dois reprodutores equinos e de dois asininos foram diluídos em meio à base de glicose-gema de ovo, resfriados a 5°C e armazenados por oito dias. No momento da diluição, a motilidade era de 90%, em média, e após 2, 4, 6 e 8 dias, para os garanhões, caiu para 60, 55, 25 e 18%, e para o sêmen dos jumentos caiu para 80, 80, 75 e 60%, respectivamente.
Apesar dos estudos em jumentos não serem numerosos, a inclusão de gema de ovo parece ser benéfica para a preservação do sêmen dessa espécie. O diluidor Baken modificado, contendo 10% de gema de ovo, preservou melhor a motilidade total e progressiva, vigor e a integridade do acrossoma, em relação ao diluidor de Kenney (Mello et al., 2000; Cottorello et al., 2002). Além disso, quando se comparou o diluidor de Baken I, contendo 3%, ou Baken modificado, com 10% de gema de ovo, a maior concentração de ovo foi melhor, para a preservação do sêmen a 5°C (Cottorello et al., 2002).
Em um estudo conduzido por Cottorello et al. (2003), submeteu-se o sêmen diluído no diluidor Baken (Nishikawa, 1959) a três tratamentos, utilizando diferentes formas de re-diluição. Em um tratamento, utilizou-se o sêmen sem qualquer re-diluição; em outro, utilizou-se re-diluições nos dias um e três do resfriamento; utilizando-se em um terceiro tratamento, apenas uma re-diluição no dia três, do resfriamento a 5°C. Durante os sete dias de avaliação, não se observou qualquer efeito aditivo (p>0,05) da re-diluição na longevidade do sêmen asinino resfriado.
Em outro estudo envolvendo manutenção da viabilidade espermática, 10 mL de sêmen foram misturados a 30 mL de um diluidor de lactose- gema de ovo, antes do resfriamento para 5°C, quando se observou espermatozóides móveis por até 6,35 dias de estocagem (Kreuchauf, 1984). Um experimento “in vitro” foi conduzido por Mello et al. (2000), utilizando o sêmen de cinco jumentos, das raças Nordestina e Pêga, de três a oito anos de idade. Neste estudo, o sêmen foi diluído utilizando-se apenas a fração rica do ejaculado ou o ejaculado total coletado, visando observar a influência do plasma seminal no resfriamento. Para a diluição do sêmen, nas duas formas, utilizou-se diluidores à base de leite
desnatado ou o Baken modificado, pela alteração do percentual de gema de ovo de 3% (Nishikawa, 1959) para 10 %. A motilidade total e a progressiva da fração rica e total do sêmen, diluídos no meio à base de leite desnatado, foram inferiores (p<0,05) às observadas no sêmen diluído no diluidor de Baken modificado. Independentemente do sêmen utilizado e do tipo de coleta (fracionada ou total), observou-se que o sêmen foi melhor preservado no meio Baken modificado, traduzida pela manutenção da motilidade, vigor e morfologia das células espermáticas, já verificada 24 horas após a coleta, e durante todo o tempo de preservação. A longevidade, caracterizada por motilidade de no mínimo 10%, foi observada no sétimo dia de preservação no diluidor à base de leite em pó desnatado-glicose (Kenney et al., 1983). No diluidor de Baken modificado, as células espermáticas mantiveram uma motilidade de 30%, ainda no oitavo dia, que baixou para 10%, apenas no nono dia de preservação.
Não houve influência dos diluidores sobre a morfologia espermática, após a diluição final, que se manteve com 71,47% de espermatozóides normais. Entretanto, observou-se modificações durante o resfriamento, com um aumento das anormalidades de 6-9%, entre os dias três e seis após a coleta. No entanto, no dia seis após a coleta, as anormalidades totais no sêmen preservado no diluidor de Baken, com gema de ovo, continuavam mais baixas que as observadas nos espermatozóides armazenados no diluidor de leite em pó desnatado-glicose no dia três após coleta. Assim, as anormalidade morfológicas foram maiores nas células armazenadas no diluidor de leite em pó desnatado-glicose (p<0,05), sendo os defeitos de acrossoma e de peça intermediária os de maior frequência (Mello et al., 2000).
Em um estudo conduzido por Cottorello et al. (2002), utilizaram-se três jumentos, de três a nove anos de idade, sendo coletada apenas a fração rica, diluída nos diluidores à base de leite em pó desnatado- glicose, Baken I (3% de gema de ovo) e Baken modificado (10% de gema de ovo). Após as diluições finais, com concentrações de 100 milhões de espermatozóides/mL, as amostras foram resfriadas nos três diferentes diluidores, a uma taxa de -0,6°C/minuto, até as temperaturas de 0°C, 5°C ou 10°C, com avaliações até o sexto
dia pós-coleta. Independentemente da temperatura de armazenamento, os diluidores à base de gema de ovo foram os que melhor preservaram a motilidade e vigor espermáticos, acontecimento já evidente logo após o resfriamento. No dia dois do resfriamento, os espermatozóides estavam imóveis, em sua maioria, quando estocados no diluidor à base de leite em pó desnatado-glicose, enquanto que no diluidor Baken, a motilidade era superior a 30%, ainda no terceiro dia do resfriamento. Assim, concluiu-se que o diluidor à base de gema de ovo à 5°C foi a forma mais apropriada de preservação “in vitro” do sêmen de jumentos.
No experimento de Beker (1997), a fração rica dos ejaculados de três jumentos, sendo dois da raça Pêga e um Nordestino, de 5 a 10 anos de idade, foi diluída no meio Baken (Nishikawa, 1959), à base de glicose-gema de ovo, nas concentrações de 25, 50 ou 100 milhões de espermatozóides/mL. Todos os tratamentos apresentaram motilidade espermática total acima de 10% até 120 horas de armazenamento.
Em um experimento conduzido por Nishikawa (1959), utilizando o diluidor Baken, demonstrou- se uma viabilidade espermática para o sêmen asinino, quando armazenado a 10°C, de 288-337 horas, similar ao que se observou para o sêmen equino (337-384 horas), nas mesmas condições. Os espermatozóides mantidos nos diluidores salinos e o sêmen “in natura” apresentaram uma queda drástica da viabilidade, em uma hora após- coleta.
Da mesma forma, outros trabalhos têm documentado boa viabilidade dos espermatozóides quando submetidos ao processo de diluição e/ou resfriamento, porém, poucos avaliaram a sua capacidade fecundante.
Em um experimento realizado por Batellier et al. (1997), utilizou-se o sêmen de garanhões com todas as doses inseminantes apresentando motilidade superior à 60%, sem que houvesse diferença entre elas. No entanto, obteve-se fertilidade superior (p<0,05) quando utilizado o sêmen diluído e resfriado em meio salino (solução salina de Hank’s) suplementado com Hepes, glicose, lactose e fosfocaseinatos (60% de gestações), em relação ao meio INRA82 (36% de gestações). Demonstrou-se, assim, que
a avaliação “in vitro” (motilidade) não correspondeu à fertilidade (“in vivo”).
Dentro deste contexto, há que se ressaltar o trabalho conduzido por Silva (1988), envolvendo a fertilidade de éguas inseminadas com sêmen asinino. Neste trabalho, utilizou-se 214 fêmeas, de dois a sete anos de idade, inseminadas com sêmen a fresco diluído no diluidor à base de gema de ovo, sem glicerol (Silva Filho et al., 1987), de modo que a dose inseminante apresentasse no mínimo 200 x 106 espermatozóides móveis, e volume de 5 a 10 mL. Neste trabalho, foram obtidas taxas de concepção total e ao primeiro ciclo, bem como taxas de reabsorção embrionária de 68,3%, 82,3%, 92,1%; 52,4%, 52,2%, 68,5% e 16,3%, 9,8%, 7,3%, para as estações reprodutivas de 1984/85, 1985/86 e 1986/87, respectivamente. O aumento da fertilidade ao longo das estações deveu-se, possivelmente, ao maior domínio da técnica de IA, assim como as melhores condições de manejo e adaptação dos animais à região. O número de ciclos/gestação manteve-se estável, sendo de 1,77, 1,86 e 1,45, para as estações mencionadas anteriormente.
Utilizando o mesmo diluidor, à base de gema de ovo sem glicerol, Palhares et al. (1986) obtiveram 57% (8/14) de taxa de concepção ao primeiro ciclo, para jumentas da raça Pêga, inseminadas com sêmen a fresco diluído de um jumento de fertilidade reconhecida.
Segundo Ferreira (1993), o diluidor à base de leite em pó desnatado-glicose, mostrou-se satisfatório no que se refere ao prolongamento da viabilidade do sêmen asinino, resfriado e estocado por 24 ou 48 horas, tendo como critério de avaliação a motilidade espermática. Para Leite (1994), o mesmo diluidor mostrou-se também satisfatório quando utilizado no sêmen a fresco, prolongando a viabilidade espermática do sêmen asinino, quando estocado à temperatura de 37°C em banho maria, por até 45 minutos, ou seja, da diluição inicial até a última inseminação realizada, quando o decréscimo da motilidade progressiva foi pequeno (78,40% para 71,95%). As taxas de concepção/ciclo foram de 53,12%, 70,00% e 67,64% para as concentrações de 200, 400 e 600 milhões de espermatozóides/dose inseminante, sem que houvesse diferenças (p>0,05) entre elas. As inseminações com 50 ou 100 milhões de espermatozóides/dose inseminante, apresentaram resultados inferiores