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3.1 FATORES PARA A MOTIVAÇÃO DO SURDO NO PROCESSO

3.1.2 O Acompanhamento do processo de aprendizagem

Com o intuito de se levantarem dados sobre a prática do monitoramento do progresso da aprendizagem de alunos surdos Luckner e Bowen (2010) investigaram, junto a professores, abordagens sobre esta prática. Monitorar o progresso do aluno é uma prática eficaz para acompanhar e medir os conhecimentos e habilidades nas práticas de aprendizagem de alunos ouvintes, favorecendo que sejam medidos os progressos e que se possa realizar eventuais alterações instrucionais. O que os pesquisadores buscavam era saber se esta prática funcionava com indivíduos surdos. O principal aspecto defendido é que o monitoramento é um processo centrado no aluno, colaborando para que estes se envolvam na documentação e na construção do seu próprio caminho para a aprendizagem. Esta característica eleva a motivação dos indivíduos, uma vez que os alunos têm noção do próprio progresso e na conquista dos objetivos de aprendizagem. Quando aplicado com alunos surdos identificaram aumento de motivação e de interesse nos tópicos de aprendizagem. Entretanto os pesquisadores salientam dois complicadores para essa prática em sala de aula: a primeira ligada a grande quantidade de tempo destinado para cada indivíduo; e a segunda

é na confiabilidade nos mediadores de língua de sinais entre os alunos e professores. Long, Stinson e Braeges (1991) buscam entender a relação do desempenho acadêmico do aluno surdo com sua auto percepção quanto a facilidade de comunicação no ambiente de aprendizagem. Identificaram que quando a interação comunicacional se dá de forma efetiva entre o surdo, os professores e os colegas, há um aumento nos níveis de engajamento dos primeiros. A contribuição é que esse processo influencia o aluno surdo a ter maior controle sobre os resultados da sua aprendizagem.

De forma geral, quando o indivíduo surdo tem consciência daquilo que está acontecendo ao seu redor – no processo de aprendizagem – torna-se mais confiantes sobre suas chances de sucessos nas tarefas. Esta percepção cria uma base racional para o aluno, contribuindo para a dedicação e esforço na busca de sucesso. Em caso contrário, quando a comunicação é deficitária, os alunos estão propensos a tornarem-se mais frustrados e confusos, acreditando no baixo índice de sucesso e comprometendo seus níveis de motivação e engajamento em tarefas e atividades para a aprendizagem.

Luckner e Sebald (2013) vem demostrando os benefícios de se promover a autodeterminação na busca de resultados positivos para educação especial de adultos. A autodeterminação é uma “combinação de atitudes, conhecimentos e habilidades que permitem aos indivíduos fazerem escolhas e se envolverem em comportamento autorregulados e meta-dirigidos” (LUCKNER, SEBALD, 2013, p. 385 – tradução nossa). Neste aspecto, aqueles indivíduos autodeterminados tem consciência sobre suas necessidades e preferências, buscam fazer escolhas e ter decisões eficazes, estabelecem metas, regulamentam seu comportamento e pensamento para a resolução de problemas, possuindo conhecimento de suas limitações e forças, sendo capazes de ajustar seu desempenho. A autodeterminação está presente a qualquer indivíduo quando este desenvolve atividades motivadas intrinsecamente. Nesses casos há uma maior sensação de prazer, diferentemente de quando uma tarefa é motivada extrinsecamente, ou quando há coação ou pressão para a execução da mesma.

No caso do desenvolvimento da autodeterminação para alunos surdos os autores destacam o cuidado no desenvolvimento de instruções explícitas, com o propósito da aquisição da linguagem, do conhecimento e das habilidades adequados. Dentre as atividades que os alunos surdos podem cumprir para desenvolverem a autodeterminação destacam-se:

• a utilização de processo para resolução de problemas; • a definição de metas pessoais para a aprendizagem;

• a discussão entre alunos e professores para acompanhamento do processo de aprendizagem.

Com base no exposto, identifica-se que estratégias e processos de aprendizagem devem estar claros para os alunos. De acordo com Chen (2014) isso motiva a aprendizagem plena, uma vez que a motivação funciona como uma força motriz que mantém ativo o conhecimento. Neste sentido, a motivação necessária é definida como um processo mental que direciona o aluno aos objetivos da aprendizagem, orientando o indivíduo na realização de tarefas. O autor destaca que estudantes surdos podem ter dificuldade de aprender espontaneamente por não acreditarem que tenham controle sobre seu trabalho, sendo incapazes de relacionar causa e efeito do seu labor com o sucesso. Por não haver disposição na busca do sucesso, as sensações de aprovação e encorajamento – importantes para o fator motivacional – tornam-se dependentes de estímulos externos. Dentre os aspectos que afetam positivamente a motivação destacam-se:

1. estilo de aprendizagem do ambiente em que o indivíduo está inserido. Por exemplo: ambiente protegidos podem reduzir a disposição do surdo para aprender, por outro lado a criação de competições amigáveis e resolução de problemas podem ser benéficos para elevar a motivação na aprendizagem;

2. estímulo para a auto eficiência dos alunos. Isso pode elevar a confiança do indivíduo para enfrentar desafios, influenciando também na motivação;

3. interação social com alunos e indivíduos não surdos pode contribuir para a criação de um ambiente de ajuda e apoio mútuo entre os agentes, contribuindo para melhor aprendizagem e motivação. Este fator pode estimular a assistência, o encorajamento e as avaliações por pares com o foco na resolução de uma tarefa ou execução de um objetivo.

A avaliação durante o processo de ensino é uma ferramenta que pode favorecer o reforço no efeito da aprendizagem. Para Chen-Chung, Chien-Chia, Baw-Jhiune e Yui-Wen (2006) o desempenho do aluno, em um processo educacional, pode ser elevado quando este tem constantes

feedbacks durante o processo de aprendizagem. Assim, em uma disciplina de matemática, por exemplo, um estudante surdo pode facilmente não descobrir seus erros, se o professor simplesmente mostrar a resolução do problema no quadro. Esse processo fica ainda mais prejudicado se as avaliações dos professores forem realizadas separadas dos alunos (CHEN-CHUNG; CHIEN-CHIA; BAW-JHIUNE; YUI-WEN, 2006, p. 346, tradução nossa). Na pesquisa realizada pelos autores, no processo de ensino auxiliado por tablets e internet sem fio, o professor deve apresentar o significado de uma determinada lição, estimulando assim a motivação para o aprendizado e explicando os objetivos e pontos-chave para o desenvolvimento dos alunos. Em seguida, é demonstrado o conteúdo da aprendizagem ou habilidades para desenvolver o conhecimento dos alunos. Por fim, o professor orienta os alunos nos exercícios práticos, avaliando os trabalhos realizados pelos alunos e os incentivando a avançar e aplicar os conhecimentos adquiridos no seu cotidiano. Durante o processo a utilização da tecnologia é importante, para facilitar a instrução no ensino da disciplina, pois os professores precisam de uma ferramenta comum, e de fácil assimilação dos alunos, para a preparação das bases para a fase do desenvolvimento.

3.1.3 Os elementos visuais como facilitadores na comunicação