Os primeiros momentos vividos neste ano de EP perpetuarão na minha memória para todo o sempre. Nunca mais me esquecerei do dia em que pela primeira vez entrei na ESE com um papel oposto ao qual de lá tinha saído uns anos antes, cabendo-me a partir desse momento retribuir um pouco do que esta instituição me deu. Foi uma sensação incrivelmente agradável e reconfortante voltar a ultrapassar os grandes portões do estabelecimento que me formou, me construiu, me fez num Homem. Ouvir e ser visto como o Professor Marco Lima fez-me sentir orgulhoso por todo o empenho e árduo trabalho desenvolvido durante a quase totalidade da minha vida. Dia treze de setembro do ano transato deu-se este tão esperado momento, o início oficial do EP, o primeiro dia em que assumi funções que farão parte da minha vida futura. Tratou-se da reunião geral dos professores onde os órgãos máximos deste estabelecimento de ensino deram as boas vindas a todos os professores e auxiliares pertencentes à ESE, desejando-lhes as maiores felicidades para a um novo ano letivo de trabalho.
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A grande ênfase e entusiasmo dado a este momento têm como fundamento justificativo o facto de ter sido reconhecido, abordado e confrontado com o estatuto de Professor. A primeira vez que estive do lado oposto ao que sempre vivi até esta data. Os instantes iniciais desta reunião foram absolutamente mercantes, senti uma mescla de sensações que até então me eram totalmente desconhecidas. Como forma de transmitir com maior rigor e qualidade a experiência passo a citar um pequeno excerto proveniente da reflexão realizada incidente neste episódio do meu EP “ Entrar no
polivalente e ver cerca de duzentos e vinte profissionais de educação, estando eu pela primeira vez incluído neste número, foi um momento de fusão de várias sensações que jamais irei esquecer. Ouvir e ser visto como o “Professor Marco” foi para mim muito gratificante, tratando-se de um sentimento de muito orgulho por todo o trabalho e empenho que tive até à data. Esta nova expressão e estatuto funciona como que uma congratulação por todo o labor desenvolvido desde sempre”.
Tal como foi referido nos textos referentes à caracterização da ESE, bem como, nas expectativas que tinha no início do EP da mesma instituição, o estabelecimento em causa significa muito para mim, foi através dele e de todos os elementos que o constituem que me foi possível chegar a esta fase terminal do curso e olhar para os momentos que marcaram o início no EP e redigi-los no relatório do mesmo. Sem a existência da ESE na minha vida nada disto seria possível, contudo, apesar deste reconhecimento estar a ser escrito neste momento, o mesmo não se realizou apenas nesta altura. Já no momento em que havia “abandonado” a instituição no final do secundário realizei esta retrospetiva, chegando à conclusão da suprema importância que a instituição teve na minha formação. Nesse momento, e como forma de retribuição por tudo o que a ESE me tinha dado, coloquei a mim próprio o objetivo de que um dia iria voltar a entrar na escola como “Professor Marco Lima”. Todas as memórias e todo o reconhecimento do valor do estabelecimento em causa tornaram as fortes sensações vividas na reunião mais claras, ouvir pela primeira vez nesta reunião a expressão “Professor Marco” foi para mim um (quase) cumprimento da meta anteriormente referenciada.
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Este primeiro dia como professor ficou marcado por um experienciar de sensações incrivelmente agradáveis, funcionando como alento para o trabalho que a partir daí se avizinhava. Esta é a razão porque descrevo e reflito sobre este tão efusiva e entusiasmadamente. Um outro momento de enorme relevância neste primeiro impacto com a profissão foi quando alguns dos professores que me tinham dado aulas enquanto eu era ainda “pequenino”, professores que me ajudaram a construir a pessoa que sou hoje, professores que me auxiliaram nesta caminhada, professores que de certa forma me forneceram as base sólidas para que eu conseguisse colmatar com sucesso o objetivo ao qual me tinha proposto, me abordaram com um certo espanto/felicidade mencionando que agora éramos colegas de profissão. Passar de uma perspetiva de aluno para uma perspetiva de colegas de profissão, de parceiros com o objetivo comum de bem ensinar é para mim motivo de realização plena e de uma exaltação de sensações, vividas em tão curto espaço de tempo. Toda esta agitação emocional funcionou como um verdadeiro estímulo para uma dedicação máxima ao meu trabalho, tendo como objetivo fornecer aos meus alunos o que estes professores me forneceram.
Após a vivência deste choque com o papel de professor na reunião acima referida, passarei para um outro momento igualmente marcante que também ele perpetuará ma minha memória com elevada estima por muitos anos, tratando-se da primeira aula que ministrei à turma como a qual desenvolvi todo o trabalho durante o EP e me construi como professor de EF. Este primeiro contacto, tal como referi na reflexão do mesmo “ tratou-se de um
momento marcado por uma mistura de sensações, de um nervosismo elevado, de um “quase pânico”” Nunca mais me esquecerei da agitação sentida, do
aumento brusco do batimento cardíaco, das mãos suadas, sensações que ocorreram desde a minha entrada na sala de estudo acompanhado até ao ouvir o barulho da porta a fechar quando o último aluno entrou. Tinha diante de mim trinta e quatro olhos e ouvidos prontos a captar tudo o que iria sair da minha boca, todos os meus gestos, analisando-me, conhecendo-me, sendo este comportamento completamente normal quando se contacta pela primeira vez com alguém que nos vai acompanhar durante todo o ano. Tudo isto funcionava
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como um peso enorme, incutindo-me uma grande responsabilidade perante os alunos. As primeiras palavras custavam a sair, contudo penso que consegui gerir com distinção este “Pânico Controlado”e demonstrar a segurança necessária para fazer cumprir com sucesso os objetivos desta primeira aula, que se prendiam como a minha apresentação aos alunos e vive versa, com o estabelecimento de algumas regras que iriam orientar todo o ano letivo.
Posteriormente à apresentação, tanto minha como dos alunos como a apresentação dos objetivos, finalidades, regras e condutas que iam marcar todo o ano na disciplina de EF, era tempo de aprofundar um pouco mais o conhecimento dos alunos com que iria trabalhar. Posto isto e considerando que para que o processo de ensino a aprendizagem seja eficaz este tem que ser ajustado a quem se vai dirigir, cada um dos alunos realizou o preenchimento de uma ficha de caracterização individual (Anexo 1) para que com isso me fosse possível desenvolver um planeamento mais coerente, articulando diversos saberes, de forma a construir decisões que promovessem o desenvolvimento e a aprendizagem desejadas.
Após a vivência destes momentos tão marcantes e de enorme importância para o correto desenrolar do ano letivo, era tempo de me debruçar sobre o planeamento do processo de ensino-aprendizagem que iria desenvolver, atendendo às características que o contexto me apresentava, bem como, às dos alunos a quem iria ser dirigido. Partindo da certeza que o ensino e mais concretamente uma aula não se resume apenas ao intervalo de tempo existente entre o toque de entrada e de saída, e sabendo que o ensino tem início a partir do momento que o professor pensa nele, para além de ser criado duas vezes: uma no momento de conceção e posteriormente no momento de realização (Bento, 2004).
A primeira tarefa realizada, considerando o nível de menor especificidade do planeamento, foi a análise de alguns documentos que o Prof. Eduardo facultou aos estagiários numa das primeiras reuniões que tivemos. Estes documentos elucidaram-me acerca da filosofia e do caminho que a instituição em causa quer fazer cumprir, funcionando como impulsionadores da minha integração nesta primeira fase de elevada turbulência, sendo os
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documentos o Projeto Educativo de Escola (PEE), o Regulamento Interno da ESE e o Calendário Escolar. Estes documentos focavam a projeção do ensino num quadro de conceção pedagógica referente à escola onde iria estagiar.
Dado por concluído a análise dos documentos referidos era tempo de proceder a análise do Programa Nacional de Educação Física (PNEF) refletindo sobre as finalidades, objetivos, conteúdos e indicações metodológicas para os alunos do 12º de escolaridade, de seguida debrucei-me sobre o Projeto Curricular de Educação Física (PCEF), desenvolvido pelo Grupo de EF da ESE, tratando-se este último de uma adaptação do PNEF às condições da instituição. Este processo de análise foi realizado, sempre com as características dos alunos em mente, surgindo nesta linha de pensamento Bento (2004) ao afirmar que, o professor deve ter em mente que o programa é obrigatório mas não é nenhum dogma, cabendo ao mesmo ver quais os domínios de objetivos, de matéria e de processos de ação que são imprescindíveis ao desenvolvimento dos alunos. Pretendo com isto dizer que o processo de ensino e aprendizagem que desenvolvi tinha como elementos que o orientavam as particularidades dos elementos constituintes da turma e o que era exigido nos programas e mais concretamente do PCEF. O mesmo autor (Bento, 1987) refere que professor, à luz de princípios pedagógicos, psicológicos e didático-metodológicos, planifica as indicações contidas no programa, tendo em atenção as condições pessoais, materiais e locais, a fim de guiar o processo de desenvolvimento dos diferentes domínios da personalidade dos alunos.
Tendo como ponto orientador da construção do planeamento do processo de ensino-aprendizagem as características dos alunos, o conhecimento das mesmas é algo absolutamente fundamental para a adequação do ensino desenvolvido. Partindo deste propósito, antes mesmo de ter iniciado a construção do planeamento anual, por aconselhamento do professor cooperante Prof. Eduardo Rodrigues, as primeiras seis aulas de cada uma das turmas dos EE pertencente ao núcleo 1 tiveram a presença dos três EE em cada uma delas, como forma de facilitar a integração no papel de professor. Estas aulas foram dedicadas à realização dos Testes Fitnessgram e
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Avaliações Iniciais de todas as modalidades que iriam ser lecionadas ao longo do ano. As aulas dedicadas à realização das avaliações iniciais tiveram como elementos fundamentais o ensino e a aprendizagem, reinando um clima de desafio constante e permanente (Carvalho 2004).
A realização de todas as avaliações iniciais no começo do ano letivo foi uma estratégia importante como forma de conseguirmos gerir melhor o tempo para a realização das inúmeras tarefas que a organização do EP nos impunha, onde o planeamento anual estava incluído, e ao mesmo tempo conseguirmo- nos orientar melhor neste choque com a realidade, uma vez que as aulas eram de dificuldade reduzida em comparação com as aulas que se seguiram. Com esta estratégia tornou-se possível aprofundar o conhecimento dos alunos, sendo este conhecimento fundamental para a construção do planeamento nos três níveis de especificidade. Defendendo a metodologia utilizada, esta estratégia de realizar todas as avaliações iniciais no início do ano, surge Carvalho (1994) ao referir que a adoção desta metodologia coloca o aluno no centro do planeamento de todo o processo de ensino-aprendizagem, pois só assim se torna possível dar sentido ao planeamento das matérias prioritárias, ao tempo dispendido em cada matéria e à sequenciação de lecionação de cada uma delas. Corroborando com o que foi referido, Rink (1993) afirma que a quantidade de tempo dedicada a cada unidade temática tem como base justificativa as necessidades e características a quem o processo de ensino- aprendizagem se dirige, patenteando claramente este facto a importância do profundo conhecimento dos alunos para que a construção de um planeamento ajustado, sendo só desta forma possível que este tenha sucesso.
Passando para o capítulo referente às dificuldades enfrentadas, a que mais se destaca foi a forma como as avaliações iniciais eram realizadas, mais concretamente o que avaliar e como avaliar. Devido a uma falta de experiência na docência de aulas de EF, tanto para mim como para os outros EE, foi extremamente complexo e desafiante ter que lidar com as questões avaliativas tão intensamente logo no início do ano. Definir o que iria ser avaliado em cada modalidade, encontrar a forma de registo destas informações e o posterior
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tratamento das mesmas foi uma das maiores dificuldades vivenciada no início do EP.