5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
5.4 Nível de conhecimento e participação da população
A Tabela 5.3 indica o nível de conhecimento da população sobre o programa de coleta seletiva do Núcleo 1 e a parcela da comunidade que faz a pré-coleta seletiva.
Pode-se verificar, na figura supracitada, que 70,16 % da comunidade sabem sobre o programa de coleta seletiva, 19,37 % não sabem e 10,48 % não souberam informar. Verifica-se também que apenas 54,29 % dos que disseram conhecer o programa fazem a pré-coleta, 15,56 % não a fazem e 0,32 % faz às vezes.
A Tabela 5.3 mostra, ainda, que 61,27 % dos entrevistados fazem a pré-coleta seletiva, não fazem a pré-coleta 38,10 % e 0,63 % fazem às vezes ou não soube dizer se é feita.
Tabela 5.3 – Coleta seletiva x faz pré-coleta seletiva, João Pessoa, 2004.
Faz pré-coleta seletiva (%) Tem conhecimento sobre a coleta
seletiva na sua rua?
Sim Não Outro* TOTAL
Sim 54,29 15,56 0,32 70,16
Não sabem 5,08 14,29 0 19,37
Não souberam informar 1,90 8,25 0,32 10,48
TOTAL 61,27 38,1 0,63
A Tabela 5.4 apresenta o grau de escolaridade da população estudada e a parcela da comunidade que faz a pré-coleta seletiva. Observa-se nesta tabela que 31,43 % dos entrevistados que fazem a pré-coleta têm curso superior, 15,24 % têm curso médio completo, 4,44 % têm curso superior incompleto, 4,13 % têm curso fundamental incompleto, 3,49 % têm curso médio incompleto e 2,54 % têm curso fundamental completo.
Pode-se observar que o percentual dos entrevistados com curso médio completo, superior incompleto e superior completo somam 51,11%, correspondendo a 83 % do total (61,27 %) que faz a pré-coleta. No entanto verifica-se que este percentual de 51,11 % pode mudar, pois de acordo com a Figura 5.2, os percentuais da população estudada com os cursos citados anteriormente correspondem a 84,12 %.
Tabela 5.4 – Escolaridade x faz pré-coleta seletiva, João Pessoa, 2004. Faz pré-coleta (%) Escolaridade
Sim Não Outro TOTAL
Sem instrução 0 0 0 0 Fundamental incompleto 4,13 2,54 0 6,67 Fundamental completo 2,54 1,27 0 3,81 Médio incompleto 3,49 1,90 0 5,40 Médio completo 15,24 7,30 0 22,54 Superior incompleto 4,44 7,30 0,32 12,06 Superior completo 31,43 17,78 0,32 49,52 TOTAL 61,27 38,10 0,63
Os gráficos da Figura 5.6 mostram os valores relativos entre o grau de escolaridade de quem faz e não faz a pré-coleta seletiva, onde se pode observar que a parcela que faz pré-coleta corresponde a aproximadamente 2/3 em todos os níveis de escolaridade, com exceção do superior incompleto, demonstrando que a adesão à pré-coleta não depende do grau de escolaridade da população.
Fundamental incompleto 61,92% 38,08% Fundamental completo 66,67% 33,33% Médio incompleto 64,75% 35,25% Médio completo 67,61% 32,39% Superior incompleto 37,82% 62,18% Superior completo 63,87% 36,13%
Faz pré-coleta Não faz pré-coleta
Figura 5.6 – Percentuais relativos ao grau de escolaridade dos entrevistados e a pré-coleta, João Pessoa, 2004.
A Tabela 5.5 mostra a renda familiar dos entrevistados e a parcela da comunidade que faz a pré-coleta seletiva.
Pode-se verificar que entre os que fazem a pré-coleta seletiva, 22,86 % tem renda familiar entre 10 e 20 salários mínimos, 19,37 % tem renda entre 3 e 10 salários, 8,25 % recebem mais de 20 salários, 7,94 % não declararam renda e 2,86 % recebem até três salários.
Observa-se também que o percentual dos entrevistados com renda maior que 10 salários mínimos somam 31,11 %, correspondendo a 50,80 % do total (61,27 %) que faz a pré-coleta. No entanto verifica-se que este percentual de 31,11 % pode mudar, pois de acordo com a Figura 5.3, os percentuais da população estudada com a renda citada anteriormente correspondem a 52,06 %. Tabela 5.5– Faz pré-coleta seletiva x renda familiar em salários mínimos, João Pessoa, 2004.
Renda familiar em salários mínimos (%) Faz pré-coleta
Até 3 Entre 3 e 10 Entre 10 e 20 Mais de 20 Não declarou TOTAL
Sim 2,86 19,37 22,86 8,25 7,94 61,27
Não 0,95 12,70 15,24 5,40 3,81 38,10
Outro 0 0 0,32 0 0,32 0,63
TOTAL 3,81 32,06 38,41 13,65 12,07
Os gráficos da Figura 5.7 mostram os valores relativos entre a faixa de renda familiar de quem faz e não faz a pré-coleta seletiva, onde se observa que a parcela da comunidade que faz pré-coleta e que tem renda superior a 3 salários mínimos corresponde a aproximadamente 2/3 dos entrevistados. No entanto pode-se verificar que há uma maior adesão (3/4) na faixa de renda de até 3 salários mínimos, o que pressupõe uma tendência maior a pré-coleta pela população de menor poder aquisitivo.
Até 3 salários minimos
75,07% 24,93%
Entre 3 e 10 salários minimos
60,40% 39,60%
Entre 10 e 20 salários minimos
60,00% 40,00%
Mais de 20 salários minimos
60,44% 39,56%
Faz pré-coleta Não faz pré-coleta
Figura 5.7 - Percentuais relativos a renda familiar dos entrevistados e a pré-coleta, João Pessoa, 2004.
Perguntou-se aos entrevistados que sabiam do programa de coleta seletiva, se eles receberam orientação sobre a coleta seletiva, por exemplo : como separar os materiais, quais os materiais, dia e turno da coleta ,etc.
A Tabela 5.6 mostra os percentuais de entrevistados que têm conhecimento do programa de coleta seletiva e os que tiveram orientação para fazer a pré-coleta.
Pode-se verificar que dos 70,16 % que sabiam do programa de coleta seletiva implantada no Núcleo 1, 46,03 % disseram ter tido orientação para fazer a pré-coleta seletiva e 24,13 % disseram que não, que em valores relativos correspondem a 65,60 % e 34,40 %, respectivamente. Tabela 5.6 – Conhecimento do programa de coleta seletiva x orientação sobre como fazer a pré-coleta, João Pessoa, 2004.
Tiveram orientação para fazer a pré-coleta seletiva (%) Conhecimento do programa de
coleta seletiva Não respondeu Sim Não TOTAL
Sim 0 46,03 24,13 70,16
Não sabem 13,97 2,86 2,54 19,37
Não souberam informar 7,30 2,22 0,95 10,48
TOTAL 21,27 51,11 27,62
A Tabela 5.7 indica os entrevistados que fazem a pré-coleta e os que tiveram orientação para fazê-la. Onde se verifica que dos 61,27 % que fazem a pré-coleta seletiva, 43,49 % tiveram orientação para faze-la, 12,70 % não tiveram e 5,08 % não responderam.
Tabela 5.7 – Faz pré-coleta x tiveram orientação para fazer a pré-coleta, João Pessoa, 2004. Tiveram orientação para fazer a pré-coleta seletiva (%) Faz a pré-coleta
Não respondeu Sim Não TOTAL
Sim 5,08 43,49 12,70 61,27
Não 15,87 7,62 14,60 38,10
Outra resposta 0,32 0 0,32 0,32
TOTAL 21,27 51,11 27,62
Os gráficos da Figura 5.8 mostram os valores relativos (considerando-se as respostas sim e não) entre os entrevistados que fazem ou não fazem a pré-coleta seletiva e que tiveram ou não orientação para fazê-la.
Pode-se observar no 1º gráfico que, da parcela de 61,27 % da comunidade que faz pré- coleta seletiva, 77,40 % teve orientação para fazê-la, e 22,60 % não teve a mesma orientação. Já o 2º gráfico indica que 34,29 % dos entrevistados que tiveram orientação para fazê-la não a fazem.
Esses resultados demonstram que a maior parte dos entrevistados que fazem a pré-coleta seletiva tiveram orientação para fazê-la. No entanto, ainda existe um percentual bastante significativo da população que deve e pode ser incentivada a aderir ao programa de coleta seletiva.
Fazem a pré-coleta
77,40% 22,60%
Não fazem a pré-coleta
34,29%
65,71%
Tiveram orientação para fazer a Não tiveram orientação para fazer pré-coleta a pré-coleta
Figura 5.8 - Percentuais relativos aos que fazem ou não a pré-coleta e que tiveram orientação para fazê-la, João Pessoa, 2004.
Perguntou-se aos entrevistados de que modo foram passadas as orientações sobre a coleta seletiva do Núcleo 1. A Figura 5.9 mostra as formas de orientação mais citadas.
Pode-se observar na Figura 5.9 que a forma de orientação mais citada foi à entrega de panfletos com 36,51 %, distribuída pela EMLUR onde são indicados os dias e turnos da coleta por bairro e os tipos de materiais para reciclagem por tipologia: papel/papelão, metais, plásticos e vidros. A segunda forma foi televisão e rádio com 6,67 %, visita domiciliar com 4,4 %, palestras com 3,81 %, cursos com 1,59 % e um percentual de 5,71 % recebeu informações através dos filhos, pelo condomínio, aprendeu sozinho ou que não sabem.
0,00% 0,00% 47,94% 4,44% 5,71% 3,81% 6,67% 1,59% 36,51% Não responderam Curso Televisão/Rádio Palestras Teatro Jornal/Panfletos Carro de som Outro Visita domiciliar
Figura 5.9 – Formas de orientação sobre a coleta seletiva, João Pessoa, 2004.
A divulgação de programas de coleta seletiva é importante para conscientização da população sobre o tema, no entanto ela não deve se limitar apenas à entrega de panfletos e campanhas esparsas em outros meios de comunicação, visto que campanhas não mudam os comportamentos de forma duradoura, porém elas servem como estímulo inicial para que haja uma mudança de atitude.
Dessa forma, as experiências que são centradas nas mudanças de valores, percepções e sentimentos mostram que, quando o estímulo é incorporado, as pessoas compram a idéia,
mudando comportamentos de forma permanente e assumindo sua responsabilidade na melhoria da qualidade do ambiente.
A Figura 5.10 mostra o conhecimento dos entrevistados em relação ao destino dado aos resíduos sólidos urbanos pela prefeitura.
Pode-se verificar na Figura 5.10 que 63,17 % dos entrevistados conhecem o destino dado ao lixo recolhido pela prefeitura, onde 55,87 % disseram que este ia para a coleta seletiva e aterro sanitário (ativado a partir de agosto de 2003), 0,32 % para compostagem, 3,17 % para incineração e 3,81 % que vai para o lixão. Os que responderam que não sabem onde os resíduos são dispostos correspondem a 36,83 % da população entrevistada.
55,87% 0,32% 3,17% 3,81% 36,83% Coleta seletiva e aterro Compostagem Incineração Lixão Não sabem
Figura 5.10 – Destino dado aos resíduos sólidos segundo os entrevistados, João Pessoa, 2004.
Estes dados mostram que apesar de um pouco mais da metade da população informar que os resíduos sólidos são encaminhados para a coleta seletiva e aterro sanitário, ainda existe uma parcela da população (38,83 %) que não sabe o destino dado aos resíduos sólidos de João Pessoa. O que demonstra a necessidade de um maior esclarecimento e divulgação sobre a gestão dos resíduos sólidos do município.
Foi perguntado aos entrevistados se eles sabiam como reaproveitar os resíduos sólidos, o que é mostrado na Tabela 5.8 e, além disso, foi feita uma relação entre quem faz a pré-coleta seletiva e quem sabe como reaproveitar os resíduos sólidos.
Verifica-se na Tabela 5.8 que 81,27 % sabem como reaproveitar os resíduos, principalmente pela reciclagem, porém apenas 50,48 % fazem a pré-coleta e 30,16 % não fazem. Foi comentado por alguns dos entrevistados que a coleta desses materiais gera emprego e renda, melhorando as condições de vida dos catadores, além de diminuir a degradação do meio ambiente.
Tabela 5.8 – Pré-coleta x reaproveitamento dos resíduos, João Pessoa, 2004.
Sabe como reaproveitar os resíduos
Faz pré-coleta seletiva Sim Não Outro TOTAL
Sim 50,48 8,57 2,22 61,27
Não 30,16 6,67 1,27 38,1
Outro 0,63 0 0 0,63
TOTAL 81,27 15,24 3,49
Os gráficos da Figura 5.11 mostram os valores relativos (considerando-se as respostas sim e não) entre os entrevistados que fazem ou não fazem a pré-coleta seletiva e que sabem ou não como reaproveitar os resíduos.
Pode-se observar no 1º gráfico que 62,60 % dos entrevistados que sabem como reaproveitar os resíduos faz a pré-coleta seletiva e 37,40 % não a faz. O 2º gráfico mostra que 56,23 % dos entrevistados que não sabem como reaproveitar os resíduos faz a pré-coleta e 43,77 % não faz.
Esses resultados demonstram que a maior parte dos entrevistados afirmou que sabe como reaproveitar os resíduos, principalmente através da reciclagem, no entanto apenas 2/3 fazem a pré-coleta seletiva, o que ressalta a necessidade de mais campanhas educativas, por parte da prefeitura, sobre os benefícios ambientais que a coleta seletiva pode proporcionar à comunidade, de modo a incentivar a adesão da população.
Sabem como reaproveitar os resíduos
62,60% 37,40%
Não sabem como reaproveitar os residuos
56,23% 43,77%
Fazem a pré-coleta seletiva Não fazem a pré-coleta seletiva
Figura 5.11 - Percentuais relativos aos que fazem ou não a pré-coleta e que tiveram orientação para fazê-la, João Pessoa, 2004.
A Tabela 5.9 mostra os tipos de resíduos mais reutilizados pelos entrevistados.
De acordo com a Tabela 5.9 o material mais reutilizado é a sacola plástica com 96,83 %, principalmente no acondicionamento dos resíduos, os potes plásticos, com 63,81 % são utilizados para armazenamento e congelamento de alimentos, os vidros de conserva (58,10 %) e latas (10,79%) na sua maioria são doados a grupos voluntários que fornecem alimentos aos necessitados. Quanto ao jornal, papel e papelão (29,21 %) são usadas para limpeza de janelas e coleta de fezes de cães e gatos, as garrafas descartáveis (18,41 %) são doadas para fábricas de produtos de limpeza e 4,13 % reutilizam restos de comida para fazer composto orgânico.
Tabela 5.9 – Tipos de resíduos mais reutilizados, João Pessoa, 2004.
Materiais %*
Sacola plástica 96,83
Potes plásticos 63,81
Vidros de conserva 58,10
Jornal/ papel/ papelão 29,21
Garrafa descartável 18,41
Latas 10,79
Resto de comida para adubação 4,13
Não responderam 1,90
A Figura 5.12 mostra a opinião dos entrevistados sobre a coleta seletiva, considerando-a benéfica, maléfica ou indiferente.
De acordo com a Figura 5.12, 94,92 % dos entrevistados consideram a coleta seletiva benéfica e apenas 5,08 % são indiferentes. Entretanto, nenhum dos entrevistados considerou a coleta seletiva maléfica.
94,92% 0,00% 5,08% Benéfica Maléfica Indiferente
Figura 5.12 – A coleta seletiva é benéfica, maléfica ou indiferente, João Pessoa, 2004.
A Tabela 5.10 mostra a relação entre a opinião dos entrevistados sobre a coleta seletiva (benéfica, maléfica ou indiferente) e os que fazem a pré-coleta. Através desta Tabela pode-se observar que 60 %, dos 94,92 % entrevistados que consideram a coleta seletiva benéfica, fazem a pré-coleta seletiva e 34,29 % não fazem. É provável que esse percentual de 34,29 % dos que não fazem a separação, mas que a consideram benéfica, poderá ser revertido mediante incentivos, através de novas campanhas educativas sobre a coleta seletiva pela prefeitura, já que de acordo com o ex-diretor operacional da EMLUR José Dantas de Lima, em 2004 não houve divulgação do programa no Núcleo 1.
Tabela 5.10 – Pré-coleta x coleta seletiva, João Pessoa, 2004.
Coleta seletiva (%) Pré-coleta
Benéfica Maléfica Indiferente Total
Sim 60 0 1,27 61,27
Não 34,29 0 3,81 38,10
Outra opção 0,63 0 0 0,63
TOTAL 94,92 0 5,08 100
A Tabela 5.11 mostra a relação entre a escolaridade e a opinião dos entrevistados sobre a coleta seletiva.
Através da Tabela 5.11 pode-se observar que dos 94,92 % que consideram a coleta seletiva benéfica, 47,62 % tem curso superior completo, 11,75 % tem curso superior incompleto, 20,95 % tem nível médio completo, 5,40 % tem nível médio incompleto, 3,49 % tem fundamental completo e 5,71 % tem fundamental incompleto.
Tabela 5.11 – Escolaridade x coleta seletiva é benéfica, maléfica ou indiferente, João Pessoa, 2004. A coleta seletiva é :
Escolaridade
Benéfica Maléfica Indiferente TOTAL
Sem instrução 0 0 0 0 Fundamental incompleto 5,71 0 0,95 6,67 Fundamental completo 3,49 0 0,32 3,81 Médio incompleto 5,40 0 0 5,40 Médio completo 20,95 0 1,59 22,54 Superior incompleto 11,75 0 0,32 12,06 Superior completo 47,62 0 1,90 49,52 TOTAL 94,92 0 5,08
A Tabela 5.12 identifica o percentual dos entrevistados que fazem a pré-coleta e em quantas partes é feita a separação dos materiais. De acordo com esta tabela, 42,86 % dos entrevistados separam os resíduos em fração seca e fração úmida, 3,49 % em duas frações secas, 5,08 % em três frações secas e 9,84 % em quatro frações secas.
Pode-se verificar na tabela supracitada que a maioria dos entrevistados separa os resíduos em duas frações, a fração úmida e a fração seca, ou seja, uma fração com todos os tipos de materiais recicláveis juntos em uma sacola.
Observa-se também que há uma inversão dos percentuais de separação das frações recicláveis, ou seja, ao invés de partir da menor para a maior separação, os valores decrescem da separação em quatro frações para duas frações recicláveis. Sendo assim evidencia-se que a maioria das pessoas que estão dispostas a fazer a pré-coleta em várias frações, a faz em uma maior separação dos materiais recicláveis. Dessa forma elas estarão contribuindo com um material reciclável mais limpo e que poderá agregar um maior valor comercial.
Tabela 5.12 – Pré-coleta x separação dos resíduos em até 4 frações secas, João Pessoa, 2004. Separação em até 4 frações secas (%)
Pré-coleta
Seco e úmido 2 secos 3 secos 4 secos Não fazem Total
Sim 42,86 3,49 5,08 9,84 0 61,27
Não 0 0 0 0 38,10 38,10
Outro 0.32 0 0 0 0,32 0,63
Total 43,17 3,49 5,08 9,84 38,41 100
Para os que não realizam a pré-coleta seletiva (38,73 %) foi perguntado qual a dificuldade em fazê-la, estando na Tabela 5.13 elencados as principais dificuldades citadas pelos entrevistados.
De acordo com a Tabela 5.13 pode-se observar que 12,06 % dos entrevistados citaram a falta de incentivo como principal dificuldade para separação dos resíduos, 11,43 % citaram a falta de tempo, 8,25 % citaram a falta de treinamento, 4,76 % trabalham fora, 3,50 % informaram que a coleta seletiva não passa na rua em que moram, 3,17 % informaram que no condomínio não tem coleta seletiva, 2,86 % disseram não ter interesse em fazê-la, 1,27 % consideram a coleta muito trabalhosa. No item outras respostas (2,54 %), foram indicadas que a falta de informações sobre o
programa de coleta seletiva e a falta de estrutura apropriada, principalmente nos condomínios, dificulta a adesão ao programa.
Esses resultados demonstram que a Prefeitura deve promover mais campanhas de divulgação, buscando incentivar e conscientizar a comunidade sobre a coleta seletiva, bem como melhorar a estrutura do sistema, de modo que possa tornar a coleta seletiva mais eficiente e atrair mais moradores ao programa.
Vale salientar que alguns moradores solicitaram informalmente mais campanhas de incentivo a coleta seletiva. Outros pesquisadores como SOUZA (2001) e NÖBREGA (2003) em suas pesquisas também obtiveram esta mesma solicitação.
Tabela 5.13 – Dificuldades em fazer a pré-coleta seletiva, João Pessoa, 2004. Dificuldades em fazer a pré-coleta seletiva %
Falta incentivo 12,06
Não tem tempo 11,43
Falta treinamento 8,25
Trabalha fora 4,76
A coleta seletiva não passa na rua 3,50 O condomínio não tem coleta seletiva 3,17
Não me interessa 2,86
Outras respostas 2,54
Muito trabalhoso 1,27
Não recompensa financeiramente 0
* a questão é de respostas múltiplas.
Foi perguntado aos entrevistados, tanto aos que fazem a pré-coleta seletiva e aos que não a fazem, se através de um incentivo proposto eles fariam a pré-coleta em quatro frações, pois uma maior divisão dos resíduos para os agentes ambientais, entre outras vantagens, minimizaria o tempo de separação na central de triagem e viabilizaria uma maior coleta, gerando mais material para venda.
A Tabela 5.14 indica os incentivos escolhidos pela comunidade do Núcleo 1 para aderir a pré-coleta em quatro frações.
Pode-se observar que a opção que se refere aos recipientes adequados para cada tipo de resíduo situado próximo à residência dos entrevistados foi a mais solicitada (55,87 %). Isso se deve, provavelmente à falta de espaço físico nas residências para acondicionamento destes materiais.
A segunda opção com 40,32 % se refere a recepção de embalagens específicas para materiais recicláveis, de forma subsidiada pela prefeitura, que facilitaria a separação dos resíduos por tipo. Em relação à entrega de embalagens específicas para cada tipo de material, a EMLUR comunicou, através do ex-diretor operacional José Dantas de Lima, que essa proposta deverá ser implantada na próxima gestão, já que está definida no Plano de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos –PGIRS do município.
A ultima opção, com 26,35 %, diz respeito à minimização da Taxa de Coleta de Resíduos (T.C.R.) cobrada pela Prefeitura. De acordo com a EMLUR, já é dado um desconto de 5 %, no valor pago na T.C.R., na área abrangida pelo programa. No entanto, durante a pesquisa verificou- se que nenhum dos entrevistados demonstrou ter conhecimento deste desconto.
Entre os entrevistados 21,90 % disseram não precisar de incentivo para fazer a separação em quatro frações e um percentual mínimo não faria de forma alguma.
Tabela 5.14 – Incentivo para aderir a pré-coleta em 4 frações, João Pessoa, 2004. Incentivo para aderir a pré-coleta em quatro frações %* Recipientes adequados para cada tipo de resíduo próximo a residência 55,87 Recepção de embalagens específicas para cada tipo de material 40,32 Minimização da taxa de coleta de resíduos 26,35
Não precisam de incentivo 21,90
Perguntou-se aos entrevistados que optaram pela minimização da taxa de coleta de resíduos como incentivo para adesão a pré-coleta em quatro frações, qual o percentual a ser minimizado na T.C.R., o que pode ser observado na Tabela 5.15.
A Tabela 5.15 mostra os percentuais escolhidos pelos entrevistados a ser minimizado na taxa de coleta. Pode-se observar que 10,16 % indicaram que o valor a ser minimizado na taxa deve ser de 50 %, 5,71 % o valor de 20 %, 3,17% o valor de 10 %, 2,54% o valor de 5 %, 4,13 % não estipulou um valor, 0,63 % o valor de 100 %, 0,32 % o valor de 75 %, 0,32 % o valor de 25% e 0,32 % um valor justo para o contribuinte e para a Prefeitura.
Tabela 5.15– Percentual a ser minimizada na taxa de coleta de resíduos, João Pessoa, 2004. Percentual a ser minimizado na T.C.R. %
Não optaram por esse incentivo 74,29
50 % 10,16
20 % 5,71
10 % 3,17
5 % 2,54
Não informou um valor 2,54
100 % 0,63
75 % 0,32
25 % 0,32
Um valor justo para o contribuinte 0,32