Iniciamos a disciplina resgatando as experiências dos alunos com a luta enquanto alunos da Educação Física escolar. A intenção era analisar os encaminhamentos metodológicos do professor, os objetivos das aulas e o processo avaliativo. Esses elementos foram contemplados na produção de um relato de experiência, o qual caracterizou o trato pedagógico do professor com o conteúdo Luta.
Foi um debate rico, porque à medida que os graduandos se reconheciam enquanto alunos da educação básica, em contato com o conteúdo Luta, avaliavam-se a postura e os encaminhamentos metodológicos do professor. Foi um momento de discutir sobre os problemas da Educação Física, da luta e dos cursos de formação inicial de professores diante da instrumentalização do professor em abordar os conteúdos na Educação Física escolar.
Após ter reconhecido as fragilidades dos acadêmicos sobre o trato e vivência da luta, bem como a análise das necessidades metodológicas dos cursos de formação de professores,
6
Disciplinas-sínteses são a discussão diante de um determinado fenômeno cultural e social da Educação Física que reúne professores especialistas que se aprofundam teórico-metodologicamente. Segundo Tavares (2010, pg. 174) disciplinas-sínteses “(...) é o trato dos conteúdos por mais de um professor numa mesma sala de aula, gerando, numa relação dialógica, conflitos, contradições e, por conseguinte, um crescimento qualitativo na disciplina. Acarreta uma maior interação entre os professores e os alunos. Possibilita também uma maior dinâmica durante as aulas, ampliando a participação deles no processo.”
focamos nossas reflexões para os pressupostos históricos desse fenômeno cultural. Para isso, encaminhamos textos, monografias, livros para os alunos7. Produzimos filmes de curta metragem que enriqueceram esse processo. Ainda, nesse momento inicial, analisamos as possibilidades de vivenciar os fundamentos básicos da luta: o atacar, o defender e o controlar. Essa estratégia foi interessante, pois os alunos ressignificaram a concepção metodológica do ensinar e aprender os elementos básicos desse conteúdo. A estrutura do trabalho pedagógico com o Judô e a Capoeira, diante dos aspectos históricos, filosóficos e técnico-didáticos ajudou na compreensão sobre abordar outras modalidades de luta.
No tocante ao polo de ação, ao realizarmos intervenções com os acadêmicos da disciplina, por grupo, em quatro momentos distribuídos em três escolas públicas, durante a vivência com uma modalidade de luta nos três segmentos da educação básica mobilizamo-nos para a intervenção na escola, munidos de elementos pedagógicos. Sorteamos cinco modalidades de luta para seis grupos. A divisão contemplou os três segmentos da Educação Básica (Ensino Infantil, Ensino Fundamental II e Ensino Médio). Cada grupo era composto de quatro participantes. Os grupos realizaram duas intervenções na escola. Esse processo comungou com as considerações de Tripp (2005), que caracterizou a reflexão para a intervenção no cotidiano escolar enquanto um elemento essencial. O processo começou com a
reflexão da prática, partindo dos problemas metodológicos para a experiência com a luta.
Questionou-se o que se precisa mudar/melhorar, uma vez que foi discutido e aprofundado didaticamente o judô e a capoeira. No coletivo, foi refletido o que é necessário planejar para
implementar e monitorar. Culminamos sobre a reflexão do que mudou/melhorou na disciplina
diante da materialização do seminário.
Para a sistematização da intervenção na escola, os acadêmicos tiveram um espaço na própria disciplina para estruturar as aulas. Foram três escolas públicas da própria comunidade de Santo Amaro: Educandário Ana Rosa e Escola Heberth de Souza – Ensino Infantil -, Colégio Rochael de Medeiros – Ensino Fundamental II – e Escola Luiz Delgado – Ensino Médio. Observamos e gravamos todas as seis intervenções.
Cada grupo ficou responsável por uma modalidade de luta a ser sistematizada em dois momentos na escola. Segue abaixo um quadro que utilizamos para a organização dos grupos.
7
Para facilitar esse encaminhamento, construímos um site que serviu de interação entre professores e alunos. Disponibilizamos textos, artigos, monografias, sites acadêmicos que contribuíssem para a ampliação das discussões conceituais e metodológicas da Luta. Esse site oportunizou o espaço para fóruns de debates e questionamentos sobre os procedimentos refletidos durante a aula, ou uma temática ou problema que lançávamos no intuito de compreender bem o que caracterizava a Luta enquanto uma manifestação social e cultural. Para
maiores análises, ver o apêndice 10 ou no endereço eletrônico
QUADRO 1 – Organização dos Grupos para a intervenção na escola.
DISTRIBUIÇÃO POR GRUPO
1º AULA 2º AULA 3º AULA 4º AULA
GRUPOS MODALIDADE
SEGMENTOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA DATA/DIA
1º SEG./ EDUCAÇÃO INFANTIL
GRUPO 1 ESGRIMA 1º ENCONTRO 17/11/2011 2º ENCONTRO 18/11/2011 GRUPO 2 TAEKWONDO 3º ENCONTRO 25/11/2011 4º ENCONTRO 28/11/2011 2º SEG./ENSINO FUNDAMENTAL II GRUPO 3 JUDÔ 1º ENCONTRO 16/11/2011 2º ENCONTRO 18/11/2011 GRUPO 4 JUDÔ 3º ENCONTRO 25/11/2011 4º ENCONTRO 30/11/2011 3º SEG./ENSINO MÉDIO GRUPO 5 CAPOEIRA 1º ENCONTRO 21/11/2011 GRUPO 6 BOXE 4º ENCONTRO 1º ENCONTRO 07/12/2011
Para as escolas selecionadas e que faziam parte da rede de ensino da Prefeitura Municipal do Recife8, tivemos que solicitar à Gerência de Ensino da Educação Infantil liberação para a intervenção diante da apresentação do projeto de pesquisa com as intenções, objetivos e metas. Em seguida, foram encaminhadas as cartas de anuência, autorizando a intervenção pela referida gerência de ensino.
No dia 19/10, foram feitas as primeiras visitas para conversar com os professores e professoras, bem como para conhecer um pouco os alunos antes da intervenção dos acadêmicos. A escolha das referidas escolas se justifica porque estas eram próximas da ESEF/UPE, o que facilitou o acesso dos acadêmicos.
Em todas as escolas visitadas, fomos solicitar a autorização das gestoras para a realização da pesquisa. Apresentamos uma cópia do projeto de pesquisa e do termo de consentimento. Discutimos sobre a intervenção, revelando que se tratava de uma articulação da Universidade de Pernambuco - UPE e algumas escolas da rede pública do Estado. Informamos do acompanhamento do professor em todo o processo de intervenção.
Percebemos uma variedade de informações referentes às estruturas físicas e pedagógicas das escolas. As duas escolas da Prefeitura Municipal do Recife que atendem apenas a educação infantil não têm professores de Educação Física. Como a Escola Heberth
de Souza está localizada dentro do campus da ESEF/UPE, são realizadas práticas não- sistemáticas9 das disciplinas do curso de EF, como, por exemplo, Estágio Supervisionado, Práticas de Ensino, Fundamentos do Atletismo, dos Esportes Coletivos e Individuais. O currículo da Escola Heberth de Souza não atende ao componente curricular EF10. Já na Escola Municipal Ana Rosa, os momentos práticos são regidos por uma professora formada em Pedagogia, que trabalha com a psicomotricidade, e esses momentos não são caracterizados por aulas de EF, segundo a própria professora. As escolas estaduais – Luiz Delgado e Rochael de Medeiros – possuem professores de EF, com ampla experiência e regência de ensino no estado de Pernambuco há mais de 10 anos.
Analisando as estruturas físicas da escola durante a nossa observação e em conversa com os professores, percebemos que as modalidades de Luta, Judô e a Capoeira são as mais privilegiadas na EFE11. Os recursos materiais para a prática dessas modalidades são poucos ou quase nenhum, a não ser por alguma parceria com projetos sociais da própria Secretaria de Educação e Esporte, em parceria com os programas do Governo Federal, como o próprio Projeto Mais Educação ou o Segundo Tempo, que disponibiliza materiais esportivos para as atividades.