A TERCEIRA IDADE
3.1 O ENVELHECIMENTO POPULACIONAL
3.1 O ENVELHECIMENTO POPULACIONAL
O envelhecimento populacional é decorrência das mudanças na estrutura etária de uma população em direção a idades mais avançadas (GAVRILOV; HEUVELINE, 2003). O aumento relativo das pessoas acima de determinada idade, considerada como definidora do início da velhice, tem como fator principal o declínio da natalidade e o declínio da mortalidade nas idades mais avançadas. De acordo com Carvalho e Garcia (2003), esse processo “iniciou-se no final do século XIX em alguns países da Europa Ocidental, espalhou-se pelo resto do Primeiro Mundo, no século passado, e se estendeu, nas últimas décadas, por vários países do Terceiro Mundo, inclusive o Brasil” (CAR-VALHO; GARCIA, 2003, p.731).
Segundo dados da ONU, no século XX produziu-se uma revolução de longevi-dade. A expectativa média de vida ao nascer aumentou 20 anos desde 1950 e, segundo previsão, até 2050 terá aumentado em mais 10 anos. Esse triunfo demográfico e o rápi-do crescimento da população na primeira metade rápi-do século XXI significam que o núme-ro de pessoas com mais de 60 anos, que era apnúme-roximadamente de 600 milhões, no ano 2000, chegue a quase dois bilhões em 2050 (ONU, 2003).
Esse aumento será mais notável e mais rápido nos países em desenvolvimento, nos quais se prevê que a população idosa quadruplicará nos próximos 50 anos. Na Ásia e na América Latina, a proporção do grupo classificado como idosos aumentará de 8%
para 15% entre 1998 e 2025, ao passo que na África é previsto que esta proporção
28 Lei 8.842, de 4 de janeiro de 1994, e Lei 10.741, de 1º de outubro de 2003.
ça somente de 5% a 6% durante esse período, e que depois duplique até o ano de 2050 (ONU, 2002).
Segundo Valente:
Na América Latina o processo de envelhecimento populacional é mais acelerado do que na Europa. Em 2000, a população com mais de 60 anos era de 43 milhões, em 2025 estará em torno de 100,5 milhões e em 2050 chegará aos 183,7 milhões, segundo o Centro Latino-Americano e Caribenho de Demografia. Em 1975 os idosos eram 6,5%
da população, hoje chegam a 9%, até 2025 serão 14,8% e em 2050 a média dos países prevê 24,3%, segundo o estudo feito por essa entidade para a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe. Um exemplo de país envelhecido é Cuba, onde a projeção é que em 2050 os maiores de 60 anos representarão 37,5% da população. Assim, a pirâmide latino-americana vai se transformando em uma coluna retangular com a parte mais alta alargando-se inclusive pelo aumento de pessoas com mais de 80 anos (VALENTE, 2011).
Para Veras (2009), chegar à velhice é uma realidade populacional mesmo nos países mais pobres, “o crescimento da população de terceira idade é um fenômeno mun-dial e, no Brasil, as modificações ocorrem de forma radical e bastante acelerada”. As projeções mais conservadoras indicam que, em 2020, o Brasil será o sexto país do mun-do em número de imun-dosos, com um contingente superior a 30 milhões de pessoas (VERAS, 2009, p.549).
No Brasil, observou-se a partir do final dos anos 60, rapidíssima e generalizada queda da natalidade. Como consequência, teremos um elevado processo de envelheci-mento da população. Este processo será mais rápido e com mudanças estruturais, demo-graficamente falando, mais profundas do que nos países do Primeiro Mundo por duas razões: o declínio da fecundidade deu-se em um ritmo maior e origina-se de uma popu-lação mais jovem (CARVALHO; GARCIA, 2003, p.728). Fatores como o uso de con-traceptivos, que consequentemente influenciam na redução do tamanho das famílias, e o novo papel da mulher na sociedade (melhor nível de educação, ingresso ao mercado de trabalho, por exemplo) podem explicar essas mudanças (CAMARANO, 2004).
As pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010) mostram que o efeito combinado da redução dos níveis de natalidade e de mortalidade tem produzido transformações no padrão etário da população brasileira, sobretudo a partir de meados dos anos de 1980. O formato tipicamente triangular da pirâmide popu-lacional, com uma base alargada, está cedendo lugar a uma pirâmide populacional ca-racterística de uma sociedade em acelerado processo de envelhecimento.
As pirâmides etárias da Figura 3.1 mostram que, mantidas as tendências obser-vadas até 2006 nos parâmetros demográficos, o Brasil caminha velozmente rumo a um
perfil demográfico cada vez mais envelhecido, fenômeno que, sem sombra de dúvidas, implicará em adequações nas políticas sociais, particularmente aquelas voltadas para atender as crescentes demandas nas áreas da saúde, previdência e assistência social (IBGE, 2009).
Figura 3.1 – As pirâmides etárias desta figura são ilustrativas das transformações pela quais passará a estrutura por sexo e idade da população do Brasil, ao longo do período 1980-2050, de acordo
com resultados da projeção da população. Fonte: IBGE, Revisão 2008, p.70-72.
As rápidas transformações no perfil demográfico do Brasil em direção a uma população bastante envelhecida devem ser acompanhadas por medidas que promovam o bem-estar da sociedade, que logo estará frente a situações pouco comuns até um passa-do recente, destacanpassa-do-se o convívio de várias gerações dentro de um mesmo grupo familiar, propiciando enriquecedoras transferências entre gerações (IBGE, 2009).
Face a este novo cenário, o mobiliário urbano, as edificações públicas, privadas e para fins de moradia, os meios de transporte público, os conteúdos das disciplinas associadas à área médica, o próprio mercado de trabalho, os sistemas público e privado de saúde, bem como a previdência e a assistência social deverão passar por reestruturações para assegurar a inclusão, na família, na cidade e na sociedade de modo geral, de um contingente a cada dia mais volumoso de idosos (IBGE, 2009).
Conscientes desta evolução, representantes da América Latina, com apoio do Grupo dos 7729 mais a China, a maior coalizão em desenvolvimento da Organização das Nações Unidas, conseguiram que a Assembleia Geral aprovasse, em novembro de 2010, a criação de um grupo de trabalho sobre direitos das pessoas idosas. O grupo, proposto pelo Brasil e Argentina, vai liderar a elaboração de um tratado internacional de proteção dos direitos dos idosos, que cada vez mais são maioria na América Latina e no mundo (VALENTE, 2011).