A UCC de Lamego situa-se na cidade de Lamego pertencente ao distrito de Viseu, região norte e sub-região do Douro, com 12 214 habitantes, sendo a segunda maior cidade do distrito. O município está situado na margem sul do rio Douro, integra a província tradicional de Trás-os-Montes e Alto Douro e, segundo alguns, faz parte da Beira Transmontana, da qual é a principal cidade. Considerada uma cidade histórica e monumental, possui uma grande quantidade de monumentos, igrejas e casas brasonadas, sendo também uma diocese portuguesa (Instituto Geográfico Português, 2013).
O concelho de Lamego, sem prejuízo da feição urbana da sua sede, mantém características rurais bem marcadas, predominando dois tipos de paisagem: a zona mais montanhosa da Serra das Meadas a sul, e os vinhedos em socalco, delimitados pelo Rio Douro, a norte. Por toda a parte existem linhas de água que irrigam a área do concelho, com destaque para o Rio Balsemão, que atravessa a cidade num pequeno, mas profundo vale, originando um canhão de invulgar beleza. É sede de um município com 165,42 km² de área e 26 691 habitantes (Instituto Nacional de Estatística [INE], 2011), subdividido em 18 freguesias: Avões, Britiande, Cambres, Ferreirim, Ferreirim de Avões, Lamego, Figueira, Lalim, Lazarim, Penude, Penajoia, Sande, Samodães, Bigorne/Magueija e Pretarouca, Cepões/Meijinhos e Melcões, Parada do Bispo e Valdigem, Várzea de Abrunhais, Vila Nova de Souto D‟el Rei. O município é limitado a norte pelos municípios de Mesão Frio e Peso da Régua, a leste por Armamar, a sueste por Tarouca, a sudoeste por Castro Daire e a oeste por Resende (Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias). Às Unidades de Cuidados na Comunidade (UCCs) compete, à luz do disposto no artigo 11º do Decreto-Lei nº 28/2008, de 22 de fevereiro, prestar cuidados de saúde e dar apoio psicológico e social, de âmbito domiciliário e comunitário, às pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis em situação de maior risco ou dependência física e funcional, e atuar na educação para a saúde (EpS), na integração em redes de apoio à família e na implementação de unidades móveis de intervenção.
Com a reestruturação dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), verificam-se três tipos de abordagens complementares onde os cidadãos são identificados no seu contexto familiar, nos seus grupos de pertença ou na comunidade. As três abordagens são, nomeadamente: i)
dirigida ao indivíduo; ii) dirigida a cidadãos, famílias ou grupos com especial vulnerabilidade e risco; iii) e dirigida à população/comunidade. É na segunda abordagem que recai a intervenção da UCC. Como visão e tendo por base o artigo nº 3 do Decreto-Lei nº 28/2008, de 22 de fevereiro, a UCC de Lamego está empenhada em ser uma unidade de referência na qualidade de prestação de cuidados de saúde e ser reconhecida como uma organização de excelência que assume a saúde das populações da sua área geográfica como o seu principal objetivo.
A UCC de Lamego é formada por profissionais de saúde motivados para intervir na comunidade, promovendo a acessibilidade, a continuidade, a equidade e a qualidade de cuidados, sendo constituída por um EEECSP (Coordenador), uma enfermeira especialista em saúde infantil e pediátrica, uma enfermeira especialista em saúde materna e obstétrica, uma enfermeira generalista, uma psicóloga e uma assistente técnica.
A carteira de serviços da UCC integra as intervenções em programas no âmbito da proteção e promoção de saúde e prevenção de doenças na comunidade, engloba os programas no âmbito do Programa Nacional de Saúde Escolar (PNSE), Programa Educar para Prevenir, Programa Grupos Vulneráveis e Programa Nacional de Saúde Reprodutiva.
O PNSE comporta os seguintes projetos de intervenção comunitária:
Programa de Alimentação Saudável em Saúde Escolar (PASSE);
Programa Regional de Educação Sexual em Saúde Escolar (PRESSE);
Projeto “Saúde Oral”;
Projeto “Saúde Mental”;
Projeto “Ambiente Seguro”;
Projeto “Consumos Nocivos”;
Projeto “Saúde Individual e Coletiva”;
Projeto “Inclusão Escolar”.
É de referir que os dois primeiros programas são programas regionais, isto é, programas definidos pela Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) e os restantes são projetos de âmbito local, definidos pela UCC. Estes programas e projetos integram a carteira de
deles, permitiu-nos atingir um dos objetivos major deste estágio, dar resposta a várias unidades de competência, nomeadamente, as descritas como sendo comuns aos enfermeiros especialistas plasmadas no Regulamento n.º 122/2011, de 18 de fevereiro, e competências específicas do EEECSP, delineadas no Regulamento n.º 128/2011, de 18 de fevereiro.
O período de estágio de 14 de setembro a 20 de novembro de 2015 decorreu na UCC de Lamego, unidade funcional inserida no ACeS Douro II - Douro Sul. Passamos a descrever as atividades realizadas e as competências de EEECSP desenvolvidas. Iniciaremos com as competências comuns a todos os enfermeiros especialistas e depois abordaremos as competências específicas.
No que concerne às competências comuns a todos os enfermeiros especialistas, no decurso do estágio tivemos oportunidade de proceder ao seu desenvolvimento que culminou na sua aquisição, nomeadamente:
Competência A1 e A2 - Desenvolve uma prática profissional e ética no seu campo de intervenção; Promove práticas de cuidados que respeitam os direitos humanos e as responsabilidades profissionais
Fizemos parte integrante da equipa da UCC, participando nos programas e projetos existentes, agindo de forma segura, profissional e ética, respeitando os direitos humanos, a segurança e privacidade do cliente. Foi sempre assegurada a informação ao cliente, bem como a livre participação do mesmo nas diversas atividades, procedendo aos devidos pedidos de autorização, demonstrando tomadas de decisão éticas e deontológicas.
Competência B1 - Desempenha um papel dinamizador no desenvolvimento e suporte das iniciativas estratégicas institucionais na área da governação clínica
Um dos nossos objetivos consistia em contribuir e dar continuidade à execução dos projetos já implementados, como também tornarmo-nos proativas em projetos que precisavam de mais tempo e maior dedicação, e que se encontravam menos desenvolvidos. Prova disso, foi o trabalho realizado no projeto “Cuidar de quem Cuida”, que seguiu a metodologia do planeamento em saúde.
Competência D1 - Desenvolve o autoconhecimento e a assertividade
Evidenciamos a capacidade de autoconhecimento facilitadora de práticas de enfermagem assertivas e adequadas com o cliente/equipa. Demonstramos uma postura assertiva, adaptável mantendo uma relação terapêutica saudável, bem como um trabalho multiprofissional eficaz, reconhecendo e antecipando possíveis situações de conflito, mobilizando técnicas de resolução de conflito.
Competência D2 – Baseia a sua praxis clínica especializada em sólidos e válidos padrões de conhecimento
Todas as atividades realizadas tiveram por base um sólido conhecimento teórico, válido, atual e pertinente, que foram o alicerce fundamental na consecução da prática clínica eficaz e eficiente. O planeamento de cada atividade, por forma a ser consistente e relevante para o contexto de intervenção, teve como ponto de partida a realização de pesquisas bibliográficas em bases de referência, a consultada legislação vigente e os protocolos existentes nas unidades.
Após exposição das competências comuns aos enfermeiros especialistas, passamos a dar especial destaque às competências específicas do EEECSP, destacando-se as seguintes:
Competência G1 - Estabelece, com base na metodologia do Planeamento em Saúde, a avaliação do estado de saúde de uma comunidade
Na unidade curricular estágio de enfermagem comunitária, que integra o plano de estudo do 1º ano segundo semestre, e tendo por base a metodologia do planeamento em saúde, realizamos a avaliação do estado de saúde de uma comunidade, procedendo à elaboração do diagnóstico de situação (unidade de competência G1.1), efetuado através da aplicação de um formulário que pretendia obter informação sobre as “Necessidades sentidas pelo CI no cuidar da pessoa dependente”. De seguida, procedemos à determinação de prioridades (unidade de competência G1.2), através do método de Hanlon, identificando-se assim as prioridades de intervenção.
Durante este estágio, pudemos dar continuidade às fases seguintes do planeamento em saúde anteriormente iniciadas, procedendo à formulação dos objetivos e seleção de estratégias, de
elaborado e implementado o projeto de intervenção intitulado “Cuidar de quem Cuida” (unidade de competência G1.4), onde foram realizadas sessões de EpS, quer em contexto de grupo, quer em contexto domiciliário, para dar respostas às necessidades identificadas Procedemos à avaliação do projeto de intervenção junto dos CIs, através da aplicação do formulário aplicado inicialmente (unidade de competência G1.5), com o objetivo primordial de aquisição de conhecimentos, potenciando ganhos em saúde.
Esta competência foi adquirida, já que foram seguidas e concretizadas as diferentes etapas da metodologia de planeamento em saúde.
Competência G2 - Contribui para o processo de capacitação de grupos e comunidades Promovemos a capacitação de grupos e comunidades com vista à consecução de projetos de saúde coletivos, nomeadamente, na participação em projetos de intervenção comunitária dirigida a grupos com maior vulnerabilidade, estabelecendo parcerias com outras instituições da comunidade (câmara municipal, escolas).
Esta competência foi desenvolvida, principalmente, com a implementação e execução do projeto “Cuidar de quem Cuida”, onde foram realizadas sessões de EpS sobre “Alimentação saudável do idoso dependente” e “Prevenção de UPP e transferências do idoso dependente”. No âmbito do PASSE, participamos numa sessão de EpS sobre alimentação saudável (método expositivo através da projeção de um powerpoint direcionado à temática e método interativo através de um jogo em que as respostas assertivas dadas pelos alunos eram compensadas com a entrega de uma pulseira). Denotamos que, apesar do esforço da equipa de saúde escolar, são muitas as dúvidas por parte dos adolescentes no que concerne à alimentação saudável, sendo de igual forma necessário envolver também os professores neste tipo de atividades, que visam essencialmente a promoção da saúde. A realização desta atividade permitiu-nos adquirir competências no âmbito da gestão da informação em saúde a grupos e comunidade, o que possibilitou a demonstração de conhecimentos sobre técnicas de comunicação em saúde, utilizando conhecimentos de diferentes disciplinas nos processos de mobilização e participação das comunidades, empregamos abordagens ativas na definição de estratégias de promoção e EpS e, ao mesmo tempo, utilizamos modelos e estruturas conceptuais.
Para além do explanado anteriormente, a aquisição desta competência “contribui para o processo de capacitação de grupos e comunidades”, foi ainda alcançada quando, em parceria
com a Câmara Municipal de Lamego e o Centro Social de Cambres e dentro do projeto “Saúde na sua Freguesia”, realizamos uma sessão de EpS sobre a “Saúde Oral nas Pessoas Idosas”, recorrendo ao método expositivo e demonstrativo. O objetivo geral da sessão era promover a saúde oral entre as pessoas mais velhas e encorajá-las a manter os seus dentes naturais o mais tempo possível.
Para tal, a informação veiculada pretendia elucidar sobre: patologias orais mais frequentes, formas de prevenção das mesmas, promoção de uma boa higiene oral, bem como informar sobre a existência de apoio financeiro do Ministério da Saúde para consultas e tratamentos dentários.
Com a realização destas atividades adquirimos competências relativamente à integração, nos processos de mobilização e participação comunitária interrelacionando diferentes disciplinas: enfermagem, educação, comunicação e ciências humanas e sociais, em que se dinamizou e participou em programas de intervenção no âmbito da prevenção, proteção e promoção da saúde em diferentes contextos.
A realização das diversas atividades e a integração nos diversos projetos contribuíram para a aquisição de competências para a prestação de cuidados como enfermeiro especialista.