. A Short Co11rse, 2nd ed. Wiley-Liss, 2003.

:,olittle, R.F.: Proteins. Sei. Amer., 253 ( 4):88, 1985.

....:bert, W.: Toe RNA world. Nature, 319:618, 1986.

�ier-Takada, C. and Altman, S.: Catalytic activity of an Ri�A molecule

prepared by transcription in vitro. Science, 223:285, 1985.

..erutinger, A.L.: Biochemistry. The Molecular Basis of Cell Structure and Func­ lion, 2nd ed. Worth Pub., 1982.

�ger, A.L., Nelson, D.L. and Cox, M.M.: Principies of Biochemistry, 2nd ed. Worth Pub., 1993.

U'l<Ul, A.S.: Mechanism of enzyme action. Ann. Rev. Biachem., 43:357,

[974. Lipídio 2 Polissacarídio Energética Estrutural Informacional 3 Proteína 4 Enzimática Estrutural Informacional Movimentação celular Energética

dipolo, com uma extremidade eletricamente mais negativa

(mais rica em elétrons) do que a outra. Por suas proprieda­ des, as moléculas de água influem poderosamente nos pro­ cessos metabólicos, tendo papel também na configuração espacial das macromoléculas e, portanto, na atividade fun­ cional destas.

As proteínas têm papel enzimático e participam da estru­ tura e dos movimentos celulares. O papel dos ácidos nuclei­ cos é principalmente informacional: constituem os genes e são responsáveis pela expressão da informação neles contida. Excepcionalmente, o RNA pode ter atividade enzimática. Os lipídios estão presentes em todas as membranas celulares, nas quais têm papel estrutural, e, como depósitos citoplasmáticos, representam também reserva nutritiva que é metabolizada para fornecer energia para a célula. Os polissacarídios em combinação com proteínas têm papel estrutural. Isoladamente, são encontrados sob a forma de amido, nas células vegetais, e de glicogênio, nas células animais, representando importante material energético.

Murray, R.K. et ai.: Harper's Biochemistry, 24th ed. Appleton & Lange, 1996.

Perutz, M.: Protein Structure: New Approaches to Disease and Therapy. Free­

man, 1992.

Schweigger, H.G. (ed.): International Cell Biology. Springer-Verlag, 1981. Sigman, D.S. and Mooser, G.: Chemical studies of enzyme active sites. Ann.

Rev. Biachem., 44:889, 1975 .

Stryer, L.: Bioquímica, 4ª ed. Guanabara Koogan, 1996.

Tanford, C.: Toe hydrophobic effect and the organization ofliving matter. Sci­ ence, 200:1012, 1978 .

Voet, D. and Voet, J.G.: Biochemistry, 2nd ed. John Wiley, 1995.

Zaug, A.J. and Cech, T.R.: Toe intervening sequence RNA of Tetrahymena is

Roteiro

• Para realizar suas atividades, as células utilizam a energia contida nas ligações químicas dos nutrientes que, geral­ mente, é transferida para adenosina-trifosfato (ATP), o principal combustível celular; a enzima ATPase rompe a molécula de ATP, liberando energia e originando adenosina-difosfato (ADP) e fosfato inorgânico (Pi)

• A transferência de energia dos nutrientes para ATP também pode ser feita no citosol sem participação das mitocôn­ drias, pela fermentação (anaeróbia), mas esse processo retira apenas pequena parte da energia dos nutrientes • As mitocôndrias têm a maquinaria para a fosforilação oxidativa (aeróbia), muito eficiente na transferência de

energia dos nutrientes para ATP

Teoria quimiosmótica admite que a energia dos nutrientes é utilizada para gerar um fluxo de prótons (W), cuja energia forma ATP a partir de ADP

• Cada mitocôndria contém um genoma constituído por filamentos circulares de DNA em hélice dupla, que codifi­ cam RNA e algumas, mas não todas, proteínas mitocondriais

• O genoma da mitocôndria é muito compacto; com exceção do local de origem da replicação, seu DNA é codificador em toda a sua extensão, sem sequências não codificadoras (não contém íntrons)

• Principalmente por falta de mecanismos de reparação do DNA, o genoma das mitocôndrias apresenta taxa de mutação muito alta, de 5 a 10 vezes maior do que a do DNA nuclear, que conta com processos reparadores muito eficientes

• O código genético do DNA das mitocôndrias é ligeiramente diferente do código que se admitia ser o mesmo, desde as bactérias até os humanos

• As mitocôndrias dos mamíferos são derivadas das mitocôndrias do óvulo e, portanto, de origem exclusivamente materna

• Os ribossomos das mitocôndrias são diferentes dos ribossomos do citosol e parecidos com os das bactérias

• Admite-se que, durante a evolução das células, as mitocôndrias se originaram de bactérias endossimbiontes (simbiontes intracelulares) que, no processo evolutivo, transferiram parte de seus genes para o núcleo da célula hospedeira.

4 J Papel das Mitocôndrias na Transformação e no Armazenamento de Energia A energia utilizada pelas células eucariontes para realizar

suas atividades provém da ruptura gradual de ligações cova­ .tntes de moléculas de compostos orgânicos ricos em energia.

• -a célula vegetal (Capítulo 13), esses compostos são sinteti­

zados com a energia resultante da transformação de energia

solar em energia química durante o processo de fotossíntese photon, luz, e sintesis, síntese). Na fotossíntese, graças princi­ palmente ao pigmento clorofila, processa-se a acumulação da imergia solar sob a forma de ligações químicas nos hidratos .::.e carbono, principalmente hexoses, que se polimerizam para

-rmar amido. As hexases originadas na fotossíntese são fonte

energia e, também, de carbono em condições de ser utili­

:::?do para a síntese de diversas macromoléculas.

As células, porém, não usam diretamente a energia liberada hidratos de carbono e gorduras, mas se utilizam de um �posto intermediário, a adenosina-trifosfato (ATP), geral­

-:ente produzido graças à energia contida nas moléculas de

..,...-cose e de ácidos graxos.

Nos animais, os ácidos graxos são, do ponto de vista quan­

..Iativo, uma fonte energética muito mais importante do que carboidratos. Enquanto uma molécula-grama (mol) de gli­

e gera 38 mols (moléculas-grama) de ATP, uma de ácido '""3lmítico gera 126 mols de ATP. Um homem adulto tem

ener-depositada em glicogênio suficiente apenas para um dia,

� gordura (ácidos graxos) suficiente para fornecer ener­

_. durante 1 mês. Quando o organismo está em repouso, as

...dulas usam mais glicose, proveniente do glicogênio, porém,

...r..i:ante o exercício físico, há mobilização dos ácidos graxos

�ositados nas gorduras.

O ATP (Figura 4.1) tem duas ligações ricas em energia

:epresentadas pelo sinal -); quando uma delas se rompe, libera

.:proximadamente 10 quilocalorias por mol. Geralmente, ape­ ::15 uma ligação é rompida, segundo a equação ATP "7 ADP + �+energia (Pi significa fosfato inorgânico e ADP, adenosina­

tifosfato ).

O citoplasma contém energia acumulada nos depósitos de

""JOléculas de triacilglicerídios (gorduras neutras), de molé­

�::tlas de glicogênio e, também, sob a forma de compostos

ermediários (metabólitos) ricos em energia, dos quais o :ais importante é o ATP, principal combustível das células. Os "êacilglicerídios e o glicogênio representam acúmulo de ener­ -" sob forma estável e concentrada, mas dificilmente acessí­ d, ao passo que o ATP é um composto instável, que não con­

:.em energia tão concentrada, mas facilmente utilizável porque

-enzima que rompe a molécula de ATP (ATPase) é muito :.ãundante na célula. A decomposição da glicose em água e � carbônico, que ocorre durante a respiração celular, rende

NH3 o

t�

1 1 1 N N o o 1 1 1 2 o o o o HO-P-O- P -0- P -O-C t;) OH OH

�ura 4.1 • Fórmula do trifosfato de adenosina, abreviadamente chamado ATP. O =bolo - indica as ligações químicas que são muito ricas em energia.

690 kcal/mol, enquanto a hidrólise das duas ligações ricas em energia do ATP rende somente 20 kcal/mol. Glicogênio e gor­ duras podem ser comparados a dinheiro no banco, e ATP a dinheiro no bolso. De fato, o dinheiro depositado no banco é estável (teoricamente, não sujeito a roubo ou perdas) e pode ser acumulado em grandes somas. Já o dinheiro no bolso (ATP) é instável, só pode ser guardado em quantidades limita­ das, mas é facilmente acessível quando necessário.

A queima da glicose libera uma quantidade certa de energia e consome oxigênio. O resultado dessa operação, que pode ser realizada em um aparelho chamado calorímetro, produz calor

(690 kcal/mol), água e gás carbônico, segundo a equação:

C6H1206 + 602 -6C02 + 6H20 + calor (energia) Essa combustão da glicose é, porém, um processo abrupto, que leva o calorímetro rapidamente a altas temperaturas. Se isso ocorresse dentro de uma célula, ela se queimaria instanta­ neamente. Contudo, as células desenvolveram um sistema que oxida lentamente os nutrientes, liberando energia gradual­ mente, e produzindo água e C02. Esse processo, que consome 02 e produz C02, chama-se respiração celular.

As células utilizam dois mecanismos para retirar energia dos nutrientes: a glicólise anaeróbia, que tem lugar no citosol, e a fosforilação oxidativa, que se realiza nas mitocôndrias.

No documento Biologia Celular (páginas 62-67)