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O ESTUDO FORMAL E O APRENDIZADO DA LÍNGUA ESTRANGEIRA

TÓPICO 2 – LANGUAGE LEARNING OU ESTUDO FORMAL

2.1 O ESTUDO FORMAL E O APRENDIZADO DA LÍNGUA ESTRANGEIRA

Conforme já mencionamos, aprender uma segunda língua é um investimento que terá validade por toda a vida. Aprender um segundo idioma, porém, não é fácil e demanda tempo, dedicação, persistência e boa vontade. Conforme já mencionamos na seção anterior, a melhor maneira de aprender uma

segunda língua é fazê-lo de maneira semelhante ao que aprendemos a nossa língua materna, ou seja, a partir da language acquisition. Nesta seção, porém, estudaremos um pouco mais sobre a language learning.

De acordo com Krashen e Terrel (1997), acquisition e learning são conceitos

totalmente diferentes e demandam muita atenção: a acquisition é a assimilação

natural da língua, ou seja, como aprendemos a nossa língua materna. Você se lembra de como aprendeu português, por exemplo? Sua mãe sentou para ensiná- lo ou você aprendeu automaticamente? Isso mesmo. Você não se lembra de sua mãe ter sentado ao seu lado e dito: agora vou te ensinar a falar português. Isso é a acquisition. Já o learning, é o que ocorre a partir do que chamamos de ensino formal, ou seja, há sim um professou/tutor/mediador que ensina. Por isso, na sala de aula, ocorre a language learning.

A língua materna, quando a aprendemos, já é comum aos nossos ouvidos, pois mesmo que inconscientemente, a ouvimos o tempo todo desde quando estávamos no ventre de nossas mães. Quando a criança entra na escola, aos seis anos de idade, aproximadamente, é que começa o aprendizado formal da língua, mas a esta altura, a criança já é falante há bastante tempo.

Perceba, acadêmico, que não é necessário saber as regras para que o falante seja fluente. Por exemplo: se você pedir para uma criança de seis anos o que é uma oração subordinada, uma ironia ou um advérbio de modo, ele não saberá responder, mas mesmo assim, ele utiliza estas estruturas diariamente em sua comunicação, portanto, é fluente na língua.

DICAS

Quando dizemos que uma pessoa é fluente na língua, queremos dizer que esta pessoa é capaz de utilizar os recursos da língua com naturalidade, sem precisar pensar para formar as estruturas. Assim, não é necessário conhecer as regras para ser fluente na língua, mas sim, saber utilizá-las de maneira eficaz.

Quanto à língua estrangeira, neste caso o inglês, Krashen e Terrel (1997) afirma que há quatro habilidades que devem ser desenvolvidas para a efetiva comunicação. São elas:

Compreensão auditiva: é necessário compreender o que o outro diz. Expressão oral: é necessário saber expressar-se de maneira compreensível

a partir da fala.

Leitura: é necessário compreender textos a partir da leitura dos mesmos. Escrita: é necessário saber comunicar-se a partir da correta escrita das

Estas habilidades, de acordo com o autor, são desenvolvidas a partir de situações reais de comunicação. Por esses motivos os cursos de imersão são tão procurados, pois expõem o aprendiz a situações nas quais estes são obrigados a conviver com o idioma, assimilando-o de maneira natural.

Conforme já mencionamos, há também a necessidade de estudar formalmente a língua (language learning), especialmente para você, acadêmico, que será futuramente professor de língua inglesa. Isto ocorre porque é necessário saber quais são as regras de aplicação em determinadas situações, por exemplo, quando utilizar o verbo irregular, qual a estrutura das frases interrogativas etc.

O aprendizado formal da língua não é somente necessário para nós, professores, mas para todos os cidadãos brasileiros, conforme preconizam os documentos que norteiam a educação (LDB, por exemplo). Lá, está descrita a obrigatoriedade de uma língua estrangeira nos currículos a partir do Ensino Fundamental II. Há escolas brasileiras que já aplicam o ensino da língua estrangeira desde a educação infantil. Esta situação está cada vez mais comum.

Quando ensinada desde a educação infantil, a língua estrangeira deve ser trabalhada de maneira lúdica, fazendo com que a criança a veja com curiosidade. O ensino do vocabulário e de pequenas sentenças de comando, como thank you ou excuse me são eficazes.

Durante todo o processo de aprendizado da língua inglesa (language learning), a partir do estudo formal, a atividade cognitiva é ampla, ou seja, mesmo que o professor pense que apenas ensinando vocabulário a criança não aprenderá, existe grande atuação cerebral durante esta assimilação, ou seja, tudo no processo de aprendizagem é válido, mesmo que pareça pouco significativo.

Já em torno de 11 anos, de acordo com Krashen e Terrel (1997), a criança passa a produzir estruturas mais complexas na língua. As inferências e o desempenho linguístico aumentam e nesta etapa o professor já pode abordar o funcionamento da língua, a partir da análise de pequenos gêneros textuais ou frases.

Acadêmico, mesmo que o ensino formal de língua inglesa seja o tradicional que conhecemos há muito tempo, vale ressaltar que todo o ensino deve ser contextualizado. O ensino a partir de frases soltas ou sem conexão é comprovadamente ineficaz. Lembre-se disso na hora de planejar suas aulas.

O uso de músicas é muito útil na hora de iniciar esta abordagem acerca do funcionamento da língua. Vamos a um exemplo? Observe a música a seguir:

Fix You (Coldplay)

When you try your best but you don't succeed When you get what you want but not what you need When you feel so tired but you can't sleep

Stuck in reverse

When the tears come streaming down your face When you lose something you can't replace When you love someone but it goes to waste Could it be worse?

...

A partir desta letra, você poderá ensinar a forma afirmativa do Present Simple Tense. Atividades como “substitua o pronome you por she” são muito eficazes para que o aluno compreenda as mudanças que ocorrem nas terceiras pessoas do verbo.

DICAS

No site <http://inglesar.com.br/musicas-em-ingles/> há dicas de músicas para ensinar de maneira eficaz e quais músicas não devemos utilizar com os alunos. Acesse e saiba mais!

Adiante, estudaremos como desenvolver a language learning. Você está pronto? Então, go ahead!

3 COMO DESENVOLVER A LANGUAGE LEARNING

Nesta etapa, falaremos um pouco sobre a L1 (primeira língua) e L2 (segunda língua). Já sabemos, a partir das leituras que realizamos, que a experiência linguística vem das vivências que temos ao longo da vida, correto? Sempre, ao longo de toda nossa existência, estaremos aprendendo alguma coisa, seja ela relacionada à língua ou não. O caminho que traçamos para aprender a L1 é, porém, diferente do caminho que percorremos para aprender a L2.

Para que possamos desenvolver a habilidade com uma L2 são necessários alguns recursos que não precisamos ao adquirir a L1, como o estudo formal. É claro que há exceções para todos os casos, mas a maior parte das pessoas que deseja aprender de fato uma L2 precisa estudar.

Existem muitas maneiras de aprender uma língua, os aprendizes podem ser visuais, quando aprendem melhor vendo algo ou lendo sobre; sinestésicos, quando necessitam de movimento ou de atividades práticas; ou auditivos, quando aprendem melhor apenas ouvindo. Estes aspectos individuais, de acordo com Prabhu (1990), acabam por interferir no aprendizado da L2.

Como desenvolver a language learning, afinal de contas? O exercício da aprendizagem dependerá de cada aprendiz. O contexto atual, o local de onde ele veio, sua cultura, seu estado emocional... enfim, tudo isso acaba por interferir no aprendizado de uma segunda língua. Por este motivo, reforça-se a tão famosa frase: cada aluno aprende de uma maneira diferente. E é isso mesmo.

A sala de aula, por ser heterogênea, é o local no qual o professor tem um enorme desafio: atingir o máximo de alunos possível com técnicas que o façam, de fato, aprender. Dinâmicas de grupo, por exemplo, não funcionam com alunos que sejam mais inibidos. Já as atividades de concentração não atingem os alunos mais agitados. Assim, o aprendizado de uma L2 depende de inúmeros fatores.

Na próxima seção veremos como o professor da L2 tem papel fundamental para este processo. Are you ready?

3.1 O PAPEL DO PROFESSOR NA LANGUAGE LEARNING