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SUMÁRIO

SUBDESENVOLVIMENTO 81 3.1 Aspectos da urbanização no capitalismo e suas implicações nos países periféricos

1.3 O fortalecimento da centralidade de Marabá, Imperatriz e Araguaína

Marabá é, dentre os quatro municípios, aquele que esteve vinculado a importantes processos econômicos com outras regiões do país desde períodos mais pretéritos. A ocupação efetiva de seu território foi iniciada no final do século XIX. Carlos Gomes Leitão, conhecido como Coronel Leitão, após sucessivas tentativas fracassadas de invadir a cidade de Boa Vista (atual Tocantinópolis-TO), desceu o rio Tocantins e fundou Itacaiúnas em 1895, que deu origem a Marabá44. Apesar disso, a exploração de drogas do sertão, feita por padres jesuítas durante o período colonial e, posteriormente, feita pelo monopólio português45, mostra que a posse desse território se deu num período mais antigo46.

Com o desenvolvimento da economia da borracha na Amazônia, da segunda metade do século XIX até o início do século XX, a extração de outras especiarias a floresta foi fortemente afetada. A cadeia produtiva da borracha passou a requerer, praticamente, toda a mão de obra e recursos disponíveis. Segundo Franklin (2008) houve inclusive extração da matéria- prima da borracha em Marabá, mesmo que de qualidade inferior, derivada das castanheiras. Com o fim do ciclo da borracha, não só o leste o Pará, mas toda a Amazônia passou por um período de forte estagnação47. O processo de industrialização do país, desde o início da década de 1930 e intensificado na segunda metade da década de 1950, não garantiu uma retomada da dinâmica produtiva da hinterlândia de Belém. Permitiu tão somente a incorporação da capital do Pará, e de áreas próximas, como espaços periféricos e dependentes do desenvolvimento industrial em curso no sudeste do país.

Foi somente com a descoberta de ouro e minério de ferro no oeste paraense, na década de 1970, e com a posterior construção da estrada de ferro Carajás, em 198548, que Marabá começou a apresentar maior importância para a região. Mas, diferentemente da dinâmica restrita à extração de Castanha do Pará, como em épocas anteriores, a estrada de ferro serve como meio de escoamento do minério de ferro extraído nas minas da serra dos Carajás. Marabá se destaca

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Para mais informações sobre essa história, ver Luis Gomez Palacín (1990), que retoma o escrito de 1935 de Ignácio Xavier da Silva, intitulado “O crime do Coronel Leitão”.

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Corrêa op. cit. 46

Ver aspectos gerais das cidades brasileiras segundo o IBGE. Disponível em: http://www.cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=150420&search=para|maraba|infograficos:-historico). Acesso em: maio 2014.

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Corrêa op. cit. 48

Essa ferrovia é, atualmente operada exclusivamente pela empresa Vale para envio do minério de ferro até o porto de Itaqui, localizado em São Luis-MA. Durante a existência da Companhia Vale do Rio Doce tal situação se repetia. Ver Estrada de Ferro Carajás – EFC (Resumo informativo da ferrovia). Disponível em: http://www2.transportes.gov.br/bit/03-ferro/3-princ-ferro/1- princ-emp-ferro/efc/links/inf-efc.htm. Acesso em: set. 2014.

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atualmente pela siderurgia resultante da extração de minério de ferro nesta serra. Os dados dos anos recentes do Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram uma relativa concentração de emprego em atividades ligadas à extração mineral49. Os dois municípios paraenses têm, portanto, uma dinâmica econômica relacionada. Ou seja, é a extração mineral pela empresa Vale que tornam suas cidades importantes para a região.

Por outro lado, Imperatriz, considerada o “Portal da Amazônia”, desenvolveu sua centralidade por meio da construção da rodovia Belém-Brasília. Estudos da rede urbana regional do IBGE mostram que Imperatriz, dentre estes municípios, foi o que apresentou o crescimento de sua centralidade mais rapidamente na região. Os dados da última contagem populacional apresentam um relativo estancamento do crescimento do município.

Antes de se tornar uma das maiores cidades da borda amazônica, a economia de Imperatriz passou ora por surtos econômicos relacionados à extração de borracha e castanha-do- pará em Marabá50 ou pelo abastecimento de carne para Belém, ora por estagnação econômica51. Na década de 1930 iniciou-se também um surto de garimpo de cristal e diamantes. Fundada em 1852 pelo frade carmelita Frei Manuel Procópio do Coração de Maria, sob o nome de vila de Santa Tereza do Tocantins, quando este se estabeleceu ali por meio de uma expedição do governo paraense que visava promover missões com os indígenas e ocupar a região, Imperatriz foi elevada à categoria de cidade em 192452.

Com a construção da rodovia Belém-Brasília, a cidade tornou-se dependente de dois grandes centros urbanos: Belém-PA e Goiânia-GO. O isolamento econômico de meados do século XX, cedeu lugar para a pecuária, produção de arroz e extração de madeira já integrados ao avanço da fronteira53. Asselin (2009) ressalta que a grilagem foi o principal mecanismo de

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Tais como extração de manganês; extração de outros minerais metálicos não-ferrosos; produção de laminados longos de aço; produção de ferro-gusa; produção de ferroligas dentre outros setores de menor peso relativo.

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No surto da borracha, Imperatriz tinha a função de porto dos migrantes que se deslocavam de várias regiões do nordeste rumo a Marabá. No período em que a extração de castanha era a principal atividade de Marabá, que perdura ao longo da primeira metade do século XX, Imperatriz servia de seus homens durante todo o inverso para a extração. Cf. Ver também FRANKLIN, Adalberto. Apontamentos e fontes para a história econômica de Imperatriz. Imperatriz: Ética, 2008.

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Asselin op. cit. Franklin op. cit. Este último autor detalha, com base em outras obras e em dados primários, os “ciclos econômicos de Imperatriz” (em seus próprios termos). Chamamos atenção para um certo romantismo presente em sua obra, de modo que em algumas passagens, o que é claramente pequenos surtos de um profundo isolamento econômico, o autor toma como possibilidade de redenção do objeto de estudo.

52 Ibid. 53

Valverde e Dias op. cit. esclarecem que a demanda pelo arroz do sul do Maranhão por estados produtores deste bem, como o caso de Minas e Goiás, se deve ao atendimento da população com produtos de pior qualidade, enquanto que as produções destes seguiam para o Rio de Janeiro e São Paulo.

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apropriação das terras devolutas e de pequenos posseiros e que resultaram na substituição dos tipos de produção já na década de 1960.

A própria construção da rodovia Belém-Brasília garantiu a Imperatriz o recebimento de uma população heterogênea em relação a seus precedentes socioespaciais. Vieram imigrantes nordestinos expulsos de suas regiões e em busca de emprego no novo empreendimento. Vieram trabalhadores especializados para a construção da rodovia e, também, responsáveis pela grilagem. Vieram comerciantes, principalmente do Goiás, que substituíram as oligarquias locais54. O município que tinha 39.367 habitantes em 1970, sendo que apenas 4.137 vivam na cidade, recebe um incremento populacional nos anos seguintes que resulta numa população superior a 200 mil habitantes em 198055.

Por esse motivo, Imperatriz se tornou a cidade mais importante da região em termos de prestação de comércio e serviços na região desde cedo. Somente no período mais recente que Araguaína, Marabá e Parauapebas passaram por transformações que as colocaram em níveis próximos daquela cidade. E ainda continua internalizando processos que amplia sua centralidade. Em março de 2014, a empresa Suzano Papel e Celulose, depois de anos investindo na plantação de eucaliptos no Sul do Maranhão e na região do Bico do Papagaio, inaugurou uma fábrica de celulose em Imperatriz com capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas/ano56.

O município de Araguaína, criado em 1958, pouco antes do início da construção da rodovia Belém-Brasília, em 196057, não se constituiu a partir de surtos de exportação do passado, típicos de outros territórios do país, mas sim como principal centro econômico e de interligação entre vários municípios da então região norte do estado de Goiás com outras regiões.

A localidade, que antes da chegada de João Batista da Silva e família em 1876, vindos do Piauí, era pertencente a uma vasta região habitada pela tribo Karajá, só tornou-se distrito em 1953. Em 1925 tornou-se povoado Lontra, com a chegada de outras famílias. Em

54 O que aqui caracterizamos como oligarquia representa um poder político mantido por meio de armas e de postos no serviço público, com pouquíssima inversão de capital. Isso ocorria de tal forma que não foi difícil, como mostra Asselin (2009), a ocupação de terras devolutas na região durante e após a construção da rodovia por pessoas de outras regiões, principalmente do sul de Goiás. Só foi difícil para os pequenos posseiros que, recorrentemente, perderam suas terras. Para uma leitura mais detalhada sobre o assunto ver Palacín (1990), Prado Jr. (1965) e Asselin (2009).

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Asselin op. cit. 56

Ver SUZANO PAPEL E CELULOSE. Suzano Papel e Celulose inaugurou fábrica em Imperatriz. Março de 2014. Disponível em: <http://www.suzano.com.br/portal/suzano-papele-celulose/suzano-na-imprensa-detalhes-216.htm>. Acesso em: set. 2014. 57

Ver IBGE. Cidades@ - Araguaína histórico. Disponível em: < http://www.cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=170210&search=|araguaina>. Acesso em: set. 2014; UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS (UFT). Campus de Araguaína - Município. Disponível em: http://ww1.uft.edu.br/index.php/institucional/campus-universitarios/18-campus-de-araguaina/10782-municipio. Acesso em: maio 2014.

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1948, passou a integrar o recém-criado município de Filadélfia, com o nome de povoado de Araguaína. Durante todo esse tempo, não passou de povoado e só foi constituído importante regionalmente com a construção da rodovia Belém-Brasília58.

E mantém sua centralidade até hoje, mesmo com o surgimento de outros importantes centros na região Norte e no estado do Tocantins. A importância econômica que a cidade adquiriu ao longo do tempo é fruto do avanço do processo de integração nacional via investimentos em infraestrutura de transportes e incentivos a processos econômicos ligados ao setor primário e à agroindústria.

Araguaína é conhecida como “capital do boi gordo”59

, dada a grande participação que a cadeia produtiva do bovino de corte tem na economia do município. Atualmente, é uma grande exportadora de carne bovina por meio do frigorífico da empresa Minerva Foods S.A. Apesar dessa especialização produtiva, o aumento de sua centralidade na região permitiu o fortalecimento de vários outros setores econômicos. O município situa-se na borda oriental da Amazônia, na região Norte do estado do Tocantins. Detém o segundo maior PIB do estado e também a segunda maior população, atrás apenas da capital, o município de Palmas. Se levarmos em conta esses dois parâmetros, é o maior município do estado dentre aqueles que surgiram como consequência da construção da rodovia Belém-Brasília ou a partir do avanço da fronteira do

capital.

Com a chegada da rodovia e a consequente re-hierarquização da rede urbana da porção norte do estado do Goiás, atual estado do Tocantins, Araguaína tornou-se o principal centro ao longo do eixo rodoviário nesta região do estado e é o centro que representa mais claramente o resultado de uma reorientação espacial, onde o Rio Tocantins deixa de ser o principal escoadouro e meio de locomoção das populações daquela região.

A dinâmica do município condiz com os processos de avanço da fronteira do capital, principalmente de 1970 em diante, quando se verificou no Brasil o avanço da modernização agrícola acompanhada de uma série de incentivos fiscais e subsídios aos capitais que se apropriaram de terras na Amazônia Oriental e no Cerrado.

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IBGE op. cit.; UFT op. cit. 59

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Tabela 11. Participação (%) do valor adicionado dos setores e da arrecadação de impostos no Produto Interno Bruto dos municípios

Ano Agropecuária Indústria Serviços60 Administração

Pública61 Impostos Marabá 2006 3,08 37,36 47,32 7,91 12,24 2007 2,32 32,36 52,10 8,03 13,22 2008 1,85 33,73 50,00 7,95 14,42 2009 1,92 25,96 56,67 10,90 15,45 2010 2,10 26,92 54,63 12,28 16,34 2011 2,50 24,19 57,48 13,37 15,83 Imperatriz 2006 2,04 14,45 72,65 14,10 10,86 2007 6,44 14,95 68,07 14,51 10,54 2008 4,28 15,34 69,51 15,05 10,88 2009 2,15 13,35 73,91 17,00 10,58 2010 2,80 12,77 73,37 17,49 11,07 2011 3,10 15,74 69,87 15,66 11,29 Araguaína 2006 3,51 23,55 59,74 16,94 13,20 2007 3,80 20,52 63,33 17,07 12,35 2008 3,72 21,39 61,44 16,85 13,45 2009 3,74 20,18 64,02 18,09 12,06 2010 3,29 22,43 63,03 21,09 11,25 2011 2,55 18,29 66,99 24,33 12,17

Fonte: Contas Regionais/IBGE, em parceria com os Órgãos Estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais de Governo e Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA.

Tal como descrito anteriormente, Marabá é o município em que a indústria extrativa tem mais importância. Mesmo que os dados da Tabela 11 mostrem uma perda de participação relativa ao longo dos anos, isso não significa que a indústria extrativa perdeu importância naquele município. O que houve foi um crescimento muito superior do setor de serviços, o que implica uma ampliação da centralidade desse município62. Vale destacar que o produto industrial de Marabá é muito superior ao dos dois outros municípios. Araguaína é o município que tem maior participação da administração pública. Logo, boa parte de sua centralidade está ligada à oferta de serviços desse setor.

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Inclui todo o setor de serviços, administração pública e comércio. 61

Inclui administração, saúde e educação públicas e seguridade social. 62

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Tabela 12. Evolução da população dos conjuntos de municípios inseridos nas regiões de influência das capitais regionais63

Ano Capital regional64 Total Urbana Rural R.I./Mun.65

197066 Araguaína 92.364 35.058 57.306 2,44 Imperatriz 266.227 61.873 204.354 3,29 Marabá 49.717 21.909 27.808 2,03 198067 Araguaína 225.073 104.155 120.918 3,12 Imperatriz 672.723 230.992 441.731 3,06 Marabá 230.447 81.061 149.386 3,85 199168 Araguaína 631.590 360.015 271.575 6,11 Imperatriz 758.850 400.510 358.340 2,74 Marabá 361.734 187.923 173.811 2,93 200069 Araguaína 992.250 630.830 361.420 8,77 Imperatriz 1029.119 672.514 356.605 4,46 Marabá 1164.589 707.098 457.491 6,93

Fonte: Estudos sobre regiões de influência das cidades70/IBGE. Elaboração própria.

No caso das regiões de influência de Marabá, Imperatriz e Araguaína o que se percebe é a crescente incorporação de municípios e a reestruturação hierárquica dessas áreas. Ao longo dos estudos de regiões de influência das cidades elaborados pelo IBGE esses municípios ampliaram o raio de influência em relação à população da região de maneira substancial. Além disso, outras cidades menores ganharam espaço na intermediação entre essas cidades

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Devemos ressaltar que os dados da Tabela foram aferidos de acordo com os relatórios disponibilizados pelo IBGE para as pesquisas de Região de Influência das Cidades. Tais pesquisas tiveram suas metodologias alteradas ao longo do tempo. Principalmente a última (2007) que passa a estabelecer a centralidade das cidades de acordo com o critério de “centro de gestão do território”. Com peso muito menor sobre as diferenciações da oferta de bens e serviços mais especializados entre as cidades, como feito nas pesquisas anteriores. Porém, tais condições não afetam totalmente as análises. A simples demonstração de que essas cidades exercem influência regional é importante para mostrar suas respectivas centralidades. Outros dados da pesquisa são disponibilizados para corroborar essa tese.

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Nomenclatura definida pelo IBGE no estudo Regic de 2007

65Essa coluna representa a população total de todos os municípios inseridos nas regiões de influência das três capitais regionais da Tabela, dividida pela população total destas.

66Dados referentes ao Censo Demográfico de 1970 do IBGE de acordo com a hierarquia urbana estabelecida pelo IBGE em seu estudo “Divisão do Brasil em regiões funcionais urbanas” publicado em 1972.

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Dados referentes ao Censo Demográfico de 1980 do IBGE de acordo com a hierarquia urbana estabelecida pelo IBGE em seu estudo “Regiões de influência das cidades” publicado em 1987.

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Dados referentes ao Censo Demográfico de 1991 do IBGE de acordo com a hierarquia urbana estabelecida pelo IBGE em seu estudo “Regiões de influência das cidades 1993” publicado em 2000.

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Dados referentes ao Censo Demográfico de 1991 do IBGE de acordo com a hierarquia urbana estabelecida pelo IBGE em seu estudo “Regiões de influência das cidades 2007” publicado em 2008.

70O IBGE divulgou em 2013 um estudo intitulado “Divisão Urbano Regional”. Tal estudo dividiu o país em Regiões Ampliadas, Intermediárias e Imediatas de articulação urbana de acordo com a metodologia do próprio Regic 2008. O grande erro de tal estudo foi tentar estabelecer somente regiões de influência contíguas, em que cada município pertence à apenas uma destas. Todo o esforço de se afastar de formalismos e reducionismos das abordagens teóricas que servem de referência para os estudos de hierarquia urbana do IBGE foram dispensados nesse último caso. Eis o motivo da não utilização deste no presente trabalho.

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intermediárias e os demais municípios sem centralidades para além de seus limites municipais. Isso torna essas redes urbanas mais dinâmicas.

Tabela 13. População dos municípios e taxa média geométrica (%) de crescimento demográfico anual71 entre os censos.

Município Ano Total Urbano Rural

Tx. de cresc. total Tx. de cresc. urbano Tx. de cresc. Rural Araguaína 1970 37.780 17.372 20.408 - - - 1980 72.063 47.956 24.107 6,67 10,69 1,68 1991 103.315 84.614 18.701 3,33 5,3 -2,28 2000 113.143 105.874 7.269 1,01 2,52 -9,97 2010 150.484 142.925 7.559 2,89 3,05 0,39 Imperatriz72 1970 80.827 34.698 46.129 - - - 1980 220.079 111.619 108.460 10,54 12,39 8,93 1991 276.502 210.051 66.451 2,1 5,92 -4,36 2000 230.566 218.673 11.893 -2 0,45 -17,4 2010 247.505 234.547 12.958 0,71 0,7 0,86 Marabá 1970 24.474 14.569 9.905 - - - 1980 59.881 41.752 18.129 9,36 11,1 6,23 1991 123.668 102.435 21.233 6,82 8,5 1,45 2000 168.020 134.373 33.647 3,46 3,06 5,25 2010 233.669 186.270 47.399 3,35 3,32 3,49

Fonte: Censos Demográficos/IBGE. Elaboração própria.

A influência desses municípios muitas vezes se sobrepõe. É o caso das áreas do sudeste o Pará, que recebem influência de Araguaína e Marabá; como também ocorre em algumas áreas do sul do Maranhão, integradas às áreas de influência tanto de Imperatriz como de Araguaína. No estudo das Regiões de Influência das Cidades (Regic), referente ao ano de 2007, a

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Essas taxas de crescimento anual são referentes aos períodos de um censo ao censo imediatamente seguinte. P. ex., entre os censos de 1980 e 1991.

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Imperatriz é o principal município da Região Metropolitana do Sudoeste maranhense, instituída pela Lei Complementar Estadual nº 89 de 2005. Os municípios que compõem essa região são: Buritirana, Davinópolis, Governador Edson Lobão, Imperatriz, João Lisboa, Montes Altos, Ribamar Fiquene, Senador La Roque. Alguns motivos nos levaram a optar pela análise do município de Imperatriz, e não de sua Região Metropolitana como um todo. Primeiro que não dá para considera-la como tal, dado que sua população urbana, em 2010, era de 291.025 e 80,6% dessa população vivia na cidade de Imperatriz. Ou seja, só essa cidade já nos dá uma boa perspectiva da região como um todo. Segundo, e ainda nos termos do primeiro argumento, alguns municípios como Ribamar Fiquene e Montes Altos estão distantes da mancha urbana de Imperatriz. Terceiro que cinco desses municípios foram instalados depois do Censo Demográfico de 1991, o que prejudica uma análise desagregada. E, por último, as taxas de crescimento demográfico de Imperatriz e do conjunto de municípios que compõem a RM são bastante parecidas. Ou seja, considerar somente Imperatriz não prejudica a análise.

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dependência de centros menores por insumos agropecuários ofertados por essas cidades é algo que merece destaque. Além de relacionar parte da centralidade dessas cidades à expansão agropecuária moderna, típica da atual região de fronteira, ainda exemplifica a sobreposição de suas áreas de influência imediata. Mesmo assim, supomos que a influência desses municípios é mantida por diversos outros subsetores de comércio e serviços73.

Quadro 02. Municípios que demandam insumos agropecuários em mais de uma cidade nas regiões de influência de Araguaína, Marabá e Imperatriz

Município Município de origem dos

insumos Produtos

Brejo Grande do Araguaia-PA Marabá e Imperatriz Leite

Piçarra-PA Marabá e Araguaína Leite

São Domingos do Araguaia-PA Marabá e Imperatriz Leite

Rondon do Pará-PA Marabá e Imperatriz Madeira em tora

São Domingos do Araguaia-PA Marabá e Imperatriz Mandioca

Dom Eliseu-PA Marabá e Imperatriz Pimenta-do-reino

Ananás-TO Araguaína e Imperatriz Arroz

Angico-TO Araguaína e Imperatriz Arroz

Dom Eliseu-PA Marabá e Imperatriz Bovinos

Pacajá-PA Marabá e Araguaína Bovinos

Piçarra-PA Marabá e Araguaína Bovinos

Rondon do Pará-PA Marabá e Imperatriz Bovinos

Ananás-TO Araguaína e Imperatriz Bovinos

Angico-TO Araguaína e Imperatriz Bovinos

Araguanã-TO Marabá e Araguaína Bovinos

Nova Olinda-TO Araguaína e Imperatriz Bovinos

Brejo Grande do Araguaia-PA Marabá e Imperatriz Milho

Ananás-TO Araguaína e Imperatriz Milho

Angico-TO Araguaína e Imperatriz Milho

Babaçulândia-TO Araguaína e Imperatriz Milho

Dom Eliseu-PA Marabá e Imperatriz Soja

Fonte: Estudo das Regiões de Influência das Cidades - 2007/IBGE.

Também chama a atenção o crescimento da influência de Araguaína. Dado que esta cidade pertence, no último Regic, ao mesmo nível hierárquico – Capital Regional C – dos outros

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Isso é tão somente um exemplo. Não podemos confundi-lo com a totalidade do fenômeno analisado. Além dessa suposição, devemos considerar também as limitações da pesquisa do IBGE. Lembremos que essa pesquisa não é resultado de um amplo apanhado econômico que estabelece os fluxos de insumos, produtos e pessoas entre as cidades brasileiras. No caso específico dos