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Parte I – Quadro Conceptual

5.5. O insucesso escolar: meios de o mitigar

As crianças e jovens encontram-se fragilizadas pelo IE, daí que as atitudes a ter para com elas devam ser, de acordo com Martins (1991), numa linha de tolerância, apreensão e fornecendo auxílio sem limites, promovendo a valorização da auto-estima para facilitar a descoberta de pequenos sucessos.

Segundo Muniz (1993), são três as condições basilares necessárias reforçar, para que exista uma adequada dinamização intelectual relativamente aos objectos do conhecimento escolar. A auto-estima, o domínio dos impulsos, o domínio do símbolo e dos processos de representação simbólica.

Para reforçar a auto estima, a criança ou jovem tem de ter encontrado a sua identidade e ter capacidade de assumir confiança em si. Assim, Muniz (1993) propõe uma atitude de paciência. A criança precisa de tempo para exercer a mudança e vencer resistências pois as mudanças deste cariz têm ritmos lentos, que devem ser respeitados. A atitude de observação é valorizada, na medida em que o adulto deve ter a capacidade de saber reconhecer o timing em que a criança está mais receptiva e permeável a determinado tipo de tarefa ou actividade que lhe permita a aprendizagem. A criança apoia a confiança em si mesmo tendo muito em atenção a opinião dos outros. Assim, cabe aos pais e professores educadores a tarefa de saber valorizar as progressões, por mínimas que sejam, para ajudar a criança no seu processo evolutivo. Mas produzirá efeito contrário, se a criança ou jovem é valorizado quando não desenvolveu esforço para que o mesmo se sucedesse. A criança ou jovem deve participar nas actividades do grupo/ família de importância e sentir que as suas tarefas são relevantes.

É através do reforço da auto-estima que se desenvolve um adequado domínio da agressão. Quando se sente bem, o indivíduo tem maior facilidade em se auto-controlar e fazer frente aos perigos provenientes do meio exterior ou interior a si mesma. Há que estabelecer um conjunto de normas e regras, que a criança/ jovem partilhe, bem delimitadas, de modo que se tornem vínculos de qualidade, que, assim sendo, são assumidas como factores de protecção. Muito embora a criança/ jovem imponha resistência, relutância, o diálogo justificativo e cooperativo entre o menor e o adulto deve impor-se no sentido de esclarecer cada uma das partes.

As aprendizagens efectuadas pelas crianças perpetuam-se através da utilização do símbolo, motivo pelo qual o mesmo deve ser reforçado. O jogo é um óptimo veículo para o reforço desta função. A narração amena é outro estímulo intelectual, e a palavra adquire o

56 seu pleno significado quando utilizada com fins comunicativos e de intercâmbio, não meramente para ordenar ou questionar.

Assim…

“Não se devem educar as crianças pela força e pela dureza, mas sim levá-las por aquilo que as diverte, de maneira a que possam distinguir melhor o que as interessa e descobrir quais as suas inclinações.”

Platão, A República, VII

Uma grande maioria dos pais que se preocupa com o percurso escolar dos seus filhos é motivada pelo futuro do filho, sem que muitas vezes, esse futuro, para a criança ou jovem, seja visto como muito longínquo. Contudo o interesse que os pais possam demonstrar pelo trabalho dos seus filhos é sem dúvida de extrema relevância para o êxito escolar dos mesmos. Assim uma relação positiva, com envolvimento intelectual, é um elemento essencial ao sucesso escolar.

A criança/jovem pretende agradar com quem consigo se relaciona positivamente: pais, professores, família, aplicando-se no trabalho escolar para receber facilmente recompensas, o agrado dos pais e a manifestação de satisfação dos professores. Contudo, podem existir ou surgir situações “adversas”que possam motivar a alteração de comportamentos das crianças ou jovens (Bettelheim, 2003).

Cabrita (1993) fornece algumas sugestões para diminuir o IE, entre elas:

i. A alteração/ adequação dos conteúdos programáticos às diferentes populações escolares, com característica próprias;

ii. A necessidade de considerar a heterogeneidade dos alunos que entram na escola, procurando maximizar o que cada um nela procura, em articulação com as necessidades/possibilidades que a sociedade dispõe;

iii. Desenvolver a alteração dos processos de avaliação, a qual deve ter efeitos pedagógicos e certificar o grau de conhecimentos de forma não comparativa nem eliminatória, neste sentido e apelando a esta diferenciação surgiu o Despacho Normativo 50/2005;

iv. Afastamo-nos da ideologia de que a escola é capaz de democratizar a sociedade, o mesmo é dizer que a escola a reproduz; desenvolver a

57 melhoria dos processos pedagógicos e de funcionamento do sistema de ensino, particularmente da organização escolar;

v. Estimular a maior participação dos professores. É ilusório pensar a resolução dos grandes problemas de ensino sem a participação racionalizada dos professores. (OCDE, 1989: 131).

Precioso (2005) aponta algumas sugestões para diminuir o IE, nomeadamente: i. Alterações nos curricula e nas práticas pedagógicas, inclusive do sistema de

avaliação.

ii. Diminuir o número de disciplinas obrigatórias e consequentemente reduzir a carga horária dos alunos.

iii. Reduzir os programas e adaptá-los cada vez mais à faixa etária dos alunos, ensinar menos mas para que as crianças melhor possam aprender. Dado que, como segundo Iturra (1990a:16) define, ensinar mais não é do que “transmitir a memória social de adultos a jovens, é o processo pelo qual se transfere o pensamento cultural de como a sociedade se gere a si própria.” O mesmo autor continua afirmando que “Há um divórcio entre o que se ensina e a utilidade social da aprendizagem”.

Segundo Noronha & Noronha (1991), a motivação para o sucesso académico é uma componente essencial ao bom ajustamento das exigências académicas, que oscila bastante em função do meio de que o aluno é proveniente. Assim, a interacção pais e filhos pode ser um elemento facilitador ou inibidor no poder da aquisição de conhecimentos. Enquanto a rejeição e a demasiada restrição imposta pelos pais se associam a uma aquisição académica deficiente, um envolvimento positivo com o progenitor do mesmo sexo favorece o bom ajustamento às exigências escolares. No que concerne à ansiedade, facilita os processos de aprendizagem mais simples, mas dificulta os mais complexos.

Fonseca (1999) indica que para prevenir o IE há que actuar em factores sociais, escolares, psicológicos e pedagógicos. Assim, nos factores sociais, não se poderá depreciar a contingência cultural do problema emergente, o tipo de envolvimento socioeconómico e sociocultural e, basicamente, as atitudes dos pais. O interesse e encorajamento, bem como o grau de estimulação e de interacção linguística são também considerados, uma vez que jogam um papel determinante no ajustamento social da criança e nos seus resultados escolares. Neste ponto, a prevenção incluiu acções de esclarecimento, aconselhamento dos pais e maior integração e participação destes na vida da escola.

58 Os factores escolares responsabilizam a formação científica dos professores. O professor não se pode compadecer com a impossibilidade de resolver os problemas que lhe são externos, deve revitalizar a sua atitude face a cada criança individualmente, aplicando o reforço social e fortificando factores de personalidade, vigiando e controlando os níveis motivacionais e de curiosidade. Os problemas não devem ser encobertos nas estruturas educativas, é necessário agir com técnicos especializados que permitam ajudar a criança a ultrapassar dificuldades (nomeadamente os psicólogos).

Depreendemos nas palavras de Fonseca (1999) que o erro pedagógico na formação de “turmas repetentes” que se vislumbram nas escolas portuguesas, uma vez que são núcleos problemáticos, que se agravam quando são atribuídas a professores mais imaturos e inexperientes, profissionalmente.

No que se refere aos factores psicológicos, Fonseca (1999) defende a necessidade da existência de Psicólogos ao nível de escola, para a identificação, observação e orientação pedagógica da criança.

Os factores pedagógicos centram-se no papel importante que o docente desempenha na observação sistemática que realiza do aluno. E na inerente formação que tem de ter para saber utilizar a observação em prol de um melhor trabalho junto dos alunos.

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