Vocábulo Total de ocorrências Linha Ocorrências sem flut. gráfica
Terribel (ou variação) 02 441, 457/8
Impresso nº 2 – Eusébio de Matos
Vocábulo Total de ocorrências Linha Ocorrências sem flut. gráfica
Cobarde 01 819
Lauaredas 01 184
Impresso nº 3 – Diogo Gomes Carneiro
Vocábulo Total de ocorrências Linha
Abana 01 566
Auana 01 546
Ocorrências sem flut. gráfica
Biboras 01 1215
Cobarde (ou variações) 07 218, 224, 243, 255, 454, 506
Impresso nº 4 – Antonio de Sá Não há ocorrências
Impresso nº 5 – Antonio da Silva
Vocábulo Total de ocorrências Linha
Ocorrências sem flut. gráfica
Impresso nº 6 – Ruperto de Jesus Não há ocorrências
Impresso nº 7 – Simão de Vasconcelos Não há ocorrências
Sobre a variação entre <b> e <v>, somente a Ortographia de Vera faz referência ao assunto, considerando a semelhança do <b> com o <u> consoante e afirmando ser comum entre os galegos e alguns portugueses d’entre Douro e Minho a pronúncia bos, bida por vos, vida. Teyssier (1997: 57) trata do assunto, atribuindo tal confusão à influência galega e espanhola, e cita Leão como testemunho explícito, na segunda metade do século XVI, dessa confusão:
“Duarte Nunes de Leão, na sua Orthographia (1576), menciona a confusão do b e do v, e precisa que ela aparece ‘nos galegos e em alguns portugueses dentre Douro e Minho”.
Pereira (1933: 76) afirma que a permuta entre <b> e <v> é comum na transformação do latim para o português (rabiam > raiva), permanecendo ainda na fala dos minhotos. Lembra também que “perdura ainda entre nós, em certas palavras, o syncretismo dessas duas consoantes, v.g., taberna e taverna, cobarde e covarde, boda e vôda”.
Certo é que a confusão entre o <b> e o <v> se manifesta desde o século I da era cristã. Várias abonações no Appendix Probi o confirmam: vaclus (por baculus), baplo (por vapulo), alveus (por albeus). Além disso, outras fontes do latim vulgar apresentam tal variação: gingibas, labacione, ferburam, bibunt, badum (na Mulomedicina Chironis), bixit, cibitatis, renobabit (nas inscrições cristãs e/ou tumulares).
Nos apêndices de Franco Barreto e Bento Pereira, são as seguintes as correções:
Erradas Emendadas
Barrer Varrer
Bitalha, bitualha Vitualha (FB) emprovecer empobrecer (BP) Prove Pobre Proveza Pobreza (FB) Pruvico Publico Pruvicar Publicar
Na segunda lista de Bento Pereira, as palavras toleradas são as seguintes: alvidrar, alvidro, avorrecer, bitualha, que são pelo autor melhoradas em arbitrar, arbitro, aborrecer, vitualha.
5.1.2.4. Consoantes dobradas
Não é nosso propósito fazer aqui um levantamento exaustivo das consoantes dobradas, pois o que queremos provar não é a presença ou não de etimologizações gráficas. Ao contrário, o escopo desta tese é justamente provar que a ocorrência das consoantes dobradas flutua tanto quanto os demais casos que acabamos de ver. Deste modo, apresentaremos somente um exemplário das consoantes dobradas que aparecem nos textos manuscritos e sua flutuação com os mesmos vocábulos com consoantes simples.
Nos textos manuscritos, contamos 506 ocorrências de consoantes dobradas. Dobram-se as consoantes <c>, <f>, <g>, <l>, <m>, <n>, <p>, <t>, conforme os exemplos:
• <cc>: <ocasiam> (53), <occasiam> (192); <soccorro> (193), <socorro> (86); <acidentes> (1276), <accidentalmente> (911).
• <ff>: <afirmar> (632), <affirmar> (541); <efeito> (682), <effeito> (677); <fee> (72), <ffee> (578); <ofendessem> (606), <offendidas> (248).
• <gg>: <agradecer> (39), <aggradecer> (198).
• <ll>: <aualiado> (398), <avalliado> (403); <Angola> (1214), <Angolla> (630); <ele> (680), <elle> 692); <zelo> (1287), <zello> (544).
• <mm>: <communicação> (131), <encommendo> (228).
• <pp>: <ocupa> (1226), <ocuppaõ> (774); <Capitania> (487), <Cappitania> (774).
• <tt>: <ate> (593), <atte> (68); <dito> (1021), <ditto> (1014); <meter> (918), <metter> (154); <remeter> (933), <remetter> (177).
Nos textos impressos, repetem-se as mesmas consoantes dobradas, mas quase não há flutuações gráficas, o que demonstra um maior travestimento etimológico nesses textos:
A Ortografia, de Vera, adverte que são várias as causas da duplicação das consoantes no interior de vocábulos (uso, palavras derivadas daquelas, diminutivos, composições); no entanto, adverte que não se devem duplicar consoantes em seu início ou término. A seguir, trata de cada uma delas separadamente, conforme segue
“B: a consoante b só se dobra nas seguintes palavras: abbreviar, Abbade, Abbadessa, Abbadia, jibba, jibboso, sabbado;
C: dobra-se esta consoante no caso de verbos que sejam iniciados por ela, aos quais se juntam os prefixos ad, ob, sub, bem como os vocábulos occidente, succeder, successor e accelerar. Também dobram o c os seguintes vocábulos e seus derivados: Baccho, bocca, Graccho, peccado, sacco (e sacquinho), secco, socco, vacca (e vacqueiro)
D: dobram esta consoante somente addicionar e addivinhar; F: dobra-se esta consoante nos verbos iniciados por ela aos quais se juntam o prefixo ad; os verbos iniciados por a, que têm f intervocálico; os verbos e nomes compostos iniciados por ela, aos quais se juntam o prefixo dis, ex, ob ou sub; G: dobram esta consoante os vocábulos formados pelo prefixo ad;
L: dobram o l os verbos iniciados por esta consoante aos quais se juntam o prefixo ad, com, in; os diminutivos em lo, la; nos nomes cuja consoante seja precedida de e tônico; os superlativos oriundos de –limus e mais uma série grande de vocábulos em que o l se mantém duplicado em razão da etimologia. Convém dizer que o autor proscreve a
duplicação desta consoante nos vocábulos aos quais se acrescentam o/a (artigos ou pronomes);
M: dobra-se esta consoante nos nomes iniciados por ela, aos quais se juntam con- ,en-, in, além dos seguintes vocábulos: communidade, commum, communicar, commungar, excommungar, flamma, summariamente, consummado; N: dobra-se esta consoante nos nomes iniciados por ela, aos quais se juntam ad-, in-, além do vocábulo anno (e seus derivados), panno, penna, tinnir, tyranno, bannido, canna, cannaveal, Ioanna, Ioanne, Britannia, Britanno, Vianna, Viannêses;
P: dobram esta consoante os nomes ou verbos inicados por ela, aos quais se juntam ad-, ob-, sub-, além dos seguintes vocábulos: Cappadocia, cappella, cappa, cappello, ceppo, mappa, poppa; e muitos nomes gregos, acabados em –ippo; Q: não se dobra esta consoante;
T: dobra-se esta consoante os vocábulos que, em latim, formavam com ela grupos consonantais impróprios (ct, pt); os diminutovos em te, ta, além dos seguintes vocábulos: attentar, attenção, attonito, attribuir, attrição, gotta (e seus derivados), bem como prometter, permittir, metter, arremetter, scetta.”
As Regras, de maneira bastante simplificada, recomendam a duplicação das consoantes somente quando justificadas pela etimologia.
Pereira (1933:83) cita que, embora as geminadas tenham-se simplificado, “a conservação, na escripta desse elemento insonoro obedece apenas aos preceitos da orthographia etymologica”.
Said Ali (1964:32) refere-se às consoantes geminadas, chamando atenção para a geminação de ff e ll, que, segundo o autor,
“possível he que com essa curiosa geminação [...] quizessem os antigos escriptores significar que em alguns vocábulos, ou em algumas occasióes, a vogal junto a ll ou ff recebia intonação ou icto forte, mas muito rápido. Os demais casos de consoantes geminadas dever-se-iam explicar pela
etimologia”.
Entretanto, adverte-nos que
“aonde não podiam chegar os conhecimentos etymologicos, suppria-se, em materia de geminação, com a fantasia e o capricho, preferindo muitas vezes o superfluo ao estrictamente bastante”.
No tocante aos clíticos (lo, la, los, las), explica-nos que, por serem eles unidos aos seus subordinantes sem separação alguma, assimilavam as consoantes terminais desses subordinantes, duplicando o l (per + lo = pello; ver + la = vella). Isso se comprova tanto nos impressos quanto nos manuscritos: <abaixalla> (1179), <deixallos> (717), <fazella> (835), <honrallos> (758), <naturalizallos> (720), <prouella> (54).
5.1.2.5.O emprego do grafema <h>
NOS TEXTOS MANUSCRITOS