Museus e Paisagens Culturais
5.2 Museu de quem? Museu para quem? Experiências do Museu de Porto Alegre
Joaquim Felizardo
Leticia Bauer
Doutora em História; Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo; [email protected]
Resumo: O presente texto relata algumas das atividades realizadas no Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo (vinculado a Secretaria Municipal da Cultura/ Prefeitura Municipal de Porto Alegre) entre 2015 e 2016, pontuando ações que buscaram estimular o diálogo entre a comunidade e a instituição a partir de atividades realizadas em parceria com diferentes grupos e entidades. Inicialmente, apresenta breves considerações sobre o Museu em sua relação com a cidade de Porto Alegre, lançando um olhar panorâmico sobre a programação que foi desenvolvida ao longo do tempo e, em especial, sobre atividades que buscaram dialogar com temas considerados relevantes para a cidade. Em seguida, o texto apresenta algumas considerações sobre o processo de concepção e elaboração de três exposições de curta duração realizadas por meio de curadoria compartilhada, a saber: “(In) Visibilidades dos povos indígenas em Porto Alegre: intervenções na exposição ‘Transformações Urbanas’” (2015); “Tambores de Porto Alegre” (2016); e “Uma cidade pelas margens” (2016).
Palavras-chave: Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo. Programação interativa. Curadorias compartilhadas.
O Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, criado em 1979, está subordinado à Coordenação da Memória Cultural, vinculada à Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre (SMC/ PMPA). De acordo com seu regimento interno, tem como missão “promover a interação da sociedade com o patrimônio cultural do município, com ênfase na sua história e memória, através da preservação, pesquisa e comunicação dos bens culturais sob a guarda da instituição”.
O trabalho desenvolvido pela equipe do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo entre os anos de 2015 e 2016 teve como ponto de partida o entendimento da instituição a partir de três visões complementares em relação à cidade: o Museu como lugar de observação, como lugar de escuta e como lugar de fala sobre Porto Alegre em seus diferentes tempos. Para essa apresentação, exponho algumas das atividades que integraram a programação do Museu no referido período e que considero interessantes para pensar a relação do público com a instituição, sem a pretensão de arrolar e detalhar todas as ações desenvolvidas. O entendimento de que instituições museais instituem discursos acerca de temas variados por meio de seus acervos e exposições não constitui novidade. A necessidade de estabelecer um diálogo sistemático com a sociedade tampouco é proposta inovadora. Ocorre, entretanto, que colocar em prática um
O Museu de Porto Alegre é relativamente pequeno no que se refere a sua área expositiva. Está sediado em uma casa do século XIX, conhecida como Solar Lopo Gonçalves, no bairro Cidade Baixa. Possui três salas de exposição que, até, 2015, estavam ocupadas por duas exposições de longa duração: “O Solar que virou Museu: memórias e histórias” (2011) e “Transformações urbanas: Porto Alegre de Montaury a Loureiro” (2007). Em contraponto ao reduzido espaço para mostras, o jardim da instituição surpreende por sua extensão, sendo formado por mais de 5 mil metros quadrados de área verde.
Figura 1: Fachada do Museu. Foto: Guilherme Lund. Acervo do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo/ SMC/ PMPA.
Museu de quem? Museu para quem? Essas perguntas podem ser consideradas a partir de, no mínimo, dois pontos de vista. De uma parte, os dados de frequência de público indicaram um afluxo numeroso de visitantes ao Museu de Porto Alegre: em 2015, foram contabilizadas 16.728 pessoas, no ano seguinte, 21.832 pessoas, sendo que em ambos os anos o público majoritário compareceu a eventos, seguido pela visitação realizada pelo público escolar. Esses números são consideráveis, levando-se em conta o número reduzido de pessoas na equipe e as limitações financeiras enfrentadas pela instituição. De outra parte, podemos indagar: quais as apropriações e pertencimentos realizados pelas pessoas que visitaram o Museu ao longo do tempo? Qual é a história de Porto Alegre que está representada pelo acervo guardado e exposições realizadas? Ela é inclusiva? Abarca a diversidade, sendo esta entendida a partir de seus múltiplos adjetivos? Mais que responder objetivamente essas perguntas, proponho algumas considerações acerca de tentativas, acertos e erros empreendidos ao longo de dois anos de trabalho no Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo.
A elaboração de uma agenda de atividades diversificadas teve como objetivo dinamizar o Museu e afirmá-lo como espaço acessível para uma ampla gama de iniciativas. A disponibilização do auditório, com espaço para 30 pessoas, e do jardim para uso público foi fundamental para incentivar o acesso de diferentes grupos ao espaço do Museu. É possível citar, ainda que sem maior detalhamento, a disponibilização do auditório para atividades
formativas como cursos, palestras e oficinas, reuniões e encontros, além de atividades até então incomuns, como lançamentos de livros, defesas de dissertações e teses que, de alguma maneira, relacionavam-se ao campo do patrimônio cultural. Além da agenda anual, os temas propostos para atividades comemorativas, como o aniversário de Porto Alegre, bem como para a Semana de Museus e Primavera dos Museus foram aprofundados por meio da realização de atividades especialmente planejadas para tal.
O jardim foi um dos espaços centrais para potencializar a relação do Museu com o público. Desde 2014, já vinham sendo realizados piqueniques aos finais de semana e, a partir de 2015, essa ação foi intensificada por meio do estabelecimento de uma agenda mensal intercalando os Piqueniques Culturais no Museu, iniciativa da Brotha Produtora, e as Rodas de Samba do Instituto Brasilidades. Por meio de parcerias e projetos especiais, cerca de 2 mil pessoas passaram pelo Museu a cada edição, acrescentando atrativo à programação do público habitual e trazendo novos frequentadores ao espaço.
Figura 2: Piquenique Cultural no Museu. Foto: Leticia Bauer. Acervo do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo/ SMC/ PMPA.
Além dos piqueniques e rodas de samba, ao longo do ano foram recebidos espetáculos de dança e teatro, potencializando o Museu como espaço apto a acolher diferentes expressões artísticas. Todo esse movimento teve como objetivo fortalecer o jardim da instituição como espaço público disponível para uso da comunidade em caráter gratuito, estimulando uma série solicitações de uso, muitas vezes ligadas a demandas dos próprios moradores do entorno.
A agenda nacional proposta pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) também foi um importante catalisador para aprofundar temas caros à instituição. Como exemplo, é possível citar a 14ª Semana de Museus, cujo tema proposto para reflexão foi “Museu e paisagens culturais”. O Museu de Porto Alegre tomou a cidade como recorte específico para observação e montou uma programação que buscou explorar diferentes pontos de vista sobre o contexto urbano, chamando convidados com diferentes trajetórias pessoais e profissionais para auxiliar na composição de um mosaico de olhares sobre a cidade de ontem e de hoje. A abertura da
programação contou com bate-papo, exposição e apresentação da equipe do jornal Boca de Rua, colocando em pauta a visão de moradores e moradoras em rua sobre a cidade. Seguiram- se palestras e discussões que contaram com as reflexões do arquiteto e especialista no tema João Paulo Schwerz, dos pesquisadores do Laboratório de Estudos sobre a Paisagem – Pagus/ UFRGS, além da equipe de fotógrafos do projeto Memo POA e da arquiteta e ilustradora Ana Luiza Koehler. Ao final da atividade, um mosaico muito diverso de olhares sobre a paisagem urbana foi configurado a partir de pontos de vista tão diversos e, ao mesmo tempo, complementares.
Ao mesmo tempo, projetos como o CineReflexão, resultado de uma parceria com a Associação de Capoeira de Angola Rabo de Arraia (Accara), e o FotoMemória, desenvolvido em parceria com a Secretaria Adjunta do Idoso (SMDH) para a programação do Mês do Idoso, são exemplos de atividades que ampliaram o alcance do Museu e ajudaram a configurá-lo como um espaço para circulação de ideias e trocas de experiências. No CineReflexão, encontros mensais proporcionaram exibições de documentários e trechos de filmes dedicados a temas da cultura brasileira seguidas de debate provocado por convidados de diferentes áreas. Já no FotoMemória, foram realizados três encontros com público idoso com o intuito de receber a colaboração de pessoas que vivenciaram a cidade das décadas passadas, auxiliando na identificação de fotografias de locais com pouca ou nenhuma informação que integram o acervo da Fototeca. Ao mesmo tempo, o projeto buscou estimular a narrativa de memórias vividas nos cenários de Porto Alegre de ontem e de hoje. Além de imagens de diferentes pontos da cidade, foi realizada uma edição especial dedicada ao tema do Carnaval, idealizada a partir das demandas do próprio grupo participante.
Entre 2015 e 2016, o Museu realizou três exposições de curta duração, viabilizadas pela readequação de uma das salas até então ocupada pela exposição “Transformações urbanas: de Montaury a Loureiro”. De certa maneira, é possível afirmar que cada uma delas foi mobilizada por uma “provocação” em relação ao posicionamento do Museu e resultou em processos que valem a pena ser revisitados.
A primeira delas foi idealizada a partir do tema da 9ª Primavera dos Museus (2015), voltado à relação entre “Museus e Povos Indígenas”. Uma breve observação na exposição “Transformações urbanas: Porto Alegre de Montaury a Loureiro” (na época em uma versão já remontada em relação à proposta original) indicou uma reduzida e específica menção aos povos indígenas na narrativa sobre a trajetória da cidade, citados somente em um painel dedicado ao período anterior à ocupação empreendida pelos colonizadores europeus. A presença dos povos originários era mencionada apenas em um painel, então relocado para um local de pouca visualização. Tomando essa ausência como mote (e realizando uma justa e necessária autocrítica institucional), foi elaborada a uma intervenção na exposição já existente com o intuito de chamar a atenção para o tema (e consequentemente sua ausência) em diferentes pontos da expografia.
Para dar conta do assunto de maneira crítica, firmamos uma parceria com a então denominada Secretaria Adjunta dos Povos Indígenas e Direitos Específicos (SAPIDE), na época vinculada à Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de Porto Alegre (SDH/ PMPA). O trabalho realizado pelo antropólogo Luiz Fernando Fagundes junto à SAPIDE foi chave para a reelaboração da linguagem pensada inicialmente para a exposição, mostrando de maneira incontestável o quão pode ser limitadora uma perspectiva que não tome o diálogo e a interação como ponto de partida para a elaboração de uma exposição.
A proposta (In) Visibilidades dos povos indígenas em Porto Alegre: intervenções na exposição “Transformações Urbanas” contou com acervo diversificado e buscou explorar temas como territorialidade e estereótipos associados aos indígenas, além de enfatizar as especificidades dos Mbyá-Guarani, Kaingangues e Charruas e sua relação com a cidade de Porto Alegre ontem e hoje. Foram expostos fragmentos de materiais cerâmicos produzidos pelos primeiros habitantes da região hoje correspondente a Porto Alegre e encontrados em áreas centrais da cidade por meio da realização de escavações arqueológicas. Nesse mesmo sentido, com o objetivo de pontuar a presença dos povos indígenas ao longo do tempo no atual território urbano, foi disponibilizado um mapa com a indicação de locais onde foram encontrados vestígios arqueológicos relativos aos diferentes grupos indígenas que habitaram a região antes dos colonizadores e aldeias contemporâneas, dado importante para pensar na presença indígena na cidade hoje. O empréstimo de relatórios da Secretaria de Terras e Colonização, preservados na Secretaria de Portos e Hidrovias (SPH), viabilizou a inserção de informações sobre o processo de aldeamento e de expropriação de terras empreendido no século XIX. Além disto, um dossiê e diversas notícias sobre a questão indígena no passado e no presente foram disponibilizadas para livre consulta dos visitantes. O acervo de esculturas em madeira e cipó pertencentes à SAPIDE e produzidas por guaranis e kaingangues também integraram a intervenção.
Figura 3: Detalhe da exposição (In) Visibilidades dos povos indígenas em Porto Alegre: intervenções na exposição “Transformações Urbanas”. Foto: Guilherme Lund.
Acervo do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo/ SMC/ PMPA.
A segunda “provocação” adveio das mediações e relacionou-se às observações acertadas acerca da ausência da população negra na narrativa sobre a história de Porto Alegre nas exposições. Partindo desse silêncio, a proposta do Museu para a comemoração do aniversário de 243 anos da cidade efetivou-se por meio de uma parceria com o grupo percussivo Alabê Ôni3 com vistas à exploração da temática afro-sul-riograndense, contando com shows, oficinas
e a exposição Tambores de Porto Alegre, elaborada por meio de curadoria compartilhada entre o Museu e os tamboreiros do grupo. Por meio da exposição, os visitantes tiveram acesso a diferentes objetos e instrumentos, como o tambor de Sopapo, além do acervo da família de Walter Calixto Ferreira, mais conhecido como Mestre Borel. Um dos principais tamboreiros de Porto Alegre, griô e pai de santo que circulou pelos territórios negros da cidade, Mestre Borel deixou um legado de fundamental importância para a história do povo negro da capital do Estado.4 O acervo de Borel foi importante mobilizador para questões relevantes acerca da
identidade sul-riograndense, pensada para além da imagem do gaúcho e dos imigrantes europeus tradicionalmente exaltados por grande parte das narrativas oficiais. Além disso, sua vinculação à Ilhota, território negro tradicional de Porto Alegre, e ao bairro hoje denominado Restinga (local para onde foram enviadas as famílias removidas da Ilhota) permitiu problematizar os projetos urbanos realizados para a cidade ao longo do tempo e os diferentes interesses a eles associados. Dessa maneira, também foi possível ampliar os limites da cidade representada nas exposições do Museu, centrada, eminentemente, no perímetro correspondente ao Centro Histórico. A necessidade de ampliação desse recorte de cidade já havia sido identificada na intervenção relativa aos povos indígenas, quando ficou claro que a grande maioria dos bairros de Porto Alegre não está referida no discurso expositivo do Museu.
Além de Borel, também estiveram presentes na mostra figuras como Mestre Batista, luthier construtor de tambores Sopapos, e Mãe Rita, responsável, ao que tudo indica, pelo primeiro terreiro de batuque estabelecido em Porto Alegre ainda no século XIX. A partir do aniversário da cidade, o espaço do Museu foi tomado pelo som dos tambores que continuaram ressoando em outras tantas atividades que se seguiram a essa celebração.
Figura 4: Detalhe da exposição Tambores de Porto Alegre. Foto: Náthaly Weber. Acervo do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo/ SMC/ PMPA.
4 Registro especial agradecimento a seu filho Walter Mello Ferreira (Pingo Borel), detentor da maior parte do
A terceira exposição foi motivada pela reação a uma publicação do Museu de Porto Alegre em rede social em favor da diversidade e contra qualquer tipo de violência contra a população LGBTT5. A repercussão foi imensa e indicou a necessidade urgente de discutir
esse tema no espaço do museu. Após um levantamento, cujo resultado indicou a produção ainda incipiente sobre a relação entre museus, patrimônio cultural e população LGBTT, foi estabelecido contato com o “Nuances Grupo pela Livre Expressão Sexual”, grupo que se dedica, desde a década de 1990, à militância e à reflexão sobre a pauta LGBTT em Porto Alegre. Logo em seguida outros grupos integraram- se ao processo criativo, como a Liga Brasileira de Lésbicas do Rio Grande do Sul (LBL RS) e a Igualdade Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, além do Memorial do Tribunal Federal do Rio Grande do Sul, do Curso de Graduação em Museologia, do Laboratório de Políticas Públicas Ações Coletivas e Saúde (LAPPACS) e do Programa de Pós -Graduação em História (PPGHIST), sendo os três últimos vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Assim surgiu o projeto Uma Cidade pelas Margens, voltado à história e memória da comunidade LGBTT em Porto Alegre. O trabalho foi o resultado de uma ação colaborativa realizada entre diferentes instituições e grupos e teve como principal objetivo levar a pauta das diversidades de identidades, expressões de gênero e orientações sexuais para o Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo. A mostra explorou a trajetória de pessoas e organizações que protagonizaram a luta pela visibilidade e pelo direito à diversidade em Porto Alegre e foi dedicada à militante Marcelly Malta como reconhecimento a sua luta em prol dos direitos humanos da população LGBTT do RS.
História e memória da população LGBTT ainda são severamente negligenciadas pelos museus, a despeito dos movimentos sociais engajados na luta pela visibilidade LGBTT. No que se refere ao acervo, a lacuna encontrada nas instituições museais é radicalmente oposta ao numeroso acervo sob guarda de particulares, especialmente no caso de fotografias. Ao contrário do que o senso comum poderia inferir, o acervo LGBTT existe, é rico e diversificado. Integraram a exposição fotos, roupas, jornais, convites, cartazes e folders de festas, atos políticos e campanhas, entre outros. A rede de relações e indicações surgidas ao longo das reuniões semanais permitiu acessar protagonistas LGBTTs, pessoas com experiências e trajetórias fundamentais para o projeto.
Figura 5: Vista parcial da exposição Uma Cidade pelas Margens. Foto: Guilherme Lund. Acervo do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo/ SMC/ PMPA.
Além da exposição, foi realizada uma programação paralela que contou com duas mesas-redondas. A primeira foi dedicada às “Trajetórias, histórias e memórias da comunidade LGBTT, com Liane Müller e Íris Germano e a segunda ao tema “Direito à saúdes e caminhos jurídicos para a população LGBTT”, com Henrique Nardi e Paulo Leivas. Um piquenique cultural temático encerrou as atividades e contou com apresentação de diferentes artistas. Mas detalhes sobre o processo de trabalho e resultados pode ser conhecido por meio do artigo intitulado “Sabia que Estaria Aqui”: Relatos sobre os Processos Criativos do Projeto “Uma Cidade pelas Margens”, publicado em 2017. Permito-me citar parte da conclusão do artigo:
Há história, há memória, há acervo e, principalmente, há demanda pela presença LGBTT em museus, memoriais, arquivos e bibliotecas. Mas não basta falar sobre, é necessário partilhar a fala com os protagonistas dessa e de outras experiências. Um Museu, sozinho, não faz exposição. É necessário e urgente que instituições responsáveis pela guarda, pesquisa e exposição de acervo ampliem seus horizontes e chamem ao diálogo movimentos, militantes e organizações que representem diferentes identidades. (BARNART; BAUER, 2017, p. 463)
Entre 2015 e 2016 havia o desejo de dar início à elaboração de uma nova exposição de longa duração para o Museu de Porto Alegre e as experiências acima descritas foram chave para que a equipe iniciasse uma reflexão profunda sobre como poderia (e deveria) ser esse processo. Mais que isso, certezas deram lugar a muitos questionamentos: sobre qual cidade e sobre qual história é possível falar? Ou, indagando de outra forma: há apenas uma história de Porto Alegre? Permanece o desafio...
Referências
BARNART, Fabiano; BAUER, Leticia. “Sabia que estaria aqui”: relatos sobre os processos criativos do projeto “Uma Cidade pelas Margens”. Revista Latino-americana de Geografia e Gênero, Ponta Grossa, v. 8, n. 1, p. 438 - 467, jan. / jul. 2017. Disponível em: <http://www. revistas2.uepg.br/index.php/rlagg/article/view/10367/pdf16>. Acesso: 14 nov. 2017.
PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE/ SECRETARIA MUNICIPAL DA CULTURA. Regimento interno do Museu de Porto Alegre Joaquim José Felizardo. Diário Oficial do Município de Porto Alegre. Disponível em: <http://dopaonlineupload.procempa. com.br/dopaonlineupload/364_ce_27228_3.pdf>. Acesso: 14 nov. 2017.
A Semana Nacional dos Museus chegou a sua 15ª edição como uma iniciativa consagrada que reuniu milhares de instituições em todos os estados do nosso país.
Para Marcelo Araújo, Presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), é um momento privilegiado de divulgação, reflexão e visibilidade para os museus brasileiros”, “contribuindo para o reconhecimento pela sociedade brasileira da importância e do papel dos museus na contemporaneidade” (IBRAM, 2017).
A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPel, através da Coordenadoria de Patrimônio Cultural e Comunidade, não poderia deixar de participar desta 15a Semana Nacional dos Museus, com o tema “Museus e histórias controversas dizer o invisível em museus”.
A programação da Semana dos Museus da UFPel da Universidade aconteceu entre os dias 17 e 21 de maio de 2017, de quarta a domingo, com conferências, comunicações de trabalhos, exposições e visitas guiadas, sendo esta a primeira ação conjunta dos Museus e Projetos Museológicos que fazem parte da Rede de Museus da UFPel.