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P ARTE II – M ETODOLOGIA

5.2. N ATUREZA DO E STUDO

Há uma necessidade de focalizar a investigação no COMO? (Moreira, 2007)

Considerando a nossa proposta inicial de estudar a realidade onde se insere a nossa actividade profissional, optámos por projectar uma investigação de tipo qualitativo. Creswell (2003) refere que as metodologias qualitativas permanecem nas trevas quando comparadas com as metodologias quantitativas. Apesar de se regerem por processos semelhantes, as metodologias qualitativas assentam em dados que resultam de diferentes formas de questionamento. A vantagem da adopção de metodologias de tipo qualitativo é que a investigação está sempre aberta (Bodgan e Bilken, 1999).

Face ao exposto e atendendo a haver ainda poucos estudos similares, optou-se por implementar uma metodologia de investigação predominantemente qualitativo, exploratório, tipo estudo de caso.

O estudo de caso é uma das formas de fazer investigação social. Em termos genéricos, é o tipo de metodologia adoptada quando as questões de investigação são “como?” e “porquê?”. (…) Os estudos de caso permitem ao investigador percepcionar as características significativas e holísticas de fenómenos da vida real. (Yin, 2003)

O estudo de caso enquadra-se numa metodologia de investigação qualitativa e procura estudar um determinado caso específico. Nesta investigação, o caso em estudo foi o processo de operacionalização das orientações curriculares para a disciplina de TIC, numa turma do 9º ano. Sendo docente da turma em questão, como preconizado por Bodgan e Bilken (1999), enquanto investigadora mantivemos uma relação próxima com os intervenientes e com os fenómenos em estudo e considerámos as nossas experiências pessoais como importantes para os compreender. Acresce ainda que pretendíamos focalizar-nos no processo mais do que nos resultados.

Os factores associados à selecção do caso em estudo, em conformidade com os referenciais teóricos de uma metodologia deste tipo, foram a relação próxima da investigadora com o problema de investigação e com o contexto onde se realizou a pesquisa, bem como, a facilidade de acesso à informação daí decorrente. Os critérios usados na selecção da turma são explanados oportunamente.

Potencialidades da disciplina TIC para a mudança de práticas educativas

Um estudo de caso no 3º ciclo do Ensino Básico

Consideraram-se como intervenientes no estudo (caracterizados adiante), os professores do conselho de turma e os alunos da turma. O conselho de turma, representado no contexto do estudo pelos seus professores, assumiu um papel central na implementação da proposta de operacionalização das orientações curriculares para a disciplina de TIC, pois consideramos que os professores podem ser os agentes primordiais na mudança de práticas educativas.

Tendo em conta as questões de investigação enunciadas na secção anterior e as opções descritas, em relação aos professores do conselho de turma procurámos, por um lado, identificar os seus hábitos de utilização das TIC e a necessidade que sentiam de integração ou não das tecnologias nas práticas lectivas face à perspectiva de ensino adoptada. Por outro lado, procurámos incentivar e acompanhar os projectos de interdisciplinaridade propostos pelos docentes, bem como, perceber se existiu alguma percepção da necessidade de mudança de práticas. Para este efeito, recorremos aos seguintes instrumentos de recolha de dados: Questionário inicial e final acerca do perfil de utilizador TIC dos Professores (Apêndice C e E), Registos dos Professores (Apêndice F).

Os alunos foram uma fonte de informação importante para a recolha de dados ao longo de todo o processo. Numa primeira fase, caracterizaram-se os hábitos de utilização das TIC pelos alunos, adaptando o questionário de Paiva (2003) (Apêndice D), com o objectivo de perceber o nível de desenvolvimento das suas competências em TIC e ajustar a planificação dos projectos propostos pelos professores, articulando os conteúdos da disciplina de TIC com as competências a desenvolver pela especificidade de cada projecto proposto. Numa fase posterior, os dados fornecidos pelos alunos através da aplicação dos questionários de auto-avaliação e balanço final (Apêndices G e H) contribuíram para a descrição do processo de operacionalização das orientações curriculares para a disciplina de TIC.

No que diz respeito ao nosso papel, assumiu duas vertentes diferentes: a primeira, em que assumimos o papel de investigadora, na planificação e estruturação de todo o trabalho, o que passou pela tomada de decisões em relação ao objecto de estudo, definição das questões de investigação, metodologia a adoptar, instrumentos de recolha de dados a usar, e opções de análise e tratamento dos dados, bem como, a responsabilidade de divulgação e implementação do estudo ao nível da escola onde se realizou; a segunda vertente que decorreu em simultâneo e que, por força da circunstância de sermos docente da disciplina de TIC na turma em estudo, nos levou a assumir o papel de interveniente em todo o processo. Nesta qualidade, apoiámos as iniciativas dos diferentes professores, orientando os projectos propostos desde a sua planificação

Potencialidades da disciplina TIC para a mudança de práticas educativas

Um estudo de caso no 3º ciclo do Ensino Básico

até à sua conclusão. Assim, foi forçoso reflectir a todo o momento na nossa própria actuação já que fomos simultaneamente observadores e sujeitos interveniente no processo. No sentido de garantir o maior distanciamento possível e equitativo em relação a todos os professores e alunos, recorremos à utilização de instrumentos de recolha de dados que maximizassem a nossa isenção, minimizando a nossa influência na informação recolhida. Assim, optámos pela utilização de questionários diversos, cujos resultados foram posteriormente complementados por informação resultante da análise das notas de campo realizadas ao longo da pesquisa (Anexo A).

Embora, como referido anteriormente, uma das características dos estudos de tipo qualitativo seja a flexibilidade do processo de investigação, nomeadamente no que diz respeito aos procedimentos de recolha de dados, entendeu-se ser importante traçar as linhas orientadoras deste processo. Assim, numa primeira instância, após a definição da problemática de investigação, tentámos perceber quais os procedimentos que melhor se ajustavam aos propósitos do estudo, ou seja, que nos permitiriam recolher os dados que dessem resposta às nossas questões de investigação e que passamos a descrever nos pontos seguintes.