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CAPÍTULO 1 – TRAJETÓRIA INTELECTUAL DE THURMAN ARNOLD: DA

1.4 O chamado de Washington (1933-1938)

A produção de Arnold em Yale e os debates nos quais estava inserido chamaram a atenção de membros do governo Roosevelt, empenhados em trazer professores

144LIMONCIC, Flávio. op. cit., 2009, p.90.

145 ERNST, Daniel R. op. cit., 1993, p.99-100. 146 Ibid. p.91-92.

147 MAXWELL, Robert S. The Progressive Bridge: Reform Sentiment in the United States

between the New Freedom and the New Deal. Indiana Magazine of History, v. 63, n.2, jun. 1967, p.83-102.

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universitários para auxiliar na promoção do New Deal. Desde 1933, o nome de Arnold ganhava força na capital. Inicialmente ele advogou em defesa do Departamento de Agricultura em um processo envolvendo o Agricultural Adjustment Act.

No verão de 1934, foi para as Filipinas como conselheiro do Governador Geral local, Frank Murphy, na administração de outro empreendimento liberal fora dos Estados Unidos continental, o Jones-Costigan Sugar Act, que impôs um sistema de quota que regulava a produção do açúcar local. Nos seguintes anos de 1935 e 1936, serviu em Washington como examinador de ações judiciais da Securities and Exchange

Commission, liderada por seu amigo de Yale, William O. Douglas.

Se desligou temporariamente do ambiente acadêmico em 1937, quando atuou em seis casos ante a Suprema Corte norte-americana envolvendo a Divisão de Taxas do Departamento de Justiça. Nessa trajetória, entrou em contato com homens importantes na concepção do New Deal como Benjamin Cohen, Thomas Corcoran, Rexford Tugwell, Jerome Frank, Harold Ickes e Homer Cummings.

Foi dessa forma que acabou sendo nomeado no dia 21 de março de 1938 para o cargo de Procurador-Geral Adjunto na Divisão Antitruste do Departamento de Justiça, algo que causou surpresa na época, pois Arnold criticava o uso das ações antitruste até então, focadas no combate do monopólio e do tamanho das corporações.148 É possível

argumentar que ele acabou alçado ao cargo no Departamento de Justiça mais pelas suas contribuições com o New Deal do que por se tratar de um especialista na aplicação das leis antitruste.

É fato que Robert Jackson, o predecessor de Arnold na posição, e que assumiu o cargo de Advogado-Geral dos Estados Unidos, se situava ideologicamente de forma bem próxima daquela defendida pelos atomistas, condenando a concentração econômica de grandes corporações e percebendo nelas um empecilho à iniciativa privada individual.

Isso reforça o indício de que o prestígio que Thurman havia conquistado com outros importantes new dealers foi fundamental para sua indicação a um cargo do governo.149 Na opinião de Gene Gressley, o fato de Roosevelt querer se ligar cada vez mais ao que chamou de “clero” de professores universitários e Arnold apresentar “ideias seguras”, ou seja, favoráveis ao governo em suas obras, atraíram a visibilidade necessária para sua indicação.150

148 GRESSLEY, Gene M. op. cit., 1979, p.38-40.

149 MISCAMBLE, Wilson D. Thurman Arnold goes to Washington: A Look at Antitrust Policy

in the Later New Deal. The Business History Review, v.56, n.1, spring 1982, p.1-15.

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Imagem 1: Thurman Arnold (centro) fazendo juramento para o cargo de Assistant Attorney

General (Procurador Geral Adjunto) da Divisão Antitruste, com o Attorney General (Procurador

Geral) Homer Cummings (direita) e o Solicitor General (Advogado-Geral) Robert Jackson (esquerda). Fonte: https://www.roberthjackson.org/artifact/thurman-arnold-sworn-in-as- assistant-attorney-general-march-1938/

Sua entrada no governo representou a oportunidade de atuar diretamente na defesa do New Deal. Douglas Ayer, acadêmico do Direito que estudou as propostas e atuação de Arnold, afirmou que grande parte do interesse sobre o New Deal para um progressista como ele estava justamente na entrada de um novo aparato governamental capaz de tornar mais eficiente a resolução de disputas sociais.151

O trabalho de Arnold na Divisão Antitruste foi responsável por ampliar consideravelmente o tamanho e os recursos do órgão, aumentando o número de advogados de 58 para 300 e de processos de 923 em 1938 para 3,4 mil em 1940.152 Seu método de expansão se deu através de duas situações: primeiramente pela sua capacidade de conseguir mais dinheiro para o tesouro através de penas e acordos do que o que era gasto em ações penais, e também pela forma como utilizou táticas agressivas para fechar

151 AYER, Douglas. op. cit., 1971 p.1077-1078. 152 BRINKLEY, Alan. op. cit., 1993, p.565.

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acordos entre o governo e as empresas, a partir de processos contra indústrias de diferentes setores.

Seu tempo na administração foi marcado por uma tentativa de adaptar a Lei Sherman Antitruste, buscando disciplinar o comportamento de homens de negócios, incitando o fim de práticas que considerava injustas no setor produtivo. Suas ações denunciavam também “práticas não competitivas” não restritas a firmas e organizações individuais, mas verdadeiras cadeias de produção.

O setor mais impactado por sua atuação foi o de construção, considerado pelos defensores do New Deal um dos grandes obstáculos na recuperação econômica da nação. Arnold acreditava que o ramo era caracterizado por restrições e tarifas protecionistas que impediam mudanças consideráveis. E um dos maiores empecilhos para ele estava na ação dos sindicatos relacionados ao setor de construção civil. Arnold acusava o segmento de se recusar a usar novos produtos e processos que tornariam a indústria mais efetiva, “por temerem que o novo método pudesse possibilitar a construção da casa em menos horas de trabalho do que o antigo”, representando para eles perdas financeiras.153

Isso demonstrava seu comprometimento com o ideal de eficiência, mesmo que resultasse em conflitos com uma parcela da sociedade aparentemente cada vez mais alinhada ao New Deal: a dos trabalhadores sindicalizados. Desde quando se lançou como candidato a reeleição em 1936, Roosevelt teve grupos ligados ao CIO colocando-o como apoiador dos movimentos sindicais. Lideranças à época promoveram o slogan “The

President Wants You to Organize” (O presidente quer você no trabalho organizado). Essa

aproximação com os trabalhadores foi bastante motivada pelas expectativas que surgiram a partir da Lei Wagner que levaram movimentos a notarem uma relação entre a participação em sindicatos e a melhoria de suas condições de vida.154

Porém, antes mesmo de participar diretamente do New Deal, Arnold alcançou um segmento de leitores a nível nacional com suas obras Symbols e Folklore, que ressonaram principalmente em Washington, pavimentando seu caminho para o governo.155 Nos propomos dessa forma a considerar a trajetória pessoal e intelectual do autor, além de contextualizar as mudanças do New Deal e o liberalismo dentro do âmbito da Grande Depressão, como forma de melhor compreendermos o conteúdo das obras de Arnold.

153 Ibid. p.565-566.

154 BRODY, David. Workers in Industrial America. Essays on the 20th Century Struggle. New

York: Oxford University Press, 1980, p.146; FRASER, Steve. The “Labor Question”. In: FRASER, Steve; GERSTLE, Gary (org). The Rise and Fall of the New Deal Order, (1930-1980). Princeton: Princeton University Press, 1989, p.68-69.

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Passamos agora a analisá-las, identificando o projeto político defendido pelo autor e como ele caracterizou a atuação do governo Roosevelt e a oposição ao New Deal.

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CAPÍTULO 2 – Diagnósticos sobre a sociedade norte-americana durante a