1. Desejo: teoria e ação
1.2. Habitar coletivo
1.2.1. O desejo de estar junto
Em Juntos: os rituais, os prazeres e a política da cooperação, Richard Sennett aponta que, por algum motivo, a intolerância e o ódio ao outro têm crescido em nossa sociedade, e se tornado cada dia mais explícitos. O autor introduz seu pensamento apontando como as pessoas em geral têm apresentado um comportamento agressivo e tribal, sendo que
O tribalismo une solidariedade com aqueles que se parecem e agressão aos que são diferentes. É um impulso natural, já que os animais são em sua maioria tribais; caçam em bandos e delimitam territórios a serem defendidos; a tribo é necessária para sua sobrevivência. Nas sociedades humanas, contudo, o tribalismo pode revelar-se contraproducente. (SENNETT, 2013, p. 14).
O comportamento tribal e hegemônico não permite a convivência com o outro e com o diferente, o que o torna excludente e delimita a diversidade humana. A cidade, entretanto, permanece sendo o lugar da convivência e também da cooperação, que por sua vez pode ser definida como “[...] uma troca em que ambas as partes se beneficiam. ” (SENNETT, 2013, p. 15).
Diretamente proporcional à escalada do ódio, o amor deve destacar-se como a maior forma possível de resistência. O amor de construir, de estar junto, de agir, de imaginar, de criar, de manifestar-se e de viver, juntamente com a empatia, é aquilo que fortalece uma sociedade em que o ódio está em ascensão. A resistência, assim como a própria vida na cidade, pressupõe a união, isto é, estar junto. Não há possibilidade de viver isoladamente no ambiente urbano, pois o ser humano é um animal social que estabelece relações das quais depende para viver. A coletividade é uma potência capaz de transformar situações e cidades inteiras.
A cidade enquanto estrutura física é o que comporta grande parte das dinâmicas da sociedade. Entretanto, a cidade não se basta enquanto suporte da vida humana, pois é também a maior criação da humanidade. Em uma cidade, todos seus habitantes, por meio de suas histórias, suas experiências e seus percursos, têm a possibilidade de agregar à vida urbana e às narrativas coletivas, ao passo que se transformam realidades a partir da subjetividade de cada um. De tal forma, que a cada instante são
criadas novas camadas de narrativas que se sobrepõem na cidade e produzem uma trama complexa e plural. Assim, entende-se que a cidade é um produto social e uma obra aberta em constante transformação.
A cidade é o lugar do habitar coletivo, em que pessoas transitam e se encontram a fim de se conectarem e onde realizam trocas. Este habitar, portanto, não se limita a um sentido de habitação, ou de moradia, mas um sentido mais amplo que define diferentes formas de ocupação da cidade.
Na autoestrada, o motorista de caminhão está em casa, embora ali não seja a sua residência; na tecelagem, a tecelã está em casa, mesmo não sendo ali a sua habitação. Na usina elétrica, o engenheiro está em casa, mesmo não sendo ali a sua habitação. Essas construções oferecem ao homem um abrigo. (HEIDEGGER, 1954).
O habitar pressupõe o construir, sendo que só é possível habitar aquilo que foi construído. “Habitar seria, em todo caso, o fim que se impõe a todo construir. Habitar e construir encontram-se, assim, numa relação de meios e fins. ” (HEIDEGGER, 1954). Desta maneira, a finalidade maior do construir é o habitar. Além do sentido substancial de edificar construções, construir ainda pode apresentar um sentido de imaginar, de dar existência a algo e de cultivar, que do latim é colere, cultura. Portanto, construir é um meio de dar existência ao habitar, de tal forma que ambos estão diretamente ligados, um define o outro. Para construir com qualidade, é preciso saber habitar.
Assim, o sujeito que habita a cidade é o sujeito que vivencia e experimenta a cidade. Esta prática é um hábito que leva certo tempo e apreço. Habitar a cidade é compreendê-la como um abrigo não apenas a si, mas também aos mais diversos sujeitos que a ocupam. É essencial perceber que cada relação entre indivíduo e cidade exprime um diferente habitar.
Quando Heidegger (1954) aponta que “habitar é bem mais um demorar-se junto às coisas. ”, entende-se que é necessário demorar, isto é, observar com atenção e ter empatia em relação a outras formas de habitar. Assim, enquanto o olhar se direciona à experiência do outro, constrói-se algo capaz de ser habitado com êxito.
As ruas, calçadas, parques, praças e outros espaços públicos são os lugares mais democráticos da cidade, pois são aqueles que possibilitam um habitar ao maior
número de cidadãos de uma cidade. No entanto, muitas arquiteturas também podem se abrir ao uso público e às dinâmicas urbanas do cotidiano. Estas arquiteturas podem, inclusive, estar localizadas em lotes privados e apresentar programas específicos, porém se tornam especiais e distintas quando seus espaços estão mesclados com o tecido urbano. Isso ocorre de tal forma, que é permitida a cidade que penetre e se infiltre por entre as estruturas destes edifícios, distribuindo seus fluxos, diversidade e vida pública. Tal abertura pode ocorrer no térreo dos edifícios, como é mais comum, porém pode ocorrer também em diferentes níveis, que possibilitam transposições que oferecem experiências em patamares criados da cidade. Em alguns casos torna-se possível observar e contemplar a cidade de pontos até então restritos.
A arquiteta Maria Isabel Villac (2018) em seu texto Condensador social: uma questão para a vida pública contemporânea propõe um contraponto ao texto Híbrido versus Condensador social da autora Aurora Fernández Per, que afirma que condensador social é “[...] um edifício autossuficiente e ‘completo’ que possa se isolar na cidade” (PER, 2009 apud VILLAC, 2018, p. 99). Villac (2018, p. 103) critica a avaliação da autora espanhola, se propõe a discorrer sobre o tema e afirma que
[...] condensadores sociais – compreendidos como indutores de relações sociais humanas consideradas como de fundamental importância cultural – promovem a convivência e a simultaneidade de atividades, distinguindo, assim, a cultura cidadã em amplo espectro.
O edifício híbrido atrai as pessoas devido a sua natureza multifuncional e a variedade de usos e programas que oferece. Tendo grande parte das suas atividades se aproximando de um estilo de vida ligado ao consumo, é comumente associado ao sistema capitalista. O condensador social, por outro lado, tem como grande atrativo a possibilidade de compartilhar práticas, por isso é mais associado às culturas de sociabilidade e à partilha da vida cotidiana.
O condensador social, como inicialmente idealizado na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), tratava-se de um edifício habitacional servido de uma rede de espaços comunais que ofertavam serviços e instalações essenciais do cotidiano. O que significava uma grande ruptura, pois tais tipos de serviços “tendem a se organizar na vida privada” (VILLAC, 2018, p. 100).
A arquitetura soviética dos anos 1920 pretendia criar a possibilidade de uma sociedade que estivesse de acordo com a Revolução de 1917, de tal maneira que a arquitetura acompanhava o projeto social e político do contexto revolucionário. Kopp (1990, p. 74) aponta que esta estratégia não é uma novidade. Até mesmo os utopistas do século XIX e da Antiguidade afirmavam que para transformar a sociedade seria necessário transformar seu espaço simultaneamente, pois a conformação espacial é essencial para a implantação das transformações sociais, políticas e econômicas a serem promovidas.
A ideia, portanto, seria “contribuir para a transformação social através da organização do espaço, considerada como um ‘condensador social’” (KOPP, 1990, p. 75). Assim seria possível garantir a efetividade das transformações desejadas. Arquitetos e outros agentes empenhados na construção da nova sociedade e na organização desse novo ambiente, identificados como construtivistas, estavam alinhados com o contexto revolucionário soviético de transformação social e buscaram criar a imagem e a espacialidade da sociedade porvir.
Além de transformar as estruturas políticas e econômicas da Rússia, a Revolução de 1917 pretendia difundir cultura e conhecimento por todo o país. Sendo assim, visava desencadear uma revolução cultural que atingisse todos os aspectos da cultura do trabalho, da cultura da vida e da vida cotidiana. Os arquitetos construtivistas acreditavam que a arquitetura soviética deveria “cristalizar o novo modo de vida socialista” (KOPP, 1990, p. 79), como foi anunciado em 1926 no primeiro número da revista Arquitetura Contemporânea7.
Assim, o objetivo da Revolução era, também, a remodelação total do modo de vida das pessoas, baseando-se em uma “prática social fundada no coletivo ao invés do individual” (KOPP, 1990, p. 86). Seria remodelada inclusive a estrutura familiar tradicional, o que provocaria transformações no modo de morar e nas arquiteturas habitacionais, como a adoção dos condensadores sociais.
7 A revista Arquitetura Contemporânea (Sovremennaia Arkhitektura), publicada pela primeira vez em 1926, foi organizada pela União dos Arquitetos Contemporâneos (OSA), que se declaravam “construtivistas” e se situavam no campo da “nova arquitetura”, que buscava a transformação revolucionária da sociedade.
A proposta do condensador social era criar uma maneira moderna de viver que privilegiava vivências coletivas. Isso significa que este modo experimental e soviético de viver buscava reestruturar a vida diária e construir novas formas de habitação coletiva através da arquitetura. E assim, construir uma nova sociedade que passaria a socializar aspectos e vivências até então privados à estrutura familiar.
O edifício Narkomfin é um conhecido condensador social soviético projetado por Moisei Ginzburg e Ignaty Milinis em 1928 e construído em Moscou. A partir da análise das plantas do edifício Narkomfin (Fig. 2), percebe-se os tamanhos reduzidos das células habitacionais, que eram destinadas, sobretudo, para descansar, o que incentivava os habitantes a usufruírem os espaços comunais localizados no volume anexo e a exercerem uma vida coletiva. Tal organização espacial vislumbrava transformações culturais na sociedade e no próprio núcleo familiar tradicional.
A vida privada e familiar dava espaço a uma vida organizada em comunidades, que seria uma maneira socialmente mais interessante de viver. Nestas comunidades se destacavam a ajuda mútua e a socialização de funções, que até então se encontravam na esfera privada. Isso ocorria na organização da cozinha, feita coletivamente por homens e mulheres, enquanto as refeições eram realizadas em grupo, não por obrigação, mas pela existência de um espírito comunitário. As demais tarefas domésticas também eram socializadas. Estas mudanças colocavam em discussão questões de gênero e o papel da mulher na sociedade. Assim, certas atividades deixavam de ser exclusivas a algumas pessoas e se tornavam presentes no cotidiano de todos. A sistematização das tarefas permitia às pessoas que tivessem mais tempo disponível para realizar atividades intelectuais, culturais e físicas.
A arquitetura ocidental e o movimento modernista foram fortemente influenciados pelas vanguardas da escola soviética Vkuthemas e da alemã Bauhaus e pelo movimento político-estético construtivista como um todo. Kopp (1990, p. 111) aponta que na URSS, a arquitetura construtivista buscava se adequar e participar do projeto de construção da nova sociedade soviética, sendo assim tratava-se de uma causa social.
Figura 1: Edifício Habitacional Narkomfin (1928) localizado em Moscou, Rússica. Projeto de Moisei Ginzburg e Ignaty Milinis. Foto: Robert Byron.
O condensador social, entretanto, não existe mais como fora pensado na URSS. O que persiste são outras formas de morar e de viver que também se baseiam na coletividade e que se apoiam na arquitetura para organizar maneiras de socializar a vida pública na cidade. Ao citar os edifícios do Sesc Pompeia e do Centro Cultural São Paulo, Villac (2018, p. 103) os classifica como condensadores sociais contemporâneos, pois “embora não tratem de edifícios habitacionais, promovem um ‘habitar coletivo’ nos espaços públicos”.
Um condensador social contemporâneo é um edifício que atende os interesses das pessoas enquanto sujeitos sociais. Seus espaços são abertos aos desejos de seus frequentadores, seres plurais e ocupantes da cidade, que por meio da presença do outro, sentem a necessidade do encontro e das práticas de sociabilidade para que possam experimentar e expressar a vida de maneira pública. Caminhar por um condensador social contemporâneo é como caminhar pela rua, pois é o espaço da imprevisibilidade e da diversidade. Seus espaços são compartilhados assim como a cidade e os antigos condensadores sociais soviéticos, portanto é necessário exercer a alteridade e conviver com o diferente.
No caso do Centro Cultural São Paulo (CCSP), projetado a partir de 1976 por Eurico Prado Lopes e Luiz Telles e inaugurado em 1982, seus espaços se configuram como uma continuação da cidade. O extenso edifício se confunde com a paisagem e se acomoda na topografia do terreno, enquanto uma rua pedonal interna nasce no acesso da estação do Metrô e penetra a edificação, cortando-a longitudinalmente e transportando pessoas aos seus espaços interiores. Assim, o CCSP se abre generosamente à cidade enquanto permite aos transeuntes que percorram por seus amplos acessos e largos percursos. Desta forma, sua arquitetura não contempla a escala do ser humano como indivíduo, mas assume a escala do ser humano enquanto coletivo.
O CCSP busca acolher as pessoas e oferecer espaço para que seus desejos se manifestem. Enquanto garante a participação dos usuários, incentiva a relação com o outro e instiga um modo de vida público que abre mão de individualidades. Suas lajes apresentam rasgos que criam uma espacialidade que proporciona perspectivas distintas e trazem ao visitante a sensação de liberdade, possibilitada também pelos seus percursos.
Figura 3: Pátio do Centro Cultural São Paulo. Foto: Arthur Rocha.
A arquitetura do CCSP oferece espaços amplos e livres que possibilitam diversos usos, inclusive nas coberturas, onde estão os jardins. Na Figura 3 observamos um dos seus pátios ocupado por diversos grupos. Muitos jovens usam o espaço para se encontrar depois das aulas e conversar, outros levam caixas de som e organizam grupos de dança que ensaiam coreografias. A indeterminação programática destes ambientes permite que sejam ocupados por numerosas dinâmicas, o que traz movimento e diversidade aos seus interiores, enquanto proporciona o encontro do desejo com o espaço. A arquitetura se torna um importante suporte onde estão contidas as pessoas com seus movimentos, suas experiências, seus eventos e seus desejos. Em seus interiores existe toda uma dinâmica que abriga pessoas com diferentes necessidades e vontades, por isso o CCSP pode ser considerado um condensador social contemporâneo.
No livro A Condição humana, a filósofa Hannah Arendt (1997, p. 31) afirma que o ser humano necessita da presença do outro para viver.
[...] nenhuma vida humana, nem mesmo a vida do eremita em meio à natureza selvagem, é possível sem um mundo que, direta ou indiretamente, testemunhe a presença de outros seres humanos.
Esta necessidade da convivência com o outro existe, porque o ser humano é um ser social. Faz parte da existência humana querer ver e ser visto. Pelo pensamento de Arendt (1997, p. 60), o ser humano é um ser gregário, e estar junto garante sua humanidade de fato.
A presença de outros que veem o que vemos e ouvem o que ouvimos garante-nos a realidade do mundo e de nós mesmos; e, embora a intimidade de uma vida privada plenamente desenvolvida, tal como jamais se conheceu antes do surgimento da era moderna e do concomitante declínio da esfera pública, sempre intensifica e enriquece grandemente toda a escala de emoções subjetivas e sentimentos privados, esta intensificação sempre ocorre às custas da garantia da realidade do mundo e dos homens.
A realidade do mundo e de nós mesmos, como apontado pela autora, se dá na esfera pública do espaço urbano físico, que é essencial para a existência da ação política, pois é onde o sujeito é visto e, a princípio, pode circular livremente. A cidade é aquilo que ampara as práticas políticas, os desejos (que são a origem das práticas) e os
as práticas ocorrem). Portanto, a cidade possibilita uma potência cotidiana através de suas práticas.
O desejo de estar junto liberta as pessoas de suas residências e seus universos particulares e as transporta às ruas onde podem se encontrar e exercer as práticas da vida pública. Tal desejo aparece como um anseio no íntimo dos seres humanos que se desdobra em alguma mudança que se faz necessária. É aquilo que move os ocupantes da cidade e os une em volta de uma ideia comum e, muitas vezes, é o que ocupa os condensadores sociais contemporâneos.
A cidade de São Paulo, em sua condição metropolitana, está repleta de desejos dessa natureza. O Parque Augusta, por exemplo, nasceu dessa vontade do encontro que só é possível no espaço público. O local se tratava de um terreno privado ocupado por um estacionamento, portanto subutilizado, e passou a ser um ponto de encontro que abrigava os mais diversos acontecimentos. Diversos grupos e coletivos de arte passaram a usar o espaço por um bom tempo até que se tornou de conhecimento público que edifícios seriam construídos no terreno do parque.
Os diferentes grupos que ocupavam o Parque Augusta se organizaram e lutaram por sua preservação. Assim, após inúmeras discussões e reivindicações com os poderes público e privado, no âmbito da academia e em mesas de reunião dos gabinetes da Prefeitura do Município de São Paulo, o clamor popular fez com que o Parque Augusta se tornasse realidade por meio de um decreto municipal. Atualmente está sendo realizada uma obra no parque com base em um projeto comunitário elaborado a partir dos desejos coletados de indivíduos e ativistas do Movimento Parque Augusta. A população segue acompanhando as decisões judiciais e lutando pela gestão comunitária do parque.
Além do Parque Augusta, outro muito discutido exemplo de desejo de estar junto é o Elevado Presidente João Goulart8, o Parque Minhocão. Em 1989 a então prefeita Luiza Erundina determinou o fechamento da via elevada à noite e aos domingos devido ao desconforto e aos problemas de saúde causados aos moradores do
8 O nome original do Elevado Presidente João Goulart é Elevado Presidente Arthur da Costa e Silva, batizado por Paulo Maluf, o então prefeito de São Paulo, em homenagem a um dos presidentes do Brasil durante a ditadura militar. A mudança de nome foi em decorrência a uma lei que visava alterar vias que homenageassem pessoas vinculadas à repressão do regime militar.
entorno. Desde então, a via elevada para automóveis individuais teve sua funcionalidade expandida e recebeu gradativamente um novo uso relacionado ao lazer, tornando-se o Parque Minhocão, como é conhecido popularmente.
A falta de áreas de lazer apropriadas para os moradores do centro de São Paulo transformou-se em motriz para que, aos poucos, o extenso elevado de concreto que serpenteia pelo centro da cidade acolhesse novos atores nos horários em que permanecia fechado à circulação de veículos. À noite e aos finais de semana o Minhocão muda totalmente seu caráter e se transforma em espaço para práticas esportivas, atividades de lazer, caminhadas e passeios com cães, por exemplo. Hoje os carros vêm perdendo espaço para os pedestres e o elevado passa mais tempo como parque do que como via de trânsito.
Figura 5: Parque Minhocão em um sábado no fim da tarde com pessoas caminhando, correndo, andando de bicicleta e conversando. Fonte: Foto do autor.
Nos atuais debates sobre o assunto se discute se é mais pertinente manter o elevado em sua situação atual, a total transformação em parque ou o desmonte. O saudosismo e a possibilidade de reconfiguração da Rua São João como um boulevard sofisticado e arborizado com calçadas largas como era antes da construção do elevado gera o desejo de desmonte.
Os desejos na cidade são inúmeros e podem convergir ou divergir, criando conflitos, ou podem até formar uma convergência plural. Assim, o desejo é aquilo que gera
transformações na cidade todos os dias. Todas nossas ações, movimentos e tudo aquilo que se faz presente é motivado por algum desejo. O que move o mundo são os desejos. Eles podem ser bons ou ruins, felizes ou tristes, mas é a sua potência que é capaz de dar sentido a própria vida.