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3 PRINCÍPIOS COM RELEVÂNCIA PARA A REPARTIÇÃO DO

3.3 MODELO PROCESSUAL COOPERATIVO E DIREITO

3.3.1 Noções preliminares

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ECHANDÍA, Hernando Devis. Compendio de la prueba judicial, tomo I. Buenos Aires: Rubinzal – Culzoni Editores, 2007, p. 35.

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FERREIRA, William Santos. Princípios fundamentais da prova cível. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014, p. 130-131.

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413º. O tribunal deve tomar em consideração todas as provas produzidas, tenham ou não emanado da parte que devia produzi-las, sem prejuízo das disposições que declarem irrelevante a alegação de um facto, quando não seja feita por certo interessado.

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FREITAS, José Lebre; MACHADO, A. Montalvão; PINTO, Rui. Código de Processo Civil Anotado, vol. 2º. Coimbra: Coimbra Editora, 2008, p. 431-432.

A doutrina, ao se empenhar na análise dos modelos processuais empregados nas civilizações ocidentais, de um modo geral tem dirigido os seus esforços na defesa do chamado “modelo cooperativo de processo” em contraposição aos modelos: adversarial e inquisitorial.

Essa tendência se justifica, precipuamente, porque diversas legislações processuais civis desses países – inclusive do Brasil e de Portugal – têm consagrado o princípio da cooperação como um dos pilares principiológicos de seus sistemas. É aceitável afirmar então que nos últimos anos tem ocorrido uma reavaliação da denominada “divisão de trabalho” entre os sujeitos processuais – e a consequente revisão do papel de cada um dentro do procedimento – que culminou com as reformas das legislações processuais como vetor na tentativa de superação do ativismo judicial.

A compreensão do modelo processual cooperativo nesse contexto, passa primeiramente pela síntese dos modelos adversarial e inquisitorial.

Infere-se que de acordo com o modelo adversarial, as partes assumem claramente a posição de adversárias, em nítida competição ou disputa que se desenvolve perante a figura passiva e imparcial do magistrado a quem compete principalmente o encargo de decidir o caso499. Em consequência, podemos afirmar que deve ser assegurada a igualdade formal ou jurídica entre os litigantes, o que impede o juiz de tomar partido diretamente no desenvolvimento da relação jurídica processual auxiliando ou assistindo a parte, ainda que hipossuficiente500.

Significa, então, que a participação do magistrado é secundária porque existe a predominância da atividade das partes na condução do procedimento o que, por si só, já indica a insuficiência desse modelo para assegurar o devido processo legal (processo justo) uma vez que a superioridade econômica ou técnica de uma das partes pode ser fator determinante na resolução do conflito. Isso ocorre dada a inércia, neutralidade e passividade do juiz, ou seja, cuida-se de modelo incapaz de

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DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e processo de conhecimento. Salvador: Editora JusPodivm, 2015, p. 121.

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BARREIROS, Lorena Miranda Santos. Fundamentos constitucionais do princípio da cooperação processual. Salvador: Editora JusPodivm, 2013, p. 72.

diminuir ou exterminar as discrepâncias substanciais existentes entre as partes. Por essa razão a doutrina tem vinculado o princípio dispositivo ao modelo adversarial porque atribui às partes as tarefas principais relacionadas à condução e à instrução do processo501.

No modelo não adversarial ou inquisitorial, por outro lado, o grande protagonista do processo é o juiz que concentra em suas mãos o poder necessário para o desenvolvimento do procedimento com participação efetiva, independentemente da vontade das partes. Não significa que, por si só, o modelo inquisitorial esteja sempre vinculado a regimes autoritários porque não existe relação direta entre o aumento de poderes do juiz e regimes autocráticos502. Nesse modelo inquisitorial o juiz possui maiores poderes e ampla iniciativa, especialmente na questão probatória, isto é, possui protagonismo tanto na condução material como na condução formal do procedimento. Resulta então, na ideia de que decisão justa é aquela fundada na verdade dos fatos a qual somente será obtida através da adequada dilação probatória motivo pelo qual a iniciativa probatória deixa de ser assunto restrito às partes e passa a interessar ao magistrado o que implica na exigência de efetiva participação do juiz no processo503.

Entretanto, esse modelo também não se mostrou suficiente, por si só, para viabilizar a decisão justa decorrente do atendimento do devido processo legal, pois entregar o protagonismo da relação jurídica processual exclusivamente ao juiz em certa medida acabou por possibilitar, em alguns casos, a violação ao princípio do contraditório, notadamente num ambiente em que decisões-surpresa poderiam ser proferidas.

Nesse ambiente de discussão, entre qual modelo processual seria o mais adequado para viabilizar o respeito ao devido processo legal desenvolveu-se o modelo cooperativo de organização do processo, incluído nas legislações processuais de diversos países, inclusive do Brasil e de

501 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito

processual civil, parte geral e processo de conhecimento. Salvador: Editora JusPodivm, 2015, p. 121.

502

DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e processo de conhecimento. Salvador: Editora JusPodivm, 2015, p. 124.

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BARREIROS, Lorena Miranda Santos. Fundamentos constitucionais do princípio da cooperação processual. Salvador: Editora JusPodivm, 2013.p. 134.

Portugal. A principal característica do modelo cooperativo – que opera no processo por meio do princípio da cooperação504 – encontra-se no redimensionamento do princípio do contraditório, pois ocorre a inclusão do juiz no rol dos sujeitos do diálogo processual e não como espectador ou como único condutor do procedimento505. Significa que a cooperação ou comparticipação fundamenta-se no contraditório como garantia de influência e não surpresa o qual passa a ser entendido como “direito de participação na construção do provimento, sob a forma de uma garantia processual de influência e não surpresa para a formação das decisões”506. Nesse sentido, ocorre uma alteração substancial na chamada “comunidade de trabalho” (Arbeitsgemeinschaft) existente na relação jurídica processual e que passa a admitir a participação de todos os sujeitos processuais na construção dos pronunciamentos judiciais: às partes incumbiria a iniciativa de instauração do processo e a delimitação do seu objeto litigioso ao passo que o juiz seria responsável pela condução formal e material do processo – incluindo a iniciativa probatória – e o poder decisório507.

O modelo da colaboração, nesse contexto, liga-se diretamente à organização do procedimento, equilibrando as posições jurídicas dos sujeitos processuais508. Dessa forma, o magistrado passa a ocupar a posição de agente-colaborador na relação processual o que enseja a sua inclusão no contraditório e implica na adoção de uma postura de diálogo com os demais sujeitos processuais, razão pela qual se fala em atividade cooperativa que privilegia o diálogo e o equilíbrio509. Em outras palavras, o modelo cooperativo procura estabelecer uma nova dimensão ao papel do juiz na

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MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Novo Código de Processo Civil Comentado. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015, 101. 505

DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e processo de conhecimento. Salvador: Editora JusPodivm, 2015, p. 124.

506

THEODORO JÚNIOR, Humberto; NUNES, Dierle; BAHIA, Alexandre Melo Franco; PEDRON, Flávio Quinaud. Novo CPC: fundamentos e sistematização. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2015, p. 92-93.

507

BARREIROS, Lorena Miranda Santos. Fundamentos constitucionais do princípio da cooperação processual. Salvador: Editora JusPodivm, 2013. p. 179.

508

MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Prova. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011. p. 100.

509

DIDIER JÚNIOR, Fredie. O princípio da cooperação: uma apresentação. Revista de processo, n. 127, ano 30, p. 75-79, setembro de 2005.

condução do processo, sujeito que desempenha duplo papel na relação jurídica processual: de um lado, é paritário no diálogo (juiz isonômico) e, por outro lado, é assimétrico na decisão, ou seja, o juiz impõe o seu comando cuja existência e validade independem de expressa adesão ou de qualquer espécie de concordância das partes510.

3.3.2 O princípio da cooperação nos sistemas processuais brasileiro e