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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-EMPÍRICA

2.1 A Teoria das Capacidades Dinâmicas: Origens e Pressupostos

2.1.2 Níveis e hierarquia das capacidades dinâmicas

Alguns autores sugerem a estruturação, ou divisão hierárquica das capacidades, utilizando diferentes critérios e dimensões. Para Teece (2012), por exemplo, as capacidades dinâmicas são competências de nível superior que determinam a capacidade de integrar, construir e reconfigurar recursos, competências internas e externas para atender às demandas de ambientes de negócios em rápida mutação.

Segundo Andreeva e Chaika (2006), a essência das capacidades dinâmicas está em promover a renovação das competências existentes, tendo em conta a existência de três níveis de capacidades: i) funcional, ii) chave e iii) dinâmicas, conforme mostra a Figura 4:

Figura 4 – Hierarquia das Capacidades

O nível funcional é constituído pelos principais processos do negócio, operações de entrega ou ainda funções de controle. O nível de capacidade chave está voltado para a melhoria contínua de processos, inovação de produto, flexibilidade de fabricação, resposta a tendências de mercado e ciclos de desenvolvimento. Já no terceiro nível está a capacidade de elaboração de estratégias, de criatividade e de reconhecimento dos diferentes recursos.

Já para Ambrosini e Bowman (2009), as capacidades dinâmicas podem ser divididas de outra forma, também em três níveis, chamadas de capacidades i) incrementais ou elementares, que se relacionam a melhoria contínua da base de recursos da empresa; ii) as capacidades de renovação que atuam na renovação, adaptação e ampliação da base de recursos; e iii) as capacidades regenerativas que atuam exclusivamente sobre outras capacidades dinâmicas promovendo sua adaptação, melhoria ou substituição.

Wang e Ahmed, (2007), adotam a classificação de quatro níveis relacionados com as Capacidades Dinâmicas, sendo eles:

a) Nível Zero - que se relaciona aos recursos diversos disponíveis, tanto tangíveis quanto intangíveis, tais como tecnologias, marcas, localização, dentre outros. Esses recursos podem possuir atributos VRIO de heterogeneidade, imobilidade, raridade, imitabilidade perfeita e substitutibilidade (BARNEY, 1991), estes recursos podem eventualmente produzir vantagem competitiva;

b) Nível de Primeira Ordem – caracteriza-se pela capacidade de uso da organização em aproveitar a plenitude dos recursos do Nível Zero e aplicabilidade, podendo se configurar em vantagem competitiva;

c) Nível de Segunda Ordem - também chamadas de capacidades de segunda ordem ou essenciais, são o conjunto de capacidades que se configuram em um feixe de forma inter-relacionadas, muitas vezes, capazes de produzir uma vantagem competitiva. d) Nível de Capacidades Dinâmicas – composto pelo grupo de capacidades que de forma

dinâmica influenciam os outros três níveis, com uma orientação estratégica e atuando em resposta aos fatores internos e externos. Elas são definidas como as capacidades de Adaptação, Absorção e Inovativa. Tais capacidades dinâmicas atuam na renovação, reconfiguração, aquisição e integração do conjunto de recursos, capacidades de uso e conjuntos de capacidades de segunda ordem da organização. Elas influenciam, inclusive, sua própria configuração enquanto capacidades dinâmicas. A Figura 5 apresenta os níveis das capacidades dinâmicas:

Figura 5: Os níveis de atuação das Capacidades Dinâmicas

Fonte: Adaptado de Wang e Ahmed (2007, p. 39).

No Nível das Capacidades Dinâmicas, Wang e Ahmed (2007) tipificam a capacidade de

Adaptação, como sendo aquela que trata da habilidade de adaptação para responder às

oportunidades externas, vinculada à competência de monitoramento do mercado e da velocidade de resposta às mudanças. De acordo com Muniz, Freitas e Lesca (2007), para viabilizar a geração de resultados em ambientes em constante mudança, as organizações devem estar preparadas de forma antecipada e organizada, para tanto torna-se necessário conhecer o ambiente e lidar com seu nível de incerteza, devem ainda estar atentas às mudanças em curso e serem capazes de responder de forma proativa. A qualidade das decisões adotadas vai estar relacionada às informações sobre o contexto e o nível de preparação e urgência na tomada de decisão.

A capacidade de Absorção está calcada na capacidade de reconhecer o valor de novas

informações e utilizá-las na organização que se baseia nas competências de aprendizagem organizacional e internalização do conhecimento (WANG; AHMED, 2007). Segundo Cohen e Levinthal (1990), a base para processos de inovação é a capacidade de absorção de uma organização que é influenciada pelo grau de conhecimento dessa organização, pelo esforço empreendido na busca de conteúdos e fontes de informação, o conjunto de investimentos realizados e a atuação dos indivíduos que a compõem. A capacidade de absorção contribui para o conhecimento geral, para a capacidade de resolução de problemas e aprendizado, sendo

moderada pela comunicação, que detém papel primordial nesse processo. Ainda, para Moré, Vargas e Gonçalo (2014), em uma abordagem de interface dos ambientes interno e externo, a capacidade absortiva é tida como constituída pelos conhecimentos advindos dos processos que envolvem exploração, retenção e explotação, e pelas capacidades distintas, inventiva, absortiva, transformativa, conectiva, inovativa e disruptiva. Nesse sentido, a capacidade absortiva sofre influência da capacidade de aprendizagem organizacional e da aprendizagem dos seus indivíduos, da forma que serão orientadas e exploradas na busca de eficiência e eficácia organizacional. Tais atributos refletem na capacidade de reconfiguração da organização e na criação de novas oportunidades de mercado.

A capacidade Inovativa baseia-se nos comportamentos e processos inovadores e de que

uma orientação estratégica ajuda a desenvolver novos produtos e serviços ou permite a exploração de novos mercados (WANG; AHMED, 2007). Segundo Burlamaqui e Proença (2003), se de um lado o processo de inovação contribui para as constantes mudanças nos fundamentos do mercado, como reconfiguração, renovação ou extinção de segmentos, de outro a implantação de processos inovativos não é uma operação trivial, visto que, sua implantação exige processos e a existência de recursos de financiamento. Além de se deparar com dois tipos de barreiras, as advindas do desconhecimento do futuro, não sendo possível mensurar o impacto, sucesso ou fracasso de uma determinada inovação e a influência do passado nas decisões e avaliações da organização. As suas rotinas preexistentes, o capital fixo e os ativos são influenciados e ameaçados pelo processo inovativo. A geração de vantagem competitiva baseada em inovação e tecnologia será sustentável na proporção de sua dificuldade de ser replicada pela organização e/ou concorrentes, ou ainda quanto mais dificil for identificar os elementos de sustentação da vantagem competitiva, mais dificil sua replicação e maior sua capacidade de sustentar uma vantagem competitiva de forma permanente. Para as vantagens oriundas de recursos tecnológicos há barreiras de proteção intelectual, patentes e processos sob sigilo, ou seja, contam com um conjunto de barreiras legais à imitação (TEECE; PISANO, 1994).